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As notícias com Carlos Pedro.

Jornal das seis na Rádio Observador. Os ministros da Administração Interna da União Europeia reúnem-se hoje de emergência para discutir a crise migratória em Ceuta, um dia após 88 migrantes terem sido resgatados nas Ilhas Baleares pelas autoridades espanholas. Aconteceu ontem. As autoridades de Espanha resgataram quatro embarcações que chegaram às Ilhas Baleares, Maiorca, Minorca, Ibiza e Formentera. Eram 88 migrantes vindos do Norte de África e da África Subsaariana. No ano passado, já tinham chegado a estas ilhas mais de 400 barcos com 7 mil pessoas. Ainda assim, o mote para este encontro em Bruxelas dos ministros da Administração Interna prende-se com a questão de Ceuta. Ontem, o chefe da diplomacia italiana voltou a pedir a exclusão de Espanha do espaço Schengen, diz que é um processo que está em conformidade com os tratados da União Europeia e alega que permanecem cinco mil migrantes no enclave espanhol. De resto, a Itália é um dos 22 países que pediram esta reunião de emergência para analisar os recentes acontecimentos em Ceuta. Estes países culpam Madri pela crise migratória vivida no enclave. É também por isso alvo das críticas do governo de Pedro Sánchez, que continua a defender-se. O governo espanhol veio ontem esclarecer o acordo do Supremo Tribunal que impedia os migrantes que chegassem a nado a Ceuta de serem imediatamente repatriados. Ora, o executivo de Pedro Sánchez diz que a alteração não abre qualquer via de entrada no país, não altera a lei de estrangeiros, nem impede o regresso ao país de origem. Por outro lado, Marrocos garante que alertou Espanha sobre esta sentença do tribunal espanhol. Rabat diz que a decisão enfraquece a cooperação entre os dois países na gestão migratória e, por isso, divide responsabilidades. São temas para serem discutidos nesta reunião de emergência do Bloco dos 27. Portugal não assina a carta que critica a Espanha, mas vai fazer-se representar nesta reunião por Luís Neves. A vida segue, entretanto, em Ceuta e milhares de migrantes continuam na cidade espanhola, em território africano. Os enviados especiais do Observador a Ceuta, João Porfírio e Inês André Figueiredo, estão no local e admitem que o pior cenário aparenta já ter ficado para trás.

O cenário mais complicado já passou. Quase todos os migrantes que entraram em Ceuta já saíram pela fronteira terrestre de volta a Marrocos, mas os que sobram são, por assim dizer, os mais resistentes. Continua a haver tentativas das autoridades espanholas de encaminhar estas pessoas para a fronteira de Marrocos. Há uma presença muito forte, tanto do exército como da polícia na cidade e, no fundo, uma tentativa de não facilitar a vida a quem quer ficar.

O testemunho da jornalista Inês André Figueiredo na última tarde em Ceuta, onde permanece entre 3 e 5 mil migrantes no enclave espanhol, em território africano. Ainda lá para fora, Donald Trump diz que não vai permitir que o Irão cobre taxas pela travessia do estreito de Ormuz. Questionado sobre se o Irão estaria disposto a regressar à navegação totalmente livre, o presidente dos Estados Unidos insiste que a passagem de navios por Ormuz tem que ser feita sem qualquer tipo de pagamento ao Irão e que nenhum outro cenário está em cima da mesa. O líder da Casa Branca voltou ainda a deixar ameaças a Teerão. Diz que é a última oportunidade para os iranianos assinarem um bom acordo, que apesar de desmentido pelos islâmicos, Trump assegura que continuam as negociações entre os dois países. Mas na análise a esta fase do conflito, o especialista em política norte-americana Nuno Gouveia diz que a posição do presidente dos Estados Unidos está fragilizada.

E Donald Trump tem a necessidade e tem tido a necessidade de terminar este conflito, no fundo, num formato positivo para os Estados Unidos, mas não tem encontrado meios. E é evidente que estas ameaças que ele profere e que depois recua, no fundo, estão fragilizando o seu caso, mas também demonstram que Donald Trump e os Estados Unidos não têm, neste momento, uma saída fácil para este conflito e, mais do que isso, que estamos num impasse.

Nuno Gouveia ontem à noite no Gabinete de Guerra da Rádio Observador. A edição desta manhã é com o Miguel Baumgartner. Vamos falar de atualidade nacional. A Procuradoria Europeia está a investigar os contratos feitos pela Polícia Judiciária durante a liderança de Luís Neves. Em causa estão os contratos para remodelações e empreitadas que a Polícia Judiciária estabeleceu com a Constrobarcelos, a mesma empresa responsável pelas obras na casa do antigo diretor nacional da PJ e atual ministro da Administração Interna. A notícia foi avançada pela CNN Portugal, que refere que a Procuradoria Europeia iniciou um processo de verificação destes contratos, ou seja, uma espécie de averiguação preventiva. Esta ação judicial europeia surge depois de o Ministério Público português ter aberto um inquérito ao caso do atrelado de droga apreendido numa operação e depois encontrado nas instalações da empresa do empreiteiro amigo de Luís Neves. O ministro já reagiu, saúda a investigação e diz-se disponível para colaborar com as autoridades. O presidente da República promulgou o diploma que prevê a criação da carreira de médico dentista no Serviço Nacional de Saúde. Acontece 40 anos depois da primeira proposta apresentada na Assembleia da República para juntar a saúde oral aos serviços do SNS. É o que dá conta o presidente da Ordem dos Médicos Dentistas, Miguel Pavão. O diploma prevê agora que os dentistas passem a estar integrados nos serviços de saúde oral das Unidades Locais de Saúde já dentro de três meses. Miguel Pavão lembra que a medida foi aprovada no Parlamento por unanimidade e, por isso, diz esperar um processo rápido por parte do governo.

Esta é uma luta muito antiga. Só para termos uma noção, a primeira proposta da carreira do médico dentista no Serviço Nacional de Saúde data exatamente de julho de 1986, há 40 anos. Não é por este atraso de muitos anos para vigorar agora num decreto lei, que significa que não venha a ser implementado no mais breve curto prazo possível, porque o próprio diploma estipula que o governo terá 90 dias para operacionalizar aquilo que foi aprovado de forma unânime pela Assembleia da República

O presidente da Ordem dos Médicos Dentistas, Miguel Pavão, à Rádio Observador. Na educação, o ministro Fernando Alexandre garante que todos os alunos estão em igualdade de circunstâncias no acesso ao ensino superior e o ministro recusa também alterar o calendário do início das aulas do terceiro ciclo. O ministro esteve ontem a prestar esclarecimentos na Comissão Permanente do Parlamento para debater os problemas com os exames nacionais. Confirmou que o início das aulas do terceiro ciclo terá lugar entre os dias 11 e 15 de setembro, como estava inicialmente previsto. E Martim Madeira, a sessão de ontem com o ministro deu para garantir respostas às dúvidas.

"Na minha vida pessoal e na minha vida profissional, nunca virei costas a problemas complexos ou desafios exigentes."

Foi o recado deixado por Fernando Alexandre no regresso ao Parlamento para responder aos partidos da oposição. Na intervenção inicial, o ministro da Educação explica que praticamente todas as provas da segunda fase estão corrigidas.

Ao início da tarde, estavam já classificadas 97% das respostas das cerca das 90 mil provas realizadas na segunda fase.

A disrupção começou cedo, com o Chega a indicar que Fernando Alexandre não queria responder às perguntas.

O PSD procurou evitar que o senhor ministro respondesse a perguntas e viesse apenas a este Parlamento fazer uma intervenção política, coisa que podia fazer em qualquer local fora daqui.

Uma intervenção que levou um despique ao presidente da Assembleia. Mais tarde, o foco de André Ventura mudou, desta vez para o ministro da Administração Interna.

Querem proteger o ministro Luís Neves, mesmo que isso signifique atirar para a fogueira o ministro Fernando Alexandre. Quero, por isso, deixar ao país uma garantia. Contra tudo e contra todos, a comissão de inquérito avançará.

Ainda à direita, a Iniciativa Liberal, pela voz de Angélique Trezza, manteve a rota inicialmente designada e queria ver respondidas certas perguntas.

Foi enganado ou deixou-se enganar, ou deixou que o PRR o atirasse para esta situação?

Já à esquerda, o PS deixa duras críticas. Porfírio Silva explica que os socialistas não são contra a reforma no ensino.

Nós não somos contra reformas, somos é contra a imprudência e a impreparação para implementar.

E do Bloco, Fabian Figueiredo dá cognomes a Fernando Alexandre.

O senhor ministro deve ter imaginado na história como Fernando, o digitalizador. Mas a história de Portugal tem as suas ironias. Já tínhamos um Dom Fernando inconstante, agora temos dois.

Na intervenção final, o ministro da Educação explica que 50% das provas da fase de reapreciação já estão corrigidas e que nenhum aluno da primeira fase vai ser prejudicado.

A esta hora, mais de 50% das reapreciações já estão concluídas. Nenhum aluno será afetado no acesso ao ensino superior. Todos os alunos que têm a classificação vão ter a reapreciação da primeira fase a tempo de poderem concorrer à primeira fase.

O jornalista Martim Madeira com as explicações do ministro Fernando Alexandre na audição de ontem na Comissão Permanente da Assembleia da República. Fecha assim este jornal das 6h. A informação regressa à Rádio Observador com a síntese das 6h30. Até já.