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Muito bom dia, boa quinta-feira, dia 5 de outubro. Começa agora o jornal das 07h, edição de Miguel Vider. Miguel, começamos com o balanço feito pela Ministra da Habitação: há 86 mil famílias a viver em condições indignas.
Um número que compara com os 26 mil agregados familiares identificados em 2018. O balanço atualizado foi feito ontem à noite pela Ministra da Habitação, Marina Gonçalves, em entrevista à RTP.
Nós, em 2018, quando definimos e apresentamos o programa Primeiro Direito, junto dos municípios, aquele que deveria responder à indignidade, falávamos de 26 mil famílias. Hoje, temos 270 municípios, todos estão a trabalhar nas suas estratégias, mas 270 municípios com a estratégia já em execução e falamos já de 86 mil famílias.
Mas assim, há um grande salto de 2018 para 2023.
Na verdade, há duas dimensões. Há uma dimensão conjuntural de uma pandemia que atravessamos, de um conjunto de fatores que acabaram por inflacionar o mercado de arrendamentos, também pelo período que vivemos, de aumento das taxas de juro, de aumento da inflação, isto tudo contribuiu para o aumento dessas necessidades, mas há também uma mudança de paradigma na forma como nós olhamos para as necessidades habitacionais e para a indignidade habitacional.
Um problema que se acentuou nos últimos cinco anos. A ministra revela que há 2900 casas para entregar a famílias mais carenciadas. Nesta entrevista, Marina Gonçalves falou também sobre o tema da atualização de rendas no próximo ano. De acordo com a fórmula de cálculo em vigor, que tem em conta a inflação até agosto, o aumento pode chegar quase aos 7%. O primeiro-ministro já disse que não vai ser repetida a fórmula de 2023, que limitou o aumento a 2%, embora a fórmula de cálculo apontasse para um aumento superior. A ministra não esclarece o que vai ser feito, diz que o tema está a ser analisado e que são necessários equilíbrios sem distorcer, no entanto, o mercado.
É para nós também fundamental, e sobretudo depois da densa discussão que tivemos, dar esta estabilidade ao mercado de arrendamento. Mas há aqui a compatibilização e estes equilíbrios e estas convergências depois determinam que tenhamos que perceber onde é que esse esforço pode ser repartido. É essa avaliação que estamos a fazer.
Mas neste caso, o que é mais provável que aconteça? É o governo determinar um valor ou deixar que aquilo que era suposto acontecer, aconteça?
Há, necessariamente, para nós, uma avaliação que é fundamental e que estará na base de qualquer decisão que viermos a tomar. Tem a ver com o equilíbrio e uma repartição de esforço.
Para já, o tema continua em análise, ainda não há uma decisão definitiva por parte do Executivo.
E o governo está disposto a fazer injeções extraordinárias no sistema elétrico e do gás para garantir preços estáveis.
Essa possibilidade é admitida poucos dias de serem conhecidas as propostas do Executivo para o Orçamento do Estado. Em entrevista ao Observador, a Secretária de Estado da Energia, Ana Gouveia, explica que o objetivo é proteger as famílias de uma eventual escalada dos preços.
Estamos a trabalhar com o regulador também. Como sabe, ainda existe alguma volatilidade nos mercados internacionais e a garantia que lhe posso dar é a garantia que temos dado sempre: faremos aquilo que é necessário para proteger as famílias de uma escalada de preço e continuar a garantir preços de eletricidade no nosso mercado estáveis, e estaremos dispostos a fazer injeções extraordinárias no sistema, se for caso disso.
Nesta entrevista ao Observador, a Secretária de Estado da Energia abordou ainda o tema dos protestos dos ativistas climáticos dos últimos dias. Ana Gouveia sublinha que o governo está a fazer os possíveis para que o processo de descarbonização seja feito de uma forma justa para toda a sociedade.
Teremos todos a nossa visão sobre o ritmo a que o país está a seguir. Eu creio que aquilo que estamos a fazer está perfeitamente alinhado com aquilo que são as expectativas dos portugueses, que obviamente querem fazer um caminho para a transição climática, mas querem fazê-lo assegurando também que essa transição é justa, que os empregos que eventualmente desaparecem são substituídos por outros empregos do futuro, e portanto, que esse caminho é feito com toda a segurança e toda a justiça social.
A Secretária de Estado da Energia, numa entrevista conduzida pela jornalista do Observador, Ana Suspiro. Até ao final do ano, o Executivo quer lançar dois concursos considerados fundamentais para a transição energética: a prospecção e pesquisa de lítio e a atribuição de potência eólica no mar. Ana Gouveia garante que o lítio extraído em Portugal se vai destinar, em primeiro lugar, à indústria que se quer fixar no país.
Este é um artigo que faz, neste momento, manchete no site do Observador. E seguimos com as notícias. Miguel, o último mês de setembro foi o mais quente de sempre.
A informação é avançada pelo Serviço Sobre Mudanças Climáticas do programa europeu Copernicus. As temperaturas médias do ar foram de 16,38 °C. Em declarações citadas pela agência de notícias France Presse, responsáveis do programa Copernicus revelam que em setembro se registaram temperaturas sem precedentes.
E Miguel, comemora-se esta quinta-feira mais um aniversário da implantação da República.
Foi há 113 anos, neste dia 5 de outubro. A cerimônia vai decorrer em Lisboa e contar com o tradicional discurso do Presidente da República. Em anos anteriores, Marcelo Rebelo de Sousa aproveitou a ocasião para deixar alertas sobre a qualidade da democracia, também sobre a evolução econômica. As comemorações do 5 de Outubro vão ter como palco a Praça do Município.
O secretário-geral do PCP acusa o governo de falta de vontade para atender às reivindicações dos médicos que se recusam a fazer mais horas extraordinárias para lá do definido da lei.
E que está a provocar o encerramento de vários serviços de norte a sul do país. Paulo Raimundo entende que falta empenho ao governo.
O governo está apostado no processo de desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde. Não há como não ser assim, com as palavras que têm dado. E depois porque aquilo que é conhecido das propostas do governo é aumentar em mais 200 horas as horas extraordinárias para os médicos. Ora, quem propõe 350 horas extraordinárias, que na prática são mais quatro meses de trabalho para os médicos, é que não tem vontade de resolver esse problema. Nós não precisamos de mais horas extraordinárias. Nós precisamos é de condições para os médicos, respeito, valorização das carreiras e precisamos de mais médicos.
A receita do secretário-geral comunista para resolver os constrangimentos que afetam vários hospitais do país e que decorrem da recusa dos profissionais de saúde de fazerem mais do que as 150 horas extraordinárias anuais definidas na lei.
E esta quinta-feira decorre em Espanha, na cidade de Granada, mais uma cimeira da Comunidade Política Europeia.
O evento vai contar com a participação de perto de 50 líderes de países europeus que vão debater o futuro do continente. Este é um fórum criado em 2022, depois da invasão russa da Ucrânia. A cimeira da Comunidade Política Europeia vai centrar-se em três eixos: a digitalização, com destaque para os desafios e benefícios da inteligência artificial, a energia e o ambiente e o multilateralismo. Uma das incógnitas para o encontro desta quinta-feira é saber se o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, vai ou não marcar presença neste fórum.
E agora vamos ao futebol. O Porto perdeu ontem à noite por 1 x 0 na receção ao Barcelona.
Segunda jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões. Ferran Torres marcou o único gol do encontro já no fim da primeira parte. O Barcelona consegue assim a segunda vitória em dois jogos. Os Dragões somam a primeira derrota depois da vitória frente ao Shakhtar Donetsk na jornada inaugural. No final da partida, o treinador do Porto, Sérgio Conceição, falou num jogo cruel para os azuis e brancos.
Estamos desiludidos, frustrados, porque os meus jogadores trabalharam muito, fizeram um jogo fantástico e onde criámos muitas ocasiões. Enfim, um jogo cruel para nós. Jogámos contra um grande clube, mas jogámos contra mais do que um grande clube. A estratégia definida foi cumprida pelos jogadores. Agora jogar a nível alto, a este nível, na melhor prova de clubes do mundo, é necessário também que todos estejam focados, concentrados, e não se pode cometer determinados erros nesta competição, porque depois sofre-se e é injusto.
Sérgio Conceição e uma referência ao erro do jovem jogador do Futebol Clube do Porto, Romário Baró, que acabou por contribuir para o único gol do encontro apontado por Ferran Torres. Do lado do Barcelona, o treinador Xavi reconheceu as dificuldades sentidas pelo clube catalão e deixou elogios ao Futebol Clube do Porto.
Adversário muito difícil, muito agressivo, muito competitivo, equipa bem treinada. O Sérgio Conceição é um grande treinador. Custou-nos muito vencer esta partida. Na primeira parte é que fomos superiores, mas não foi assim na parte final do jogo, quando sofremos. É natural. A Liga dos Campeões é um campo complicado. O Porto é um dos grandes da Europa. Sofremos, mas estamos felizes pelo trabalho da equipa. Sacrificámo-nos, lutámos, deixámos a alma em campo para conquistar os três pontos fundamentais para seguir em frente.
O Barcelona terminou o encontro reduzido a 10 jogadores por expulsão de Gavi. Os catalães lideram de forma isolada o grupo com seis pontos à frente do Porto, que é segundo, e do Shakhtar, terceiro, ambos com três. O Antuérpia perdeu por 3 x 2 frente aos ucranianos e é último. Não conquistou até o momento qualquer ponto.
E esta quinta-feira é a vez do Sporting entrar em campo. Os Leões jogam frente à Atalanta para a Liga Europa, um adversário que Rúben Amorim classifica como aleatório.
O treinador leonino diz que é muito difícil prever como é que a equipa italiana vai jogar. Na conferência de imprensa de antevisão do encontro, Rúben Amorim explicou que face a esse grau de imprevisibilidade, foi complicado preparar a equipa para enfrentar os italianos.
A equipa da Atalanta é tão difícil de entender taticamente que os treinos foram um bocadinho mais confusos, porque é difícil eu dizer o que é que vai acontecer no jogo, porque a forma como o Mister Gasperini prepara a equipa, a forma como De Roon se joga de um lado, se joga de outro, Koopmeiners se joga na frente, se joga no meio-campo. É completamente aleatório aquilo que vai acontecer. É difícil de perceber, o que tornou a semana estranha, diferente, e onde eles tiveram que estar muito concentrados porque vão enfrentar algo que não estão habituados. E isso às vezes é bom.
Rúben Amorim, na conferência de imprensa de antevisão do jogo desta quinta-feira. O capitão Sebastian Coates recuperou e é opção para este encontro. Já Francisco Trincão está de fora por lesão. O jogo entre Sporting e Atalanta joga-se no Estádio José Alvalade, tem apito inicial para às 17h45 e vai ter relato em direto aqui no Observador.
E assim fechamos o jornal das 19h, edição foi de Miguel Videra, que está de regresso às 19h30 e já a seguir temos Café Europa.