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Muito bom dia, meu nome é Miguel Cordeiro, são 07h da manhã. Atualizo agora toda a informação aqui na Rádio Observador. Começamos pelas celebrações do 10 de Junho. Neste feriado celebra-se o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. As comemorações oficiais acontecem este ano em Lagos, no Algarve. Esta manhã, a partir das 11h, há cerimônia militar. Vamos ter também o último discurso de Marcelo Rebelo de Sousa enquanto presidente da República. E é a segunda vez na história que se celebra o 10 de Junho em Lagos. A anteceder a comemoração oficial, centenas de pessoas juntaram-se esta noite na Praça Infante Dom Henrique, assistiram a um concerto e não só. É o que nos conta o jornalista Miguel Videira.

O sol não deu para sentir, mas quem assistiu noite dentro ao concerto da Orquestra Ligeira do Exército pôde experimentar, para além das vibrações da música, outro tipo de emoções.

Aquilo que para os olhos parece magia, é, na verdade, disciplina, treino e o espírito indomável de quem nasceu para voar.

Do céu escuro e nublado, eis que de repente surgem cinco pontos de luz, ou melhor, cinco paraquedistas envoltos em Leds, acompanhados pela bandeira de Portugal. A exibição dos militares portugueses é motivo de admiração dos compatriotas que cá embaixo, de olhos postos no céu, esboçam um sorriso perante o feito. É o caso de Nuno, 50 anos. O que o faz sentir orgulhoso de ser português?

A nossa identidade, as nossas origens e a nossa comunidade de imigrantes representar-nos tão bem lá fora.

Lisboeta, a viver há seis anos em Lagos, também encontra entre as razões para se orgulhar do país em que vive, motivos para lamentar.

Pena, um país tão pequeno que há tantos anos, tantos anos atrás, comandava quase o mundo. E hoje em dia... Mas acho que muita coisa tem que mudar, de facto.

Está, por exemplo, Nuno a pensar nos filhos de 21 e 25 anos.

Preocupa-me muito, mesmo muito. Não há saídas para eles.

Sabe bem Cristina, funcionária da Câmara de Lagos, do que fala Nuno.

Tenho uma filha que neste momento é enfermeira e está a pensar emigrar para a Suíça, e é muito triste.

Sentimento que contrasta com o que sentiu Cristina há 29 anos, em 1996, quando Lagos acolheu pela primeira vez as cerimônias oficiais do 10 de Junho. Era presidente Jorge Sampaio. Portugal e este 2025.

É completamente diferente. Pessoas, a forma de pensar, a forma de estar.

Acho que é um Portugal mais dividido, mas também um Portugal mais justo, mais livre. E acho que é esse o Portugal que temos que continuar a celebrar e a tentar celebrar todos os dias.

Palavras do jovem Miguel, a que se junta o sinal de esperança da não menos jovem Celina.

É um país que tem esperanças de um dia ter esse espaço para os jovens.

E por falar em esperança, o que esperam Miguel e Celina do último discurso de Marcelo Rebelo de Sousa como presidente da República?

Frases que não sejam ocas, palavras que se tornem ações.

Palavras sinceras e honestas e que realmente demonstrem o que é ser português.

A definição não será, porventura, fácil, mas é certo que neste dia 10 de junho, ser português é sinônimo de celebração. 10 de Junho em Lagos. Esta manhã, a partir das 11h, na Avenida dos Descobrimentos, há intervenções de Marcelo Rebelo de Sousa, também da escritora e conselheira de Estado, Lídia Jorge, que preside à comissão organizadora das comemorações deste 10 de Junho. Em Lagos, a assistir à cerimônia vão estar também várias figuras de Estado, como também vários líderes partidários. Falamos agora de políticas de imigração. O governo recorda a vontade de regular o reagrupamento familiar de imigrantes com limitações à capacidade do país. Quem deixa esta nota é o ministro da Presidência. Na rede social X, António Leitão Amaro reage à posição do Chega, que anunciou que iria apresentar um projeto de resolução para suspender temporariamente o reagrupamento familiar. Para André Ventura, essa medida do reagrupamento familiar vai fazer com que Portugal deixe entrar mais 500 mil imigrantes. O governo fala em fake news. Leitão Amaro diz que é falso que o governo tenha anunciado a chegada de milhares de imigrantes pela via do reagrupamento familiar. O ministro da Presidência recorda também que a proposta do governo na campanha eleitoral já contemplava uma mudança da lei para limitar o reagrupamento familiar à capacidade de integração do país. O governo compromete-se a regular e a ajustar a abertura dos canais de entrada para cidadãos da CPLP e do reagrupamento familiar. A Rádio Observador escutou a Associação Solidariedade Imigrante, que diz que a proposta do Chega de suspender o reagrupamento familiar de imigrantes é desumana. O presidente da associação, Timóteo Macedo, alerta o governo para aquilo que considera ser uma armadilha do Chega. Esta associação defende que o reagrupamento familiar não é uma invasão, mas sim um direito dos imigrantes.

Eu quero lembrar que este governo disse aquilo que nós sempre defendemos: que o reagrupamento familiar é fundamental para a integração dos imigrantes em Portugal. Nós esperamos que o governo não caia nesta armadilha. Não se trata de nenhuma invasão. Trata-se de um direito, que é um direito das pessoas viverem em família. Eu gostaria de perguntar se alguém gostaria de ser separado, viver separado da família. E Portugal não pode impedir que isto aconteça. Portanto, temos que combater essas políticas, que são políticas cruéis, que maltratam as pessoas, que não são humanistas.

Timóteo Macedo à Rádio Observador, o presidente da Associação Solidariedade Imigrante revela também que está marcada uma reunião com a AIMA para expor os atuais problemas dos imigrantes em Portugal. Em dia de feriado, há constrangimentos previstos para os museus. Hoje é dia de greve. Os trabalhadores dos museus e monumentos nacionais estão a paralisar. A greve foi convocada pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais. Esta é uma greve ao trabalho nos feriados. Na altura da Páscoa, já se tinha registado uma paralisação semelhante. Os trabalhadores dos museus e monumentos em Portugal exigem a valorização do trabalho nos feriados e exigem também a valorização do trabalho suplementar. Nos Estados Unidos da América, por causa dos protestos contra a detenção de imigrantes, o Departamento de Defesa norte-americano vai enviar hoje cerca de 700 fuzileiros para a cidade de Los Angeles. O objetivo é apoiar os militares da Guarda Nacional, que também já estão a tentar dar resposta a estas manifestações. A Associated Press confirma, junto de três fontes anônimas, esta decisão de envio de militares para Los Angeles. Está escrito que os fuzileiros vão partir da base de Twentynine Palms, no deserto do sul da Califórnia. Os últimos dias têm sido de fortes protestos em Los Angeles, com confrontos entre manifestantes e as autoridades. Os fuzileiros procuram ajudar nesta resposta ao aumento das ameaças contra as autoridades federais e contra os edifícios do Estado norte-americano. Esta noite foi, mais uma vez, de fortes protestos e de confrontos com as autoridades. Entretanto, Donald Trump falou ao telefone com Benjamin Netanyahu e diz que teve uma conversa que correu muito bem. O presidente norte-americano anuncia também outra reunião, já esta semana, mas com o Irão. O presidente dos Estados Unidos da América esteve em chamada telefônica com o primeiro-ministro israelita, diz que correu bem e revela que está agendado esse encontro com o representante do Irão para a próxima quinta-feira. E sobre a reunião com o Irão, Trump diz que os Estados Unidos da América vão chegar a um acordo com o país para que não haja mais morte, para que não exista mais destruição. O presidente norte-americano explica também que o acordo nuclear ainda não foi assinado porque a posição iraniana é demasiado ambiciosa. Para fechar: Israel. O governo acusa os ativistas da embarcação Madeline de promoverem ativismo de Instagram. Esta embarcação foi desviada pelas forças israelitas. As autoridades de Israel garantem que a bordo estava menos do que um caminhão cheio de ajuda humanitária. E Israel, perante isso, diz que isto não era a entrega de ajuda humanitária, era, sim, ativismo de Instagram. Um porta-voz do governo de Israel, citado pela Al Jazeera, reforça também que Israel entregou mais de 1200 caminhões nas últimas duas semanas.