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Bom dia, notícias às 19h na Rádio Observador com Carla Jorge Carvalho. PSD e CDS propõem um programa de voluntariado pago que atraia os jovens para as Forças Armadas. O projeto vai ser apresentado hoje e quer lançar a discussão sobre o atual modelo de defesa nacional.

Como justificação da proposta, os dois partidos consideram que a incerteza internacional impõe uma reflexão urgente e descomplexada sobre o assunto. O projeto de resolução foi entregue ontem no Parlamento. PSD e CDS-PP recomendam ao governo que crie um programa de voluntariado cívico-militar. Rui Casanova, a quem se dirige e que condições oferece este programa?

Aplica-se a jovens portugueses dos 18 aos 23 anos, com a duração de três a seis semanas. Uma parte desse período será cumprido em regime de internato. O programa designado Defender Portugal terá como objetivo a formação cívica, física e militar de jovens cidadãos e um reforço da ligação entre a sociedade civil e a defesa nacional.

Rui, apesar de ser um programa de voluntariado, estão previstas compensações.

Sim, até financeiras. Os jovens voluntários que concluam o programa têm direito a uma retribuição única de €439,21. O valor corresponde à metade do que é pago durante o período de instrução básica ao primeiro escalão das Forças Armadas. Além dessa remuneração, os jovens ficam também com a possibilidade de obterem a carta de condução gratuita. A participação neste programa seria também valorizada no caso dos jovens concorrerem às Forças Armadas, forças e serviços de segurança, órgãos de polícia e ainda bombeiros profissionais.

PSD e CDS assumem assim a preocupação com a falta de recursos humanos nas Forças de Defesa, mas não são os únicos, Rui.

O problema é assumido por vários partidos. Os grupos parlamentares do PS e CHEGA também já apresentaram propostas no sentido de aproximar os jovens às Forças Armadas. O CHEGA recomenda ao governo que o Dia da Defesa Nacional, obrigatório para todos os jovens que façam 18 anos, se transforme na Semana da Defesa Nacional, com a duração de pelo menos cinco dias úteis. O PS propõe que o Executivo avalie os modos atuais do dia e estude novos modelos de recrutamento voluntário para as Forças Armadas.

Rui Casanova, com as propostas dos partidos, os deputados da Comissão de Defesa concordaram em aguardar por todas as iniciativas partidárias para que os projetos possam depois ser debatidos em conjunto antes de serem votados em plenário. PSD e CDS apresentam hoje este programa de voluntariado cívico-militar.

O governo e Carlos Moedas estão em colisão por causa da Polícia Municipal. O presidente da Câmara de Lisboa quer, há muito, reforçar as competências desta autoridade, mas o novo ministro da Administração Interna já veio afastar essa possibilidade.

A divergência entre Carlos Moedas e Luís Neves em relação à segurança torna-se cada vez mais evidente. Ainda ontem, num colóquio em Lisboa sobre o tema, o presidente da Câmara de Lisboa defendeu a necessidade de combater a insegurança. Pouco depois, o ministro da Administração Interna avisou que é preciso ter cuidado com o tema das perceções e garantiu que Lisboa não tem mais crime do que no passado. Carlos Moedas tem exigido, por várias vezes, ao governo que aumente os efetivos da Polícia Municipal e que reforce também os poderes desta força. No entanto, fonte oficial do gabinete de Luís Neves confirma ao Observador que não existe qualquer intenção de alterar a lei para permitir aos polícias municipais realizarem detenções de criminosos em flagrante delito. Em relação a outro dos apelos de Carlos Moedas, dar às Câmaras Municipais a capacidade de recrutar agentes fora da PSP, o governo ainda não tem uma resposta definitiva. Fonte oficial do gabinete de Luís Neves adianta ao Observador que esta é uma matéria que está a ser avaliada com as autarquias.

E este é um tema que está em destaque a esta hora no nosso site. Mudamos de tema. Mariana Vieira da Silva não afasta uma candidatura à liderança do Partido Socialista. A antiga ministra afirma que não se exclui desse caminho.

A Mariana Vieira da Silva tem recusado ser uma sombra à liderança de José Luís Carneiro, mas também já revelou que defende que o PS deveria fazer outro tipo de oposição. Agora, em entrevista à Antena 1, admite a possibilidade de avançar com uma candidatura à liderança do partido. A antiga ministra da Presidência de António Costa afirma que não pode descartar essa hipótese.

Eu não me vou excluir para sempre de um caminho. Disse-lho aqui há um ano e é mesmo aquilo que sinto. Nunca foi uma coisa que eu pensasse. Nós sabemos que muitas pessoas pensam nisso ao longo da vida, que é ocupar as posições políticas que eu ocupo e já ocupei. Não pode dizer que põe completamente fora de causa essa possibilidade, porque não estaria a ser verdadeiro consigo próprio e não estaria a dar ao partido mais um elemento para essa riqueza de conjunto, que me parece de que os partidos precisam.

As declarações de Mariana Vieira da Silva em entrevista à Antena 1. De recordar que a deputada foi a escolhida pelo PS para representar o partido no Pacto da Saúde, promovido pelo Presidente da República e liderado por Adalberto Campos Fernandes.

Paulo Portas considera que as Nações Unidas têm sido irrelevantes nas guerras em curso em todo o mundo. O ex-vice-primeiro-ministro afirma que António Guterres, que está a terminar o mandato, podia ter assumido um papel mais forte e diz que se focou demasiado nas alterações climáticas.

António Guterres assumiu a liderança da ONU em janeiro de 2017 e foi reconduzido para um segundo mandato, que termina no final deste ano. Tem-se falado pouco da sucessão. Paulo Portas considera que esta falta de mediatismo é reflexo do atual estado das Nações Unidas perante um mundo em mudança.

Nós estamos a viver uma fase de raiva contra o multilateralismo e estamos numa fase ascendente ainda, de uma certa forma, do que começou por ser isolacionismo, no caso dos Estados Unidos, e passou rapidamente a expansionismo ou mesmo imperialismo. Os princípios gerais da Carta das Nações Unidas, estejam certos ou estejam enganados, acho que nem sequer se dão ao trabalho de os ir ler. São derrogados todos os diasE, portanto, a ONU não está a viver os seus melhores tempos. Foi irrelevante na Ucrânia, quase, e tem sido irrelevante na questão do Golfo.

Paulo Portas, o antigo vice-primeiro-ministro, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros na História do Dia, considera também que o mandato de António Guterres na liderança da ONU teve dois problemas.

O primeiro é o uso do poder da palavra. Eu lembro-me quando António Guterres se candidatou, para tentar obviar a rigidez estatutária das Nações Unidas e a dificuldade das reformas, foi tentar colocar a opinião pública a favor dessas reformas e ele usava muito o poder da palavra e isso talvez acabasse por não ter sido demasiado usado. O segundo ponto é que eu acho que o mundo focou-se muito nas questões climáticas, que eu acho sérias, não sou negacionista, mas o mundo, para além do clima, tem muitos outros problemas e talvez ele tenha colocado as fichas todas num lado ou quase todas.

Para já, há quatro candidatos para o cargo de secretário-geral da ONU. À cabeça, Rafael Grossi, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica. Destaque também para a ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, que se for eleita, será a primeira mulher a liderar a ONU. Estão também na corrida a ex-vice-presidente da Costa Rica, Rebeca Grynspan, e o ex-presidente do Senegal, Macky Sall.

Este é o tema da História do Dia, já disponível em podcast. Donald Trump não esclarece se o cessar-fogo com o Irão continua em vigor, isto depois de uma madrugada tensa no Estreito de Ormuz.

O presidente norte-americano recusa responder se o cessar-fogo acordado com o Irão continua em vigor ou se os ataques vão recomeçar. Em entrevista à Fox News, Trump insiste que o conflito com o lado iraniano do ponto de vista militar está terminado. No entanto, os meios de comunicação internacionais dão conta de uma noite tensa no Estreito de Ormuz, com relato de trocas de ataques.

O Irão acusa mesmo os Estados Unidos de terem atacado embarcações de civis numa operação de escolta que correu mal.

O Comando Central dos Estados Unidos chegou a anunciar que tinha destruído várias lanchas de militares do Irão, que estariam a ameaçar um navio comercial, que estava a ser escoltado esta madrugada. No entanto, a agência de notícias Tasnim denuncia que se tratavam, afinal, de pequenas embarcações de mercadorias. Nesses ataques, cinco pessoas terão morrido, é o que escreve a mesma fonte. Relembremos ainda as declarações de Donald Trump do dia de ontem. O presidente norte-americano ameaçou varrer o Irão da face da Terra se os iranianos atacarem navios norte-americanos que estão a escoltar as embarcações no Estreito de Ormuz.

São temas para analisarmos no Gabinete de Guerra esta manhã com o especialista em Relações Internacionais, Miguel Baumgartner. São agora 7h08, Carla, que outras notícias marcam esta manhã?

O SIRESP vai ter mais um investimento de cerca de €36 milhões para dotar a rede de mais autonomia energética. Isto no dia em que o grupo de trabalho criado pelo governo para encontrar uma alternativa ao SIRESP apresenta, no Ministério da Administração Interna, as propostas do estudo técnico-estratégico para a evolução da rede. À Agência Lusa, uma fonte do setor diz que este grupo apresentou ao governo 33 recomendações, um investimento de €36 milhões e um prazo de implementação de 18 meses. As propostas do estudo vão ser apresentadas pelo ministro da Administração, Luís Neves, a partir das 16h. Luís Montenegro está hoje na Alemanha para uma visita oficial. O primeiro-ministro vai ser recebido em Berlim pelo chanceler. A cooperação, a política europeia e a segurança internacional são os temas desta visita. Luís Montenegro está acompanhado pelos ministros da Economia e pela secretária de Estado dos Assuntos Europeus. Hoje, em Viseu, começa um exercício de proteção civil que vai envolver mais de 700 operacionais de vários países europeus. O objetivo é simular um incêndio rural de grandes dimensões e enviar meios reais para o terreno para testar a prontidão, é o que indica a proteção civil. Este evento começa hoje, vai prolongar-se até quinta-feira. No futebol, o Sporting voltou às vitórias, goleou em casa o Vitória Sport Clube, 5x1. A partida contou para o fecho da jornada 32 do campeonato. Com este resultado, o Sporting iguala o Benfica no segundo lugar. Ambas as equipes têm, neste momento, 76 pontos. Uma investigação d'O Observador voltou a trazer para o debate um dos crimes mais midiáticos e mais brutais dos últimos anos.

Falamos do podcast PLES, os ficheiros do caso Carlos Castro, o quinto e penúltimo episódio já está disponível a partir de hoje.

O Observador teve acesso a milhares de documentos do processo aberto pelo Ministério Público de Nova York, que permitem reconstituir a linha do tempo do dia 7 de janeiro de 2011, em que o cronista social Carlos Castro foi assassinado por Renato Seabra num quarto no Hotel Intercontinental.

É 12h40. Do interior do quarto 3416, não vem um único som. Ninguém abre a porta, ninguém pergunta quem é. A camareira já tinha tentado arrumar o 3416, mas seguiu para o quarto seguinte quando viu que o aviso "não incomodar" estava pendurado do lado de fora da porta. Agora já não está. Por isso volta a bater. Como ninguém responde, parte do princípio de que a suíte está vazia.

É um excerto do penúltimo episódio de Os Ficheiros do Caso Carlos Castro, uma série narrada pela atriz Joana Santos e que conta com a música original do pianista Júlio Resende.

E quem não quiser esperar uma semana pelo último episódio, pode sempre assinar o Observador, porque os assinantes têm acesso a todos os episódios, ou seja, à série completa.