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Muito bom dia. Começamos com as alterações à lei laboral. A ministra do Trabalho admite que o governo sai derrotado caso a proposta do executivo seja chumbada no Parlamento. Se a proposta laboral não tiver a luz verde dos deputados, Maria do Rosário Palma Ramalho diz que assumirá todas as responsabilidades. Em entrevista à CNN Portugal, a ministra insiste, no entanto, que mesmo um governo sem maioria absoluta continua a ter a responsabilidade de promover reformas.

Se isto não passar no Parlamento, será uma derrota do governo. Repare, este projeto não é da ministra, este projeto é do governo, foi aprovado formalmente em Conselho de Ministros como anteprojeto, depois foi discutido durante nove meses com os parceiros sociais, agora foi aprovado formalmente como proposta de lei e naturalmente que o governo gostaria que passasse, porque ele é muito importante para os trabalhadores. Se não passar, eu julgo que a Assembleia da República também assumirá as suas responsabilidades e terá que o fazer.

A ministra Maria do Rosário Palma Ramalho já tinha afirmado, na entrevista ao Observador da semana passada, que há mais vida para além do pacote laboral. Ontem à noite deixou, no entanto, um recado ao Partido Socialista.

Eu julgo que todos os partidos, sobretudo os partidos do arco da governação com sentido institucional, deverão, com certeza, olhar para o texto que lhes vai chegar, que é este que lhes vai chegar, não é o que existia anteriormente, é diferente do primeiro, e com o mesmo sentido de responsabilidade, olhar para as soluções para resolvermos estas questões.

A ministra do Trabalho, em entrevista ontem à CNN, a desafiar o Partido Socialista a participar no debate que vai começar no Parlamento. Mas o PS já avisou que deve votar contra a proposta do governo na generalidade. É o que diz uma fonte do Partido Socialista, à Agência Lusa. O PS chumbará as propostas de alteração à lei se o governo insistir nas chamadas traves-mestras e se a AD se aproximar do Chega para a aprovação do documento na generalidade. A mesma fonte acrescenta que o PS há de depois apresentar propostas de alteração no sentido do que a UGT defendeu na concertação social. Esta posição do PS surge depois da reunião que José Luís Carneiro teve ontem à tarde com o primeiro-ministro, logo depois da reunião que aprovou a proposta de lei para a revisão da lei laboral. Carla, na verdade, o governo acredita que vai conseguir convencer André Ventura a aprovar a lei do trabalho ao mesmo tempo que condiciona o presidente da República. Atendendo à forma como Luís Montenegro se referiu ao líder do PS e ao desenho final da proposta, a estratégia do governo parece clara. O executivo aposta tudo na posição do Chega, Carlos Pedro.

Até porque, sabe o Observador, o governo está profundamente convencido de que as linhas vermelhas do líder do Chega são ultrapassáveis, nomeadamente a redução da idade da reforma. André Ventura já teve várias posições sobre o tema. Depois de anunciar no Parlamento que só aceitaria uma nova lei laboral que tivesse a descida da idade da reforma como contrapartida, o líder do Chega já foi introduzindo algumas nuances, como fazê-lo de forma gradual e para determinadas profissões. Entretanto, Ventura também exigiu como moeda de troca aumentar o número de dias de férias, que abre outra frente que o governo pode explorar.

O PSD está a tentar trazer o Chega a uma solução de compromisso e a proposta que saiu ontem do Conselho de Ministros pode ser precisamente a ponte que faltava.

Sim, o documento é idêntico em muitos aspectos à versão original, longe do resultado das negociações com patrões e UGT, o que serve precisamente esse propósito: dá margem suficiente ao governo para acomodar as cedências que terá de fazer, para o Chega poder reclamar uma vitória em algumas áreas. E pelo menos nesta altura, o governo prefere dar esse trunfo ao líder da oposição.

Só que, Carlos, dentro do Chega tem havido algumas tensões internas sobre a matéria.

Sobretudo depois de André Ventura ter sido diretamente visado por Pedro Passos Coelho. Houve quem no Chega reconhecesse que era muito difícil explorar como é que o partido estava a ultrapassar a UGT pela esquerda e a defender o mesmo que o PCP. Mas, ao mesmo tempo, há quem diga ao Observador que o essencial é preservar o núcleo eleitoral do partido, estender a influência aos mais velhos e falar para os jovens que votam no Chega. Tudo isto torna as negociações imprevisíveis.

Carlos Pedro, com a estratégia do governo para fazer aprovar as alterações à lei laboral, a proposta do pacote laboral vai seguir agora para o escrutínio parlamentar. Este vai ser o tema do Explicador, para ouvir, como sempre, depois do Jornal das Nove. José Ribeiro e Castro concorda com Pedro Passos Coelho. O governo precisa de fazer reformas estruturais e ser mais ousado e atrevido. E recorre a uma expressão para criticar a falta de ação do executivo. Afirma que a AD não levantou voo. E quem não levanta voo, não faz o país voar, é o aviso do antigo presidente do CDS, na entrevista ao programa da Rádio Observador, Vixi Suave. Ribeiro e Castro lembra que as mais recentes sondagens não são favoráveis à AD, coligação que junta PSD e CDS no governo, e por isso entende que devem ser retiradas conclusões sobre o que se está a passar.

Eu acho que o governo e a AD devem se interrogar por aquilo que é um grande problema. É o principal problema político que têm, que as sondagens revelam. A AD não levantou voo. As sondagens dão um abaixo score da última eleição. Na última eleição, houve um sinal positivo, passou o limiar psicológico dos 30%. Portanto, apontava que passado uns meses estaria nos 38, nos 39, por aí. E não está. E, portanto, isso significa, mesmo que a legislatura ainda é longa, uma fraqueza e, sobretudo, é muito mau pra imagem que a AD esteja pouco acima dos 20% e o PS já acima dos 30%, como última inquérito de opinião. Portanto, isso é mau.

Esta entrevista surge nas vésperas do congresso do CDS, que decorre este fim de semana. Ribeiro e Castro revela que não vai participar, porque diz não ter uma mensagem especial para transmitir aos congressistas, mas deixa um aviso ao CDS. Afirma que se o partido deixar os temas da portugalidade para o Chega, então André Ventura acabará por ganhar com maioria absoluta. Esta é uma entrevista que está em destaque a esta hora no site do Observador e que pode ser ouvida na íntegra em podcast. Portugal vai começar a preparar reservas estratégicas de alimentos para situações de crise ou catástrofe. É um dos objetivos pressos pelo governo no PTRR e deve custar €200 milhões até o final da legislatura. Estas reservas já acontecem em países europeus como a Alemanha, que tem 150 armazéns espalhados pelo país com milhares de toneladas de comida, como trigo, arroz e leguminosas. Portugal ainda não tem estas reservas estratégicas, mas quer passar a ter. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro na apresentação do PTRR no final de abril, mas passou despercebido. O PTRR prevê a construção de novos silos de cereais ou a modernização dos que já existem. O objetivo é garantir que há alimentos armazenados em caso de crise, como uma guerra ou catástrofe. As tempestades do início do ano levaram o governo a acelerar esta medida, mas a ideia não é de agora, como explica a jornalista do Observador, Ana Salés. Uma das pessoas com quem nós falamos para este trabalho, presidente das indústrias alimentares, diz-nos que já anda a falar disto com o governo desde a pandemia e que até o discurso foi acelerado na altura da guerra da Ucrânia, da invasão da Rússia pela Ucrânia, porque aí, como bem te lembras, a questão dos cereais foi bastante problemática e a escassez era um cenário admitido. Não só em Portugal, como em toda a Europa, o problema do acesso, da falta de produção na Europa e a dependência externa da União Europeia foi bastante notório que era um problema. A jornalista da editoria de economia do Observador, Ana Salés, na história do dia. Ainda não se sabe quando ou onde os produtos vão ser armazenados. As quantidades deverão ser definidas por consenso entre o governo, as empresas privadas e as entidades portuárias. O Observador questionou o ministro da Agricultura e do Mar, mas não obteve resposta. Esta é a notícia que faz manchete a esta hora no site do Observador e, como dissemos, é também o tema da história do dia, que já está disponível em podcast. Portugal desmente os Estados Unidos e volta a garantir que o pedido para o uso da base das Lajes só surgiu depois do ataque ao Irão. Em causa está uma entrevista que o secretário de Estado norte-americano deu na quarta-feira à Fox News. Nessa entrevista, Marco Rubio elogiou Portugal e destacou o apoio de Lisboa às operações militares contra o Irão. O chefe da diplomacia dos Estados Unidos afirma que Portugal disse que sim antes da Casa Branca perguntar o que quer que fosse. Ora, o Ministério dos Negócios Estrangeiros reagiu em comunicado para desmentir estas afirmações. A tutela de Paulo Rangel clarifica que o pedido para a utilização da base das Lajes só foi feito já depois do ataque ao Irão. O comunicado garante, por isso, que a declaração do secretário de Estado, Marco Rubio, não se aplica de todo a Portugal. Donald Trump cumpre hoje o último dia de visita oficial à China. O presidente dos Estados Unidos fala numa viagem incrível e garante que está a ter resultados muito positivos. Donald Trump está a passar as últimas horas desta visita oficial na residência do líder chinês. O presidente dos Estados Unidos esteve novamente reunido com Xi Jinping e, lado a lado com o líder chinês, afirma que esta viagem está a ter resultados muito positivos.

Fizemos alguns acordos comerciais fantásticos para ambos os países. É um homem que respeito muito. Tornamo-nos realmente amigos, conhecemo-nos há 11 anos, quase 12 anos, e isso é muito tempo. Resolvemos diversos problemas que outras pessoas não teriam conseguido resolver.

Donald Trump repete que tem uma relação muito boa com Xi Jinping. Revela também que estiveram a falar sobre a guerra no Irão e sobre a importância de reabrir o estreito de Ormuz. Já numa entrevista à Fox News esta madrugada, a partir de Pequim, o líder norte-americano deixa ainda um aviso ao Irão. A paciência está a esgotar-se e volta a insistir que Teerão tem de aceitar um acordo de paz. São temas para analisarmos no "O Domínio da Guerra", como sempre, às sextas-feiras, depois da síntese das 9h30 com o major-general Armando Morara. Quase 40% dos trabalhadores dizem ser vítimas de assédio laboral. Os especialistas alertam, sobretudo, para casos de exaustão e burnout e avisam que esta realidade tem vindo a aumentar em Portugal. É a conclusão de um estudo do Laboratório Português de Ambientes de Trabalho Saudáveis. Das mais de 5500 respostas de profissionais de vários setores, 38% dizem ser vítima de assédio laboral. A coordenadora do estudo, a psicóloga Tânia Gaspar, alerta para o fato de as empresas estarem a desinvestir na questão da saúde mental e dá um exemplo de como a questão se está a agravar.

Temos os CEOs que só veem aquela perspectiva de querer as coisas, pedem à liderança, a liderança manda para cima da sua equipa e depois é confusão. Devia de haver um maior filtro da liderança no sentido de dizer assim: "Olha, eu tenho esta equipa, que tem estes projetos em mão, que tem este trabalho e, portanto, isto nós conseguimos, isto nós não conseguimos, isto precisamos de mais ajuda". E outra coisa que a liderança devia ter era tempo, porque efetivamente, para liderar, é preciso estar com as pessoas, conhecer as pessoas, acompanhar as pessoas, conseguir ter capacidade de gerir o trabalho e dividir o trabalho

De acordo com este estudo, mais de 85% dos trabalhadores têm pelo menos um sintoma de burnout e 41% têm os quatro sintomas: exaustão física, emocional, irritabilidade e tristeza. A psicóloga Tânia Gaspar fala no sinal de vulnerabilidade das organizações com impacto direto na saúde dos trabalhadores e avisa que o assédio laboral não é o único resultado preocupante do relatório.

Vimos que esta questão do burnout, do assédio e da solidão não é inócua, porque quando nós vamos comparar os que têm e os que não têm, os que têm estão mesmo mal em tudo. Nós vimos isso no relatório. Ter presentismo, ter absentismo, ter doença crônica, ter solidão, tudo isto são fatores cumulativos de risco, porque depois o facto é que isto vai se refletir nos maiores riscos psicossociais do trabalho, pior relação com a organização, pior relação com a liderança. Depois não sabemos bem o que é o ovo e a galinha, mas o facto é que depois torna-se uma dinâmica negativa, e que vai obviamente agravar as situações.

Tânia Gaspar, coordenadora deste estudo do Laboratório Português de Ambientes de Trabalho Saudáveis, numa entrevista à Agência Lusa, defende uma reorganização do modelo de trabalho e afirma que é preciso coragem para avançar de forma estrutural com esta matéria dentro das empresas. São 19h13, Carla, que outras notícias estão em destaque nesta véspera de fim de semana? O Presidente da República promulgou o decreto do governo que prolonga por 12 meses a moratória de créditos a empresas, famílias e instituições sociais afetadas pelas tempestades. Numa nota publicada no site oficial da presidência, António José Seguro sublinha a importância destes apoios para a retoma gradual da atividade económica. O chefe de Estado deixou um recado, promete especial atenção à regulamentação destas matérias. A Lei do Retorno é hoje discutida na Assembleia da República. Trata-se da proposta de lei do governo, que procura acelerar os procedimentos de afastamento de estrangeiros em situação irregular. O governo quer alargar os prazos de detenção de estrangeiros nos centros de instalação temporária. O diploma do governo foi fortemente criticado em pareceres pedidos pelo Parlamento, sendo que recebeu mesmo uma posição negativa de entidades como o Conselho Português para os Refugiados ou dos Conselhos Superiores do Ministério Público e dos Tribunais Administrativos e Fiscais. Os meios de combate a incêndios são reforçados a partir de hoje. Passam a estar no terreno quase 12 mil operacionais e 37 meios aéreos, é o que indica o dispositivo especial de combate a incêndios rurais. Este dispositivo vai estar no terreno entre hoje e 31 de maio. Trata-se do primeiro reforço de meios deste ano. E atenção para mais logo, a Academia Portuguesa de Cinema vai anunciar os vencedores dos prêmios Sophia. Pois é, e o ator Rui Mendes vai receber um prêmio de carreira. Muito bem, tem 88 anos. 88 anos. Uma longa carreira. Todos conhecemos, todos o ouvimos, o nosso Duarte e não só.

E companhia.

E companhia. A voz do Winnie the Pooh.

E também acho que no d'Artagnan ele tinha também uma das personagens, se não estou em erro.

É capaz. Tem uma carreira longuíssima: teatro, cinema, televisão, dobragens, como estamos aqui a recordar, e vai ser premiado mais logo. E o filme "Banz" de Margarida Cardoso também é o mais nomeado. É o mais nomeado, é uma ficção que se passa em 1907, numa ilha tropical africana, e retrata a relação entre os colonos portugueses e os escravos. É o filme com mais nomeações, 14, em categorias como melhor filme, realização, argumento original e fotografia. Fingers crossed.

Muito bem. São os nossos dedos cruzados.

São os nossos dedos cruzados, é isso mesmo.