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As notícias com Diana Rosa.
Bom dia. Donald Trump foi alvo de uma tentativa de homicídio. O candidato à presidência norte-americana discursava num comício ao ar livre na Pensilvânia, quando um homem que estava no telhado de um edifício atirou sobre o candidato.
If you want to really see something that's sad, take a look at what happened-
No decorrer da investigação, o FBI conclui que se tratou de uma tentativa de assassinato. Donald Trump ficou com ferimentos ligeiros numa orelha. O republicano foi assistido num hospital, já recebeu alta. A CNN Internacional avança que o atirador foi abatido pela polícia no local. Entretanto, de acordo com a imprensa norte-americana, Thomas Matthew Crooks foi o autor deste ataque, um jovem de 20 anos, que segundo os registros eleitorais, era militante do Partido Republicano. O atirador é uma das duas pessoas que morreram na sequência do tiroteio. O Ministério Público da Pensilvânia dá ainda conta de dois feridos graves. Entretanto, Joe Biden interrompeu a campanha eleitoral na sequência deste caso. O chefe de Estado já ligou, de resto, a Donald Trump depois do ataque. Em declarações no Delaware e perante os jornalistas, Joe Biden classifica o caso como um ato de violência doentia, que tem de ser combatido pelos Estados Unidos.
Aparentemente, ele está bem. Reparem, não há espaço na América para este tipo de violência. É doentio. Esta é uma das razões pelas quais temos de unir este país. Não podemos permitir que isto aconteça. Não podemos ser assim, não podemos aceitar isto.
O chefe de Estado norte-americano pede, no entanto, cautela ao dar por garantido que este caso corresponde mesmo a uma tentativa de homicídio.
Eu não sei o suficiente. Tenho uma opinião, mas não tenho fatos. Quero ter a certeza de que temos todos os fatos antes de fazer mais comentários.
Entretanto, Donald Trump já deixou o hospital onde foi assistido, rumou esta manhã a New Jersey. Nas redes sociais, o candidato republicano garante que vai manter na agenda a convenção republicana marcada para a próxima semana. Contamos nesta edição com José Felipe Pinto, politólogo, professor na Universidade Lusófona, a quem agradeço desde já a disponibilidade. Muito bom dia, José Felipe Pinto. O que parece ser um imprevisto na campanha eleitoral pode tornar-se em mais uma alavanca para que Donald Trump ganhe pontos nesta corrida à Casa Branca.
Muito bom dia, Diana. Bom dia, senhores ouvintes. Na sociedade de risco em que nós vivemos, há sempre espaço para o imprevisto escapar ao previsível. Eu penso que neste momento importa condenar o atentado, lamentar a vítima colateral e deixar a investigação, que já está no terreno, a obtenção de dados que já permitiram, como disse bem a peça, identificar o autor dos disparos. Irá possibilitar traçar o seu perfil sociológico, psicológico, perceber as suas motivações e, logicamente, entender o modus operandi e se se tratou de um ato isolado ou de algo mais complexo. Daí as palavras tão calmas, mas também cautelosas da parte de Joe Biden. Neste momento, podemos refletir é sobre as consequências, como perguntou, políticas do ato, embora já seja também possível fazer uma contextualização social, uma vez que não sendo a violência contra políticos um exclusivo americano, basta lembrar o recente atentado contra Robert Fico aqui na Eslováquia. O fenômeno é particularmente grave na América, onde quatro presidentes dos Estados Unidos já foram assassinados e oito sobreviveram a atentados. É saber antigo que nas sociedades com clivagens sociais profundas, os comportamentos socialmente desviantes são mais frequentes. E é importante percebermos a força do lobby das armas que num país onde os cidadãos, ao contrário do que se passa aqui na União Europeia, não transferem para o Estado o monopólio da defesa pessoal. Quanto à leitura política, eu penso que tanto Trump como Biden vão tentar tirar dividendos do atentado, embora o aproveitamento seja muito mais fácil para Trump, uma vez que ele é um populista e nem precisaria de ser vítima para se vitimizar. Aliás, a forma como reagiu quase de imediato indicia isso mesmo. O que eu penso que Trump vai fazer? Trump vai recuperar a imagem de que é vítima de perseguição política por parte do sistema e fazer valer a teoria da conspiração. Embora, claro, ele não vá responsabilizar diretamente Biden pelo atentado, mas vai responsabilizar o governo de Biden pela insegurança da população e relacionar isso com a incapacidade de resolver os problemas da imigração que vem do Sul.
Isso pode dar-lhe pontos nesta reta final?
Claramente, Diana. Por quê? Porque ele vai prometer restaurar a ordem e a segurança. Além disso, repare, ele vai ficar muito menos exposto aos ataques diretos e pessoais por parte de Biden. Por quê? Porque Biden sabe que Trump esteve a centímetros da morte e, portanto, há um apoio social à figura de Trump que não tinha ao nível dos Estados Unidos, tinha apenas ao nível do Partido Republicano. Quanto a Biden, é curioso, porque ele também pode vir a tirar proveito desta situação. Primeiro, porque acaba por apaziguar as vozes internas que pediam a sua demissão. Ele teve uma postura estadista na forma como reagiu. Depois, ao associar o nome da sua esposa à mensagem em que condenou o atentado, o ato Acaba por colher junto da sociedade norte-americana, que é uma sociedade muito ligada à família. Mas, sobretudo, e este é o dado que nos importa, Biden vai lembrar que foi a sua administração que permitiu aquilo que ele designou como um feito histórico de limitar o acesso à compra de armas e aumentar a capacidade legal para a sua expropriação nos casos em que esteja nas mãos erradas, para tentar evitar aquilo que ele chama a violência doentia com que a sociedade norte-americana está a debater.
A polarização da política pode dar azo a mais situações como esta?
A situação da polarização leva sempre a grandes clivagens sociais que têm reflexos nos comportamentos desviantes. Em psicossociologia do comportamento desviante, eu ensino que há sempre teorias que explicam o desvio, teorias sociológicas e teorias psicológicas. Por isso mesmo, nós vamos agora perceber quem é que é este jovem, quais são as motivações que o levaram e se ele é apenas um caso isolado, um caso patológico, chamemos-lhe assim, ou se ele é o fruto de um contexto que aponta para esta violência. Repare, na América tem sido normal haver, e quando eu digo América não é apenas nos Estados Unidos, é na América do Norte, mas também na América Central e do Sul, tem sido habitual os atentados contra presidentes, contra candidatos a presidentes. Todos nos lembramos de Jair Bolsonaro com a facada que sofreu em Juiz de Fora. Todos nós nos lembramos, por exemplo, que a própria Cristina Kirchner, da Argentina, enquanto vice-presidente, foi vítima de um atentado à porta da sua casa. E repare, nós falamos muito que um dos Kennedys, John Kennedy, foi assassinado enquanto presidente.
A tio também, precisamente.
Mas um candidato, Bob Kennedy, foi também assassinado enquanto candidato a presidente. O que acontece aqui é que sociedades com clivagens profundas são mais propícias a este tipo de riscos por parte dos candidatos. E repare, vamos pôr também em causa a segurança, o sistema de segurança. O que é que fracassou neste processo? O que é que não funcionou? Apesar de percebermos, como eu comecei por dizer, que o imprevisto está sempre à espera de uma oportunidade. E se nós baixarmos a guarda, é evidente que essa oportunidade surge quase de imediato. Portanto, neste momento, Trump foi vítima. Dentro de muito pouco tempo, Trump vai usar esta situação de ter sido vítima para se vitimizar, evidentemente. Estamos aqui perante aquilo a que eu chamo o momento Jair Bolsonaro, para recuperarmos a posição do Brasil.
No entanto, José Filipe Pinto, o facto do atirador ser militante do Partido Republicano pode ser aqui um alívio para os democratas, afastando a hipótese de um aproveitamento deste caso por parte de Donald Trump, precisamente contra Joe Biden.
Claramente, Diana, por uma razão muito simples. Imagine que em vez de ser branco, que era negro ou que era mestiço, que em vez de ser cidadão norte-americano, era um imigrante, e de preferência vindo do México ou de um dos países da América do Sul. Se isso acontecesse, é evidente que Donald Trump mais cavalgaria a onda de imigração e faria uma leitura muito directa de ligação entre essa imigração descontrolada e o aumento da criminalidade. Todos nós percebemos que foi essa a sua linguagem que lhe permitiu esse discurso, que lhe permitiu a vitória, não na eleição anterior que ele perdeu, apesar de reivindicar a vitória, mas quando efetivamente conseguiu ser eleito presidente dos Estados Unidos da América. Temos que perceber que estamos a lidar com um populista cultural ou identitário, mas que sabe melhor do que ninguém o que é a sociedade norte-americana, porque Trump não criou um sistema. Trump é o resultado do sistema e este dado é fundamental para percebermos a forma como ele vai reagir. É evidente que ele não vai fazer uma ligação direta porque está impossibilitado de a fazer, mas vai fazer a ligação indireta, no sentido de dizer que este atirador era branco, era um jovem, era republicano, era norte-americano. Mas atenção, virá aí pior se não controlarmos a situação. É disto que se alimenta o populismo, é da quebra de confiança dos cidadãos nas instituições. E Trump é um mestre nessa arte.
Agradeço-lhe, José Filipe Pinto. José Filipe Pinto, politólogo, aqui numa análise à notícia deste ataque contra Donald Trump. O professor de Relações Internacionais da Universidade Portucalense acredita que este caso pode ser um ponto de viragem na campanha. Em declarações à Rádio Observador, Tiago André Lopes acredita que Trump ganhou vantagem sobre Biden.
Há claramente aqui uma transformação da campanha. Aquilo que nós assistimos, quem assistiu em direto e quem agora está a assistir às imagens, de certeza em diferido, aquilo que assistimos foi a transformação da campanha para uma dinâmica que é muito favorável ao Trump daqui para frente, porque ele sobreviveu a um atentado e nós do outro lado temos um presidente que está a lutar neste momento contra si próprio e contra o seu próprio partido. E portanto, eu acho que aquilo que nós assistimos hoje foi ao recomeçar da corrida para a Casa Branca, mas um recomeço no qual Trump leva larga vantagem.
A análise de Tiago André Lopes. Entretanto, multiplicam-se as reações a este caso. António Guterres condena o ataque a Donald Trump e condena também atos violentos no mundo da política. Em comunicado, o secretário-geral da ONU deseja rápidas melhoras ao candidato. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também se manifestou no X, diz estar chocada e envia condolências à vítima que resultou deste incidente. Choque também por parte de Volodymyr Zelensky, numa mensagem também no X, o presidente ucraniano escreve que ninguém devia passar por este tipo de violência injustificável. Mais recentemente, Emmanuel Macron, também na mesma rede social, envia rápidas melhoras a Donald Trump, diz que França partilha o choque e indignação com o povo americano. Barack Obama reagiu também para saudar o facto de Donald Trump estar fora de perigo. O antigo presidente norte-americano repudiou o ataque, diz que não pode haver espaço para este tipo de violência nos Estados Unidos. E em Portugal, apanhado de surpresa, Marcelo Rebelo de Sousa remeteu para mais tarde considerações sobre este ataque. Questionado pelos jornalistas esta noite à saída do Festival NOS Alive, o presidente da República diz que precisa de obter mais informações antes de fazer comentários.
Eu estava aqui à barra de receber informações, mas vou ver se com mais calma consigo compreender o que se passou.
Não tem nada a comentar para já?
Como?
Não tem nada a comentar para já?
Para já, não. Queria ver o que é que se passou. Recebi a comunicação para aí há 12 minutos. Vou ver.
Marcelo Rebelo de Sousa, aqui questionado pelos jornalistas. Na Faixa de Gaza, 90 pessoas morreram na sequência do ataque israelita levado a cabo ontem no sul do enclave. Os dados foram actualizados pelo Ministério da Saúde Palestiniano. Além dos 90 mortos, mais de 300 pessoas ficaram feridas. Para Benjamin Netanyahu, o ataque em nada impede que se chegue a um acordo de paz temporário no conflito.
O Estado de Israel, através do exército israelita e da agência de segurança, atacou em Gaza com o objetivo de impedir Mohammed Deif e o seu adjunto, Rafael Salama. Não é claro que os dois tenham sido mortos, mas de qualquer forma chegaremos a toda a direção do Hamas. Faremos tudo para os devolver a todos e nos mantivermos fiéis a estes princípios, chegaremos a um acordo que libertará os nossos reféns e que nos permitirá continuar a guerra até à vitória.
Israel explica ainda que Mohammed Deif, o chefe militar do Hamas, terá sido o mentor do ataque a Israel no dia 7 de outubro. Benjamin Netanyahu reitera que, de uma forma ou de outra, Israel vai eliminar toda a liderança do Hamas. Mudamos de tema para falar na entrevista ao Observador do humorista Ricardo Araújo Pereira. Política, humor, religião foram alguns dos temas abordados nesta conversa conduzida pelo editor de Cultura do Observador, Tiago Pereira. Nesta entrevista, Ricardo Araújo Pereira recorda, por exemplo, o momento em que recebeu o convite para visitar o Papa Francisco no Vaticano.
Nunca me ocorreu não ir. Fiquei imediatamente entusiasmadíssimo. Para já porque adoro ir a Roma, segundo porque gosto imenso de ir ao Vaticano. Eu tinha estado lá de férias ainda muito recentemente. Não foi assim tão difícil de acreditar por duas razões. Primeiro, porque a Joana Marques me disse e depois foi o padre Tolentino, que eu continuo a designar desta forma, porque há 30 anos o conheci como capelão da Universidade Católica. Exato. E sim, foi o padre Tolentino que me mandou uma mensagem muito pouco formal, dizendo: "Ricardo, um grande abraço. Estamos aqui a preparar uma coisa". Como é que é? Exato. E pronto, e foi isso. E eu disse que sim, senhor.
A boa disposição habitual de Ricardo Araújo Pereira numa entrevista que pode ouvir e ler na íntegra no site do Observador. As notícias estão de regresso às 20h30. Até já.