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As notícias com Carla Jorge Carvalho. Já passou a noite mais difícil da tempestade Leonardo, mas os efeitos continuam. Oitenta e nove pessoas foram resgatadas das cheias em Alcácer do Sal.

É o número mais recente da Proteção Civil. Alcácer do Sal é uma das cidades mais afetadas pelas chuvas. A maré do rio Sado voltou a subir. Foram resgatadas 89 pessoas. O repórter Miguel Cordeiro tem estado na baixa da cidade, onde só é possível circular de barco. Nos últimos minutos, teve a oportunidade de falar com alguns comerciantes e o retrato continua a ser de uma cidade com o nível das águas a subir. Miguel Cordeiro.

Em Alcácer do Sal, o sol vai nascendo, a manhã vai acordando e o cenário repete-se ao que estava ontem à noite, desde o final da tarde. É uma baixa da cidade completamente inundada, acessos a habitações completamente cortados e também todo o comércio afetado por esta cheia. O rio Sado subiu, a chuva, por agora, acalmou. Choveu durante toda a noite, fez também vento muito forte. Consigo ver algumas placas de trânsito já dobradas e completamente submersas. Tento conversar com Tânia Flamindo, proprietária de uma pastelaria na marginal, na baixa da cidade. A que horas é que teve ontem de abandonar o seu negócio perante a subida do Sado?

Ontem, por volta das 14h. Reunimos os elementos e o que a gente achava que podíamos salvaguardar e sair primeiro a segurança da gente, as vidas e o resto são só bens materiais.

O que conseguiu salvaguardar?

Foi só uma pasta com os documentos e um computador.

O resto ficou tudo na pastelaria?

Tudo na pastelaria. Desde a produção à cozedura, tudo. Tudo que era bancadas, tudo que era recheios.

E desde então não voltou a esse local. Nós o que conseguimos ver à nossa frente, de facto, é essa baixa da cidade completamente inundada. Tem falado com outros comerciantes aqui da zona, também afetados, também não conseguiram, certamente, salvar o que tinham nas suas lojas.

Sim, alguns não conseguiram salvar e outros ainda conseguimos ajudar, porque a gente temos uma carrinha de tração, conseguimos ajudar alguns proprietários, pelo menos a tirar, porque ainda se podia salvar e o resto ficou para trás.

Há quanto tempo trabalha aqui na Baixa da Cidade?

A gente tem uma pastelaria aberta aqui há três anos.

Mas conhece bem esta zona. E lhe perguntar se alguma vez viu algo assim?

Nunca me lembro de ter visto algo assim. Tenho 38 anos. E por aquilo que se fala, os mais antigos também não. Ninguém acreditava que as águas pudessem subir tão alto.

Do seu negócio, acha que vai conseguir salvar alguma coisa? Sei que ainda é cedo, mas vai demorar algum tempo a conseguir recuperar.

Sim, certamente sim, mas a mensagem que quero que passe para todos nós, comerciantes, para todas as famílias, é salvaguardar a vida humana. São só bens materiais e a gente abaixa a maré, arregaçamos as mangas e vamos à luta e reconstruímos. Salvaguardem-se, não fiquem nas casas até ver se conseguem, se não conseguem. Saiam, os bens materiais compram-se novamente. A gente ajuda a se reconstruir. A mim não me afeta os bens materiais. Afeta-me saber que há pessoas que perderam o conforto das suas casas e um banhinho quente ou uma caminha confortante pro filho. O resto não me afeta.

Tânia, muito obrigado. Obrigado pelo seu testemunho também. O testemunho de uma proprietária de uma pastelaria, Tânia Flamindo, a deixar essa descrição. O Sado subiu muito e a água continua a ocupar toda a baixa da cidade.

Miguel Cordeiro é um dos jornalistas do Observador que está neste momento em Alcácer do Sal.

Também houve cheias e inundações no rio Tejo, junto às zonas de Vila Franca de Xira e Alhandra.

Não houve vítimas nem desalojados. O impacto do mau tempo faz-se sentir, de resto, em todo o país. O Carlos Pedro tem andado a recolher informação. Carlos, há escolas fechadas, ruas inundadas, transportes públicos condicionados e suspensos.

Em terra e no rio. É o caso da ligação fluvial feita pela Transtejo entre as estações de Cacilhas e o Cais do Sodré. O mau tempo obrigou a interrupção deste serviço, tal como a ligação entre Trafaria, Porto Brandão e Belém. Nas ligações ferroviárias, está cortada a ligação na Linha do Norte, entre Castanheira do Ribatejo e Alverca. Aliás, a Linha do Norte está a ser aqui afetada a dobrar, porque também já contava com a suspensão devido às cheias na zona de Alfarelos, em Coimbra, e também a Linha da Beira Alta e o ramal de Alfarelos sofrem constrangimentos a esta hora. Exatamente o mesmo cenário é vivido nas Linhas do Douro, entre Régua e Pocinho, também na Linha do Oeste e na Linha do Sul, entre Ermidas do Sado e Grândola. Mais abaixo, em Cascais, a circulação entre Algés e Oeiras está a ser feita com recurso a uma única via, devido também às condições meteorológicas. Durante a madrugada, a circulação de comboios da Fertagus entre Lisboa e a Margem Sul esteve condicionada devido aos ventos fortes. Funcionou apenas em regime de itinerário pesado, ou seja, apenas um comboio de cada vez.

E os constrangimentos neste dia são também vários para quem se desloca de carro.

Por agora, sobretudo para quem utiliza a Estrada Nacional 222, ficou cortada esta madrugada em Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto, devido a um aloimento de terras junto à Ponte do Inha. Está cortada no sentido Canedo Lomba, entre Canedo e Lavercus. Também a Estrada Nacional 10 está cortada no sentido Sul-Norte, junto a Vila Franca de Xira, aqui devido a inundações.

Carlos Pedro, com alguns dos efeitos do mau tempo que continua a atingir Portugal, o governo decretou estado de calamidade até ao próximo domingo para 68 conselhos. Foi aprovado também um pacote de medidas de apoio até 2.500.000.000 de euros.

São 08h06, antes dos Momentos de Glória, Carla, que outras notícias estão em destaque?

Ainda o mau tempo. A esta hora não há distritos em Portugal continental sob aviso laranja. A Proteção Civil registou pouco mais de 200 ocorrências nas primeiras horas da manhã. É o que consta no site da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil. A maioria são quedas de árvores e inundações. O governo diz que ainda é cedo para contabilizar os prejuízos totais. Há um número avançado ontem pelo ministro da Economia e da Coesão Territorial, 4.000.000.000 de euros, que excede por muito o montante das ajudas anunciadas pelo governo na semana passada. Marcelo Rebelo de Sousa está a ser criticado pelas operadoras de telecomunicação. O presidente da República disse ontem que as operadoras se portaram mal na resposta às regiões afetadas pelo mau tempo. A Pritel escreveu um comunicado ontem à noite a dizer que as palavras de Marcelo são injustas e não refletem o esforço excepcional que os operadores de comunicações têm vindo a desenvolver desde o primeiro momento. "Aqui ninguém vota." Palavras da presidenta da Junta de Freguesia de São Simão de Litã, em Pombal, em declarações à Sic Notícias. A autarca ameaça boicotar a votação no próximo domingo. Diz que a freguesia está a ser desprezada e abandonada pelo poder político. Não tem luz há oito dias.