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Bom dia, são 8 horas. Jornal das 8, com edição do Miguel Gato. Um ano, Miguel, precisamente é este o prazo que o governo estabelece para o essencial da recuperação do país no pós tempestade Christine.
O executivo de Luís Montenegro vai apostar numa bazuca da simplificação, uma série de medidas para aliviar a burocracia associada às obras de recuperação e reconstrução do território português, depois da passagem das várias tempestades, mas a que fez mais estragos foi precisamente a Christine. Ao Observador, o ministro da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, fala de um conjunto de medidas que nunca foram tomadas em Portugal, nem mesmo nas alturas mais difíceis, como a crise financeira ou a Covid-19. O governo vai implementar medidas como os ajustes diretos simplificados, a dispensa de avaliações do impacto ambiental, ou a possibilidade de suspender os prazos de obras caso não haja mão de obra. O governo admite uma situação no terreno complexa e o esforço financeiro necessário para levantar o que caiu ainda está a ser contabilizado, é o que diz o ministro da Reforma do Estado, em entrevista ao Observador.
Miguel, o investimento vai ser grande para colmatar os estragos da tempestade Christine e o executivo admite mesmo atingir o déficit orçamental para ajudar toda a população.
Foi o que disse ontem à noite o ministro da Economia e Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, em entrevista na SIC Notícias.
Temos que arranjar dinheiro, evidentemente. E vamos procurar manter as contas certas na medida do possível. Mas as contas certas não são um fim em si mesmo. Portanto, se houver necessidade de fazer déficit para garantir condições de conforto e de bem-estar mínimo das pessoas, para garantir o relançamento da economia, para garantir que as empresas não vão fechar, que não vamos perder a capacidade exportadora que hoje temos, se for necessário, teremos que chegar a isso, porque as contas certas são, de facto, um objetivo que tem que estar ao serviço das pessoas.
Castro Almeida, ontem no Expresso da meia-noite. Ora, o primeiro-ministro Luís Montenegro anunciou na quinta-feira o PTRR, o Plano de Recuperação e Resiliência exclusivamente português para colmatar os estragos causados pelo mau tempo nas últimas semanas. O ministro da Economia e Coesão Territorial dá mais detalhes sobre este plano. Explica que vai ser financiado pelo PRR original, pelo acordo de parceria entre Portugal e a Comissão Europeia, pelo Fundo Ambiental, também pelo Banco Europeu de Investimento e por verbas do Orçamento do Estado.
E a estrutura de missão para a recuperação das zonas afetadas indica que ainda é difícil quantificar os prejuízos causados pelo mau tempo.
O responsável pela estrutura, Paulo Fernandes, diz também que o perímetro de danos, sobretudo na região de Leiria, continua ainda a aumentar.
Essa estrutura de missão tem, neste momento, uma enorme dificuldade, que é, de facto, o perímetro do dano não para. Ou seja, nós estamos ainda longe de podermos dizer assim: "Bom, ok. Os danos são estes", porque todos os dias temos estado, obviamente, este momento também com as cheias, com as questões aqui normalmente tão próximo da bacia do Mondego.
Paulo Fernandes à margem de uma reunião com o Conselho da Comunidade Intermunicipal da região de Leiria ontem à noite. Já o presidente desta comunidade adianta que precisamente na região, no distrito de Leiria, cerca de 20 mil pessoas continuavam ontem à noite sem eletricidade, e isto 17 dias depois da passagem da depressão Christine.
Entretanto, Miguel, e são neste momento 08h03, é visível, quando olhamos lá pra fora, parece que o mau tempo vai dar tréguas este fim de semana.
Sim, e segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, nenhum distrito está sob aviso amarelo por precipitação ou por vento forte. Há, sim, avisos amarelos no Norte e laranja em toda a costa centro-sul, por causa da agitação marítima. A chuva dá tréguas este fim de semana, mas a Proteção Civil continua a alertar para o risco do desabamento de estradas nas zonas mais afetadas por deslizamento de terras. Por isso, todo o cuidado é pouco nas estradas portuguesas nos próximos dias. Foi o que disse ontem o comandante da Proteção Civil, Mário Silvestre.
E por causa da melhoria do estado do tempo, a cidade de Coimbra deixa de estar na situação de grande perigo.
Sem risco de mais inundações, foi o que disse ontem em conferência de imprensa a presidente da Câmara Municipal de Coimbra. Ana Brilhosa tinha alertado pra possibilidade de cheias centenárias na cidade. Ora, Ana Brilhosa admite agora que o pior não chegou a acontecer.
Com as condições climatéricas que temos, com os caudais que temos, que vêm da Agueira, podemos dizer que a situação de risco grave acabou. Isto significa que aquela situação que temíamos de a baixa de Coimbra ficar inundada é já algo que não consta das nossas previsões nem dos nossos temores.
A presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Brilhosa, sublinha que o estado de emergência municipal se vai manter na cidade e apela às pessoas para aguardarem a confirmação das autoridades antes de regressarem às casas que ficaram inundadas.
E precisamente em Coimbra, Miguel, a barragem da Agueira foi uma das maiores preocupações nestes últimos dias.
Trata-se de uma estrutura que entrou em funcionamento há cinco anos e que continua a ser a principal forma de controlar as cheias no baixo Mondego, mas nem sempre foi assim. O repórter Luís Soares foi ao encontro de quem ajudou a construir a barragem, uma estrutura que também serviu de cupido.
A casa onde eu namorava era aqui. A minha mulher ia lá para cima para a varanda e eu vinha cá para baixo da estrada espreitar.
Com a ajuda de uma régua, Jaime Vitorino aponta para uma fotografia a preto e branco. Vê-se a casa onde, há mais de 45 anos, namorava com a ainda agora mulher em Foz do Dão, uma aldeia que foi engolida pela água do Mondego depois ter sido construída a barragem da Agueira.
A Foz Dão era uma aldeia bonita, apenas os
Era um ponto de turismo. Temos ali o quadro. Foi pena ele ter vindo a desaparecer, mas a lei da vida é assim.
Agora a barragem protege Coimbra, mas Jaime Vitorino explica: o rio Mondego tem uma personalidade muito própria.
A barragem ajuda muito, mas é aquilo que eu digo. A serra da Estrela manda muita neve, ajuda muito, porque se aquilo estiver cheio de neve, o rio Mondego fica doido e não há barragem nenhuma que o aguente.
De resto, antes de haver barragem, Jaime Vitorino lembra que a baixa de Coimbra costumava inundar.
Basta que a baixa de Coimbra ficava toda inundada. Onde é a estação nova, o Banco de Portugal, aquilo ficava tudo inundado.
Ele que participou na construção da barragem, viu a estrutura a encher, ainda no início dos anos 80. Na altura, Jaime Vitorino ouvia dizer que ao fim de 20 anos era preciso realizar uma manutenção, mas nunca soube que isso tenha acontecido.
Ela começou a encher mais ou menos em 80. Já até diziam que depois ao fim de 20 anos, era despejada para fazer uma manutenção e já vamos lá em 40 e tais. E manutenções, nada. Isto não sei, mas penso eu, que deve ser um risco muito grande depois amanhã.
Jaime Vitorino defende também que o governo não devia permitir construção à beira dos rios.
É muito bonito fazer aqueles bares à beira do rio, como está lá em Coimbra. Aquelas esplanadas, aquilo é muito bonito. É, para o verão, mas temos que convencer que quando São Pedro abrir as portas, as torneiras não ligam. É assim.
O repórter Luís Soares numa barragem que esteve sob alerta por causa do agravamento do estado do tempo. Falamos da barragem da Aguieira, no distrito de Coimbra.
Mudamos de tema, Miguel. Hoje assinala-se o Dia Nacional do Doente Coronário. A Sociedade Portuguesa de Cardiologia indica que as mortes por doenças cardiovasculares reduziram na última década.
Portugal tem vindo a reforçar os cuidados primários no Serviço Nacional de Saúde e não falha no tratamento das pessoas com doenças coronárias. Quem o diz é Cristina Gavina, presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, que fala em números extraordinários.
Nós temos uma redução de mortalidade por AVC, que anda à volta dos 45% e por enfarte, 35%, que são números absolutamente extraordinários nos últimos 10 anos. E há uma coisa que em Portugal acontece, que é que nós somos muito melhores na fase aguda de tratamento das 10 doenças e, portanto, temos tido grandes ganhos em termos de mortalidade também porque tratamos cada vez mais atempadamente e cada vez melhor as pessoas que têm estes eventos.
Ainda assim, as doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte em Portugal. Segundo dados da Direção-Geral da Saúde, cerca de 33 mil pessoas morrem por ano devido a AVCs ou enfartes, média de uma morte em cada 15 minutos. A presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia diz que se o tratamento tem vindo a melhorar em Portugal, o problema está precisamente na prevenção.
Falhamos, provavelmente, nas áreas onde são, quer, por um lado, depois de já ter um evento, garantir que não vai haver um novo evento, porque vamos fazer todas as medidas de prevenção para evitar esse evento. E, por outro lado, identificar as pessoas que estão em maior risco, tratar agressivamente esses fatores de risco e evitar que algum dia venham a ter um evento.
Cristina Gavina, presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, em declarações à Rádio Observador, diz-se maioritariamente preocupada com a população mais jovem afetada por doenças cardiovasculares, onde não houve redução de enfartes ou AVCs. Aconteceu, sobretudo, esta descida na mortalidade por causa destas doenças na população mais idosa.
No desporto, o Benfica foi ontem aos Açores vencer o Santa Clara.
Foi o jogo de abertura da jornada 22 do Campeonato Nacional. Os encarnados venceram o Santa Clara por 2 x 1 e com esta vitória o Benfica iguala a condição o segundo classificado, Sporting, com 52 pontos e reduz a distância para o líder Futebol Clube do Porto, que soma, neste momento, 56 pontos. Mas as duas equipas que estão nos lugares cimeiros da tabela classificativa ainda não jogaram este fim de semana. Os Dragões visitam amanhã o terreno nacional da Madeira, às 15h30. Já o Sporting recebe também no domingo, em Alvalade, o Famalicão, às 20h30.
Dois jogos com relato em direto aqui na Rádio Observador. A edição das oito com o Miguel Gato fica por aqui.