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Bom dia, meu nome é João Gama. Tempo para as notícias das 09:00, aqui na Rádio Observador. O PSD reage com estranheza às propostas que o PS quer ver incluídas no orçamento do Estado. O partido de Luís Montenegro acredita que Pedro Nuno Santos prefere eleições a baixar um ponto percentual do IRC. É o que diz fonte oficial do PSD à Rádio Observador, numa primeira reação às contrapropostas apresentadas ontem à noite no Largo do Rato. Desde então, vários ministros e dirigentes sociais-democratas passaram pelas televisões a defender que, nestes termos, um entendimento com os socialistas é praticamente impossível. Paulo Rangel, Ministro dos Negócios Estrangeiros, número dois do governo, esteve no expresso da meia-noite a seguir com notícias para defender que a proposta de Pedro Nuno Santos é inaceitável.
Na questão do IRC, de facto, aquilo que o líder da oposição, Pedro Nuno Santos, vai apresentar, parece-me ser desajustado, quer dizer, não está dentro deste espírito.
Desajustado, mas aceitável ou desajustado e inaceitável?
Não, se é desajustada é porque não é aceitável.
Ministro Paulo Rangel, dos Negócios Estrangeiros, em entrevista à CNN Portugal. Pedro Duarte, ministro dos Assuntos Parlamentares, considera que o esforço do PS sabe a pouco em comparação com a proposta que foi apresentada pelo governo.
E eu quase me atrevo a dizer que o governo cedeu uma montanha, mas do lado do Partido Socialista, acho que continua no rato, acho que ainda não saiu do Largo do Rato. Parece que temos aqui um irritante que quer sempre apresentar qualquer coisa a mais para não se fecharmos a negociação e não resolvermos este problema.
O ministro dos Assuntos Parlamentares critica a contraproposta socialista por considerar que não se limita a negociar o que está em causa, o próximo orçamento do Estado. A discussão chega também à Assembleia da República. Os líderes parlamentares de PS e PSD têm visões opostas sobre as propostas de Pedro Nuno Santos. Hugo Soares, líder parlamentar social-democrata, diz estar menos otimista para a viabilização do documento, mas a esperança é a última a morrer.
Eu estou sinceramente convencido ainda que o Partido Socialista, fazendo fé naquilo que ainda hoje disse, porque me parece evidente, não há ninguém no país que queira eleições antecipadas, e muito menos há alguém no país que perceba que pode haver eleições antecipadas, porque um governo quer baixar impostos e a oposição não quer.
Declarações de Hugo Soares em entrevista à RTP. Já a líder da bancada parlamentar socialista, Alexandra Leitão, diz que o PS deu um grande passo para se aproximar das propostas do governo.
Há um passo enorme, que é também dado pelo Partido Socialista, correspondendo ao passo que foi dado pelo governo. Espero, genuinamente, que a circunstância de o Partido Socialista ter uma linha vermelha que agora aceita, desde que essa trajetória de descida seja substituída pelo tal crédito extraordinário, espero que isso seja visto como um passo de aproximação.
Já a presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses, a socialista Luísa Salgueiro, lembra que a responsabilidade de apurar o orçamento está do lado do governo.
Deve ser uma atitude dialogante e humilde de saber negociar na condição que tem, que é um governo assente numa minoria parlamentar.
Declarações em entrevista à Agência Lusa de Luísa Salgueiro. Este tema vai estar em debate aqui na Rádio Observador. Juntam-se a nós no "Causa Própria", Duarte Cabrita, antigo ministro socialista, e Miguel Relvas, antigo ministro social-democrata. Vamos conhecer a proposta que está em cima da mesa. Pedro Nuno Santos garante que o país está a caminho de ter o orçamento do Estado viabilizado, mas o PS impõe novas condições ao governo. É o que nos conta a Nadine Soares.
Estamos no caminho da viabilização do orçamento do Estado, é o que diz Pedro Nuno Santos. Mas há condições. O PS apresentou uma contraproposta de orçamento. Os socialistas propõem o benefício do IRS Jovem apenas em sete e não em 13 anos. De todas as alterações, o PS só não aceita uma: o prazo da medida.
Nós propomos que o alargamento temporal do IRS Jovem seja gradual, seja apenas de mais dois anos, isto é, seja de sete anos, sem prejuízo de a avaliação que se fizer no futuro justificar o alargamento temporal de uma medida que, ainda assim, na formulação apresentada pelo governo, tenha um custo muito significativo.
Já sobre o IRC, Pedro Nuno Santos diz que o PS não viabiliza o orçamento tal como está e, por isso, apresenta duas alternativas para luz verde.
A primeira, não há redução do IRC em 2025 e que essa não redução de um ponto percentual do IRC seja substituída pela reintrodução do crédito fiscal extraordinário ao investimento.
E a segunda alternativa...
É viabilizar a redução de um ponto percentual do IRC em 2025, com o compromisso de que nos três anos seguintes não haverá reduções adicionais da taxa nominal de IRC, que podem ser substituídas pela reintrodução do crédito fiscal extraordinário de apoio ao investimento.
Reunidas estas condições, Pedro Nuno Santos admite fortes possibilidades de viabilizar o orçamento e tal como Luís Montenegro, também Pedro Nuno Santos recuperou a frase de Jorge Sampaio.
Há, de facto, um mundo para lá do orçamento e nós temos que encerrar este capítulo e avançar. E por isso temos mais é que nos conseguir entender, dar um orçamento e estabilidade ao país.
Os detalhes da contraproposta do PS que foi apresentada ontem à noite no Largo do Rato por Pedro Nuno Santos, numa reportagem da jornalista Nadine Soares. Já este sábado, a política continua a marcar a atualidade. Decorrem as cerimónias de comemoração do 5 de Outubro. São 114 anos desde a implementação da República. Marcelo Rebelo de Sousa vai estar presente em Lisboa, vai discursar depois de Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal. Vão também estar presentes o primeiro-ministro Luís Montenegro e o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar Branco. Como é tradicional, a bandeira portuguesa vai ser hasteada na varanda do Salão Nobre dos Paços do Concelho, ao som do Hino Nacional. A sessão solene está marcada para as 11h, na Praça do Município, em Lisboa. A Rádio Observador vai acompanhar as comemorações do 5 de Outubro numa emissão especial. Aterrou ao início desta sexta-feira, no Aeroporto Figo Maduro, o segundo avião com portugueses vindos do Líbano. A bordo estavam 41 pessoas de várias nacionalidades, 16 portuguesas. O voo demorou cerca de sete horas. É uma operação da Força Aérea Portuguesa e os testemunhos de quem falou aos jornalistas quando chegou a Lisboa foram registados pelo jornalista Bruno Correia. Eram 20h16 quando o C130 aterrou no Aeroporto Figo Maduro, em Lisboa. Dentro do avião estavam 41 pessoas, 16 de nacionalidade portuguesa. Homens, mulheres e crianças que tiveram de deixar tudo para trás por causa do conflito entre o Líbano e Israel, como é o caso de Ayuma Sacadura, uma jovem brasileira de 23 anos.
Eu lembro que nós simplesmente saímos correndo de casa por causa do barulho. Meus irmãos mais novos, eles têm um de oito anos e uma de 14, e eu lembro de segurar ela chorando nos meus braços, porque nenhuma criança deveria passar por isso.
Emocionada, descreve o que viveu nos últimos dias.
Eu estava esperando a mensagem da embaixada, uma esperança, e ao mesmo tempo eu estava esperando que as coisas simplesmente fossem resolvidas pra que eu não tivesse que sair de casa. E eu passava pelos prédios da minha casa e eu ficava me perguntando se essa era a última vez que eu ia vê-la.
À saída do Aeroporto Figo Maduro estava Isaías Teixeira, que estava à espera dos tios. Vindo de Beirute, deixou a família para trás e diz que reviveu acontecimentos semelhantes no passado.
Foi a mesma coisa que aconteceu em 2006. É a mesma coisa, mas agora foi mais brutal, porque as explosões são mais grandes que em 2006. Estou triste porque a família ainda está no Líbano, mas não posso fazer nada. Só agora vou buscar trabalho para ser piloto e depois vamos ver o que posso fazer para ajudar a família.
Os testemunhos dos cidadãos que regressaram a Lisboa esta sexta-feira, vindos do Líbano, acompanhados pelo jornalista Bruno Correia. Neste momento continua a tensão no Médio Oriente. Pelo menos quatro pessoas, incluindo duas crianças, morreram no campo de refugiados de Bedawi. Esta madrugada foi o primeiro ataque do exército israelita contra o norte do Líbano, desde o início do conflito com o Hezbollah há mais de um ano. De acordo com o canal de televisão libanês Al-Manar, o bombardeamento das Forças de Defesa de Israel foi dirigido contra um edifício de habitação, deixou a casa completamente destruída, vários feridos como resultado. A imprensa libanesa dá conta de que o alvo seria um membro do Hamas, mas até agora o grupo palestiniano não fez qualquer comentário. Este ataque a um campo de refugiados aconteceu apenas a 5 km da segunda maior cidade do país, do Líbano, Tripoli. Este sábado assinala-se também o Dia Mundial do Professor. A FENPROF promove uma manifestação em Lisboa, marcada para às 14h30, um desfile que vai partir do Rossio em direção ao Largo de Camões.