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São 09 horas. O PSD diz que não há tarefas impossíveis e pede aos partidos que voltem a conversar para se conseguir eleger o novo Provedor de Justiça.

Isto depois de ontem o nome de Tiago Antunes, proposto pelo Partido Socialista, não ter passado no Parlamento, apesar do acordo entre o PS e o PSD, o nome do antigo secretário de Estado conseguiu apenas 104 votos, quando precisava de 144. Cabe agora ao PS decidir se insiste no nome de Tiago Antunes ou apresenta um novo candidato a Provedor de Justiça. Ouvido esta manhã aqui na Rádio Observador, o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, não comenta os próximos passos do Partido Socialista, mas pede aos partidos que voltem a sentar-se à mesa.

Não há tarefas impossíveis, e muito menos é uma tarefa impossível chegar a um consenso interpretário. Era só o que faltava que os partidos não se entendessem para eleição de órgãos externos ou por matérias mais relevantes ou menos relevantes que essa.

Também lhe parece que há condições para continuar a insistir no nome que é proposto para Provedor de Justiça, ou é preciso encontrar outra solução, Hugo Soares?

Eu não fiz qualquer comentário quando sabe, enquanto decorreram as negociações dos órgãos externos da Assembleia da República, e não vou fazê-lo agora. É preciso que os partidos voltem a conversar e é preciso também que o Partido Socialista tome uma decisão. Eu vou respeitar o tempo dessa decisão sem fazer nenhum comentário sobre o tema.

Hugo Soares, que ainda ontem tinha feito um apelo público aos deputados do PSD para que votassem a favor do nome de Tiago Antunes, acabaram por faltar 50 votos para que conseguisse o apoio da maioria de dois terços.

Este vai ser o tema do Explicador. Já a seguir vamos falar sobre as eleições para os órgãos externos ao Parlamento com Pedro Delgado Alves, do PS, e António Rodrigues, do PSD. Continua o protesto contra a Lei Laboral. A CGTP espera milhares de trabalhadores nas ruas na manifestação de mais logo e já admite novas formas de luta.

Hoje, além da manifestação, é também dia de greve da função pública, vai estender-se até o final do dia. São esperados impactos em vários setores, da educação à saúde. O secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, avisa que enquanto o governo continuar a atacar os direitos de quem trabalha, a resposta vai surgir nas ruas.

Todos os dados aquilo que nos dizem é que de facto vamos ter milhares de trabalhadores nas ruas de Lisboa. Nós estamos perante um governo que é profundamente antidemocrático na forma como está a conduzir toda esta discussão. Só afastar a CGTP ou a tentar afastar a CGTP deste processo de discussão. Nós dissemos desde o início, e continuamos a dizer, que todas as formas de luta estão em cima da mesa. E também temos dito outra coisa, que é consoante a dimensão do ataque, maior será a dimensão da resposta.

O secretário-geral da CGTP, em entrevista à Agência Lusa, diz que espera hoje milhares de trabalhadores nas ruas de Lisboa. A manifestação tem o mote "Abaixo o pacote laboral", tem início marcado para às 14h30 no Saldanha, vai terminar em frente à Assembleia da República.

Carla, importa também fazermos um balanço do impacto da greve. Já demos destaque à educação, importa agora perceber como é que o protesto está a afetar, por exemplo, a Segurança Social.

E para isso contamos novamente com a repórter Nadine Soares, que está na sede da Segurança Social em Lisboa e Nadine, 09h03, é suposto que as portas abram a esta hora e vão mesmo abrir?

Para já, não há sinal de abertura de serviço. Passam três minutos das 09h, hora de abertura deste serviço, e as portas continuam fechadas. Já algumas pessoas esperam pela abertura deste serviço para poderem ser atendidas. Um serviço, como dizia, abre às 09h, mas os sinais são claros, as portas continuam fechadas. Também está afixado nas vitrines o aviso da greve da função pública e por isso as pessoas que estão aqui já entenderam que o serviço pode sofrer perturbações esta manhã. Algumas que esperavam desde as 07h, que começam a formar fila, mantêm essa fila na esperança ainda de nos próximos minutos as portas abrirem na sede da Segurança Social, mas, para já, portas fechadas, o que pode indicar que este serviço não vai funcionar esta manhã. É uma greve que é convocada pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores e Funções Públicas e Sociais. Começou à meia-noite, vai durar todo o dia e para já esta manhã, já aqui possíveis impactos na Segurança Social, com dezenas de pessoas à espera para serem atendidas e as portas a continuarem fechadas.

Deviam abrir às 09h, ainda fechadas, quando passam quase cinco minutos dessa hora. A reportagem da Nadine Soares a dar conta esta manhã dos impactos da greve dos trabalhadores da administração pública. Já vimos as escolas, são também esperados impactos no setor da saúde.

O ministro português dos Negócios Estrangeiros está hoje no Líbano. Paulo Rangel reforça que foi a Beirute para prestar solidariedade para com o povo libanês e apelar ao respeito do acordo de cessar-fogo.

A visita foi tornada pública esta manhã. Paulo Rangel vai também anunciar um apoio financeiro de €150 mil no âmbito da UNESCO para ajudar na educação das crianças afetadas pelo conflito. Em declarações à Sic Notícias esta manhã, o chefe da diplomacia portuguesa reforça a cooperação entre Portugal e Beirute.

É fundamental, em primeiro lugar, prestar solidariedade ao povo libanês e ao governo libanês. Em segundo lugar, encorajá-lo a continuar as reformas que tem feito, que são no sentido de desarmar o Hamas. Para isso, é preciso dar poder e força ao exército, às Forças Armadas libanesas, e é preciso apelar, em primeiro lugar, a que o Hezbollah cesse todos os ataques a Israel, que de facto são ataques graves no norte do país e, por outro lado, que Israel não responda desta forma, porque isto põe em causa a soberania integrada territorial, mas também qualquer perspectiva de paz.

Esta visita coincide com a entrada em vigor do acordo de cessar-fogo de dez dias entre Israel e Líbano. Ainda assim, notícias vindas do Médio Oriente dão conta de violações deste acordo por parte de Israel nas últimas horas. Paulo Rangel deixa um apelo aos dois países.

Há, sem dúvida, para já, registo de uma ou de outra situação de violação de cessar-fogo, mas isso não significa que nós não devamos insistir. E isso também foi a mensagem, e por isso esta reunião também em parte ficou para hoje, foi a mensagem que queremos dar a todos aqueles que estão envolvidos neste conflito, que cumpram o acordo de cessar-fogo que foi feito em Washington, porque estes dez dias dão-nos espaço para negociar

Paulo Rangel esta manhã a partir do Líbano, em declarações à Sic Notícias, esteve reunido com o ministro libanês dos Negócios Estrangeiros em Beirute. Destaque agora para o desporto. O Sporting de Braga está nas meias-finais da Liga Europa. Os minhotos venceram em Espanha o Betis por 4x2, depois de terem estado a perder por 2x0. E é assim que o Braga consegue o apuramento para a próxima fase da Liga Europa, onde vai encontrar os alemães do Friburgo. É convidado deste jornal das 09h00, o antigo presidente da Assembleia Geral do Sporting de Braga, que atualmente é ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes. Bom dia, obrigada por estar conosco neste jornal para falar do Braga. Conseguiu ver o jogo?

Consegui ver os gols, mas estava tão ocupado que não consegui ver o jogo na íntegra. Fui acompanhando, apanhei o susto do 3x0 e não estava a ver nessa altura, mas ainda bem que o gol foi anulado e, portanto, temos aqui um resultado extraordinário. É a vitória também da ambição realista. O Braga tem feito, e a sua direção, António Salvador, um trajeto brutal em termos daquilo que é sustentabilidade financeira, investimentos na formação. Também é a vitória da formação. É ver o guarda-redes Oliver Scheck ou outros jogadores como o Gargantilha, que marcou um grande gol. É a vitória também da formação, mas também do querer, do nunca desistir, porque como foi referido, estava a perder 2x0 e num estádio completamente repleto e num ambiente hostil, chamemos assim, nunca se desistiu e acreditou-se. Também é a vitória de Portugal, porque melhoramos o ranking de Portugal e nomeadamente face aos Países Baixos. Mas também é a vitória, no fundo, daquilo que é a coesão territorial, porque às vezes só se olha para os ditos grandes. E o Sporting Clube de Braga é também um grande e que merecia, e por isso também parabéns aos observadores, merecia um outro destaque, nomeadamente em termos daquilo que é a sua relevância, os seus feitos e para além disso, aquilo que dignifica Portugal. Neste momento, o Sporting Clube de Braga é o único clube que está e continua nas competições.

Com condições, parece-lhe, senhor ministro, para chegar à final?

Com condições para chegar à final e vencer a final. E o Sporting Clube Braga merece. Merece pela equipa, pelo querer, pelo trabalho desenvolvido. Muitas vezes não é do conhecimento público todo o património que tem sido construído, a formação, um clube eclético, a formação com resultados, mas agora também até a formação de treinadores, que quando estão no Braga, depois eles próprios crescem, são valorizados, são reconhecidos à escala global. O Abel, que está no Palmeiras, é um dos exemplos. E, portanto, a equipa técnica está de parabéns, a direção e António Salvador tem feito um trabalho notável. E depois é também uma questão que o clube começa a ter em termos culturais, habituado a estar em finais, a grandes jogos.

Sim.

A não se ir abaixo quando se está a perder 2x0.

Cria-se uma dinâmica. Senhor ministro, tem aqui falado, olhando para a equipa e para o clube, estabilidade, formação, querer, ambição. Isto também se aplica à política? Também é assim que funciona?

Eu aqui começo a falar como adepto e sócio, e agora começa-me a fazer perguntas na qualidade de ministro, que é as funções a que estou neste momento.

Mas separa muito uma área da outra.

Não, eu costumo dizer que exijo de mim próprio, por exemplo, já que a pergunta vai para o ministro, exijo o máximo de mim próprio. Eu sou muito intolerante com os meus falhanços, digamos assim. Sou ambicioso, exigente comigo próprio e desse ponto de vista, até um eterno insatisfeito.

Faz muitos autogolos na vida política?

Procuro não fazer autogolos. Não me recordo de nenhum autogolo, mas acredito sempre que se consegue melhorar, que nos conseguimos superar, que podemos sempre fazer melhor, que devemos ser exigentes conosco. E esse paralelismo existe. Uma ambição realista é aquilo que este governo tem.

E essa questão tem que ser aqui colocada. Sofre-se mais a ver um jogo do Braga ou ouvir as queixas daqueles agricultores que ainda não receberam os apoios?

Não ouvi a pergunta.

Sofre-se mais a ver o Braga jogar nestas competições e a virar resultado, ou ouvir as queixas daqueles agricultores que dizem que estão ainda à espera dos apoios que precisavam tanto?

Nós estamos a trabalhar para eles, mas também é um bom paralelismo. Mas no futebol, quando se está no momento, há uma emoção brutal, mas depois também há o perceber-se que há situações mais importantes na nossa vida coletiva. E falar dos agricultores, neste caso, claro que quando nós percebemos que temos que ultrapassar uma série de burocracias e a nossa ambição é muito superior à velocidade com que podemos resolver as situações, claro que se sofre, até porque eu tenho Um outro defeito, entre aspas, que eu acho que, modéstia à parte, é uma virtude, que é me colocar no lugar do outro. Faço sempre isso. Portanto, ponho-me sempre na pele do agricultor. Mas se quiser voltar a fazer um paralelismo com o futebol, tal como os jogadores devem dar o máximo no campo, eu também dou o máximo nas minhas funções e também é, no fundo, a nossa obrigação. Mas os apoios aos agricultores são achegados, já pagámos 3,3 milhões de euros. Não vou estar aqui a referir todas as medidas que estão em curso.

Revelou-as no Parlamento ainda esta semana.

Exatamente.

Agradeço ao Ministro da Agricultura ter estado aqui conosco. Ajudou neste jogo dos paralelismos entre o futebol e a política.

Mas eu passei a estar em duas qualidades: sócio e árbitro e depois, de outra parte, como ministro, que nem sempre é fácil separar.

Fez aqui a dobradinha esta manhã conosco. Muito obrigada, um bom dia.

Obrigado. Bom dia.

E agradeço ao ministro da Agricultura, que foi também o presidente da Assembleia Geral do Sporting de Braga, que se qualificou para as meias-finais da Liga Europa. São 9:14, Carla. Antes do Explicador, que outras notícias estão em destaque a esta hora? Duas pessoas morreram e três ficaram feridas num acidente entre dois carros no IC17, em Odivelas. Foi esta madrugada, no sentido Sacavém-Algés. A estrada esteve cortada até às 7h de hoje. Dos três feridos, dois estão em estado grave. O governo ainda não libertou as verbas para o Centro Interpretativo do 25 de Abril. A inauguração do museu estava planeada para este ano, mas desde que Luís Montenegro tomou posse, o projeto não avançou. Estamos perante um impasse. O Expresso conta que Vasco Lourenço, da Associação 25 de Abril, e Maria Inácia Reis Ola, a comissária executiva das comemorações dos 50 anos, estiveram reunidos com o Presidente da República para tentar encontrar uma solução, que ainda não surgiu. O FMI deixa um aviso a Portugal: este é o momento para utilizar a margem orçamental conseguida nos últimos anos. Em entrevista à Agência Lusa, o diretor do departamento da Europa do FMI descreve Portugal como uma história de sucesso no que toca às finanças públicas. Por isso, diz que agora é o momento particular de utilizar a folga orçamental para responder às necessidades causadas pelas tempestades e também pelo aumento da energia.