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Observador 91. Começamos este jornal com o caso do adepto do Sporting que há um ano foi baleado no olho nos festejos do bicampeonato do Sporting. A advogada de defesa acusa a PSP de abuso de força, diz ter provas de que a atuação foi inadequada e desproporcional e fala em mentiras por parte da polícia.
Foi a 17 de maio de 2025, os adeptos do Sporting festejavam a conquista do bicampeonato, quando na zona do Saldanha, em Lisboa, houve confrontos com a polícia. Bernardo Topa, de 28 anos, acabou por ser atingido por uma bala de borracha. Ficou cego do olho esquerdo. Um ano depois, a Rádio Observador avança que o processo nos tribunais está em segredo de justiça. Já o inquérito interno da PSP ainda está em fase de instrução. O jornalista Miguel Gato falou com a advogada do adepto, que deixa críticas à PSP e à lentidão na justiça.
A advogada de Bernardo Topa, Sara Macias, diz ter provas de que houve, de facto, abuso de força policial.
Os vídeos identificam claramente que são os sete primeiros membros desta brigada que, sem avisar que vão fazer manobras de dispersão, começam a disparar com os braços em ângulo reto. Não há aqui balas perdidas. Ao lado do Bernardo, estava uma criança de três anos nos ombros de um pai. Podíamos estar a falar de um homicídio.
Perante as provas claras e óbvias que diz ter, a defesa de Bernardo Topa não compreende por que o processo interno da PSP para apurar responsabilidades dos agentes ainda está a decorrer.
A PSP sabe quem é que indicou, sabe a quem é que atribuiu aquelas armas, sabe perfeitamente quem é o agente. Portanto, não se pode vir escusar numa situação de não conseguir apurar o nome do agente.
A advogada revela ainda que a ação levada a cabo pela PSP nos festejos do bicampeonato do Sporting no ano passado fez mais de 70 feridos, a maioria homens jovens adultos. Da parte da PSP, não houve qualquer tipo de condenação e Sara Macias acusa até a instituição de estar a mentir.
A PSP no dia seguinte, sabendo que há um adepto que está numa mesa de operações durante cinco horas no Hospital de São José e tem 72 casos nos hospitais por ferimento de balas, vem dizer no dia seguinte que o evento correu de forma pacífica e até elogiava os adeptos do Sporting. Não é só cínico, não é só hipócrita, é falso.
As críticas da advogada à PSP, sendo que também há um recado para o Ministério Público.
Não vamos deixar que o processo tenha igual curso ao que teve o processo quando o Sporting foi campeão no Covid, na temporada 20/21. Nós não vamos deixar que este processo seja arquivado.
A defesa do adepto do Sporting admite ainda avançar com uma ação judicial contra o Estado português, caso o processo, que está agora em segredo de justiça, não avance nos próximos tempos.
É um trabalho do jornalista Miguel Gato no programa "Onde Para o Caso". A Direção Nacional da PSP não comenta estas acusações da advogada Sara Macias. Numa resposta enviada à Rádio Observador, diz apenas que qualquer reação seria precipitada porque o inquérito está em fase de instrução na Inspeção-Geral da Administração Interna.
Já o presidente do Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia estranha que um ano depois, a IGAI ainda não se tenha pronunciado sobre o assunto.
Bruno Pereira diz que tal só pode dever-se ao facto de as provas contra os agentes da PSP não serem suficientemente fortes.
Também estranho que, tendo passado um ano, a IGAI não tivesse já tomado uma posição, desde logo, até, por exemplo, assumido uma posição de suspensão do próprio polícia ou dos polícias que foram envolvidos. Portanto, com alguma cautela, eu tenho dúvidas que seja assim tão linear ou que essas provas sejam assim tão absolutas e plenas para demonstrar uma culpabilidade clara por parte do polícia.
Em reação às acusações da advogada de defesa, o presidente do Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia faz o contraditório e lembra o contexto de violência causada pelos adeptos do Sporting naquela noite.
A senhora defensora estará aparentemente a deixar no ar que terá havido um uso direto, com dolo direto, com mera intenção de agredir alguém, e esse não é o papel da polícia. Lembrar sempre o contexto muito pouco festivo em que aqueles festejos tiveram lugar. É importante também nós recordarmos e vimos imensas imagens, não só de um uso desmesurado de pirotecnia, mas dados de vandalismo tremendos e, portanto, eu não sei até que ponto houve desobediência à ordem pública, se efetivamente houve comportamentos que possam ter perigado naquele momento ou num momento anterior, a integridade física ou património ou bens patrimoniais de terceiros e, portanto, não sei em que contexto é que este disparo ou disparos foram realizados.
Declarações do presidente do Sindicato dos Oficiais de Polícia no programa "Onde Para o Caso", da Rádio Observador.
Para ouvir na íntegra hoje, depois do jornal das 17h, Tarde Política. Está marcado para daqui a meia hora o início do Conselho de Ministros, que vai aprovar a proposta de revisão da Lei Laboral. Também hoje está previsto o encontro entre Luís Montenegro e José Luís Carneiro.
Foi o próprio líder do PS a anunciar esse encontro ontem à noite, em entrevista na CNN Portugal.
Temos a intenção de ter um encontro durante o dia de amanhã para passarem à revista vários assuntos, mas é evidente que daí não se pode extrair a ilação de que o PS viabilizará a proposta de contrarreforma laboral do governo.
O primeiro-ministro vai receber em São Bento o secretário-geral do PS, depois de já se ter reunido com o presidente do CHEGA, sendo que a reunião de hoje não está na agenda oficial, nem de José Luís Carneiro, nem do primeiro-ministro. Carneiro vai estar numa visita a uma escola às 11h. Montenegro preside ao Conselho de Ministros daqui a meia hora. Por isso, a reunião entre os dois só deve acontecer depois de aprovada pelo governo a proposta de revisão da Lei Laboral.
Cavaco Silva considera que Donald Trump não é de confiança e defende que a Europa não pode acobardar-se perante o presidente dos Estados Unidos. O ex-presidente da República defende também uma força europeia de defesa separada da NATO.
À entrevista à Renascença, Cavaco Silva defende a importância de uma Europa mais forte e autônoma. Nesse sentido, deixa muitas críticas ao presidente norte-americano.
De um presidente supererrático, que considera que as relações comerciais não são para benefício daqueles que intervêm na transação, mas apenas para benefício dos próprios Estados Unidos. Portanto, temos nos Estados Unidos, como sabe, um presidente não confiável para a Europa, mas a Europa não deve acobardar-se perante as exigências do presidente Trump.
Cavaco Silva cita ainda o relatório Draghi para defender uma espécie de força europeia de defesa separada da NATO, para reduzir a dependência dos Estados Unidos.
A Europa tem que investir mais na defesa, tem que converter mais defesa, reduzir substancialmente a dependência dos Estados Unidos em matéria de defesa e segurança. Não é apenas fazer dentro da União Europeia um pilar da NATO, mas uma força, uma identidade europeia de defesa separada mesmo da NATO, mas em cooperação com a NATO, para poder intervir em situações em que os Estados Unidos não têm interesse.
O antigo presidente Cavaco Silva, em entrevista à Rádio Renascença, diz também que confia mais na Comissão Europeia do que no Conselho Europeu. Xi Jinping assinala uma nova era de relações estratégicas construtivas entre China e Estados Unidos. O líder chinês esteve reunido com Donald Trump num encontro que durou cerca de duas horas. Os dois falaram sobre o conflito no Médio Oriente, a guerra na Ucrânia, também a relação com a Coreia do Norte. Xi Jinping dá também conta de uma nova era de relações. É o que indica um comunicado divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros no final do encontro. Esta reunião decorreu à porta fechada, no Grande Salão do Povo, em Pequim. A imprensa estatal chinesa adianta também que Xi Jinping avisou Donald Trump que os Estados Unidos e a China podem entrar num conflito se a questão de Taiwan não for resolvida. O especialista em relações internacionais, Miguel Baumgartner, explica que este encontro tem um caráter mais comercial do que político, mas explica que pode evoluir para algo mais.
Como Donald Trump é um empresário que é presidente dos Estados Unidos, interessa-lhe muito a questão comercial, interessa-lhe muito a questão do investimento chinês nos Estados Unidos e, portanto, não é uma reunião política, eu diria, é uma reunião comercial que depois terá, se correr bem, haverá aqui facilitação política em alguns pontos que farta paz.
A análise de Miguel Baumgartner esta manhã no Gabinete de Guerra. O presidente dos Estados Unidos, Trump, aterrou ontem à noite em Pequim e foi recebido com honras militares na Praça de Tiananmen. São 09h10, a seguir os Explicadores com Miguel Bastos Araújo, nomeado recentemente conselheiro de Estado. Primeiro, Carla, tempo para as outras notícias que marcam esta manhã. O ministro da Administração Interna admite o encerramento de algumas esquadras da PSP na zona de Lisboa. Luís Neves explica que o objetivo é ter mais agentes na rua para garantir um policiamento de maior proximidade. Em entrevista ontem à noite à RTP, o ministro repete que os casos de abuso e tortura nas esquadras do Rato e do Bairro Alto são inaceitáveis. A Proteção Civil alerta para o potencial risco de incêndio em algumas zonas do país, como Pedrógão Grande. O comandante nacional admite que a região pode voltar a enfrentar em breve grandes fogos. Mário Silvestre lembra que normalmente cerca de 10 anos após um incêndio, a floresta volta a ficar propícia a incêndios de grandes dimensões. Em entrevista à Agência Lusa, o comandante nacional anuncia ainda que a Proteção Civil vai introduzir este ano medidas para melhorar o combate aos incêndios. Começa daqui a uma hora o julgamento da ação de José Sócrates contra o Estado. Foi em 2017. O ex-primeiro-ministro exige ser indenizado em pelo menos €50 mil devido à duração do processo Marquês. O julgamento arranca desta manhã no Tribunal Administrativo de Lisboa.