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Está no ar mais um episódio do Bom, o Mau e o Vilão da Rádio Observador e que também pode ouvir em podcast. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.
Bom dia.
Bom dia, Miguel. O teu bom é Francisco Assis.
Sim, porque o eurodeputado do PS, como se sabe, apoiou a candidatura de José Luís Carneiro a líder do partido e foi até há muito pouco tempo o secretário nacional responsável pela área das relações internacionais. Mas isso, como sabe, não o impede de ser livre e por isso foi com liberdade que ontem criticou a posição do PS e do líder José Luís Carneiro em relação ao uso da Base das Lajes pelos Estados Unidos. Ele denunciou aquilo que disse serem os termos chitados e a retórica infantil e extremista usados pelo PS. Porque uma coisa é fazer perguntas, e naturalmente um partido da oposição pode e deve fazer perguntas, e perguntas difíceis ao governo. Outra coisa muito diferente é tratar de forma leviana o difícil tema da nossa relação com os Estados Unidos. E José Luís Carneiro aparentemente não sabe a diferença entre uma coisa e outra, mas no PS, felizmente, há pessoas que sabem. Ainda há pessoas que sabem, ainda bem.
Os partidos às vezes parece que se transfiguram quando passam do governo para a oposição e vice-versa. Parece que deixam de ser o mesmo. As Lajes não foram questionadas quando estavam em mãos deles.
Se o PS começar a perder a cabeça nessas coisas, acho que pode correr mal. Percebo que a situação é difícil e José Luís Carneiro tem que lidar com uma oposição silenciosa dentro do partido, mas se ele se esquece daquilo que o PS é, então aí acho que as coisas podem correr mal. Mas enfim, eles lá sabem. Ele é que sabe, é o líder do partido. O que eu tenho a ver com isso? Nada.
Miguel, o teu mau não funciona.
Não, não funciona. Funciona, não funciona. O nosso controle de fronteiras. As coisas estão a correr tão mal que temos tido filas intermináveis em vários aeroportos. Neste fim de semana, segundo a própria PSP, tivemos esperas de 100 minutos em Faro, de 110 minutos em Lisboa e de 130 minutos no Porto. Aparentemente, não estamos a conseguir aplicar decentemente o novo sistema de entradas e saídas da União Europeia. Isto agora tem que ser feito com recolha de dados biométricos. Atenção, também está a haver problemas noutros países, não é só cá. De qualquer forma, aqui não estamos a acertar. E já começamos a ser conhecidos lá fora como o país para onde quase se tem de levar uma tenda para ficar à espera de passar pela fronteira. Há muita gente que está a tomar decisões agora sobre férias de verão e seguramente que não vão querer começar as suas férias de verão num país onde têm que ficar duas horas à espera, três horas. Enfim, não querem isso. E por isso temos que olhar para o que se está a passar. O governo já suspendeu várias vezes a aplicação deste novo sistema. Nós usámos, parámos. Nunca se sabe se se está a usar, se não se está a usar. Ontem o Luís Montenegro disse que está insatisfeito, a palavra foi essa, com o que se está a passar. Ora, se ele está insatisfeito, ele que não tem que passar pelas fronteiras para entrar no país, então imagine-se os passageiros e os turistas, imagine-se como é que eles estarão.
E se ele está insatisfeito e é primeiro-ministro, imagine-se a dificuldade em resolver isto.
Precisamente. Sim, Paulo, porque ele é de uma competência incrível. E portanto, se Luís Montenegro, com toda aquela competência, não consegue resolver isto, então é porque não dá para resolver.
É verdade.
Este vai ser também o tema do nosso explicador. Vamos estar à conversa com o intendente Daniel Magalhães. Miguel, só fica a faltar o teu vilão, quem é?
Já estávamos todos com saudades, eu sei. E portanto, cá vem a nossa queridíssima CP. Como se sabe, no dia 3 de junho, nós vamos ter uma greve geral. Sabemos todos disso. E obviamente a CP não podia ficar de fora. Não há festa nem festança para a que não se chame a dona Constança, já dizia António Vitorino. E naturalmente, não há greve nem paralisação para que não se chamem os sindicatos da CP. E ontem, o Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante, também conhecido por SFRECI, assim é que é, e que representa os trabalhadores com funções comerciais, itinerantes e fixos da CP, anunciou que, atenção, acompanhem, vou citar: "Todos os trabalhadores ferroviários de todas as categorias profissionais da CP farão greve à prestação de todo e qualquer trabalho, durante todo o seu período de trabalho, entre as 0h e as 24h do dia 3 de junho de 2026." Mais, são também abrangidos pelo pré-aviso de greve todos os trabalhadores ferroviários cujos períodos de trabalho se iniciem a 2 de junho e terminem depois das 0h de 3 de junho, fazendo greve em todo o seu período de trabalho, assim como aqueles cujo turno arranque no dia 2 e termine fora da sede, fazendo greve em todo o seu período de trabalho. Mais ainda, o pré-aviso inclui ainda os trabalhadores cujos períodos de trabalho se iniciem fora da sede no dia 4, fazendo, neste caso, greve a todo o seu período de trabalho, e aqueles que comecem no dia 3 e terminem depois das 0h do dia 4, fazendo também neste caso greve a todo o seu período de trabalho. Todo. A CP, a inspirar-se no Papa Francisco, os sindicatos da CP, claro, fazem greve todos no período de trabalho todo. Eu não sei se vocês estão a perceber, mas é mesmo todos.
É todos.
Atenção, não fiquem a pensar que é só alguns, são todos e em todo. É isso.
Mas achas que se aplica ao dia todo, ó Miguel?
Não, Paulo, não se aplica ao dia todo. Aplica-se ao dia todo. Estás a perceber? Queres que repita?
Véspera e dia seguinte também quase, não é?
Não, sim, se começarem fora da sede, é todo. E se acabarem depois da sede, é todo.
Eu apoio completamente, ao contrário de ti, acho esse comunicado extraordinário, porque assim não têm de fazer plenários.
Não, mas sabes que ontem houve um plenário no metro.
Mas é no metro.
Ontem houve um plenário no metro que afetou também a circulação das carruagens.
Mas quando eu disse assim: "Todo", pronto, acabou.
É, assim está dado o pré-aviso.
Vamos ao resumo. O bom desta terça-feira é Francisco Assis, o mau é o nosso controle de fronteiras e o vilão é a CP. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs 360 e sempre em podcast.