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Começa agora o Bom, o Mau e o Vilão da Rádio Observador. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.
Bom dia.
Bom dia. Quem é o teu bom de hoje, Miguel?
Olha, o bom de hoje é a AD. Não por nada que tenha feito ontem. Mas como se sabe, Luís Montenegro insiste em não debater com todos os líderes dos outros partidos nas televisões. Como se sabe, a AD insiste que será Nuno Melo a ir aos frente a frente com o Bloco de Esquerda, com o Livre e com o PAN e, como se sabe, estes partidos estão furiosos com isso. Mas ontem a fúria passou para a irracionalidade, porque o Bloco de Esquerda anunciou que, ao manter sua opção por Nuno Melo, então não será Mariana Mortágua a aparecer no debate, mas sim um outro qualquer cabeça de lista do partido. Não sei se será um cabeça de lista cujo nome começa em Francisco e acaba em Louçã, eventualmente, não sei. Vamos ter que esperar para ver. Mas a confirmar-se, isto quer dizer que a AD conseguiu mesmo desvalorizar completamente este debate e por isso é que é o bom de hoje, pela eficácia política. Mariana Mortágua, que lidera um partido que corre grande perigo nesta eleição, devia perceber que os frente a frente, aquele e os outros, não são importantes por causa de Luís Montenegro ou de Nuno Melo. Para ela, são importantes porque lhe permitem convencer eleitores a votarem no Bloco. E ao delegar isso numa figura secundária, está a cair na armadilha da AD. Eu até critiquei Luís Montenegro por não ir a todos os debates, mas tenho que reconhecer que isto assim sai-lhe melhor do que a encomenda.
Deixa o embate cada vez mais entre PSD e PS, como é evidente, não é?
Sim. Vamos imaginar um debate Nuno Melo, Fernando Rosas. Pronto, é mais uma noite nas televisões, quer dizer, poderia ser um debate qualquer promovido por uma televisão de informação num dia da semana. Está tudo bem. Se o Bloco está tão confiante que não precisa de levar os seus melhores, a sua melhor pessoa será em princípio a líder, para contactar com os eleitores, então boa sorte.
Miguel, o teu mau é o Governo, que tem um problema.
Tem, porque a OTPJ fez buscas na Câmara de Cascais, num processo que investiga suspeitas de favorecimento a uma empresa do ramo imobiliário e que visa o ministro Miguel Pinto Luz, quando era autarca em Cascais. Ele foi vice-presidente da Câmara e garantiu ontem que enquanto esteve na autarquia, sempre se pautou pela integridade, pelo interesse de Cascais. E obviamente, tudo isto está ainda muito no início. Não temos grandes detalhes sobre quais são, em concreto, as suspeitas, muito menos se elas se concretizam. Miguel Pinto Luz deu uma entrevista à noite à SIC a falar sobre tudo isto e fez bem. Nestas situações é preciso aparecer e explicar, mas a verdade é que tudo isto é péssimo para o Governo. Só falta um mês e meio para as eleições e qualquer notícia como esta faz mossa.
Certo. Não sei se só falta um mês e meio ou ainda falta um mês e meio, porque esta campanha não vai ser bonita. Tem traços de usar um embate mais duro.
Sim, mas repare também, estas investigações já são normais.
Claro. São frequentes, já percebemos.
Mas enfim, o Governo tem que ter cautela com estas coisas, claro.
O teu vilão é mais um caixinhas.
Pois é, Maria João. Eu não sei, eu acho que estamos a tentar transformar numa rubrica habitual esta moda dos políticos não conseguirem resolver os seus problemas sozinhos e terem de recorrer sempre a algum tipo de autoridade externa. De facto, ontem falámos aqui os três de Rui Tavares, que fez uma caixinha à Comissão Nacional de Eleições por causa dos debates nas televisões, e agora é o PS quem apresenta uma caixinha, também na CNE, contra a concelhia do PSD Porto, pela mensagem que enviou aos militantes a convidá-los a irem cumprimentar Luís Montenegro no Mercado do Bolhão, onde o Governo realizou ontem um Conselho de Ministros. É claro que esta reunião do Governo no Porto foi uma ação de propaganda, é evidente, mas a reação do PS teve dois problemas. O primeiro foi de grau, porque o PS fez uma comparação ridícula. Segundo os socialistas, o que aconteceu ontem faz de Luís Montenegro um Viktor Orbán. Quer dizer, vamos lá ver. Também, menos. O problema na Hungria não é o Governo fazer Conselhos de Ministros em mercados, vamos lá ver. As pessoas que consideram a Turquia uma democracia iliberal, onde a democracia não é completa, o problema deles não é Viktor Orbán ir para o Mercado do Bolhão lá do sítio de Budapeste. Não é esse o problema. O problema é o governo húngaro pressionar e condicionar a imprensa, os juízes, os adversários, isso é que é grave. Pronto. O segundo problema da reação do PS, lá está, é a forma que ela assumiu, porque em vez de fazerem uma caixinha à CNE, os socialistas deviam era tentar convencer os eleitores de que têm razão, porque as eleições ganham-se com votos, não é com caixinhas, diria eu.
Pois, em todas as eleições há dezenas, centenas de caixinhas destas à CNE. Alguém se lembra de uma que seja, que tenha ficado na memória e que tenha feito mossa? Enfim.
Não, mas agora eu sinto isto, de facto, a escalar.
Andamos tudo muito sensível.
É. A primeira reação é logo uma caixinha. Vá, cresçam! Pelo amor de Deus.
Vamos ao resumo. O bom desta quinta-feira é a AD, o mau, o Governo, e o vilão de hoje é mais um caixinhas, neste caso, o PS. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro, numa edição que daqui a pouco também fica disponível em podcast.