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E começa agora a nova edição do Bom, o Mau e o Vilão da Rádio Observador, que também pode ouvir em podcast e sempre com o Miguel Pinheiro. Olá, Miguel, bom dia.

Bom dia.

Bom dia. Quem é o bom de hoje?

O bom de hoje é o presidente da Câmara de Loures. O socialista Ricardo Leão deu uma entrevista à Renascença onde disse, sem nenhuma dúvida, que os resultados da gestão pública do Hospital Beatriz Ângelo são muito piores do que os que havia com a PPP que o governo de António Costa diabolizou. As pessoas que não são de lá já não se lembram destas polémicas, hospital, PPP, já foi há muito tempo. Pois é, foi há muito tempo, mas os utentes do hospital lá continuam e têm que sofrer com esta decisão do governo do PS. Além de não ter tido medo de pôr em causa os preconceitos ideológicos do PS na saúde, o autarca de Loures também admitiu publicamente que agora o ministro da Saúde, este ministro da Saúde, não cumpre e não cumpriu as muitas e absurdas promessas que fez quando as urgências pediátricas do hospital foram encerradas ao fim de semana. O ministro andou para frente, para trás, disse uma coisa, disse o seu contrário, fez muita promessa, ia-se tudo resolver, não se resolveu nada. Portanto, Ricardo Leão, do PS, faz estas duas críticas ao governo em defesa dos seus munícipes. Eu só espero, Maria João e Paulo, que não haja ninguém do PS a fazer a Ricardo Leão aquilo que Ricardo Leão fez a Cavaco Silva quando ele se atreveu a criticar o PS, que foi virar-lhe as costas num evento público, não sei se se lembram. Cavaco Silva começou a lembrar e Ricardo Leão, juntamente com Luísa Salgueiro, levantaram-se e foram-se embora. Eu só espero que Ricardo Leão fique livre de uma coisa destas.

Sem dúvida. Entradas de leão, não é?

Olha, Paulo, nada como um bom trocadilho

A esta hora da manhã.

Para começar uma sexta-feira. Sim, senhor, muito bem.

O bom é Ricardo Leão, quem é o mau?

Olha, o mau é Ana Catarina Mendes. Desculpa, Paulo, este nome não dá.

Não dá mesmo?

É melhor não tentar, se calhar.

Não estou a ver uma saída para isto.

Não. Eu vou puxar já o microfone aqui.

Ontem a ministra adjunta e dos assuntos parlamentares desvalorizou o facto de o plano de mobilidade para a Jornada Mundial da Juventude ainda não ser conhecido. Desvalorizou também o facto da revelação deste plano só estar planeada para 14 de julho, ou seja, poucos dias antes da chegada do Papa. O presidente da Câmara de Lisboa está preocupado, o presidente da Câmara de Loures também está preocupado e o presidente da Fundação da Jornada Mundial da Juventude, Dom América Aguiar, diz que não ajuda exteriorizarmos sentimentos e desconfortos. Ora, isto quer dizer que ele está preocupado. Todas estas pessoas estão preocupadas e hoje o Expresso conta-nos que as entidades envolvidas no tal plano de mobilidade não se entendem, mas Ana Catarina Mendes jura que está tudo bem. Bolas, se a ministra garante isso, então de certeza que está mesmo tudo bem. Não vale a pena estarmos aqui com preocupações.

Obviamente, mas qual é a dúvida?

Nem sei por que é que pus a Ana Catarina Mendes no mau. Desculpem, foi aqui um engano.

E perder tempo aqui uns minutos de antena com esta coisa. Quer dizer, se está tudo bem, está tudo bem.

Toda a razão.

Seguir em frente, então. Vamos então ao vilão.

Vamos então ao vilão. Olha, o vilão é António Costa. Embalado pelas críticas de Marcelo Rebelo de Sousa ao Banco Central Europeu, o primeiro-ministro, com o seu habitual ar de superioridade, disse ontem uma frase muito interessante. Foi esta: "Não tem havido a suficiente compreensão da parte do BCE da natureza específica do ciclo inflacionista que temos estado a viver. E também não tem tido em devida conta os fatores que têm alimentado esta inflação." Portanto, para António Costa, os bancos centrais, coitadinhos, não fazem a mais pequena ideia do que se está a passar. Estão todos enganados. O Banco Central Europeu, o Banco Central dos Estados Unidos, os especialistas que trabalham para estas instituições, todos estão completamente enganados e só o nosso primeiro-ministro é que percebeu o que mais ninguém percebeu. Só ele tem a receita para resolver o problema da inflação, sendo que a receita de António Costa passa, como sempre, por distribuir dinheiro pelos potenciais eleitores, pois com certeza, distribuindo dinheiro, tudo se resolve sempre. Felizmente, graças a Deus, também ontem outro socialista veio mostrar que no PS há pessoas sensatas. Francisco Assis disse que o Banco Central Europeu é uma entidade independente que deve ser plenamente respeitada e afirmou que Portugal tem de procurar adaptar-se a situações como esta da inflação. E ainda acrescentou isto: "Muitas vezes os políticos fazem declarações que correspondem mais a preocupações de popularidade momentânea do que a preocupações de contribuir para resolver problemas reais." E depois finalizou assim: "Eu não entro nisso." Ora, está tudo muito bem, eu também não entro nisso. António Costa, Marcelo Rebelo de Sousa, Luís Montenegro, enfim, vários dirigentes políticos entraram nessa. Eu não entro nessa. Acho que é um bom slogan.

Paulo, tu entras?

Eu também não entro nessa, de forma alguma.

Não entras nessa, Paulo.

Neste Bom, Mau e Vilão já não entrei em nada desde o primeiro.

Olha, Paulo, vamos fazer uma T-shirt com esta frase.

Eu não me oporia a isso.

Eu não entro nessa. Eu acho que vamos a isso.

É muito bom.

Vou tratar.

Vamos então ao resumo. O bom desta sexta-feira é o presidente da Câmara de Loures, o socialista Ricardo Leão, o mau é Ana Catarina Mendes e o vilão de hoje é António Costa.