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O Miguel Pinheiro já aqui está conosco em estúdio, está então na hora do Bom, Mau e o Vilão das manhãs 360. Bom dia, Miguel.

Bom dia.

Quem é o bom desta segunda-feira?

O bom desta segunda é Carlos Tavares, ex-presidente da CMVM. Carlos Tavares falou sobre o já célebre comunicado fantasioso da TAP à CMVM, em que a saída de Alexandra Reis da companhia era apresentada como uma espécie de conto de fadas. O antigo presidente da CMVM disse, de forma clara, que houve uma violação do Código dos Valores Mobiliários e que a TAP deve ser sancionada. Isto, de facto, já é evidente para toda a gente, mas o governo continua à espera de uma justificação legal para despedir a CEO da TAP sem precisar de lhe pagar uma indenização, ou pelo menos acho que é isso que o governo está a fazer, é a única explicação para isto. E só podemos esperar que essa justificação legal surja com o parecer que foi pedido à Inspeção-Geral das Finanças, e podemos esperar que surja rápido, porque a cada dia que passa fica mais insuportável conviver com esta administração da TAP.

Pois, já lá vão 15 dias, duas semanas deste pedido de parecer à IGF. Agora, não estou seguro é que o governo queira, de facto, dispensar esta administração.

Achas?

Já o teria feito.

Não sei, se calhar está à espera de uma justificação para não ter que lhe pagar uma indenização. Quanto é que seria a indenização da presidente da TAP se fosse despedida sem justa causa?

Não sei, mas devem ser três ou quatro Alexandras Reis.

Pois, dá coisa para isso.

Deve ser coisa para isso.

Seria um bocadinho incômodo esse valor.

É verdade. Não sei se não há base legal já para isso.

Não sei. Olha, vamos esperar, porque se a CEO da TAP ficar até o fim do mandato, olha, o que se há de fazer?

Nada.

Aguentamos? Aguenta, aguenta.

O bom então, Carlos Tavares, ex-presidente da CMVM. E quem é o mau?

Olha, o mau é Ana Catarina Mendes. A ministra adjunta e dos Assuntos Parlamentares foi este fim de semana a Viana do Castelo e no seu discurso deixou, vou citá-la: "Uma palavra de solidariedade, estímulo, amizade, gratidão a todo o trabalho que o Miguel Alves fez nesta federação e na sua Câmara Municipal." Enfim, vamos ignorar primeiro que solidariedade, estímulo, amizade e gratidão são quatro palavras e não uma, mas enfim, isto são detalhes que escapam às vezes quando estamos a discursar. Mas convém lembrar que Miguel Alves foi acusado pelo Ministério Público de ter beneficiado a empresa da mulher de um ex-autarca do PS. A empresa da mulher de um ex-autarca do PS. E ele foi acusado numa certidão extraída da Operação Teia. Miguel Alves é também arguido, ainda não acusado, na chamada Operação Éter. E além disto, que não é pouco, Miguel Alves é o autor da decisão de entregar € 300 mil a um empresário Patusco por um pavilhão multiuso que nunca foi construído. E por tudo isto, Miguel Alves teve de sair do governo, mas nada disto abala a solidariedade, o estímulo, a amizade e a gratidão que Ana Catarina Mendes e o governo de António Costa sentem por Miguel Alves. A gratidão. E pronto, não vale a pena. É mesmo assim que o PS pensa. Não vale a pena termos ilusões. O PS pensa assim.

Esta reunião deve ter ocorrido no pavilhão multiuso extremo.

É, deve ter sido. Estava a chover e eles ficaram um bocadinho molhados, porque isto de fazermos reuniões em pavilhões de fantasia às vezes tem problemas.

Aquela casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada.

Exato. A gratidão, Paulo. A gratidão. Isto é a gozar. Só pode.

É a gozar.

Então tá bem.

Vamos ao vilão então.

Olha, a vilão, por falar em gozar, é a Secretária de Estado do Turismo. Há menos de um ano, Rita Marques atribuiu o estatuto definitivo de utilidade turística ao quarteirão cultural World of Wine, da empresa The Fladgate Partnership. E isto, por exemplo, isenta do pagamento de taxas. Isto foi há menos de um ano. Há 38 dias, Rita Marques deixou o governo pela triste figura que fez ao contestar publicamente a autoridade política do seu ministro. E agora Rita Marques foi anunciada como nova administradora da empresa The Fladgate Partnership, coploro, entre outras coisas, pois é, isso mesmo, adivinharam, do quarteirão cultural World of Wine. Isto mesmo ditas assim uma série de coisas em inglês soa mal. Porque isto é uma violação flagrante e evidente da lei. A ex-Secretária de Estado está a ir trabalhar para uma empresa à qual atribuiu benefícios quando estava no governo. Em declarações ao Observador, Rita Marques diz que por ela está tudo bem, mas obviamente não está tudo bem. Infelizmente, a única punição que Rita Marques sofrerá por violar a lei é ficar impedida de exercer cargos políticos e altos cargos públicos durante três anos, coisa que seguramente não lhe tira o sono. Legalmente, as coisas ficam por aqui, mas politicamente há muito que o governo pode e deve fazer, a começar pelo uso da palavra. Alguém no governo já devia ter falado sobre isto. Eu espero que António Costa não fique impávido a assistir a esta bofetada na cara do regime.

Acho que vamos para sentados.

Eu estou sentado.

Eu também.

Mas não acredito, Paulo.

Não acreditas?

Não.

Achas que vai haver comentários sobre isto? Achas que o primeiro-ministro tem tido pouco para comentar de casos destes?

Acho impossível que o governo fique em silêncio com isto. Silêncio seria cumplicidade.

Uma atitude enérgica.

Talvez não enérgica, mas pelo menos uma palavrinha, santo Deus.

Pode agradecer a gratidão. Pode ser uma palavra de gratidão aos trabalhos da Secretária de Estado. Vamos ver.

Não me deprimes.

Vamos então ao resumo. O bom de hoje, desta segunda-feira, é Carlos Tavares, ex-presidente da CMVM, o mau, Ana Catarina Mendes, e o vilão de hoje é a ex-Secretária de Estado do Turismo, Rita Marques. Foram estas as escolhas do Miguel Pinheiro na Rádio Observador e que também pode ouvir a hora que quiser em podcast.