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Começa agora uma nova edição do Bom, o Mau e o Vilão. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.
Bom dia.
Bom dia. Quem é o bom desta segunda-feira, Miguel?
É Luís Montenegro, que ontem finalmente percebeu o que tinha de fazer depois da tempestade. Nos primeiros dias, a reação do governo foi um desastre. Nesses primeiros dias, o primeiro-ministro não percebeu a dimensão do que tinha acontecido, limitou-se a dizer duas ou três frases improvisadas à saída do edifício da Proteção Civil. Andou a tentar perceber, com dificuldade, se havia muito ou poucos estragos. A ministra da Administração Interna andou meio atarantada. O ministro da Presidência andou a fazer vídeos, o ministro da Defesa andou a comandar meia dúzia de militares e só ontem, domingo, o governo fez o que tinha de ser feito. Primeiro, realizou-se um Conselho de Ministros extraordinário. Depois, o governo aprovou uma enorme lista de medidas para ajudar a resolver os muitos problemas causados pela tempestade, incluindo, importante, a criação de uma unidade de missão para coordenar o trabalho de toda a gente e liderada por Paulo Fernandes, ex-presidente da Câmara do Fundão e muito habituado a lidar com desastres naturais e com reconstrução por causa dos incêndios. E depois, no fim, Luís Montenegro falou aos portugueses. Isso aconteceu de forma solene, na residência oficial de São Bento e com vários ministros a assistirem presencialmente. E além de enumerar todas as medidas, deixou, como era obrigatório, uma palavra de presença e conforto, foi a expressão que ele usou aos que se sentiram mais sós e distantes por ficarem sem luz, sem comunicações ou sem água. Ou sem as três coisas. Depois dos fogos, já é a segunda vez que o primeiro-ministro reage tarde. Eu diria que não pode haver uma terceira. Mas isso contraria aquele princípio: não há duas sem três. Esperemos que não haja, porque isto é fatal para o governo, para a imagem do governo, para a autoridade do governo. Se o governo falha em momentos desses, é complicado.
Ainda assim, o bom é Luís Montenegro. O teu mau é a ministra da Administração Interna.
Sim, porque Luís Montenegro, pelo menos ontem, foi ao sítio. A ministra da Administração Interna foi a imagem perfeita da desorientação e da incompetência. Foi penoso ver os vídeos de Maria Lúcia Amaral a falar com o presidente da Câmara de Leiria. O autarca tinha passado longos dias a tentar resolver os problemas de uma terra destruída e foi obrigado a ficar num silêncio bem-educado, a ouvir a ministra dizer-lhe que lhe disseram que este era um fenómeno raro e a explicar-lhe que precisamos todos de uma aprendizagem coletiva. Isto foi penoso. Depois foi deprimente ver Maria Lúcia Amaral falar com os jornalistas sem saber verdadeiramente a resposta para nada, argumentando que esteve a trabalhar em contexto de invisibilidade e tentando que as perguntas acabassem o mais depressa possível. Numa altura em que uma ministra tem de dar explicações, ela só queria que as explicações acabassem. Eu sei que os primeiros-ministros odeiam fazer remodelações. Eu sei que os primeiros-ministros odeiam ainda mais fazer remodelações, que seja o reconhecimento de um erro de escolha, mas esta ministra tem de sair rapidamente do governo. Seja sozinha numa remodelação cirúrgica, seja acompanhada numa remodelação com maiores implicações políticas, é indiferente, desde que saia. Não é possível ter uma ministra assim. Não vale a pena, não é possível. Por isso, o primeiro-ministro tem de resolver. Numa área em que a comunicação é fundamental, quando acontecem estas coisas, de facto, não se pode ter um responsável político que bloqueia a comunicar. Mas não é só a comunicação, Paulo, porque se tu ouvisses a ministra e pensasses: "Bem, coitada, não sabe falar em público", mas aquilo é uma pedra de força e de segurança. Trata-se de uma pessoa que sabe o que está a fazer. Simplesmente não sabe muito bem falar em público, mas não é isso. Tu ouves a ministra e percebes que não há ali nada, tudo lhe está a passar ao lado. É, ainda ficamos mais assustados.
Miguel, o teu vilão andou a fazer vídeos.
É, eu falei há bocadinho do vídeo do ministro Leitão Amaro, onde ele aparecia a trabalhar no gabinete, a apontar para mapas, a roer as unhas, a piscar os olhos, mas isso não foi nada quando comparado com os vídeos do líder do Chega. André Ventura filmou-se a carregar a mala de um carro com mantimentos para ajudar as vítimas da tempestade e tudo é mau demais para ser verdade. Ventura pega nas garrafas de água e nas latas de comida sozinho, enquanto umas quantas pessoas olham para ele como se fosse o único a trabalhar. Só ele trabalha pelos portugueses. Ventura carrega as coisas com o botão do sobretudo apertado, que, como se sabe, é a melhor forma de uma pessoa se agachar e se levantar. Quando eu preciso de me agachar, de me levantar, de carregar coisas, o que é que eu faço? Aperto o botão do casaco. Vais buscar o casaco primeiro e depois a carga. Claro, vou buscar o casaco.
Que tem botão.
Aperto o botão, ponho a gravata direitinha. É assim que toda a gente faz. Ventura faz esgares de dor quando está apenas a levar duas paletes de água. Quer dizer, está assim tão pesado? Duas paletes de água? Enfim. Ventura benze-se perante a mala do carro e pelos vistos, os eleitores do Chega acham o vídeo de Leitão Amaro péssimo e acham o vídeo de André Ventura ótimo. Eu acho que são os dois uma tristeza. Cada um à sua maneira. Sim, mas com certeza, estejam à vontade. Votem nisso.
Vamos ao resumo. O bom de hoje é Luís Montenegro, o mau é a ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, e o vilão é André Ventura. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs 360 e também em podcast.