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Começa agora uma nova edição do "O Bom, o Mau e o Vilão", sempre com Miguel Pinheiro. Olá, Miguel, bom dia.
Bom dia.
Miguel, o teu bom é uma juíza.
É mais uma juíza, na realidade, porque mais uma juíza concluiu pela existência de indícios consistentes de que José Sócrates terá, alegadamente, cometido crimes. Acho que é essa a palavra. Ontem, o Tribunal Central de Instrução Criminal decidiu que o primeiro-ministro e o seu grande amigo Carlos Santos Silva devem ir a julgamento por três crimes de branqueamento de capitais. A juíza disse isto: há consistentes indícios, lá está, de que José Sócrates é o homem de fundo e que Carlos Santos Silva é a pessoa nomeada para agir no seu esquema de branqueamento. Neste momento, já houve seguramente dezenas de juízes que tiveram de tomar decisões sobre este caso e acho que todos, menos um, decidiram contra o antigo primeiro-ministro. Claro que ontem o advogado de José Sócrates anunciou que também vai recorrer desta decisão. Com certeza, claro, a justiça portuguesa permite sempre um recurso, e mais um, e mais um. Por isso, lá teremos mais juízes a pronunciarem-se sobre tudo isto.
A minha preocupação é com o fato de, em alguns jornais, e não interessa quais, em algumas notícias, aparecer o nome de Santos Silva, sem a referência ao Carlos.
Sem o Carlos.
Sem o Carlos. Acho que-
É chato.
É chato.
É chato. Isto não tem nada a ver com o Augusto. Só para ficar claro, não é o Augusto, é o Carlos.
O amigo.
É o Carlos, não é o Augusto.
Miguel, o teu mau andou a manifestar-se.
Sim, são os ativistas do clima. Mais uma vez, quando eu uso esta voz é para as pessoas saberem que tem aspas, são os ativistas do clima, que na verdade, como ficou comprovado ontem mais uma vez, são ativistas de outras causas, porque cinco jovens aproveitaram o dia de ontem. Atenção, cinco. Não são 50, não são 500, não são 5 mil, são cinco. Interromperam uma conferência sobre os 40 anos da adesão de Portugal à União Europeia para acusarem o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, de ser culpado por aquilo que dizem ser o genocídio em Gaza. E esta ação foi organizada pela Climáximo e pelo movimento Greve Climática e Estudantil. E as pessoas podem pensar: o que é que o clima tem a ver com Gaza? Obviamente, não tem nada a ver, mas eles dizem que tem tudo a ver. Eu vou citá-los: “Nós viemos aqui para culpabilizá-los pela fome, pela miséria, pelas mortes que estão a acontecer neste momento na Faixa de Gaza e dizer que não aceitamos este sistema que promove o genocídio, o colonialismo, a guerra e o colapso climático.” Outra citação: “Não vamos parar até que a Palestina seja livre e que este sistema fóssil seja desmantelado.” Portanto, tudo a ver uma coisa com a outra. Eles, de facto, misturam tudo, porque o que eles querem é acabar com isto tudo, com o regime, com o sistema e com a economia. Há mais gente a querer acabar com o regime. Não é os de sempre, há mais gente. Naturalmente, esta ação de protesto era ilegal e por isso os ativistas tiveram de ser retirados pela polícia, mas o ministro Paulo Rangel, pelos vistos, acha tudo ótimo, porque ele disse a seguinte frase: “É até compreensível, dada a catástrofe humanitária que está em curso.” Portanto, é tudo compreensível. Também outros ministros acharam compreensível latas de tinta, porque também temos que olhar para o clima. Portanto, é tudo compreensível, está tudo ótimo, estão bem uns para os outros. Ainda bem que o ministro Paulo Rangel gostou de ser interrompido por pessoas a gritarem que ele é cúmplice de genocídio. Ainda bem que achou graça.
Só faltou ali em cima, no sistema, nas coisas más que o sistema promove, o genocídio, o colonialismo, a guerra, o colapso climático, o machismo. Acho que faltou.
Estás a dar ideias.
Será que fui eu que traduzi isto mal?
Não, se calhar tem a ver com a Palestina. Não sei.
Sim, na Palestina. Não ouvi falar disso.
Bem, fica para outro dia.
Quem é o teu vilão de hoje?
Sabes muito bem quem é o meu vilão de hoje.
Pois sei.
Maria João sabe muito bem.
A Helena se está a rir. Vamos a gostar.
Sabes muito bem. São os nossos adorados sindicatos da Carris e do Metro. Nós na Carris vamos ter uma greve de 24 horas a calhar em cima do Santo António, pois com certeza. Mas no Metro, atenção, eu hoje quero me concentrar nisto, temos uma ação mais sofisticada, porque estão sempre a surpreender-nos. Nós temos um plenário geral de trabalhadores que começa às 21h15 de hoje, portanto às 21h15 da noite, e acaba às 2h30 da madrugada. Precisamente ali para apanhar as deslocações dos Santos. Às 21h15 começa o plenário geral de trabalhadores, às 2h30 da madrugada acaba. Primeiro, é um longo plenário. Atenção, não se assistia a plenários tão longos desde o PREC. Isto tem muita hora para ser um plenário. Normalmente, os plenários no Metro são mais curtos, mas logo hoje é preciso falar muito. Mas as pessoas podem pensar assim: isto é normal, não é? Os plenários dos trabalhadores do metro são sempre a estas horas e, portanto, o que se há de fazer? É sempre assim, não é? Errado, porque eu estive a ver para trás e atenção, reparem nisto. A 9 de dezembro do ano transato, foi marcado um plenário às 11h30 da noite, de facto, mas só para os trabalhadores da via e serviços noturnos, porque o plenário para a generalidade dos trabalhadores foi às 10h00, foi pela fresquinha. Deu para dormir bem, acordar, um banho e às 10h00. A 4 de março foi marcado um plenário também para as 11h30 da noite, mas só para os trabalhadores da via e serviços noturnos, porque o plenário para a generalidade dos trabalhadores foi outra vez às 10h00. Olhem, já viram a coincidência. Também foi às 10h00. 21 de abril, plenário às 23h30, mas só para os trabalhadores da via e serviços noturnos, porque o plenário para a generalidade dos trabalhadores foi no dia seguinte às 10h00, claro. E no dia 2 de abril, penso que houve só um plenário, pelo que eu estive a ver na FETRANS, houve só um plenário. Só um. Foi às 11h00. Da manhã, não foi às 11h00 da noite. Mas logo hoje, não era possível fazer plenários de manhã, deviam estar muito ocupados. E hoje, logo hoje, com as festas de Santo António, dá muito jeitinho fazer o plenário de madrugada, várias horas até às 2h30. Vai ser um plenário incrível para resolver os problemas do metro, os problemas de Gaza.
Com sardinhas. É um plenário com sardinhas.
Com o ambiente.
Eu espero que não.
Olha, eu vou dar uma de rezingão: fiquem em casa. Eu como não vou festejar, aguentem. Ou então ficam até de manhã e depois já há transporte.
Solução Bruno Vieira Amaral para os problemas das greves nos transportes públicos.
Fiquem em casa.
Fiquem em casa.
Olha, na caminha é que se está bem.
Andam por aí.
Andam por aí no lareu.
Vamos ao resumo. O bom desta quinta-feira é mais uma juíza, o mau são os ativistas do clima e o vilão de hoje são os sindicatos da Carris e do Metro. Foram estas as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs 360 e sempre em podcast.