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Começa agora uma nova edição do Bom, Mau e o Vilão. Bom dia, Miguel Pinheiro.

Hoje não canto. Senão ele vai dizer a mim. Pausa dramática. Não, sabe o que é?

Eu suspeito que ele gosta que nós fiquemos assim.

Não, há duas coisas que eu tenho que fazer. Uma é carregar no botão do microfone e a outra é falar.

Esqueces de uma.

E às vezes eu troco a ordem.

Pois.

Percebes? E aí então começo a falar antes de carregar o botão, porque esta cabeça já não é tão nova. É verdade. Mas já sei mascar pastilha elástica e andar ao mesmo tempo. É uma coisa que andei durante décadas a praticar. E respirar, não te esqueças nunca de respirar, Miguel. Isso às vezes falha. De qualquer forma, o que eu queria mesmo fazer hoje era recomendar a toda a gente que ouça este novo podcast+ do Observador, A Grande Provocadora, sobre a vida da Vera Lagoa. Eu já ouvi os cinco, os assinantes já podem ouvir os cinco, e é mesmo muito bom. Eu sei que sou parte interessada.

Fomos perfeitos na edição.

Pronto, já sei, mas enfim, se acreditarem em alguma coisa que eu vou dizer hoje, acreditem nisto.

Também nisto. Outro bom, o Tribunal de Contas.

É o Tribunal de Contas, porque ontem publicou o relatório final sobre a Efacec. O Observador já tinha avançado algumas conclusões aqui há umas semanas, mas agora nós ficamos com o retrato completo. E este retrato completo é muito deprimente, porque resumidamente, o Estado fez tudo mal. Fez mal a nacionalização, fez mal a gestão da empresa e fez mal a reprivatização. Na nacionalização, diz o Tribunal de Contas, a entrada do Estado na empresa não foi acompanhada de qualquer previsão sobre o seu impacto nas contas públicas, como deveria, em desfavor dos direitos dos contribuintes. Portanto, nem se pensou duas vezes. Fazer contas pra quê? Sim, exato. Vamos ficar com aquilo e acabou. Manda ver e depois logo se vê. Logo se vê quem paga. Logo se vê quem paga, não, porque quem paga são sempre, naturalmente, os mesmos. Portanto, os contribuintes pagaram e está feito. Depois, durante a gestão pública, porque nacionalizamos e depois ficamos a tomar conta daquilo. O bicho ficou aqui do nosso lado. E então, segundo o Tribunal de Contas, o Estado, e esta é muito interessante, privilegiou o grupo Efacec ao criar uma linha de apoio COVID-19 específica e exclusiva para as suas empresas. Portanto, durante a COVID, foi criada uma linha de apoio só para as empresas do grupo Efacec. Mas não foi só isso, isto foi pior, porque esta criação desta linha exclusiva enfermou de falta de transparência, segundo o Tribunal de Contas, porque quando foram publicados os detalhes desta linha de apoio, não era referida em lado nenhum a Efacec, dando a aparência de a linha se destinar a qualquer empresa sediada em Portugal, desde que cumprisse as condições estabelecidas. Havia ali umas condições, supostamente gerais e abstratas, que se aplicariam a qualquer empresa, mas que na realidade só se aplicavam às empresas da Efacec. E assim o Estado conseguiu apoiar a Efacec sem que se percebesse. Realmente, a espertalhice é mesmo uma característica de alguns dos nossos governos. E depois, na reprivatização, alerta o Tribunal de Contas, foi escolhida uma proposta que pode, sim, senhor, eventualmente, quem sabe, talvez, no futuro, um dia destes, vir a dar-nos mais dinheiro, mas pra já, o que está garantido são duas coisas: é que o Estado gastou mais com esta escolha de reprivatização e o risco é maior. E portanto, nós pagamos pra ter a empresa, pagamos às escondidas. Pagamos sem fazer contas pra ter a empresa, pagamos às escondidas pra manter a empresa e agora pagamos gênero roleta pra nos livrarmos da empresa. Quer dizer, há lá coisa melhor do que esta? Não há, isto sim, isto é que é gerir o dinheiro dos contribuintes. É estratégica. É uma empresa estratégica, é verdade. É o interesse nacional, é tudo isso. Ó Paulo, meu rico dinheirinho. Nosso rico dinheirinho mesmo. É, eu preocupo com o meu, mas sim, nosso.

Miguel, quem é o teu mau de hoje?

Olha, o mau é o Luís Montenegro. Ontem o primeiro-ministro respondeu àqueles que criticaram o discurso dele sobre a necessidade de ir atrás dos incendiários, e ele foi criticado por ter feito uma simplificação demagógica do problema dos fogos. Mas Luís Montenegro continua a achar que tinha razão e ontem disse isto. Preparem a lágrima, tá bem? Por favor. Não quero aqui as pessoas a chorarem, porque os nossos ouvintes também não têm que levar com isto. Portanto, contenham-se. Se for preciso, desliguem o microfone. Mas enfim, o que Luís Montenegro disse foi: "Chego a casa à noite e durmo mais descansado se o meu governo estiver a combater o crime, seja ele qual for." Não há aí um pianinho de fundo? Devia haver. Se isto fosse um programa profissional, havia, mas tudo bem, ok. E o que eu queria dizer, desculpem, isto é também a emoção, é que também eu chego a casa à noite, exausto de mais um dia de trabalho, exausto de ter que aturar o Paulo Ferreira E antes de me deitar, agradeço a Deus por termos um governo liderado por Luís Montenegro. E também eu durmo muito mais descansado sabendo que o meu governo, o nosso governo, está a combater o crime, seja ele qual for, nem que seja o roubo de uma garrafa de água num minimercado. O governo zela por nós e somos mais felizes por isso. Amém.

Está no meio de nós.

Exato. Isso. O problema é esse, é que está demasiado no meio de nós. E estar no meio nem é fácil. Às vezes. Não, mas isso não foi este. Não. Foi o anterior.

Miguel, o teu vilão tem a ver com justiça.

Pois é. São os críticos cegos da justiça e sim, estou a falar dos subscritores do Manifesto dos 50, de Rui Rio. Segundo estes críticos cegos, metade de Portugal está sob escuta e o Ministério Público hoje é incapaz de investigar seja o que for, sem estar a ouvir as conversas de todos os suspeitos, como se fosse malcoviteira. Agora, eles dizem-nos isto, mas o diretor nacional da PJ, Luís Neves, esteve ontem num colóquio sobre justiça e trouxe números fresquinhos. Explicou que até 31 de agosto estiveram ativas 6268 interceções de comunicações. Agora, atenção, não são 6268 pessoas sob escuta, porque, como se sabe, há suspeitos que usam vários cartões de telemóvel para desenvolverem as suas atividades beneméritas. E além disso, neste número também se incluem interceções de e-mails. Mas o número importante nem é este, porque não nos dá um termo de comparação. O número importante é 40%. Nestes primeiros oito meses do ano, houve uma redução de 40% no número de interceções, quando comparamos com o ano passado, sendo que em 2023 já tinha havido uma redução de 28% em comparação com 2022. Ou seja, ao contrário do que nos dizem alguns destes críticos, os investigadores estão a usar cada vez menos escutas telefónicas. E Rui Rio, que anda sempre tão ativo no Twitter com fotos de gatinhos e outras coisas, se calhar podia comentar isto. O que é que o Albino tem a ver com a história? Tudo! O Albino tem sempre a ver com tudo, Paulo. Certo, mas não sei porque é que estas estatísticas não são publicadas de uma forma regular e transparente e acabou-se, e não havia cá histórias. Ajuda. Não é?

Vamos ao resumo. O bom desta terça-feira é o Tribunal de Contas, o mau é Luís Montenegro e o vilão de hoje são os subscritores do Manifesto dos 50, de Rui Rio.