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Começa agora uma nova edição do "O Bom, o Mau e o Vilão" das manhãs 360. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.

Bom dia.

Bom dia, Miguel. Deixa-me adivinhar quem é o teu bom de hoje.

Pois, não tens que ser uma zandinga.

Não tenho? E eu a pensar que sim. Então.

Porque o bom de hoje são António José Seguro e André Ventura, claro.

Quem diria, não é?

É. Mas enfim, isto não dá para ser sempre uma grande surpresa. Na segunda volta vamos ter duas eleições muito diferentes. Os ouvintes, os eleitores, nós vamos todos ter de escolher qual é a eleição que preferimos. Seguro vai defender a narrativa de que a eleição vai ser uma luta existencial entre a democracia e o extremismo. E faz sentido. Os votos da esquerda por si só não são suficientes pra ele ser eleito, por isso Seguro precisa de mais ou menos 20% de votos da direita. Já Ventura defenderá que a eleição vai ser uma luta clássica entre a direita e a esquerda. E também faz sentido, porque os votos antirregime não são suficientes para ele ser eleito e precisa de cerca de 25% de votos de eleitores que não simpatizam nem com ele, nem com o Chega. Por tudo isto, para Seguro, André Ventura é o adversário ideal na segunda volta. Para Ventura, António José Seguro também é o candidato ideal na segunda volta. Estão os dois muito contentinhos com os resultados de ontem. E desde esta contagem de votos que à esquerda temos um novo líder, o PS de António Costa morreu e o sonho de uma nova geringonça também, basta ver os resultados absurdamente baixos da esquerda radical ontem. E à direita não temos ainda um novo líder, mas temos uma nova confusão, porque a luta pela liderança desse espaço político vai ser ainda mais violenta. Vamos entrar mesmo numa guerra civil à direita pela liderança.

Sabem para quem é que isto está bem? Para os vendedores de pipocas, não é?

Olha, Paulo, é verdade. Para mim, doces.

Ok, pronto. És daqueles que não sabe o que são pipocas a sério. Tudo bem, seguimos em frente.

Paulo, se quiseres entrar por aí, olha, eu tenho tempo. Podemos mudar já de assunto e ficamos só nos-

Não, vamos ao mau, que é Gouveia e Melo.

Está bem. É desmanchar prazeres, é sério. Quando esta história começou, o almirante, se bem se lembram, estava destacadamente em primeiro lugar. Ia ganhar isto, ia limpar isto, ia dar cabo disto, não havia conversa. E depois, a pouco e pouco, começou a fazer disparates. Oscilou entre o centro, a esquerda e a direita. Hesitou entre o desafio ao regime e a defesa do regime. Pôs-se nas mãos de Rui Rio e nas mãos de Isaltino Morais e acabou onde acabou, em quarto lugar. E ontem à noite, Gouveia e Melo protagonizou uma derradeira contradição. Depois de se ter apresentado ao país como alguém que estava acima dos partidos, como alguém que não vive para os partidos e como alguém que não depende dos partidos, ontem anunciou que a sua participação cívica vai continuar, confirmando-se assim que vai liderar um novo partido ou um novo movimento cívico, estamos para ver. E afinal, ele não era assim tão diferente de todos os outros. Afinal, queria um lugarzinho algures na luta politicopartidária, e é isso que vai ter.

Isso significa que ainda não está vacinado contra esta coisa da política, não é?

Muito bem apanhado, Paulo. Muito bem apanhado. É isso mesmo.

Miguel, então e quem é o teu vilão?

O vilão é Luís Montenegro. O grande problema para o líder do PSD não está tanto no fato de Luís Marques Mendes não ir ser o novo presidente da República. Eu tenho a certeza de que Luís Montenegro conseguirá viver bem com António José Seguro no Palácio de Belém. O grande problema, em certo sentido, até é esse, é ele conseguir viver bem com o Seguro, porque o grande problema para o líder do PSD é ter perdido o controle do eleitorado natural do partido. Os laranjinhas dividiram-se entre Luís Marques Mendes, João Cotrim de Figueiredo, mas também Gouveia e Melo e até Seguro. E eu arrisco-me a dizer que muitos laranjinhas que votaram em Mendes fizeram isso arrastados pelos cabelos e sem a mais pequena convicção. Luís Montenegro tem de meter uma coisa na cabeça: o país não virou à direita nas últimas eleições legislativas só porque sim. O país virou à direita nas últimas eleições legislativas e também nas autárquicas, porque quer mudanças. Quer mudanças a sério e quer mudanças já. O governo da AD não está a fazer essas mudanças e os eleitores da direita começam a perder a paciência. Por isso, se o plano é continuar a fazer de conta, continuar a assobiar pro lado e continuar a andar nisto, se calhar a coisa ainda vai correr muito mal.

Nem Seguro terá tanta paciência pra isso.

Paulo, não sei. Eles agora entender-se-ão, caso Seguro ganhe. Faltam três semanas e eu também não dou como totalmente certo nenhum resultado nesta segunda volta, mas eu acho é que Montenegro tem que começar a fazer pela vida, porque senão vai ter um triste fim.

Vamos ao resumo: o bom desta segunda-feira são António José Seguro e André Ventura, o mau é Henrique Gouveia e Melo e o vilão é Luís Montenegro.