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Começa agora mais um episódio do Bom, Mau e o Vilão da Rádio Observador e que também pode ouvir em podcast. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.

Bom dia.

Bom dia, Miguel. O teu bom de hoje tem dois repetentes.

É, António José Seguro e André Ventura são os únicos que ficaram de pé depois do domingo. Já estão a preparar a segunda volta e nestas primeiras horas depois da votação, Seguro já teve apoios de social-democratas que apoiaram Marques Mendes, como José Eduardo Martins, Pedro Duarte ou Miguel Poiares Maduro. Já teve apoio de centristas que apoiaram Gouveia e Melo, como Francisco Rodrigues dos Santos. Já teve o apoio de independentes que apoiaram Cutrin, como José Miguel Judice, e já teve o apoio de vários liberais, como Maria Morim Lopes, que é vice-presidente da IL. E se Seguro gostou daquilo que estas várias pessoas disseram, André Ventura gostou daquilo que uma determinada pessoa não disse, porque ontem Pedro Passos Coelho lembrou o seguinte: "Não desejo fazer qualquer comentário ou declaração sobre as eleições presidenciais." E com este silêncio de Passos, Ventura vai poder passar toda a campanha a dizer que, na verdade, se pudesse falar livremente, sem ter de se preocupar com o PSD, o ex-primeiro-ministro o apoiaria a ele. Seja isso ou não verdade. Isso é um tarot, não é?

Claro. Com certeza, mas uma coisa é certa: Seguro não vai reclamar o apoio de Passos. Portanto, nesta segunda volta só há uma pessoa a reclamar o apoio de Passos Coelho, e essa pessoa é André Ventura. Com este silêncio, está aberto o caminho. Miguel, o teu mau é José Luís Carneiro.

Pois, porque numa altura em que António José Seguro precisa de conseguir os votos dos eleitores da AD para ser eleito, de que é que se lembra o líder do PS? Lembra-se de aproveitar a campanha presidencial para fazer política partidária. Ontem, Carneiro andou a criticar Luís Montenegro por ele ter decidido não dar uma indicação de voto e proclamou isto: "Entre a democracia e aqueles que atentam contra a democracia, não pode haver neutralidade política." E a verdade é que José Luís Carneiro só desajuda. A última coisa que Seguro quer é ver a sua campanha sequestrada pelo Partido Socialista e instrumentalizada para fazer guerra à AD. A melhor ajuda que José Luís Carneiro podia dar a Seguro era ficar em silêncio, como se fosse um daqueles monges da Cartuxa de Évora, que ficou muitos anos só em silêncio. Podia rezar um bocadinho para que venham os votos, mas de resto, silêncio. E quem diz monges da Cartuxa de Évora, também pode dizer Pedro Passos Coelho, não é?

Ou isso, Paulo. Desde que fosse silêncio, estava tudo maravilhoso. Miguel, o teu vilão falou sobre presidenciais.

Falou. Realmente foi muito interessante ouvir Marta Temido, porque ontem a ex-ministra da Saúde e atual eurodeputada do PS escreveu um post nas redes sociais onde diz isto: "Parabéns, António José Seguro. Na segunda volta das eleições presidenciais de 2026, todos os democratas têm o dever de ser claros no apoio a esta candidatura. E a 8 de fevereiro votarei António José Seguro." E vocês pensam assim: é normal. É normal, afinal, Marta Temido foi de um governo do PS, é militante do PS. Toda a gente se lembra de Marta Temido a receber o cartãozinho partidário das mãos de António Costa no palco de um congresso. Está no Parlamento pelo PS, portanto, o que é que uma pessoa destas havia de fazer numa campanha presidencial onde está um ex-líder da JS e do PS, etc.? Seria normal. Mas não, não é nada normal, porque há uns dias, em novembro de 2025, quando Seguro realmente precisava de apoio, Marta Temido, se bem se lembram, virou-lhe as costas, porque nessa altura, Marta Temido disse, poética, que gostava que tivesse havido uma outra constelação de candidatos. Foi isto que Marta Temido disse. E quando lhe perguntaram diretamente se iria apoiar Seguro, saiu-se com a seguinte frase: "Não irei apoiar nenhum dos candidatos. Vou votar, mas publicamente não irei apoiar nenhum dos candidatos." E agora que é fácil, agora que já está a ver que Seguro deve chegar a presidente, agora que já está a ver que o Partido Socialista não vai regressar para aquela esquerda poética de abril que quer voltar à geringonça. Agora que está a ver isso, Marta Temido, que tem de fazer pela vidinha, decidiu levar a cabo um flic-flac à retaguarda e aparece sorridente a dar os parabéns a Seguro e a prometer-lhe todo o apoio. "Estou aqui, estou contigo desde sempre." E ao ler isto, eu acho que Seguro deve ter-se rido muito. Eu acho que uma das coisas interessantes de ser António José Seguro, tudo aquilo deve ser muito chato. Ter que fazer campanha, ter que andar pelo país, dormir pouco, perder a voz, tudo aquilo deve ser um horror, mas deve ser muito divertido nestes dias assistir a estas figuras que algumas pessoas do PS são obrigadas a fazer. A quantidade de amigos desde pequeninos que Seguro ganhou nas últimas horas.

Só amigos de infância, instantâneos. Vamos ao resumo. O bom desta terça-feira são António José Seguro e André Ventura, o mau José Luís Carneiro e o vilão de hoje é Marta Temido. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs 360 e sempre em podcast.