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Na mesma mesa, lado a lado, Elon Musk e Donald Trump. A ocasião é o Dia de Ação de Graças. A celebração decorre na mansão de Trump, em Mar-a-Lago, na Flórida, cerca de três semanas depois de ter sido eleito pela segunda vez presidente dos Estados Unidos. Os dois deixam-se levar pelos ritmos de YMCA, a música dos Village People, tema incontornável das ações de campanha de Trump. No vídeo publicado pela CBC, vê-se Donald Trump a bater com a mão na mesa, Musk, o convidado, a erguer os dois braços com os punhos cerrados. Ambos acompanham com gestos o ritmo da música. Pelo meio, Trump dá umas palmadinhas nas costas de Musk. Uma sequência que ajuda a cimentar a ideia de que Elon Musk é, por estes dias, o melhor amigo do presidente dos Estados Unidos. Cátia Bruno, Cátia Rocha e Maria João Braz, neste último episódio de "O Homem Mais Poderoso do Mundo", vamos falar de Musk, o apostador. Cátia Bruno, será este apoio a Donald Trump a maior aposta da vida de Elon Musk?
Eu diria que sim, porque uma coisa é apostar nas empresas, onde o que está em jogo era, sobretudo, a fortuna de Musk. Aqui está em jogo não só isso, mas também a sua imagem pública e, sobretudo, o legado que ele vai deixar, a forma como vai ser recordado.
Maria João Braz, esta é uma das apostas mais recentes de um Elon Musk que desde cedo revelou esta capacidade de arriscar.
Sim, desde pequeno que Elon Musk olha de frente para o medo. Por exemplo, com apenas seis anos percorreu Pretória de uma ponta à outra, completamente sozinho. O percurso até casa do primo demorou quatro horas a andar a pé.
Outro percurso, o empresarial de Elon Musk, Cátia Rocha, está cheio de momentos em que a faceta de apostador se evidencia.
Sim, até porque, como já vimos, está disposto a abrir os cordões à bolsa para criar empresas, mesmo que não tenha grande experiência na área.
De aposta em aposta, de risco em risco, até se ter tornado no homem mais rico do mundo. Aqui chegado, Elon Musk volta a apostar fichas, desta feita no candidato republicano, Donald Trump. Foi em cheio. Trump ganhou e Musk assume uma posição de relevo à frente do Departamento de Eficiência Governamental. O que espera ganhar com esta aposta? "O Homem Mais Poderoso do Mundo" é um podcast especial em cinco episódios sobre a vida e o poder de Elon Musk. Este é o episódio cinco: Elon Musk, o apostador. Maria João Braz, já aqui fizemos referência ao longo deste podcast àquele momento em que Elon Musk, com apenas 18 anos, decide deixar a África do Sul e a casa do pai para ir viver nos Estados Unidos. O que motivou esta decisão?
Elon Musk acreditava que a indústria da tecnologia iria avançar nos Estados Unidos. Esta foi a primeira motivação que levou o jovem Musk a querer atravessar o Oceano Atlântico. Mas há outra razão.
Saí aos 17, em parte para evitar a recruta. Gastar dois anos a oprimir negros não pareceu um bom uso do meu tempo.
Primeiro tentou sair da África do Sul para os Estados Unidos, pediu a cidadania norte-americana, isto porque o avô materno tinha nascido no Minnesota, mas o pedido foi recusado porque a mãe tinha nascido no Canadá. Não conseguindo ir para os Estados Unidos, pediu o visto para o Canadá. A duas semanas de fazer 18 anos, teve o visto aprovado.
E como é que os pais reagiram a esta decisão de deixar a África do Sul? Procuraram demover Musk? Ficaram preocupados?
Tanto o pai como a mãe de Elon Musk não se opuseram à decisão. Até lhe deram cada um 20 mil dólares. Uma ajuda que Elon Musk perdeu num autocarro logo na primeira semana em que chegou ao Canadá. Primeiro foi para Montreal. O plano era ir ter com o tio da mãe, mas o tio já não vivia na cidade.
E o que fez Elon Musk?
Na primeira semana ficou num albergue de juventude, mas depois ficou em casa de outros familiares. Começou a trabalhar quase de imediato. Escolheu um dos trabalhos mais exigentes, mas também o que pagava melhor. Limpava caldeiras de serração. Para se ter uma ideia do perigo, se ficasse no túnel mais de 30 minutos, poderia morrer por causa do calor. No final da semana, das 30 pessoas que começaram a trabalhar, restavam só três e Elon Musk era uma delas.
Resiliente Elon Musk. Logo no primeiro episódio, Maria João, abordamos a relação de Musk com o pai, Errol, mas ainda não falámos da mãe. Quem é a mãe de Elon Musk?
A mãe de Elon Musk, Maye Musk, não teve um papel muito protetor na vida dos filhos. Maye Musk fez carreira como modelo e nutricionista. Depois do divórcio, a mãe de Elon Musk trabalhava muito para poder sustentar os três filhos. Em várias ocasiões, os irmãos ficavam sozinhos em casa e acabavam por tomar conta uns dos outros.
Ainda assim, Maria João, e apesar deste aparente distanciamento, os irmãos Musk são atualmente muito próximos da mãe.
Sim, apesar da distância na infância, a mãe de Elon Musk apoiou os filhos no início da carreira. Mudou-se para o Canadá quando Elon e Kimbal estavam a estudar na faculdade. Nos primeiros tempos, os quatro, ou seja, a mãe e os três filhos, Elon, Kimbal e Tosca, viviam num apartamento só com um quarto. Quando Kimbal e Elon estavam a arrancar na primeira empresa, a Zip2, a mãe ajudava-os a preparar reuniões com os investidores. Inicialmente, até as fotocópias tinham dificuldade em pagar.
Este é um episódio que se passou no Canadá. Como é que Elon Musk vai parar mais tarde aos Estados Unidos?
Inicialmente, em 1990, Musk entra na Universidade Queen's, que fica em Ontário, ou seja, no Canadá. Entrou com uma bolsa de estudo. Dois anos depois, consegue dar o salto para os Estados Unidos. Recebe uma bolsa para frequentar a Penn University, que fica em Filadélfia. Decide especializar-se em Física e começa uma nova licenciatura em Gestão de Empresas.
Seguiram-se depois os estágios em programação de jogos e na área das energias renováveis, mas Musk opta por seguir em frente e arrisca o próprio negócio, a Zip2.
Sim, já aqui falámos da Zip2. Foi a primeira empresa fundada por Elon Musk. Ele e o irmão tiveram a ideia de desenvolver um site tipo páginas amarelas, que combinasse listas de empresas e mapas. Venderam a empresa por 307 milhões de dólares. Musk ficou com 22 milhões, usou a maioria para financiar o próximo projeto, o que viria a ser a X.com, depois a PayPal. O resto, 4 milhões, usou para comprar uma avioneta e um carro, que na altura custava 1 milhão de dólares. A compra até deu uma reportagem para a CNN.
"There are 62 McLarens in the world, and I will own one of them."
O carro durou apenas um ano, já que em plenas negociações da fusão da X.com com a PayPal, Musk deu boleia a um dos possíveis parceiros de negócios. E claro, levou o McLaren F1. Para mostrar o potencial do carro, pisou o prego a fundo, mudou de faixa e fez um pião. Bateu na berma, o carro girou no ar, partiu vidros e jantes. O carro ficou todo amolgado. Como se nada tivesse acontecido, o Elon Musk virou-se para Peter Thiel e disse: "O mais engraçado é que não tenho seguro."
"Durante a maior parte da Covid, estive no sul do Texas a construir uma fábrica de foguetões. Sem máscaras, sem nada, só a construir a fábrica, a construir foguetões. A equipa da Califórnia vinha visitar-nos. Usavam todos máscaras e passavam-se quando nos viam sem elas. Mas ainda estamos vivos, pá."
Cátia Bruna, ouvimos aqui Elon Musk no podcast de Joe Rogan recordar como desafiou as recomendações de saúde no período da Covid-19. Foi mais um momento na sua vida de algum gosto pelo risco?
Em parte, sim, porque foi isso mesmo que Musk disse quando foi nomeado Pessoa do Ano pela revista Time e falou abertamente sobre a sua postura relativamente ao vírus da Covid. Musk confirmou que foi vacinado e que os seus filhos também o foram, mas disse que defende os direitos de quem não o quer fazer. E justificou isso como uma espécie de direito ao risco.
Como assim?
Bem, ele disse que ao não tomar a vacina, está-se a correr um risco, mas acrescentou que as pessoas fazem coisas arriscadas a toda hora. E deixou claro como para si a questão das regras durante a pandemia o politizou, porque disse que considerava necessário estar atento à erosão da liberdade na América.
Diria-se então que a Covid-19 contribuiu para uma radicalização política de Musk?
Sem dúvida. É preciso lembrarmos que em 2020, a Covid levou a que fosse encerrada a principal fábrica da Tesla na Califórnia. E isso contribuiu para que Musk decidisse mudar-se para o Texas, onde havia regras menos apertadas para operar. Para o empresário, foi mais um exemplo de como a Califórnia estava mergulhada num pensamento demasiado à esquerda, a que ele se opunha.
Apenas pelas regras da Covid?
Não. Para Musk, essa é só mais uma faceta de uma cultura liberal em que ele diz que já não se revê e que o fez apostar numa mudança para o Texas, que acha que tem uma cultura mais próxima do Partido Republicano e dos valores que tem neste momento. No podcast Joe Rogan, Musk disse até que a cidade de São Francisco representa o fim da civilização.
"Parte da razão é a localização. Fica na baixa de São Francisco e, apesar de achar que São Francisco é uma cidade linda e que devemos investir em São Francisco, se andares pela baixa, mesmo ao lado da sede do Twitter, vês que é um apocalipse zumbi. É escante."
Um apocalipse provocado por causa de um outro vírus, certo?
Sim. Um vírus que Musk diz estar a influenciar a mente até das crianças, como o seu filho Xavier, que passou por uma transição de gênero e é agora Vivian.
"Perdi o meu filho, basicamente. O meu filho está morto. Foi morto pelo vírus woke. Portanto, eu jurei destruir este vírus depois disto."
O que aconteceu para Musk dizer isto que acabámos de ouvir?
Elon Musk assinou os papéis para permitir a transição de gênero da filha, que ainda era menor, por conselho dos médicos, que consideravam que o risco de suicídio era elevado. Mas atualmente, Musk acha que foi pressionado por uma tal cultura liberal, um vírus woke que diz existir, por exemplo, nas escolas norte-americanas.
Isso teve reflexos nas suas ideias políticas?
É evidente. Até já tínhamos falado disso noutros episódios. Há muitas atitudes que Elon Musk toma, que vêm das suas experiências pessoais. É muito isso que o motiva e que orienta as suas posições políticas. E isso foi em parte o que aconteceu aqui.
Em parte? Achas que há outro fator?
Acho que Musk compreende bem o ambiente à sua volta e isso ajudou a perceber para que lado sopra o vento politicamente e faz com que ele se posicione publicamente também.
"Esta é a tua última oportunidade. Depois disto, não há volta atrás. Se tomares o comprimido azul, a história acaba. Vais acordar na tua cama e acreditar no que quiseres acreditar. Se tomares o comprimido vermelho, ficas no País das Maravilhas e eu vou te mostrar quão fundo é o coelho."
Depois de vírus, falemos agora de comprimidos. Este som que acabamos de ouvir é do filme Matrix e refere-se à ideia de ver a realidade como ela é e não a realidade moldada pela sociedade ou por uma elite. Naquele mesmo ano de 2020, o da Covid, Elon Musk tweetou: "Tomem o comprimido vermelho." Queria apenas recordar Matrix?
É pouco provável. Em alguns círculos da internet, a expressão ligada ao comprimido vermelho tem sido usada por grupos mais extremistas de direita, da chamada alt-right, e que hoje em dia apoiam em massa Donald Trump, no geral. Em 2020, Elon Musk de certeza que sabia que a expressão tinha essa conotação. Portanto, não me parece que tenha sido por acaso. Acho que até pode ter sido uma aposta, uma aposta na aproximação, pelo menos através da linguagem, a estes grupos, por muito polémico que isso pudesse ser aos olhos de outros.
Cátia Rocha, já aqui dissemos, se há uma área da vida de Musk em que o risco está presente, essa área é a dos negócios.
Está bastante presente, mas Musk atira-se para áreas de negócio em que não tem experiência e fica obcecado a tentar atingir o sucesso. Ao mesmo tempo, não tem medo de arriscar, como já vimos. Viu-se isso quando ganhou milhões com o PayPal e decidiu investir praticamente tudo na criação de mais empresas.
Este fator risco também esteve presente na compra do Twitter. Já percebemos que Musk é um utilizador muito ativo da rede social. Em 2022, decidiu assumir outro papel.
Sim, o de acionista, que cria um papel ativo. Até porque achava que o Twitter tinha problemas como a moderação de conteúdos ou excessos no bloqueio de contas, como a de Donald Trump, por exemplo.
Vamos então por partes. Como é que Musk chega a acionista?
No início de 2022, começou discretamente a comprar ações do Twitter, até que ficou com uma participação de 9%, maior até do que a do fundador do Twitter, Jack Dorsey. Com os 9%, tinha direito a um lugar no conselho de administração.
"Elon Musk has bought nearly 10% of Twitter for an investment of around $3 billion. The Twitter share price reacted dramatically, as you can see, up 27% on the news."
E qual foi a reação da rede social? Em 2022, Musk já era uma figura que dividia opiniões.
Começaram a soar alguns alarmes no Twitter. O livro "Character Limit", um dos vários sobre a saga da compra, descreve quase um processo de tentar cortejar Musk para evitar reações repentinas.
Foi bem-sucedida esta operação de charme?
Não. Num dos primeiros encontros, Musk deixou claro que estava a estudar outras opções, como criar um concorrente ou avançar para a compra do Twitter. Musk percebeu que ao estar no conselho de administração, estava limitado, ao contrário do que acontece nas outras empresas que tem. E após um momento de hesitação, aceitou o lugar.
Como é que se passa de acionista à vontade de ser dono e senhor do Twitter?
De uma forma rápida, no espaço de dias. Musk fez um tweet em que perguntava se os utilizadores achavam que o Twitter estava a morrer. Foi repreendido em privado pelo então CEO, Parag Agrawal, porque a crítica pública não era um comportamento habitual para alguém que é membro do board. Foi um momento de rutura entre os dois.
Musk não gostou de ser chamado à atenção e decide sair, nessa altura, do conselho de administração.
E foi mais longe na fúria. Avisou que ia comprar o Twitter. A 14 de abril de 2022, surge então o famoso tweet de "fiz uma oferta". Musk ofereceu 44 mil milhões pela rede social.
"Acho que é muito importante haver uma arena inclusiva com liberdade de expressão. O Twitter tornou-se numa praça pública. É importante que as pessoas tenham presente a realidade e a perceção de que são capazes de falar de forma livre, dentro dos limites da lei."
O que se passou no Twitter nesses dias?
O Twitter tentou resistir à oferta, mas acabou por ceder, tendo em conta o valor. Musk queria tanto o Twitter que saltou alguns dos passos de diligência, que é o normal neste tipo de aquisições, até para conseguir perceber o que se está a comprar.
Isso teve consequências?
Sim, Musk, entretanto, mudou de ideias. Já não queria o Twitter e queixou-se de que estava a pagar demasiado. E também achava que a rede social não estava a ser completamente transparente, principalmente na questão dos bots.
"Imagine que compra um armazém cheio de artigos e que é dito que menos de 5% dos bens estão partidos, mas depois olha-se para o armazém e, afinal, 25% das coisas estão partidas. Não foi isso que eu disseram."
O Twitter recorreu à Justiça para obrigar Musk a concluir a compra, até porque os desenvolvimentos ligados à aquisição estavam a desvalorizar as ações. Na altura, o Twitter era cotado em bolsa. A discórdia durou o verão todo e até chegou a haver uma data marcada para um julgamento. Até que em outubro de 2022, há mais uma reviravolta. Musk decidiu concluir a compra.
Então muda de ideias outra vez e decide comprar?
Tive de.
Mas foi porque achava que o tribunal o ia obrigar?
Sim, é essa a razão.
O negócio ficou fechado no fim de outubro de 2022. Mais de dois anos depois, a aposta compensou?
Depende do ponto de vista. Financeiramente, não. O X, como foi batizado por Musk, vale cerca de $9 mil milhões, muito abaixo dos 44 mil milhões de 2022. E também há a queda de publicidade. Várias empresas deixaram de fazer anúncios no X, por exemplo.
Musk apoiou-se muito na ideia da defesa da liberdade de expressão no X. Como é que isso está a correr?
Há críticas à ausência de moderação na rede social e também muitos utilizadores a migrar para redes sociais rivais, como a Blue Sky e a Threads, um fenômeno que foi mais notório depois das eleições nos Estados Unidos. Mas o X esteve em destaque durante toda a campanha eleitoral e foi quase um megafone para Musk enquanto apoiante de Trump. No sentido da influência, podemos dizer que foi uma aposta ganha.
A partir de certa altura, Cátia Bruno, parece que o X e política ficam totalmente interligados.
É quase impossível separar o X da política neste momento. E a grande questão é se Musk comprou a plataforma já com essa finalidade ou não.
Há sinais que apontam nesse sentido?
Se considerarmos a sua preocupação com a liberdade de expressão como um princípio político, é evidente que sim. Mas é curioso recordar o que aconteceu uns dias depois de Musk ter conseguido que o Twitter aceitasse a sua oferta. Era uma sexta-feira e o empresário foi jantar com os seus filhos mais velhos para lhes dar a notícia de que ia comprar a empresa.
E como é que eles reagiram?
Não perceberam bem quais eram os objetivos do pai. Este começou por falar na ideia de uma praça pública digital com liberdade e depois disse: "Se não for assim, como é que acham que vamos conseguir que o Donald Trump seja reeleito em 2024?" Os filhos terão ficado chocados e Musk disse-lhes que estava a brincar e que tudo não passava de uma piada.
Em todas as direções, só se vê desperdício. E acho que se as pessoas percebem que se desperdiçarem dinheiro dos contribuintes, vão ser despedidas. Isso vai melhorar drasticamente a situação de imediato.
Esta viragem política trouxe os seus frutos com Donald Trump a nomear Elon Musk para liderar o Departamento de Eficiência do Governo, conhecido como DOGE. Ouvimos aqui um pouco das ideias que o empresário quer trazer para a máquina estatal. Como é que isto está a funcionar e a correr?
Eu diria que não estamos a ver nada de novo, no sentido em que desde que Musk assumiu o cargo, aquilo que a imprensa americana nos conta é que está a aplicar exatamente o mesmo modelo que usou noutras empresas suas. Está a rodear-se dos seus colaboradores mais fiéis, como Steve Davis, que já se tinha mudado com a mulher e o filho recém-nascido para a sede do Twitter quando Musk comprou a empresa. E nem de propósito, Davis e Musk estão agora a dormir com outros membros da equipa do DOGE no edifício federal ao lado da Casa Branca. Para além disso, estão a trabalhar compulsivamente aos fins de semana e até enviaram aos funcionários públicos um e-mail muito semelhante ao que foi enviado aos trabalhadores do Twitter quando o empresário comprou a rede social.
Um que ficou conhecido como o fork on the road, ou seja, a encruzilhada.
Exatamente, Miguel. Falámos disso no nosso primeiro episódio, quando a Cátia Rocha contou como Musk chegou ao Twitter e enviou um e-mail aos funcionários a exigir que fossem hardcore e convidava os que não o eram a sair. Agora, o DOGE enviou um e-mail aos funcionários públicos americanos a abrir um processo de rescisões amigáveis, onde volta a estar presente a ideia de ou aceitam isto ou vão embora.
Mas Donald Trump já deixou um aviso.
Quer mostrar que é ele quem manda?
Sim. Não há dúvidas de que neste momento, o presidente Trump está impressionado com o Musk e a dar-lhe imenso espaço para fazer o que bem entende. Mas com Trump, a questão que se costuma colocar é: até quando? Já houve muitos casos de pessoas que em tempos foram unho com carne com o presidente e que acabaram de costas voltadas. Pode vir a ser o caso de Elon Musk. Ou então ele continua a provar, como sempre fez ao longo da vida, que é diferente dos outros. O homem mais rico do mundo ganhou um poder extraordinário. Aquilo que ainda não sabemos é o que é que vai fazer com ele.
Só o tempo dirá qual o resultado da aposta de Elon Musk e se têm razão de ser os receios daqueles que olham com temor para esta aliança com Trump. Amado por muitos, aqueles que reconhecem em Musk a capacidade de sonhar, ver mais além e de fazer acontecer, é também odiado por outros tantos que o acusam, por exemplo, de ter um discurso de incitamento ao ódio. Certo é que, tanto uns como outros, ninguém fica indiferente a uma das personalidades mais importantes e enigmáticas dos nossos dias.
A minha mente é uma tempestade. Acho que a maior parte das pessoas não gostava de ser como eu. Podem pensar que sim, mas não. Não sabem, não percebem.
"O Homem Mais Poderoso do Mundo" é um podcast da Rádio Observador, da autoria das jornalistas Cátia Bruno, Cátia Rocha e Maria João Brás. A sonoplastia é do Pedro Oliveira. Eu sou o Miguel Vilela.