O Presidente norte-americano, Donald Trump, rejeitou esta sexta-feira responsabilidade pelos problemas que a Ucrânia enfrenta no acesso ao Starshield, aplicação militar do sistema de satélites Starlink, após Kiev queixar-se de lentidão no fluxo de dados.

“Não sei se alguém tem culpa. Mas não fui eu”, garantiu Trump à imprensa antes de partir para um comício de campanha.

O Presidente ilibou ainda o proprietário da Starlink, o magnata Elon Musk, que controla a Starlink. “Também não creio que tenha sido o Elon”, disse Trump sobre o aliado e financiador de campanhas.

“Pelo que percebi, nada mudou”, acrescentou.

Após dias de problemas de acesso, o Presidente da Ucrânia esclareceu esta sexta-feira que o sistema de Internet via satélite Starlink ainda não foi completamente restabelecido.

Em conferência de imprensa após ter participado na cimeira do Conselho Europeu, em Bruxelas, Volodymyr Zelensky afirmou que, para a Ucrânia conseguir utilizar o sistema Starlink, é necessário que esteja a funcionar a “determinadas velocidades”.

“Às vezes, pensa-se que a Ucrânia só está a usar o Starlink para ataques de longo alcance contra a Rússia, mas não é o caso”, observou, referindo que o Starlink não permite à Ucrânia atacar alvos na Rússia, apesar de já ter pedido à Casa Branca (presidência norte-americana) e à empresa SpaceX, do empresário Elon Musk, para que o autorizassem.

“Por isso é que [as restrições] do Starlink foram uma surpresa perigosa e desagradável. Estávamos a usar o Starlink para abater drones Shahed que estão a atacar os nossos civis, infraestruturas e a matar as nossas famílias”, referiu.

Zelensky salientou que, para conseguir abatê-los, a Ucrânia estava a usar os seus próprios drones intercetores que só se conseguem mover a “alta velocidade” através do sistema Starlink.

“O Starlink não foi desligado, mas os seus limites de velocidade foram reduzidos e, quando se reduziram esses limites, deixámos de ser capazes de abater alguns drones Shahed. Por isso, já não podíamos utilizar as nossas próprias ferramentas para proteger a nossa população”, lamentou.

E deu um exemplo: “Os Shahed deslocam-se a velocidades superiores a 400 quilómetros por hora, mas reduziram a nossa velocidade para 70”.

O Presidente ucraniano referiu ainda que, para as populações que se encontram perto da linha da frente, o Governo enviava “alimentos e água” através de drones que também só funcionavam através do Starlink.

Com os bloqueios, “o que é que aconteceu? Ficámos sem capacidades logísticas e de proteger a nossa população“, criticou, insistindo que o bloqueio do sistema foi “muito doloroso e desagradável”.

“Os nossos parceiros disseram-me que houve sinais da Casa Branca de que iriam restabelecer as capacidades. Restabeleceram os limites de velocidade que estavam em vigor? Não. Mas o sistema está a ser reposto? Sim”, afirmou.

As tensões entre Trump e Zelensky acenderam-se após o acordo sobre combustíveis assinado entre o Presidente norte-americano e o homólogo russo, Vladimir Putin, que Kiev considerou, na prática, uma traição à aliança com Washington.

A Ucrânia tem contado com ajuda financeira e em armamento dos aliados ocidentais desde que a Rússia invadiu o país, em 24 de fevereiro de 2022.

Os ataques têm vindo a intensificar-se nos últimos meses em ambos os lados da frente, fazendo um número crescente de vítimas civis, e as negociações entre as duas partes estão num impasse.

[Annie conhece o ministro do Interior de Cuba há muito tempo, mas a paixão que os une é relativamente recente. É justamente nessa altura que Zé Manel, como ela lhe chama, vai ser implicado num dos maiores escândalos da liderança de Fidel Castro. O “Caso Ochoa” envolve droga, fuzilamento, prisão e o narcotraficante mais conhecido do mundo: Pablo Escobar. Já pode ouvir o quinto episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]