Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
If somebody's gonna try to blackmail me with advertising, blackmail me with money, go yourself. I'll say what I want to say, and if the consequence of that is losing money, so be it. No, totally. Actually, what this advertising boycott. I don't think people should care what the media thinks about them. They're terrible judges of character. Offer me money, offer me power. I don't care. I mean, my mind is a storm. Go yourself.
"Primeiro nasceu o caos". A frase soltada ao vento pelo poeta grego Hesíodo parece assentar que nem uma luva a Elon Musk. Alguns dos sucessos do empresário são precedidos ou caminham lado a lado com momentos de caos. A desordem, confusão, perturbação, polêmica estão, de resto, presentes em boa parte da vida de Musk e não se resumem à atividade empresarial. Cátia Bruno, Cátia Rocha, Maria João Braz, neste terceiro episódio de "O Homem Mais Poderoso do Mundo", exploramos o lado caótico de Elon Musk. É, Maria João Braz, uma característica identificada, por exemplo, pelo irmão de Musk, Kimbal.
Exato. O irmão conta ao biógrafo Walter Isaacson que Musk é um ímã de drama. Kimbal Musk diz que o dramatismo é a sua compulsão, o tema da sua vida.
E vamos neste episódio percorrer alguns desses momentos que, Cátia Bruno, no campo da política, se manifestam essencialmente composições polêmicas, mas também contraditórias.
Quer seja sobre inteligência artificial, guerras ou alterações climáticas, Musk tem feito várias guinadas que nos fazem ter dificuldade em perceber exatamente em que é que ele acredita.
Será, porventura, Cátia Rocha, no campo da gestão empresarial que, pelo menos até aqui, mais se tem revelado esta face de Musk?
Bem, o empresário tem de gerir uma mão cheia de empresas em simultâneo e já enfrentou o caos da quase falência algumas vezes.
Estes são alguns exemplos de como o caos é uma marca constante na vida de Elon Musk. E será que a escuridão associada a estes momentos caóticos tem sempre dado lugar à luz? É uma das razões para o sucesso do empresário? "O Homem Mais Poderoso do Mundo" é um podcast especial em cinco episódios sobre a vida e o poder de Elon Musk. Este é o episódio três: Elon Musk, o caótico.
Há uma batalha a intensificar-se entre o homem mais rico do mundo e o antigo presidente dos Estados Unidos, com Elon Musk a tweetar que é a altura de Donald Trump, e cito: "Pendurar o chapéu e navegar em direção ao pôr do sol".
Cátia Bruno, estas críticas que aqui ouvimos foram feitas em 2022. Agora, no início de 2025, vimos Elon Musk na primeira fila da cerimónia de posse de Donald Trump. Temos aqui um exemplo do caos interno de Musk, que se manifesta nas posições contraditórias que assume?
À primeira vista, sim. Estas críticas de Musk a Trump nem sequer foram as primeiras. Em 2017, já depois de ele ter vencido as primeiras eleições, o empresário apelidou Trump de vigarista e um dos melhores do mundo a aldrabar. E também temos de nos recordar que quando foram as últimas primárias do Partido Republicano, Elon Musk apoiava o outro candidato, Ron DeSantis, mas em muito pouco tempo entrou completamente no jogo de Trump.
Entrou tanto no jogo que, de repente, tivemos alguém que sempre alertou para os riscos da inteligência artificial a promover no X um vídeo de Kamala Harris que era um deepfake.
Sem dúvida. E essa é uma guinada muito curiosa se tivermos em conta as coisas que Musk já disse sobre inteligência artificial, como esta:
Oiçam as minhas palavras. A inteligência artificial é muito mais perigosa do que as armas nucleares. Acho que o perigo da inteligência artificial é muito maior do que o perigo das ogivas nucleares. De longe.
Em 2023, numa entrevista ao comediante Bill Maher, Elon Musk pediu até mais regulação do Estado nesta área.
Mas agora Musk já não quer mais regulação?
Bem, no espaço de um ano, temos agora o empresário a defender que as redes sociais, por exemplo, não devem ser controladas porque isso seria uma forma de censura e de ataque à liberdade de expressão. Mesmo nós sabendo que essas redes são regularmente palco de um dos maiores perigos da inteligência artificial: a desinformação, como estes deepfakes.
Esta não é a única área onde Musk tem ziguezagues políticos. Onde é que também encontramos este caos, este saltitar entre ideias aparentemente contraditórias?
Vemos muito na política externa, por exemplo. O caso clássico é o da guerra da Ucrânia. Inicialmente, na altura em que parecia que a Rússia tomaria Kiev em poucos dias, Musk tweetou: "Mantém-te firme, Ucrânia", e disponibilizou logo o seu serviço Starlink, que foi essencial pra o exército ucraniano. Mas com o tempo começou a mudar. Teve dúvidas sobre o uso do Starlink e chegou mesmo a cortá-lo temporariamente. Apresentou um plano de paz que incluía a entrega da Crimeia à Rússia e, de certa forma, gozou com algumas das declarações de Zelensky. Ao mesmo tempo, o Wall Street Journal noticiou que, desde o final de 2022, Musk tem mantido contatos telefônicos com Vladimir Putin e outros responsáveis russos.
Significa isso que mudou de ideias sobre a guerra?
Pode ter mudado, e isso é legítimo, mas há aqui sempre um elemento de caos em que não percebemos exatamente aquilo em que Musk acredita. Ele tem dito que agora é necessário um acordo entre Ucrânia e Rússia, porque não parece haver uma solução militar à vista, mas no início da guerra, parecia que a Rússia seria facilmente vencedora e o empresário não teve pudor em colocar-se ao lado dos ucranianos, o que prolongaria a guerra. Portanto, é uma posição algo caótica.
E claro, temos agora também o envolvimento na política europeia, com o apoio à AFD na Alemanha, um partido de extrema-direita. Elon Musk defende ideias xenófobas?
É a pergunta de um milhão de dólares, porque mais uma vez encontramos aqui incoerências Por um lado, ele coloca-se ao lado de um partido alemão que tem uma mensagem profundamente anti-imigração e de um presidente americano que fala numa invasão de imigrantes. Por outro, no passado, Elon Musk esteve por alguns meses como imigrante ilegal nos Estados Unidos, porque tinha um visto de estudante, mas abandonou os estudos e já estava a trabalhar sem documentos que permitissem isso.
Facto que, porventura, contribui para que tenha pelo menos uma visão diferente de algumas pessoas mais próximas de Trump.
Tem mesmo uma guerra aberta com alguns desses elementos, como o Steven Miller e o antigo ideólogo Steven Bannon, porque considera que não devem ser abolidos alguns dos vistos para imigrantes qualificados. E Musk acaba por ser visto como um moderado dentro da Casa Branca, pelo menos neste tema.
O nosso Estado, o nosso governo, como o governo de Angela Merkel e o último, promovem uma política onde qualquer um pode escolher atravessar a nossa fronteira para emigrar para o nosso sistema de segurança social e não pode depois ser deportado porque deitou fora o seu passaporte.
Isso é de loucos.
Isto não é mesmo uma loucura?
This is crazy.
Até na entrevista recente que fez à líder da AFD, Alice Weidel, de que ouvimos aqui um excerto, fez críticas à extrema-esquerda por ter permitido uma banalização da imigração, mas não foi tão ácido como Trump costuma ser sobre este assunto. E focou-se muito mais na aplicação da lei contra os imigrantes que cometem crimes do que na ideia de proibir mais entradas ou deportar. Por isso, afinal, qual é o verdadeiro Musk?
É uma pergunta que se repete a pretexto de outros episódios, por exemplo, aquele que ocorreu por ocasião da cerimónia de posse de Donald Trump.
Só quero agradecer-vos por terem feito isto acontecer. Obrigado. O meu coração está convosco.
Este agradecimento foi feito quando Musk discursava no palco e foi acompanhado pelo esticar do braço direito, com a palma da mão voltada para baixo, naquilo que alguns interpretaram como sendo uma saudação fascista.
Musk nega, diz que está a ser alvo de um golpe sujo e foi até defendido pelo primeiro-ministro israelita, mas logo de seguida fez piadas sobre o Holocausto no X. Ele defende-se com a liberdade de expressão e o direito a fazer humor com tudo.
A verdade é que criou dúvidas.
Sim, mas a ambiguidade assenta a Elon Musk na perfeição. E uma coisa é certa: ele sabe como operar no caos.
Foi um daqueles Natais maus. Ele esqueceu-se de me comprar um presente de Natal. Estávamos no Colorado e já estávamos na cama e ele disse: "Não é que não te ame, amo-te mesmo muito. É como se o meu cérebro estivesse a explodir."
Escutamos o testemunho de Talulah Riley, com quem Elon Musk mantinha uma relação em 2008. O tal ano caótico para um empresário a que fizemos referência no episódio anterior. Também dissemos que o Natal veio pôr um pouco de ordem no momento que era de caos. Cátia Rocha, o que aconteceu naquela altura?
Quase um milagre de Natal. Musk recebeu as notícias de que a Tesla ia receber um novo investimento para se conseguir manter à tona de água.
Corria o risco de se afundar, é isso?
Musk é o primeiro a dizer que a Tesla já esteve à beira da falência algumas vezes, mas em 2008 foi uma situação particularmente sensível, até pelo contexto de crise financeira global que se vivia na altura. Além disso, era quando estavam também a tentar entregar os primeiros carros aos clientes.
Cátia Rocha, e o que contribuiu para que a Tesla quase tivesse entrado em falência?
Estava a perder vários milhões de dólares por mês, a ter vários erros de produção e entregar carros muito lentamente. Por exemplo, alguns dos primeiros clientes encomendaram o carro e deram um sinal. E de repente, a Tesla percebeu que afinal os carros iam custar mais a produzir e têm de pedir novamente dinheiro a clientes que já esperavam há muito tempo. Gerou-se uma crise de confiança na empresa.
Foram tempos difíceis.
Sem dúvida, são tempos assim recordados pela então companheira de Musk, Talulah Riley.
O Elon estava a tentar evitar a falência. Todos os dias chegava a casa e dizia: "Amanhã é que vai ser." Ele tinha pesadelos a meio da noite, forçava-se a adormecer e de repente começava a gritar no sono e a mexer-se como se quisesse escapar a alguma coisa. Todos os recursos que tínhamos tiveram de ser investidos nos projetos, nas empresas.
Musk ganhou muito dinheiro com a venda das empresas anteriores, é certo, mas ao mesmo tempo em que investia na Tesla, tinha também a SpaceX. E 2008 também não foi uma fase boa pra SpaceX. Portanto, Musk tinha duas empresas a gastar muito dinheiro. Gradualmente, a fortuna foi desaparecendo e Musk admitiu que quase ficou sem as duas empresas.
2008 foi brutal. Em 2008, tivemos a terceira falha consecutiva do foguetão Falcon da SpaceX. A Tesla quase foi à falência. Fechámos a nossa ronda de financiamento às 18 horas da véspera de Natal de 2008, na última hora do último dia em que era possível. Se não tivesse acontecido, tínhamos falido dois dias depois do Natal. Estava a divorciar-me. Isso foi duro.
Foi um momento caótico na vida de Musk. A verdade é que depois da escuridão, a luz. Como é que Musk deu a volta à situação difícil da Tesla?
Há dois grandes momentos. O primeiro é quando os investidores dão mais 40 milhões de dólares à empresa, a tal notícia que chegou no Natal. O segundo é quando a Daimler compra uma participação de 50 milhões de dólares na Tesla. Anos depois, Musk veio mesmo a reconhecer que a Tesla foi salva pela Daimler. A dona da Mercedes vendeu então a participação com lucro em 2014.
Um final feliz que, no entanto, Cátia Rocha, não evitou outro momento difícil para a Tesla.
Em 2013, houve três incêndios com o Model S, dois nos Estados Unidos e um no México. Musk deu várias entrevistas em que criticou muito a cobertura e a atenção que estava a ser dada à questão pela imprensa.
Os nossos três incêndios sem feridos fizeram mais manchetes a nível nacional do que um quarto de um milhão de fogos mortais com carros a gasolina. É uma loucura. O que raio está a acontecer?
E como não há duas sem três, a Tesla volta a enfrentar o momento difícil 10 anos depois da ameaça de falência em 2008.
Sim, desta vez com a produção de outro modelo, um modelo mais acessível, já em 2018. Musk descreveu esta altura como um inferno. Emma Ch. McKenzie, que escreveu um livro sobre a empresa, descreveu Musk como um CEO de tempo de guerra, que está sempre a tentar enfrentar o caos. Ao mesmo tempo, fica paranoico, sempre a achar que a empresa vai falir.
"Tudo correu mal. Vivi nas fábricas de Fremont e do Nevada durante três anos, a corrigir tudo o que estava mal na linha de produção, a correr que nem um doido por todas as partes da fábrica, a viver com a equipa. Dormi no chão para que a equipa que estava a passar por um mau bocado me conseguisse ver a dormir no chão, para saberem que eu não estava numa torre de marfim e que qualquer dor que estivessem a sentir, eu sentia mais."
Foi um momento difícil para Elon Musk, que tal como em tantas outras ocasiões semelhantes, encontrou na então rede social Twitter, hoje X, uma forma de libertar a pressão que sentia.
Continuam as buscas por 12 rapazes e o seu treinador de futebol, que estão desaparecidos há três dias na Tailândia. As equipas estão a trabalhar para extrair água de uma cava de seis milhas inundada, onde se pensa que a equipa está encurralada. Estávamos em 2018, quando uma equipa de futebol na Tailândia de rapazes entre os 11 e os 16 anos ficou presa numa gruta durante 17 dias. Dezessete dias em que as equipas de resgate faziam os possíveis e impossíveis para salvar os jovens. E mesmo a mais de 13 mil km de distância, Elon Musk conseguiu ser um dos protagonistas desta história.
O empresário propôs criar um mini submarino para resgatar os jovens. O que parecia ser uma boa intenção, transformou-se numa enorme polêmica.
Sim, chegou a ser processado. E claro, tudo aconteceu no Twitter. A ideia de Musk foi criticada por um dos mergulhadores, que acusou o dono da Tesla de se aproveitar da tragédia para se autopromover. Musk respondeu ao mergulhador através do Twitter, chamando-lhe de pedo guy, o que significa pedófilo.
Comentário que não foi bem acolhido nem pelos amigos mais próximos de Musk.
Precisamente, Miguel. No livro de Walter Isaacson explica-se que nesta fase, ou seja, entre 2017 e 2018, os amigos começaram a referir-se a estas crises como uma espiral aberta. O próprio, aliás, reconheceu numa entrevista ao New York Times que em 2018 foi um dos anos mais difíceis e dolorosos. O artigo no New York Times fez soar os alarmes e as ações da Tesla caíram 9% na bolsa.
Foi também por esta altura, em 2018, que Musk fez outros tweets com consequências desastrosas.
Musk escreveu que estava a ponderar tirar a Tesla da bolsa e mais tarde foi processado pelo regulador do mercado dos Estados Unidos. Foi obrigado a pagar dezenas de milhões de dólares. A empresa impôs que Musk fosse supervisionado para controlar a atividade do empresário no Twitter. Os advogados chamaram esta pessoa Twitter sitter.
"Criar uma empresa é quase como ter um filho. Como é que se diz a um filho que ele não pode comer?"
No som que acabamos de ouvir, Musk compara as empresas a filhos, como é que alguém que é 100% dedicado ao trabalho concilia a vida pessoal com a vida profissional?
Bom, Miguel, diria que não consegue. E a prova disso são as relações amorosas de Musk, que fazem sempre as primeiras páginas nos jornais. Musk casou pela primeira vez em 2000 com Justine Musk. O casal conheceu-se na universidade nos anos 90. A mãe e o irmão de Musk eram contra o casamento. Diziam que Justine, tal como Musk, era movida pelo drama.
Há dois momentos que comprovam isso mesmo, não é, Maria João?
O primeiro foi quando o primeiro filho do casal morreu. Nevada tinha apenas 10 semanas, morreu com a síndrome de morte súbita do lactente. É uma morte repentina que acontece geralmente durante o sono e não se conhecem as razões. Musk refugiou-se no silêncio, nos filmes e nos videojogos. Já a Justine queria falar sobre a morte do filho e sempre que o fazia, segundo a própria, Musk acusava-a de ser emocionalmente manipuladora. Estávamos a ser seguidos por uma terapeuta de casais e acho que ele se cansou do estresse e da incerteza. No dia seguinte, fui ao consultório da minha terapeuta e ele tinha deixado uma mensagem para ela me dizer que ele ia pedir o divórcio. Foi assim que fiquei a saber. O divórcio foi atribulado, como percebemos pelo som que acabamos de ouvir. Musk tem outra versão, diz que foi Justine quem pediu o divórcio. Foi em 2008 que se separaram.
Uma separação já com filhos pelo meio.
Sim, depois de Nevada, Justine e Musk tiveram dois filhos gêmeos, Griffin e Xavier, hoje conhecida como Vivian, e depois trigêmeos Kai, Saxon e Damian, todos rapazes. Ou seja, quando se divorciaram, o casal tinha cinco filhos.
Ouvimos há pouco sons de uma mulher chamada Talulah Riley, que retratou o período atribulado à 2008. Quem é esta mulher?
É a segunda mulher de Elon Musk. Casaram em 2010. Talulah Riley é uma atriz britânica. A falta de tempo do empresário fez com que se separassem em 2016. Tirando esta falta de tempo, segundo o biógrafo Walter Isaacson, Riley foi uma boa influência para Musk. Ao contrário de Justine, era menos temperamental e uma fonte até de estabilidade para o empresário. No entanto, o casal nunca teve filhos em conjunto.
Atualmente, Musk tem 11 filhos. De quem são então as outras seis crianças?
Musk tem mais três filhos com Claire Boucher e outros três com Shivon Zilis.
Vamos por partes. Quem é Claire Boucher?
Claire Boucher é uma artista canadiana conhecida pelo nome artístico Grimes. Conheceu Musk em 2018. Juntos tiveram o pequeno X Æ A-12, que acompanhou várias vezes o pai em eventos de campanha de Donald Trump. Tiveram ainda outros dois filhos, uma menina chamada Exa Dark Sideræl e o Techno Mechanicus.
Havemos de explorar esta obsessão com a natalidade e os nomes peculiares dos filhos no próximo episódio. Mas para já, Maria João, não foi em 2021 que Elon Musk foi pai a triplicar?
Exato, Miguel. E este episódio demonstra este lado caótico de Elon Musk. O empresário e Grimes estavam à espera da bebé Exa, através de barriga de aluguer, mas entretanto Musk doou esperma a Shivon Zilis. Pelo menos é o que diz. Isto porque caso se confirmasse que se tinha envolvido com uma funcionária, estaria a incumprir as leis laborais.
Uma funcionária?
Zilis trabalhava na altura na OpenAI, uma das empresas que Musk ajudou a fundar. Era também presença assídua da casa que Musk partilhava com Grimes. Com apenas duas semanas de diferença, Musk teve três filhos. A certa altura, as duas mulheres estavam no mesmo hospital à espera do nascimento das crianças, mas Grimes não sabia de nada. Só descobriu que Musk tinha sido pai dos gémeos Strider e Aster através da imprensa.
Portanto, a única coisa que ganhamos em atrasar a transição é apenas atrasá-la. Não faz com que ela não aconteça, só a atrasa. No pior cenário, contudo, teremos mais pessoas deslocadas e destruição do que em todas as guerras do mundo juntas. Estes são o melhor e o pior cenário. E depois temos 3% dos cientistas a acreditarem no melhor cenário e 97% a acreditarem no pior cenário. É a isto que eu chamo a experiência mais parva de toda a história. Porque havíamos de fazer isto?
Cátia Bruno, este lado mais caótico de Elon Musk reflete-se, como já vimos, nalgumas das posições políticas que assume e até em temas que lhe são mais queridos. Ouvimos neste som, durante uma palestra na Sorbonne, um discurso em relação à transição energética, que entretanto mudou.
Sim, durante anos, Musk frisou que a transição energética era essencial e que o aquecimento global era uma realidade. Criticou até a saída do Acordo de Paris, decretada por Donald Trump em 2017. Na altura, fez um tweet a dizer que as mudanças climáticas são reais e que sair do acordo não é bom para a América.
Sendo que Trump volta agora em 2025 a seguir a receita, já anunciou a saída do Acordo de Paris e não só.
Verdade. Decidiu também retirar os incentivos à compra de veículos elétricos, o que pode afetar o próprio Musk. E ainda assim, o empresário definiu o dia da tomada de posse do novo presidente como o regresso do rei. Até nos meses que antecederam esta tomada de posse, já se vinha a antecipar esta mudança de posição. Por exemplo, vamos ouvir Musk num documentário de 2016 a falar com o ator Leonardo DiCaprio sobre os combustíveis fósseis.
A indústria fóssil é a maior indústria do mundo. Têm mais dinheiro e mais influência do que qualquer outro setor. Quanto mais revolta popular contra isso houver, melhor.
Mas Musk agora diz uma coisa diferente sobre esta indústria?
Sim, diz que o petróleo e o gás não devem ser demonizados e comenta que os ambientalistas têm ido longe demais e se estão a tornar radicais. Numa recente conversa com Donald Trump, Musk disse até que a emergência climática não é assim tão urgente.
Se em 50, 100 anos de onde estamos agora nos tornarmos mais sustentáveis, acho que ficaremos bem. Não é como se a casa estivesse a arder neste momento, mas acho que temos de avançar em direção a isso. E pondo os pratos na balança, é melhor avançarmos mais depressa do que devagar. Mas, como disse, sem fazer da indústria do petróleo e do gás vilões.
Dirias então que Elon Musk tem um cérebro caótico, que muda de ideias a um ritmo veloz ou há um caos no seu método?
Talvez um pouco dos dois. Há quem diga, como algumas fontes próximas disseram à Washington Post há uns meses, que Musk se tem radicalizado politicamente, influenciado pela espécie de bolha ideológica que existe sobretudo no X e nos podcasts que frequenta. E sabe que se passa mudanças de opiniões. Há uma visão do mundo que está em transformação e que é acentuada pela própria personalidade de Musk. Basta recuarmos ao nosso primeiro episódio em que olhámos para aquele demon mode, aquela espécie de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, que faz Musk mudar de atitude bruscamente.
Há aqui outro dado, Cátia Bruno. Elon Musk é um homem muito inteligente e isso é-lhe reconhecido. Tudo isto, estas mudanças de posição, podem ser uma forma de promover as suas empresas e dessa forma também fazer mais dinheiro?
É verdade, podem ser. Até porque certamente fará mais dinheiro. Mas também pode ser a ação de um homem que percebeu o espírito do tempo em que vivemos e que está à procura de um lugar para o influenciar. Que melhor lugar do que a partir de dentro da Casa Branca?
Os tempos mais próximos devem ajudar a perceber de que forma pretende Elon Musk afetar o rumo da governação. É também o tempo que vai ditar se o lado caótico que exploramos neste episódio continua a manifestar-se ou a exigência das novas funções na administração Trump vêm refrear esta e outras características. O caso do lado mais extravagante de Elon Musk. Sabia, por exemplo, que alguns nomes dos filhos do empresário têm origem em personagens de banda desenhada? E o que dizer daquele combate com o lutador de sumo profissional durante uma festa de aniversário? São histórias que detalhamos no episódio 4, quando falarmos de Musk, o excêntrico. "O Homem Mais Poderoso do Mundo" é um podcast da Rádio Observador, da autoria das jornalistas Cátia Bruno, Cátia Rocha e Maria João Braz. A sonoplastia é de Artur Costa. Eu sou o Miguel Vidal.