Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Eu sei que às vezes digo ou publico coisas, mas é assim que o meu cérebro funciona. A qualquer pessoa que tenha ofendido, só quero dizer: eu reinventei o carro elétrico e estou a mandar pessoas para Marte num foguetão. Achavam que eu também ia ser um tipo normal e calmo?
Desde cedo se percebeu que Elon Musk era diferente. As experiências científicas em tenra idade, o culto pela leitura e pelos livros de difícil interpretação para uma criança, ou as dificuldades de sociabilização tornaram evidentes as diferenças. Facto que, como já lhe contámos, terá contribuído para que Musk se tornasse um alvo de bullying. Em adulto, como em criança, Elon Musk continua a revelar este lado distinto, diferente, que assume, por vezes, a forma de extravagância. Será esta uma pequena extravagância, tendo em conta que estamos a falar do homem mais rico do mundo. Em 2013, Elon Musk comprou, por cerca de 1 milhão de euros, num leilão, o Lotus Esprit, transformado em carro submarino no filme 007 - The Spy Who Loved Me, de 1977. Cátia Bruno, Cátia Rocha, Maria João Brás, neste quarto episódio do homem mais poderoso do mundo, queremos dar a conhecer esse lado mais fora da caixa, esse lado mais excêntrico de Elon Musk, que, Maria João Brás, não se revela propriamente através de manifestações de riqueza. A compra deste Lotus será uma exceção que confirma a regra.
Exato, Miguel. Musk não mostra grandes sinais de riqueza, com exceção dos carros, como dizias. A primeira coisa que Elon Musk comprou quando vendeu a Zip2, no início de 2000, foi um carro que na altura custava 1 milhão de dólares, um McLaren F1.
No capítulo das empresas, já ficámos a conhecer alguns projetos inovadores, diferentes, porventura nenhum tão diferente quanto aquele que, Cátia Rocha, nos dás a conhecer neste episódio e que pode ser considerado uma excentricidade.
Sim, porque viagens em túneis quase parece algo saído dos desenhos animados Jetsons, em que havia carros voadores e viagens a alta velocidade.
O lado excêntrico de Musk revela-se também na forma como faz política e muito em particular, Cátia Bruno, na forma como traz a banda desenhada para o quotidiano.
Bem, ele chegou a usar alcunhas da Marvel e da saga Harry Potter também para inimigos políticos. Não há muita gente a fazer isso no espaço público, digo eu.
Costuma dizer-se que de gênio e de louco todos temos um pouco. No caso de Elon Musk, pouco será singelo para descrever a dose de genialidade e de loucura expressa nos comportamentos mais extravagantes do empresário. Uma faceta que ficamos agora a conhecer. O Homem Mais Poderoso do Mundo é um podcast especial em cinco episódios sobre a vida e o poder de Elon Musk. Este é o episódio 4: Elon Musk, o excêntrico.
Isso está completamente errado. Aqui há água em todo lado. Isto parece-te um deserto? Isso é ridículo.
Elon Musk ri e é o único. Está rodeado de jornalistas na Alemanha, na cidade de Grünheide, onde a Tesla abriu uma fábrica em 2022. Maria João Brás, de que ri Elon Musk?
Miguel, essa terá sido precisamente a pergunta que os jornalistas lá presentes se fizeram. Elon Musk ri às gargalhadas porque uma jornalista o questiona sobre o perigo da fábrica consumir demasiada água. Uma preocupação manifestada por um grupo de ambientalistas. Para o empresário, a questão nem se deve colocar, já que, nas palavras de Elon Musk, aquela região na Alemanha tem muita água. Para Elon Musk, isso é evidente e é isso que lhe causa a gargalhada.
Uma exuberância, tendo em conta o contraste com o silêncio dos jornalistas ali presentes. Esta reação inopinada, Maria João, é também reveladora de um certo sentimento de desdém que encontra raízes na infância.
Desde pequeno que Elon Musk revela ter pouca tolerância para o erro. A mãe de Musk conta ao biógrafo Walter Isaacson que o filho tinha dificuldades em fazer amigos e frequentemente chamava estúpidas às pessoas que considerava mais limitadas ou que não pensavam como ele.
As regras sociais não eram intuitivas para mim. Era muito dedicado aos livros e não percebia. Tinha tendência para entender as coisas de forma muito literal e as palavras que usava eram exatamente o que queria dizer.
É importante referir que Elon Musk autodiagnosticou-se com a síndrome de Asperger. Isto já em adulto. Asperger é uma perturbação do espectro do autismo. Um dos sintomas é esta dificuldade na parte social.
Que já percebemos, se começou a revelar bem cedo. Tendo em conta esta dificuldade para fazer amigos, estabelecer relações, como é que Musk se entretia quando era mais novo?
Ao longo deste podcast já temos revelado algumas coisas, como o gosto pela leitura, a obsessão com os computadores e o fascínio pelas experiências com reagentes químicos. Há também a questão do bullying, de que já falámos no primeiro episódio. Podia ter sido uma infância mais solitária, mas Musk teve a sorte de ter o irmão mais novo e três primos com idades próximas.
Foram os amigos de infância.
Aliás, o pequeno Elon era mesmo o mais destemido e competitivo do bando. Quando iam ao cinema e alguém se punha a fazer barulho, era Musk que o mandava calar. Quando faziam corridas de bicicleta, era Musk que fazia tudo para vencer e ficava fulo quando os primos ou irmão faziam batota.
E quando dizes fulo, era mesmo fulo.
Sim, porque Elon Musk sente as coisas com uma grande intensidade, facto que pode contribuir para algumas reações mais extravagantes. É uma característica identificada pela segunda mulher do empresário, Talulah Riley.
Tínhamos ido ao cinema ver um filme de comédia e o Elon achou o filme tão engraçado que caiu literalmente e estava a rolar pelo chão, agarrado à barriga, a rir, e toda a gente no cinema estava a olhar para nós. Ele estava tão absorvido pelo que estava a passar no ecrã e a senti-lo a sério. Ele sente as coisas e se sente raiva, isso sabe-se.
Elon Musk chegou mesmo a diagnosticar-se com a doença bipolar. À semelhança da síndrome de Asperger, nunca foi confirmado clinicamente. Certo é que Musk sente e exterioriza sentimentos sem estar preso a códigos sociais, o que contribui para a excentricidade que também o caracteriza. Já percebemos que Musk está sempre à procura de problemas para resolver e, em alguns casos, Cátia Rocha, as irritações do dia a dia podem até transformar-se em negócios, não é?
Elon Musk queixava-se muito do trânsito, principalmente em Los Angeles, quando ainda lá vivia, algures em 2013, e começou a discutir com alguns dos amigos mais próximos a ideia de viagens em túneis para conseguir escapar ao trânsito. E assim surgiu a ideia do Hyperloop, uma forma alternativa de transporte.
O trânsito destrói almas, é como ácido na alma. É horrível, tem de desaparecer. Vivo em Los Angeles há 16 anos e o trânsito passou do sétimo para o oitavo círculo do inferno. É horrível. Acho que finalmente há alguma coisa que resolveu o raio do problema do trânsito. Túneis, Cátia Rocha.
Sim, tudo começou com a visão de um tubo como aqueles que eram usados para transporte de correio em escritórios, só que claro, muito maior, onde pudessem circular carros ou mesmo cápsulas, tudo a alta velocidade. Depois é que vieram os túneis.
Não é assim tão difícil.
Ainda parece bastante complicado, Elon.
É como um tubo com uma mesa de hóquei aéreo, um tubo de baixa pressão com uma cápsula que anda em cima de skis aéreos com um compressor de ar à frente. Juro que não é assim tão difícil. Na cabeça de Musk, é fácil pôr esta ideia em prática. Para outras cabeças, Cátia Rocha, estamos na presença de um projeto que de normal tem muito pouco.
Era uma excentricidade, foi visto desta forma. Até porque Musk começou por publicar um artigo escrito durante uma noitada com os planos e alguns esquemas, e esta ideia recebeu alguma atenção. Mas Musk disse ao biógrafo Ashlee Vance que não queria criar uma empresa, queria apenas lançar a ideia para o mundo.
A verdade é que a empresa foi mesmo criada. O que é que mudou?
Havia muita curiosidade em relação à ideia. Musk deu conferências de imprensa e até chegou a mostrar a ideia a Barack Obama, que era na altura presidente dos Estados Unidos. E aí, em 2016, três anos depois de publicar aquele artigo escrito durante uma noitada, fundou a Boring Company, que é a empresa que tem estado a trabalhar nesta ideia do Hyperloop.
Que começa então a trabalhar nos túneis, e já há algum construído?
Começaram por um pequeno teste com um túnel que tinha menos de 2 km. Custou 10 milhões de dólares e foi escavado em Hawthorne, perto dos antigos escritórios da SpaceX na Califórnia. E nos testes era possível viajar num Tesla adaptado ou fazer uma viagem de menos de meio minuto a menos de 100 km/h. Ainda assim, esta velocidade estava muito longe dos 1110 km/h ambicionados por Musk para ligar cidades distantes em pouco tempo.
E é por ora o único túnel?
Agora a Boring Company já tem pelo menos dois túneis abertos ao público em Las Vegas, como no Centro de Convenções da cidade. Porém, chama-se Loop porque ainda não atinge as velocidades mais altas. Quando conseguir isso, passar-se-á a chamar Hyperloop.
Entretanto, a Boring também se lançou noutras atividades.
Sim, em 2018, por exemplo, lançou uma edição limitada de um lança-chamas apenas com 20 mil unidades e no eBay podem ultrapassar os 1600 €. De qualquer forma, o Hyperloop foi uma das ideias que valeu a Musk o título de Iron Man da vida real. Curiosamente, Musk entrou no filme Iron Man 2. Senhor Musk, como está?
Parabéns pela promoção.
Muito obrigada.
Elon, aqueles motores Merlin eram fantásticos. Obrigado.
Tive uma ideia para um jato elétrico.
Tens? Então vamos fazer isso funcionar. Cátia Bruno, esta obsessão com a banda desenhada, a cultura pop, o gaming, tem reflexo em outras áreas da vida de Elon Musk?
Acaba por se espalhar, porque são o quadro de referência para a forma como Musk vê o mundo. Por exemplo, em pelo menos duas vezes, o empresário usou personagens da ficção para dar alcunhas a adversários políticos. A coisa mais assustadora sobre Genosha não era a morte ou o caos, era um pensamento, o único pensamento são que se pode ter quando se está a ser perseguido por robôs gigantes que foram construídos para nos esmagar. O Magneto tinha razão.
Um deles, um conhecido vilão da Marvel, certo?
Sim. Uma vez, numa noite de segunda-feira, Elon Musk resolveu tweetar que George Soros, o conhecido milionário e financiador de vários candidatos democratas, o fazia lembrar Magneto.
Quem é Magneto?
Ora Miguel, Magneto é uma personagem da Marvel cuja história de origem é de uma infância marcada pelo Holocausto. É um rapaz judeu alemão que passou pelo gueto de Varsóvia, teve a família assassinada e acaba por ir parar a Auschwitz. É essa experiência que faz dele depois um vilão e adulto, porque quer proteger os mutantes enquanto espécie, custe o que custar. Soros é também judeu, tinha mais ou menos a mesma idade de Magneto quando Hitler chegou ao poder e acabou por sair da Hungria para fugir aos horrores do Holocausto.
Mas as alcunhas de Musk não estão reservadas apenas para Soros nem se restringem ao campo da banda desenhada.
Não. Quando o juiz brasileiro Alexandre de Moraes emitiu uma ordem a proibir que o X pudesse operar no Brasil, Musk comparou repetidamente àquele cujo nome não deve ser pronunciado.
Voldemort, da saga Harry Potter?
Exatamente. Uma vez foi até mais longe nas suas referências de cultura pop. Fez uma montagem para ilustrar o que resultaria de um cruzamento entre um Lord Sith, os agentes do lado negro da Força no franchise da Guerra das Estrelas, e Voldemort. A imagem era Alexandre de Moraes com a sua toga negra de juiz, de olhos escurecidos e com um sabre de luz vermelho em cada mão.
E Musk não se alimenta só de livros e filmes. O som que acabamos de ouvir é de um conhecido jogo de computador, o Warcraft: Orcs & Humans, também faz parte deste tal quadro de referências que falavas há pouco?
Sim. Quando estudava na universidade, Musk e um amigo costumavam jogar durante horas jogos de estratégia como Civilização e como este que ouvimos agora. E não, que eu saiba, o empresário não foi buscar referências obscuras ao gaming para retratar inimigos, mas os jogos mostram bem como se manifesta muito da sua personalidade obsessiva. Ele não parava de jogar durante horas até conseguir ganhar. E uma vez disse mesmo a esse amigo: "Fui desenhado para a guerra". E essa é uma frase que se aplica bem a muitos políticos, por exemplo.
A propósito de política, agora que Musk irrompeu política adentro, há mais alguma característica excêntrica da personalidade de Musk que tenha reflexos nesta área?
Ocorre-me mais uma: a espiritualidade.
Como assim?
Bem, pela mudança brusca. Durante anos, Elon Musk descreveu-se, se não como ateu, pelo menos como agnóstico.
"Tens uma vida espiritual?" "Bem, depende do que queres dizer com espiritual." "O que achas que quero dizer espiritual?" "É uma daquelas palavras que precisa de ser definida para cada um. Estou pouco convencido de que há uma superconsciência a observar cada movimento que fazemos e a avaliá-lo consoante determinados critérios e depois a decidir se vamos para um lado ou para o outro quando morrermos. Isso é improvável."
Mas agora afirma que acredita nos ensinamentos de Cristo, como disse num comício de Trump recentemente.
"Acredito nos princípios cristãos, ama o próximo. Acredito em dar a outra face, porque é muito importante ter o perdão. Quando não há perdão, temos um ciclo sem fim de retaliação."
É curioso que esta espécie de conversão religiosa de Musk partilha traços com muito do tipo de cristianismo defendido por figuras que orbitam à volta de Donald Trump, como J. D. Vance. Musk, por exemplo, foi um dos maiores críticos daquela famosa cena da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos, em que se retratava o que alguns acharam ser a Última Ceia, mas com drag queens no palco.
Musk criticou essa atuação, como de resto fez Donald Trump.
Sim, ambos criticaram bastante. Musk, no X, escreveu que era de um desrespeito extremo aos cristãos. Este antigo agnóstico está agora profundamente preocupado com o futuro da religião cristã e disse que, a não ser que haja mais coragem para defender o que é justo e certo, o cristianismo vai morrer.
Maria João Braz, se há faceta de Elon Musk que foge ao padrão tradicional, essa faceta é a paternidade.
Exato. Não é toda a gente que decide ter 12 filhos, se contarmos com o bebê Nevada, que morreu com 10 semanas. E há uma razão que explica esta excentricidade.
"As taxas de natalidade estão a colapsar praticamente em todo o mundo. Se a tendência se mantiver, muitos países ficarão com menos 5% ou menos da sua população daqui a três gerações."
Não é só o número de filhos, 12, que fazem de Elon Musk diferente. É também, Maria João Braz, os nomes atribuídos a alguns deles, nomes no mínimo peculiares.
Pois é, Miguel, comecemos pelos primogênitos, Xavier e Griffin. Eu sei que não são nomes propriamente peculiares, mas têm um significado interessante. À semelhança dos inimigos políticos, os dois filhos de Musk têm nomes que vêm da banda desenhada. Segundo o biógrafo Walter Isaacson, o nome Xavier, por exemplo, foi inspirado no professor do X-Men. Já Griffin é o nome de um dos supervilões desta banda desenhada.
"É teu, Charles. Por mais assustador que pareça, essa dor vai tornar-te mais forte."
Depois temos os filhos de Musk com a cantora Grimes, por exemplo, o pequeno X, o nome completo é X Ash A-12. X, ou seja, X por ser a variável incógnita na matemática, Ash porque é a ortografia élfica para amor ou inteligência artificial e A12, A-12, é uma aeronave de alta velocidade.
Ainda não falamos, Maria João, daquela história que fizemos referência no episódio anterior. É mesmo verdade que Elon Musk lutou com o lutador de sumo?
Vou deixar que seja o próprio a explicar, Miguel.
"O campeão do mundo de sumo fez uma espécie de demonstração no meu aniversário. E como era o meu aniversário, acho que decidiram chamar o aniversariante e dizer: 'Ei, queres lutar sumo?' Eu corri para ele, fiz um movimento de judo, deitei-o ao chão e no meio disso esmaguei um dos discos do meu pescoço. É como correr contra um muro."
Uma excentricidade a juntar a todas as outras que relatamos neste penúltimo episódio. E assim, aproximamo-nos a passos largos do último capítulo deste podcast. O momento em que vamos perceber como a coragem associada ao risco foram determinantes para que Musk tivesse chegado onde chegou. Foram várias as decisões difíceis e ousadas que teve de tomar. Algumas bem cedo, por exemplo, quando com 18 anos, sem olhar para trás, deixou a casa do pai na África do Sul e rumou, sozinho, ao Canadá, cheio de sonhos e a ambição de os concretizar. É uma das histórias que lhe vamos contar no episódio cinco, quando falarmos de Musk, o apostador. O Homem Mais Poderoso do Mundo é um podcast da Rádio Observador, da autoria das jornalistas Cátia Bruno, Cátia Rocha e Maria João Braz. A sonoplastia é do Artur Costa. Eu sou o Miguel Vieira.