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"But he's a character, he's a special guy, he's a super genius. We have to protect our geniuses. We don't have that many of them".

Não ficaram por aqui os elogios de Donald Trump a Elon Musk durante o discurso de vitória nas presidenciais dos Estados Unidos.

"Oh, let me tell you, we have a new star. A star is born, Elon!"

Nada de inesperado. Afinal, Musk é a peça central na chegada pela segunda vez de Donald Trump à Casa Branca. O homem mais rico do mundo está a transformar-se no homem mais poderoso do mundo.

"So, who do you want representing America?"

"Quem querem que represente a América?"

"Yeah, absolutely".

Para além de aparições em comícios, Elon Musk foi também um dos principais contribuintes e encarregados de verbas para a campanha de Trump, um esforço reconhecido pelo presidente eleito.

"Tech mogul Elon Musk, the richest man in the world, will spearhead the Department of Government Efficiency".

Musk é visto por estes dias como uma espécie de presidente-sombra e melhor amigo de Donald Trump. Desperta curiosidade e interrogações. Certo interesse em saber que ambições tem, o que o move, o que pensa e, acima de tudo, de que forma pode influenciar a próxima administração americana. E como vai fazê-lo sem pisar a linha de fronteira que divide a política dos negócios.

Elon Musk tem muitas empresas, desde logo a SpaceX, a empresa de exploração espacial, a primeira empresa privada a enviar astronautas para o espaço.

É também o dono da Neuralink, uma startup que promove implantes cerebrais, que permitem, por exemplo, o controle de dispositivos tecnológicos.

Em 2022, com surpresa, comprou o antigo Twitter, hoje rede social X.

E não esquecer a empresa que mais contribui para a fortuna do homem mais rico do mundo: a Tesla, fabricante de automóveis elétricos.

Kátia Bruno, Cátia Rocha e Maria João Brás, jornalistas d'O Observador que mergulharam na vida de Elon Musk e que ao longo de cinco episódios vão comigo, Miguel Videira, dar a conhecer outras tantas características do empresário que agora irrompe política adentro. Temos, por exemplo, Musk, o caótico.

É uma faceta marcada pelos conflitos e pela impulsividade. Só a vida amorosa de Musk dava um filme. Se juntarmos a isso a relação com o pai, os 11 filhos, a gestão das sete empresas e o recreio, que é o Twitter, temos material, no mínimo, para uma telenovela mexicana.

Há também Musk, o excêntrico.

Estamos a falar de uma pessoa que reflete sobre decisões, como comprar o Twitter, enquanto joga "Quake" ou "Diablo IV". Ao mesmo tempo, tem planos megalómanos para fazer túneis para viagens super-rápidas.

O que nos leva a Musk, o visionário.

Um homem que desenvolveu o sistema de pagamentos online como o PayPal e que ambiciona, no futuro, colonizar Marte.

E há ainda Musk, o apostador.

Vemos isso na forma como ele gere os negócios, as jogadas arriscadas que faz, como a compra do Twitter, por exemplo, mas também na política. O homem mais rico do mundo apostou tudo em Donald Trump nesta campanha presidencial. E a aposta parece ter compensado.

Há mais uma característica, a quinta, aquela que exploramos no episódio de estreia. "O Homem Mais Poderoso do Mundo" é um podcast especial em cinco episódios sobre a vida e o poder de Elon Musk. Este é o episódio um: Elon Musk, o furioso. Elon Musk entrou tarde na campanha presidencial norte-americana, mas quando entrou, foi com estrondo. Foi em Butler. A um mês da data das eleições, o homem mais rico do mundo surge lado a lado com Donald Trump na cidade do estado da Pensilvânia, onde meses antes Trump havia escapado a uma tentativa de assassinato.

"I'm not just MAGA, I'm dark gothic MAGA".

MAGA, o slogan de campanha de Trump, que promete tornar a América grande outra vez. Neste caso, como aqui ouvíamos, dark MAGA, uma referência à T-shirt e boné preto com que Musk se apresenta em palco. Kátia Bruno, Cátia Rocha, Maria João Brás, Elon Musk tem um lado negro?

A expressão é de Walter Isaacson, um dos biógrafos de Elon Musk, que fala mesmo num demon mode, ou seja, um lado negro ou demoníaco que surge de repente. Tem muitas mudanças de humor. No entanto, este lado negro da Força, se assim podemos dizer, é também aquilo que leva Elon Musk a construir carros elétricos, a investir nas viagens até Marte e a apostar no desenvolvimento na inteligência artificial.

Cátia Rocha, de que forma se manifesta este lado negro de Elon Musk?

Acho que nas empresas o caso mais óbvio é na relação com os funcionários. Há muitas crises, há muitas fúrias de Musk, muitos despedimentos na hora. Acho que é aí que se vê mais esta visão mais negra.

E na política, Kátia Bruno?

É um homem que reage impulsivamente aos acontecimentos da sua vida e creio que a política não é exceção. Há coisas que acontecem que fazem com que Musk tome posições que de outra forma talvez não assumiria.

E de onde vem este lado mais impulsivo, esta face em tons de negro, este lado furioso? Maria João Brás, Elon Musk nasceu na África do Sul nos anos 70, em pleno regime do apartheid, em que os direitos civis eram maiores ou menores em função da etnia. Musk foi influenciado por isso?

Sim, há aspectos da cultura e do contexto político da África do Sul dos anos 70, 80, que tiveram impacto na vida de Elon Musk. A começar por aquilo a que se chama no livro de Ashley Vance, outro dos seus biógrafos, a cultura afrikánder branca. Isto significa, no fundo, a celebração da masculinidade e da figura do macho alfa.

É um traço de personalidade de Elon Musk?

Podemos dizer que foi uma característica que Elon Musk teve de assimilar muito cedo. Com 12 anos, o pai de Musk inscreveu-o num campo de férias. O conceito do campo de férias era uma espécie de campo de sobrevivência, mas muito mais agressivo. Para se ter uma ideia, quase todos os anos um miúdo morria. Os miúdos eram obrigados a lutar por comida, eram incentivados ao que hoje chamamos de bullying.

E como é que o pequeno Elon lidou com isso?

Inicialmente mal. Tal como dizes, Elon era pequeno, emocionalmente estranho, que também será um ponto que vamos explorar no outro episódio. Mas nesta situação, foi espancado, neste campo de férias, por duas vezes e acabou por emagrecer 4,5 kg. Voltaria depois a este campo de férias aos 16 anos.

E aí, Maria João, preparado de forma diferente para enfrentar as evidentes dificuldades.

Sim, nessa altura já tinha mais de 1,80 metros, portanto a genética ajudou e tinha aprendido judo. Uma das coisas que recorda é que percebeu que se alguém o intimidasse, o problema resolvia-se na base da violência, com um murro ou com um soco. É uma aprendizagem que ainda hoje recorda em várias entrevistas.

Sabemos que a violência foi uma marca do apartheid. Elon Musk conviveu de perto com essa realidade?

Tanto o Elon Musk como o irmão Kimbal costumavam ir a concertos anti-apartheid, isto numa altura em que ambos eram adolescentes. Usavam o comboio, onde muitas vezes aconteciam tiroteios. Era uma coisa recorrente na África do Sul dos anos 80. Numa destas vezes, assistiram mesmo uma pessoa a ser assassinada e o irmão de Elon, Kimbal, numa entrevista, dá-nos esta imagem que demonstra a violência. Ele conta que foram para casa a ouvir os sapatos a descolarem à medida que caminhavam, isto por causa do sangue que tinham pisado, o sangue a secar.

Na África do Sul, nos anos 80, vivia-se um ambiente um bocado de malandragem. Levar pancada era bastante normal. Quer dizer, se fosses bom na escola, eles esperavam por ti à saída e batiam-te com as mochilas. Por isso, se quiserem chamar a isso bullying, sim, tínhamos muito disso.

Acabamos de ouvir o pai de Elon Musk. Mais do que o apartheid e a violência que daí decorreu, foi Errol Musk que maior impacto teve na vida do jovem Elon.

Sim, até porque são várias as entrevistas onde Elon Musk fala no pai. E tanto ele como o irmão mais novo, Kimbal, descrevem-no como alguém temperamental, com oscilações de humor e até cruel. Aliás, numa entrevista na revista Rolling Stone, Musk diz que o pai já cometeu quase todo o tipo de crimes.

Era agressivo?

Errol Musk era violento com a mãe, Maye Musk. Isto de acordo com os filhos e a matriarca, mas o próprio Errol Musk desmente, nega as acusações de violência doméstica. Não era, no entanto, violento fisicamente com os filhos, mas tanto Elon como Kimbal contam que o pai exercia sobre eles uma violência emocional, descrita por ambos como tortura mental.

Vivíamos numa tortura. Era uma tortura emocional e psicológica. Ele inventava coisas que não eram verdades e passávamos três horas a ouvi-lo. E tu das por ti a pensar: talvez ele tenha razão, talvez seja verdade. Era uma tortura psicológica.

Neste som que acabamos de ouvir, Kimbal Musk não especifica o que é que o pai dizia, mas no livro de Walter Isaacson explica-se que o pai obrigava os filhos a ficarem horas em pé enquanto os insultava.

Illustrativo também é o papel do pai de Elon Musk no episódio mais violento de bullying a que Elon foi sujeito.

Sim, para se ter uma ideia da gravidade da situação, até hoje, Elon Musk faz cirurgias plásticas para reparar algumas sequelas deste episódio. Aliás, o próprio irmão fala neste assunto como um momento de vida ou de morte.

Eu estava sentado ao lado do Elon e aqueles miúdos aproximaram-se dele. Eram uns quatro ou cinco. Começaram a bater-lhe. Batiam de forma absurda com os punhos e não havia nada que eu pudesse fazer. Eles queriam bater-lhe até à morte. A cara do meu irmão estava irreconhecível.

Este episódio aconteceu quando Elon era pequeno, idade de escola primária, mais ou menos. Foi levado para o hospital e faltou às aulas durante duas semanas. Mas depois da violência física, veio a violência emocional.

Por parte do pai?

Elon conta ao biógrafo Walter Isaacson que quando teve alta, já não bastando o fato de ter sido agredido, o pai repreendeu-o e defendeu os miúdos que o agrediram. Elon foi obrigado a ficar uma hora de pé a ouvi-lo gritar que era um idiota e um inútil.

O bullying é uma coisa muito presente na vida do muito jovem Elon Musk.

Sim, este episódio não foi um caso isolado. Durante três ou quatro anos, Elon Musk foi vítima de perseguição destes miúdos. Inclusivamente, este grupo chegou a espancar o melhor amigo, e ressalvo que Elon Musk não tinha muitos amigos porque tinha dificuldades na parte da socialização, e eles espancaram este miúdo para o obrigar a deixar de se dar com Elon Musk. Aliás, ele recorda este episódio em várias entrevistas como uma situação que o magoou mais a nível emocional do que propriamente físico.

Percebe-se então que Elon Musk foi vítima de bullying, não só na escola, como também em casa, por parte do pai. A verdade é que os pais divorciaram-se. Elon Musk fica num primeiro momento com a mãe, mas decide mais tarde ir viver com o pai. Por quê, tendo em conta o histórico de abusos emocionais?

Há duas versões. A mãe mudou-se para uma cidade a 600 km de Pretória e na versão de Elon Musk, teve pena do pai e não achava justo que a mãe tivesse acesso aos três filhos e o pai a nenhum. Mas a mãe de Elon Musk conta que o pai tinha à disposição uma coleção de livros que incluía a Enciclopédia Britânica. Desde muito pequeno que Musk devorava livros e a mãe tinha menos capacidades financeiras que o pai para comportar esses gastos.

Elon Musk fica então com o pai e mudou alguma coisa no relacionamento dos dois ou os abusos emocionais continuaram?

Continuaram e Elon acaba mesmo por reconhecer que ir viver com o pai foi uma má ideia. Entretanto, a poucas semanas de fazer 18 anos, Elon Musk decide ir para os Estados Unidos e deixar o pai e a África do Sul para trás.

Terá sido uma das primeiras de muitas decisões arrojadas de Elon Musk ao longo da vida. Haveremos de voltar a este momento no episódio em que falarmos de Musk, o apostador, o homem que corre riscos, como este, de deixar Pretória e o pai para rumar aos Estados Unidos à porta dos 18 anos. Se é verdade que a relação com o pai, em muitos aspectos tumultuosa, deixou marcas potencialmente negativas a Elon, também não é mentira, Cátia Rocha, que o jovem Musk foi buscar a Errol algumas das características que o distinguem como empresário de sucesso.

Há alguns traços em comum. Errol é engenheiro e muito do gosto de Elon por esta área surgiu com o pai. Musk diz até que passou uma boa parte da infância a construir foguetões e a fazer experiências e que é quase um milagre ter todos os dedos das mãos. Em comum, têm também esta característica aqui identificada pelo biógrafo Walter Isaacson.

O pai de Elon era uma espécie de Dr. Jekyll e Hyde. Ou seja, ele pode ser um médico brilhante, como também pode passar, de repente, para esta faceta demoníaca. E ele raramente se lembra de mudar de humor quando volta ao Dr. Jekyll. Mal se lembra do que aconteceu. E pasmem-se, o Elon Musk é igual.

Como é que este lado Mr. Hyde se manifesta em Elon?

Nas empresas, o lado lunar é visto na forma intensa de trabalhar. São frequentes os relatos de uma ética de trabalho que é muito intensa, que obriga a longas horas para cumprir prazos que são apertados e que muitas vezes são tornados públicos por Musk através de um tweet, mesmo que sejam difíceis de concretizar. Musk reconhece que não tem muito filtro nas publicações que faz.

Musk sente que não pode ser limitado e, às vezes, pode não ser bonito. Mas também é esse o Musk que faz as coisas acontecerem.

Há um bom exemplo deste furacão Elon que se prende com a produção de carros elétricos pela Tesla.

Sim, Musk definiu que iam conseguir entregar os primeiros carros num determinado prazo. O resultado foram semanas de trabalho intensas, com o próprio Musk a dormir na fábrica. E também houve e-mails durante a madrugada, alterações de humor e despedimentos repentinos. Isso é relatado por Colette Bridgemand, antiga líder global de marketing da Tesla entre 2004 e 2017, portanto, quase desde o início da empresa. Havia momentos em que ele ficava definitivamente zangado e despedia pessoas no momento. Sim, isso tudo aconteceu. Quando o Elon se portava mal, eu comparava a uma criança, quando está a fazer uma birra ou chateada por alguma coisa.

Este caso da Tesla é um exemplo isolado?

Este modo intenso também foi muito visível durante a compra do Twitter, o que contrastou muito com aquilo que era a cultura da rede social.

Lembro-me de quando ele foi à sede do Twitter. Isto foi mesmo antes de ele comprar oficialmente a empresa. E estão a dizer-lhe como é um local de trabalho acolhedor, com salas silenciosas, dias de folga por causa de saúde mental, estúdios de ioga para que as pessoas possam estar equilibradas e dizem: "Valorizamos muito a segurança psicológica." E Musk teve uma daquelas risadas meio roucas e disse: "Segurança psicológica é a nossa inimiga."

Há vários momentos de demon mode de Elon Musk no Twitter, como o despedimento massivo de funcionários para cortar custos, logo quando o Musk compra a empresa.

Ficou, de resto, conhecido como The Snap.

Sim, uma referência ao vilão Thanos, de Avengers, que com um estalar de dedos fez desaparecer metade da população. Uma imagem pra qual também contribuiu um e-mail que Musk enviou aos funcionários do Twitter a dizer que só quem estava disposto ao esforço extra, quem era hardcore, é que poderia continuar a trabalhar na rede social. Internamente, foi o momento ou estão comigo ou estão contra mim. E muitos trabalhadores despediram-se do Twitter nesse momento.

Deste relato, sobressai uma imagem de Musk como um patrão difícil, aquele quase cruel, toldado pela fúria. Mas a verdade, Cátia Rocha, é que há também quem agradeça a oportunidade de trabalhar com o empresário.

Musk tem uma visão e traça muitos objetivos ao mesmo tempo. E às vezes coisas como horários ou cansaço são questões menores nesta visão. E a verdade é que tem um historial de progresso com a Tesla e com a SpaceX, por isso há funcionários que lhe reconhecem essa visão e esses resultados. E há descrições de que trabalhar com o Musk é estar no limiar do desconforto, mas também que só há coisas que parecem impossíveis até alguém as conseguir concretizar.

O percurso político de Elon Musk também acaba, Cátia Bruno, por ser determinado pelo lado mais furioso do empresário. É isso que faz com que de uma maior proximidade aos democratas, passe a ser um indefectível apoiante do republicano Donald Trump.

Bem, Elon Musk reage muito com base nos acontecimentos que afetam diretamente a sua vida. E há um que pode ter ajudado a consolidar um afastamento mais definitivo dos democratas. Estávamos no verão de 2021, quando o presidente Joe Biden convidou os principais fabricantes de automóveis dos Estados Unidos para uma cimeira sobre veículos elétricos. Mas deixou de fora a Tesla, a maior fabricante de veículos elétricos do país. Por quê? Porque a empresa não permitiu a fundação de um sindicato entre os seus trabalhadores.

Musk, imagino, não gostou.

Reagiu com fúria. No Twitter, escreveu que Biden é um fantoche pulorento em forma humana

O Biden, por exemplo, organizou aquela cimeira dos carros elétricos na Casa Branca seis meses depois de ter tomado posse e excluiu propositadamente a Tesla, apesar de a Tesla estar a produzir mais carros elétricos do que nunca. Sim, não foi fixe.

Deixou de estar tudo bem?

Sim, não estava tudo bem. É preciso lembrar que Musk votou para presidente em Barack Obama, também votou em Hillary Clinton e até no próprio Joe Biden. Durante anos definiu-se como um centrista, mas nos últimos anos começou a assistir-se a uma mudança. Elon Musk não renega as suas opiniões passadas, mas as críticas aos democratas foram se tornando mais e mais frequentes, como se vê nesta entrevista que deu em 2023.

Se acho que Biden venceu? Sim, acredito que ele venceu.

O senhor votou nele.

Sim, votei.

E arrepende-se desse voto?

Quero dizer, gostava que tivéssemos um ser humano normal como presidente. É isso que eu quero.

De resto, Cátia Bruno, a dada altura e face a esta evidente evolução, Elon procura esclarecer em que zona do espectro político se encontra.

Sim, fê-lo no Twitter. Escreve Musk: "Para ser claro, apoio a fação mais à esquerda do Partido Republicano e a fação mais à direita do Partido Democrata." Como diz Walter Isaacson no "Biógrafo", os humores de Musk são sempre voláteis e a política não é exceção. Aquele ato de Biden de ignorar um dos maiores e mais revolucionários projetos de Musk, pode ter sido o fator que o fez repensar tudo.

Há também uma mudança no plano pessoal que pode ajudar a perceber o afastamento dos democratas e a aproximação à agenda republicana. Envolve um dos 11 filhos de Elon Musk.

Xavier. Hoje em dia, Vivian Jenna Wilson, por causa de uma mudança de género. Musk diz que o seu filho Xavier foi influenciado por aquilo que define como o vírus da mente woke. Um vírus que Elon se propõe destruir. E este é um tema que já sabemos que é muito presente no discurso de Donald Trump, o que também pode ajudar a perceber esta aproximação de Musk ao novo presidente dos Estados Unidos.

Foi um longo caminho desde os anos 70 na África do Sul até à relação quase umbilical com o presidente norte-americano. Neste episódio ficámos a conhecer alguns marcos desse percurso de Elon Musk. A relação atribulada com o pai, o bullying, a forma temperamental como por vezes toma decisões, o que o fez começar a olhar para os democratas pelo retrovisor. Faltou falarmos do livro, não de um qualquer. O livro onde Musk, então com 12 anos, vai buscar, por exemplo, aquele que é ainda hoje o lema de vida do empresário. E mais, o que terá encontrado naquelas páginas que apaziguou uma crise existencial e lançou as sementes do desejo de ir mais além na exploração do espaço.

Por que tornar a vida multiplanetária? Acho que é uma coisa muito importante para o futuro. Chamo-lhe seguro de vida, por alguma razão. Há sempre a possibilidade de alguma coisa correr mal na Terra. Os dinossauros já cá não estão. Pode acontecer alguma calamidade provocada por nós ou algum desastre natural. Eu sou, por natureza, um otimista. Acho que a probabilidade de isso acontecer é baixa, mas não é zero.

Fica aberto o caminho para o segundo capítulo desta história, quando falarmos de Musk, o visionário, e de como o livro, aquele livro, pode bem ter aberto a porta do planeta Marte à humanidade. "O Homem Mais Poderoso do Mundo" é um podcast da Rádio Observador, da autoria das jornalistas Cátia Bruno, Cátia Rocha e Maria João Braz. A sonoplastia é do Bernardo Almeida. Eu sou o Miguel Figueira.