Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Um bocadinho mais cedo que o habitual, porque o Tiago tem mais que fazer. Tiago Pereira, editor de cultura do Observador. E hoje, às quintas, o lado bom da vida sempre com um olhar para os ecrãs. O que é que podemos ver nas plataformas de streaming, nas televisões e nos cinemas durante os próximos dias? Tiago, bem-vindo. Boa tarde.
Olá, Nelson. Como estás?
Bem disposto?
Sim, superbem disposto. Olá, Judite. Olá, Bruno. Olá, Vanessa.
Olá.
A Vanessa ainda está aqui. As pessoas é que não sabem.
Olá, sim, o meu microfone. Obrigada.
A Vanessa está sempre, entre as 16:00 e as 19:00 conosco.
Eu queria começar por fazer uma pergunta. Vocês tiveram a oportunidade de ver alguma das sugestões que eu fiz na semana passada?
Não me lembro de nenhuma.
Era só uma pequena sondagem à boca da urna.
Qual é que era? Não fizeste a sugestão do "Quatro Horas no Capitolio"?
É verdade, safaste-te com essa.
Já falámos disso também naquele outro.
Estava só a tentar averiguar da utilidade da minha presença.
É muita, é mesmo muita. E quais foram as outras sugestões? Ainda te lembras?
Uma tinha naves, portanto o Nelson não viu.
"Bobafett", não?
Exatamente. E o filme do George Clooney?
Mas o filme do George Clooney, para ver, é preciso ir ao cinema.
Não, é preciso assinar a Amazon Prime Video.
Pois, não tenho Amazon Prime Video.
Ninguém tem tantas assinaturas. A não ser que sejas editor de cultura de um jornal, ninguém tem tantas assinaturas de plataformas de streaming.
Não sei o que queres dizer com isso.
Muito bem, vamos começar por-
É mesmo o que eu disse, a não ser que sejas editor de cultura de um jornal, ninguém tem tantas assinaturas.
E vamos começar por uma sugestão que está numa plataforma de streaming que eu não tenho: Apple TV+, "A Tragédia de Macbeth".
Ainda não está, mas vai estar amanhã.
Olha.
Daí eu ter trazido aqui este título, "A Tragédia de Macbeth", que é mais uma adaptação da tragédia de Macbeth.
Mais uma? O que queres dizer com isso?
É uma história que já foi adaptada várias vezes.
É só mais uma?
Não, eu não disse só, disse é mais uma.
E os jornalistas são tão, não é?
É isso.
O convívio torna-o assim.
O convívio. As más influências, o segredo da vida é esse. Obra de William Shakespeare.
É um filme?
É um filme.
Ou é uma série?
Mas parece uma peça.
Ora bem, esse é que é o grande desafio, não é? O filme é realizado por Joel Coen, um dos famosos irmãos Coen.
He went rogue?
Sim, Ethan Coen não quis fazer parte. Aliás, surgiram algumas notícias, já com mais de um ano, eu diria.
Chatearam-se.
Não se chatearam, mas até que ponto um irmão está noutra e se calhar agora vai começar a fazer outras coisas da vida. Vamos ver como é que isso se vai desenvolver.
Isto é um bocadinho fora do âmbito Coen, não é?
Exato. Pronto, ok, peço desculpa.
Zangas familiares.
Não se chateiem comigo. Não, eu acho que eles não se zangaram. Aqui depois há uma questão também interessante. O filme é protagonizado por Denzel Washington e por Frances McDormand, que juntos fazem o casal Macbeth.
E juntos têm uma catrefada de Oscars.
É verdade. Todos juntos dá imensas prateleiras.
Aliás, incluindo Joel Coen.
Exatamente. E portanto, ao que parece, Frances McDormand já há bastante tempo que queria interpretar a personagem de Lady Macbeth e Joel Coen-
Ligou ao Joel e disse: "Olha"-
Não ligou
..."tive aqui uma ideia".
Ligou o Judite, porque eles são família.
É verdade.
E portanto, houve um dia, provavelmente, que ela chegou a casa e disse: "Joel"-
"Fazemos um filme?"
..."trata lá disso". E portanto, esta é a adaptação da tragédia de Macbeth, que é uma história que envolve muito sangue, muita loucura.
E é a preto e branco.
É a preto e branco. Não sei o que isso quer dizer.
Estava só a ver o trailer.
Não sei se isso te seduz ou não.
À partida, sim.
É um filme que tem gerado alguma expectativa, digamos. O filme estreou em algumas salas americanas no final do ano passado, na altura do Natal.
Provavelmente para ser elegível para os Oscars.
Sim, se bem que agora parece-me que isso já não é necessário. Parece-me que já não é necessário.
Como assim?
Não tenho a certeza. Agora apanhaste-me em curta. Mas, por exemplo, vamos nos lembrar aqui, o "Irishman" do Scorsese estreou, foi até estreado-
Eu acho que estreou numa sala para poder ser elegível.
Não, já não tem nada, então isso não fazia sentido nenhum.
Era assim durante uns anos. As plataformas de streaming é que também depois começaram a fazer pressão para que mudasse.
Mas quando são as plataformas de streaming que pagam os filmes, a coisa muda de figura, não é?
Olha, vamos fazer uma coisa. Está aí uma boa questão.
Vamos esclarecer as coisas antes de discutirmos aqui.
Não, mas eu acho que é muito interessante.
Estamos a pedir a ajuda do público.
Exato. E portanto, isto resumindo, o que eu venho aqui dizer é que este filme estreia amanhã.
Só um pequeno aparte. O TV Cine, acho que é o Edition, tem estado ao longo dos últimos dias a fazer um especial Denzel Washington. Todos os dias há um. O TV Cine Edition.
Provavelmente terá alguma relação. Não sei se terá alguma relação com isso, não.
Eu vi há dias um filme que nunca tinha visto, que é péssimo, com o Denzel Washington, que é o "Assassino Virtual", que o Russell Crowe é virtual.
É virtual?
Faz lembrar o mau do "Exterminador Implacável". É assim tipo em liga, que se desfaz e depois põe a mão num vidro e fica todo junto outra vez.
Mas tu não gostas de sci-fi.
Não, ele só não gosta de nada.
Eu estava a assistir a um filme mesmo tipo O que é isto? E depois o IMDb dá-lhe uma péssima nota. E eu nem conhecia o filme, foi uma surpresa para mim. Por que está aqui o Russell Crowe a fazer de robô?
Oi, o Russell Crowe supernovo.
Sim, gostei de ver o filme, apesar de ser uma obra de-
O filme era tão mau que era bom.
Exato. Dá a volta e depois, como eu não conhecia, fiquei aqui.
Tem a Kelly Lynch também.
E acho que foi ontem que deu "O Candidato da Verdade", que também é excelente.
Esse é bom.
E voltei a vê-lo também. Bem, avançamos para "Somebody Somewhere", sugestão do Tiago para um conteúdo da HBO, já disponível ou ainda não?
Ainda não. Segunda-feira, dia 17. É uma nova série da HBO, tem sete episódios, cada episódio tem meia horinha, portanto é uma coisa de fácil consumo. É uma daquelas séries muito indie, que está ali no cruzamento entre a comédia e o drama. Como dizem os ingleses, é um dramedy. É a história de Sam, uma moça interpretada por Bridget Everett, que tem feito muitas coisas com a Amy Schumer, por exemplo. Portanto, já tem muita experiência de comédia. E basicamente é a história dela. Ela regressa à terra onde cresceu, onde fez a sua adolescência e onde se tornou adulta.
Já estás a ver a novela, não está?
Quero ver isto.
Eu também fui ver. Isto é muito difícil.
E ela regressa para tratar e para tomar conta da sua irmã, que está com um cancro em estado terminal. Portanto, regressa para tratar dela. E depois, a partir daí, reencontra uma série de pessoas que não via há muito tempo e que conheceu quando cresceu. E depois a história é uma redescoberta dela própria, é desse tipo de séries, com muita piada à mistura, mas também muita tragédia interior. É como se fosse uma série de autoajuda para a personagem principal. Ela quer resolver a sua vida, tem uma série de problemas e de dúvidas existenciais e, portanto, vamos acompanhar esse processo de reencontro da personagem com ela própria. Uma nota interessante é que é uma série produzida pelos irmãos Duplass, Jay Duplass e Mark Duplass, que é uma dupla que aposta muito neste tipo de-
De comédia, de falta de autoestima
E de comédia que mistura com drama e que tenta trazer um bocadinho para o humor, aquele lado real da vida, e do sofrimento das pessoas e de coisas que realmente acontecem na vida das pessoas normais.
Isto mete a história, depois mete uma história de amor no meio, não é?
Provavelmente, sim. Até porque o que seria de nós sem histórias de amor, Luís?
O que seria de nós sem o amor?
Portanto.
Eu estou a adorar este trailer e isto é a minha cara.
Temos que começar a usar o Nelson como uma espécie de barómetro.
Não, barómetro só para as coisas que eu gosto.
É, barómetro para as coisas que o Nelson gosta. Nunca mais vimos um filme de naves.
Não, isso sim. Mas eu gosto quando trazes estas coisas. Por isso é que esta rubrica do Tiago Pereira, não sei se já repararam, é jeitosa, porque ele costuma ir a muitos sítios.
A minha mãe costuma usar muito esta expressão. É jeitosa.
É jeitosa, porque agradar aos públicos.
Ele tem essa preocupação. É eclético.
Estamos sempre aqui. Sugestões para vários gostos.
Tenho um problema particular. Para mim, tem um problema, que normalmente eu gosto de tudo.
Pois, para mim tem um problema, é que eu não tenho todas estas plataformas.
Eu também não.
Não gosto de nada. Também é um bocadinho. Vamos agora a uma sugestão da RTP2. O Tiago fala aqui de uma coisa que-
Sinal verde para os amigos.
Originalmente, "A Misteriosa Vida dos Objetos".
Só o nome deu-me vontade de ver.
Sim. Fixe.
Ora, são 12 episódios. A série estreou esta semana, portanto podem ver na RTP2 e depois também podem ir vendo na RTP Play, onde os episódios ficam todos disponíveis. Portanto, se tiverem banda larga, aproveitem e podem ver em qualquer lado. E ouviram esta frase: "Os objetos não são só aquilo que parecem ser". E é essa a premissa da série ao longo dos 12 episódios, que é tentar explicar a origem e as histórias desconhecidas para quase toda a gente, da origem e da evolução de certos objetos.
Isto é português, é uma produção portuguesa?
Isto é tudo português.
A sério? E as imagens são muito bem escritas, realizadas.
Tens pessoas que até conheces de outras funções. Sei lá, por exemplo, está ali uma médica que é especialista em sono e já percebi que vão falar de uma cama. Falam de cama, falam de sapatos, falam de espelhos.
Ela diz aquela coisa espetacular, que é: antes dos humanos, já os macacos faziam as camas.
Estás a ver?
São coisas que tu não sabes sobre os objetos. Mas depois também há histórias relacionadas com a retrete, com o preservativo.
Eu, por acaso, outro dia ouvi uma frase muito boa de uma pessoa que é engenheira e que diz: "As pessoas não gostam de portas, nem de paredes, mas eu gosto". Isto é interessante. Porque podes tratar bem as coisas que te rodeiam.
Obviamente.
Eu trato muito bem. Eu sou pior ainda, eu acho mesmo que os objetos devem ser, eu olho para eles como tendo uma alma.
Ok.
Isso já é uma coisa que se calhar amanhã esperamos aqui.
É um bocadinho mais à frente, eu sei.
Estou com vontade de fazer a cama, Tiago. Pronto.
Move on.
Acho que pelo menos devem dar uma oportunidade a esta série.
Eu gostei muito e fiquei muito contente de saber que em Portugal se produz um conteúdo deste género.
É um país extraordinário.
É. E tem muito sol e o peixe é ótimo. Sim. Perdão. Está nos cinemas este filme?
Está nos cinemas. Estreou-se hoje.
Isto é a tradução portuguesa de Ballad of a White Cow?
Sim, Ballad of a White Cow é o nome em inglês. O filme é iraniano, portanto eu até dizia o nome em iraniano, mas o meu iraniano é muito complexo.
Mas fica Perdão ou A Balada da White Cow?
Perdão está.
Não sabes?
Não sei. O que importa aqui
Nada disto.
Importa que-
Tu não sabes iraniano.
Exato. Esta é a história de Mina, que é interpretada por, e agora peço desculpa se a pessoa em causa nos estiver a ouvir, Betach Sanaya.
Eu vou te ajudar.
Algo assim parecido, que é também, além de ser a atriz principal do filme, é argumentista e realizadora com o marido. Portanto, é mais uma parceria familiar. Não sei se perceberam, mas o ciclo fechou-se aqui desde que eu comecei a falar de Francis McDormand. Nada disto é feito por acaso, meus amigos. Muito trabalho, muitas horas aqui.
Mas o filme é sobre a pena de morte.
O filme é sobre a Mina. O marido desta personagem é condenado à morte no Irão.
E executado?
Executado. E depois Mina vem a descobrir que o marido foi condenado injustamente. E estava inocente. E depois há aqui duas histórias paralelas que acabam por se cruzar.
Isso parece-me lindíssimo.
Que tem a ver com, por um lado, a luta desta mulher em tentar provar a inocência perante a lei iraniana, a inocência do seu marido. Por outro lado-
Segunda relação.
Sim, eventualmente. Com um homem que, na verdade, o seu propósito é ajudá-la, ajudar Mina.
Era amiga.
As ditas estás é que sim, claro que era esse o propósito.
Não, ele vai ter com ela, já agora, para pagar uma dívida. E ele tinha uma dívida com o marido, que foi o seu, eram amigos, aliás. Mas pronto, uma coisa leva à outra, não é?
E lá está, it's love, baby. E portanto, o filme estreou esta semana.
E tem uma lista de festivais por onde passou.
Por onde passou, que é notável.
Não falta nada aqui.
Muito bem. Tradução portuguesa: "Perdão" está nos cinemas esta última sugestão do Tiago.
Obviamente que acaba por ser também um filme que é-
De costumes, não é?
Sim, como é tradição em muito do cinema iraniano, ou pelo menos aquele que nos chega, e que tem mais visibilidade, que acaba por ser um retrato e uma crítica da sociedade.
Sim, porque ela é destratada exatamente porque começa a ter uma relação de amizade com esse tal.
Que é uma coisa que é impensável.
Porque não era da família, portanto ele visitava e isso era impensável.
Exatamente.
Muito bem, está feito o lado bom da vida. Quatro boas sugestões para vermos nos nossos ecrãs. É sempre assim à quinta-feira com o Tiago Pereira. Um abraço, Tiago. Até para a semana.
Adeus, até para a semana.
Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto