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"Melhor emprego do mundo" no ar com a Rita Cambarneiro. Rita, como estás?
Bom dia, Filipa, tudo bem?
Ora, boas festas, bom Natal.
Era isso que eu queria desejar a ti e aos ouvintes da Rádio Observador. Um feliz Natal e como esta semana
Sim, o bom e o novo é para a semana. Pronto.
Começa o tom, fica em cima, depois não sabe como acabar.
Pronto, é verdade.
Esta semana, como é semana de Natal, o que eu fui fazer? Fui ser mecânica de camiões em Leiria.
Sim, tudo a ver. Tenho tantas questões, por favor, elucida-me.
Então, é assim, eu não sei se te lembras da Sandrine de Leiria, Leiria sobre rodas. Já foi há algum tempo, e acho que nem sequer estavas cá.
A avó não se lembra, peço desculpa.
Foi antes. Ela convidou-me para ir ao Dia do Mecânico na Wifer, que é uma concessionária de camiões e peças e tem lá a oficina. Vamos ouvi-la.
Então, cá entramos na oficina. Tu diz-me se alguma vez viste uma oficina assim. Eu foi a primeira vez.
Superlimpinha.
Superlimpinha e organizada.
Uau! Por acaso. Cheira bem.
Cheira bem.
Era uma ótima oficina, tudo organizadinho.
Rita, Dia do Mecânico, isso é uma coisa? Dia do Mecânico.
É assim. Então, eu vou te explicar. É um dia aberto à TLs para crianças terem a experiência de mexer nas peças dos camiões.
Então foste tu.
Sim, mas estavam lá crianças também. Darem umas voltinhas num camião ao volante. Não, estou a gozar.
A minha cara de pânico até fica sem reação. Desculpem.
Não, é ao lado do condutor de pesados, claro.
Dia aberto dos camiões, havia lá alguma criança que saiu de lá a querer ser mecânico?
Um ou outro, sim, mas perguntei o clássico: "O que queres ser quando fores grande?" E eis as respostas. Vamos ouvir.
O que eu quero ser é jogador de futebol ou youtuber. Vou ficar com a empresa do meu pai de carros.
Ah, mas ele tem uma empresa de carros, então.
E é mecânico.
Então podes dar uma ajuda. Já dás uma ajuda?
Gosto mais de carros do que camiões.
Pronto, e ficou por aqui.
Quer ser herdeiro.
Exato.
Ele quer ser herdeiro, é isso que ele quer.
E também ouvimos aqui-
Temos mais algum testemunho?
Sim, senhora. Uma menina.
Cavaleira.
Cavaleira? Cavaleira de cavalos, não é? Mas para competir? Desculpa, não percebi muito bem o que é.
Ainda tenho tempo para pensar.
Tens razão. Isto há muito tempo ainda para pensar.
Uma coisa que eu gosto de fazer é jogar jogos.
Também eu.
Já estamos a pressionar a criança.
Ela disse: "A única coisa que eu gosto de fazer é jogar jogos."
Olha, eu percebo, honestamente.
Pois, é assim, percebo. Também testei um bocado os conhecimentos básicos que eles tinham sobre mecânica. Vocês sabem o que é um macaco?
É um animal.
Não sei se é inócuo à mecânica.
Macaco.
Também pode ser. E mais?
É uma ferramenta.
Exatamente. E o que faz o macaco?
É para levantar o carro.
Estava que eles iam dizer .
Estou melhor que ele.
Mas não. Pois, eu não sabias?
O macaco eu sabia o que era, mas se me forem perguntar mais coisas, é que não vou saber. Lamento. Mas olha, saíram-se muito bem, não foi, Rita?
Saíram-se bem nesta, é verdade, mas repara no que respondem quando lhes pergunto quantas horas por dia trabalha um mecânico. Quanto é que vocês acham que os mecânicos trabalham, mais ou menos, por dia?
24.
24 horas por dia, credo.
12.
12?
Não, 20.
20 horas? Quantas horas tem um dia?
24.
Quantas delas são passadas a trabalhar por um mecânico?
Eu acho que sei, 15.
Vocês pensam que os mecânicos são escravos?
16.
Não, são oito.
Seis.
São oito!
Não perdoam.
São oito!
Houve um que respondeu 24 horas.
Pois foi, mas atenção, no entanto, veio a professora Sandrine retificar. Há mecânicos a trabalhar 24 horas por dia.
Coitados.
Olha, é.
Tem que haver, porque existem avarias a qualquer hora do dia, correto? Portanto, nós temos um serviço 24 horas em que o mecânico está de escala, pode acontecer algo ou não, a qualquer hora do dia ou da noite, e lá vai ter que ir esse mecânico que está na escala, portanto, a qualquer sítio.
Como se fosse um médico.
Exato.
Tem razão.
Exato.
Porque os carros não escolhem ter avarias só das nove às 17h.
E estes carros, são camiões, é sempre para trabalho, não é para passear na marginal.
Então convém ter ali um mecânico de serviço.
E Filipa, eu estava aqui de partilhar o que não fazer quando se tem um microfone e estamos perante um grupo de 10 crianças.
Esta voz. Alguém aqui gosta de cantar?
Eu!
Ou não.
Mas não quero ouvir. Só se for muito rápido. Uma música de Natal rápida. Pensem vocês numa música de Natal rápida.
Eu já pensei.
E depois vamos aos .
Um bocado assertiva.
Jingle bells, jingle bells, jingle bell rock, jingle bells, jingle--
Então tá bom, isso é o suficiente. Mais uma.
O menino está dormindo.
Que música é esta?
O menino está dormindo.
Não, desculpa.
Nos braços da Virgem Mãe. Os anjos estão cantando. Não podemos dar microfones às crianças.
Não, nem a mim. Mas sim, não se pode perguntar se querem cantar, porque é óbvio que querem cantar e continuaram.
O Natal é para ficar, pois é aqui que eu quero estar, juntos para celebrar, que o Natal é querer estar aqui para sempre, sempre
Sempre sabem onde? Numa oficina de camiões.
Se não quiserem ser mecânicos, podem ser cantores.
É que eles aprendem a música do início ao fim e é por isso nos concursos da Voz e não sei o quê, é só um minuto. É até chegar ao refrão e acabou.
Estavam ali há cinco horas a cantar.
Não, mas continua.
Quer tu esqueças ou guardes. Mais cedo ou mais tarde, vais te lembrar.
O instrumental.
Somos como Lisboa. E se isto não soa bem, então não sei o que mais dirá.
Lindo! Rita, mas são muito fofinhos.
São, sim, senhora.
Cantaram muito, mas são fofinhos.
Sim, são amorosos e eu agradeço a simpatia. Eram do ATL da Toquinha. Mas então chegou a hora de eu entrar num camião e dar então umas voltitas.
Estava aqui a pensar tanta coisa.
E dei duas voltitas com duas crianças ao lado. Vamos então aos outros. Normalmente o cheiro é novo, não vos enjoa um bocadinho?
Não.
Já dentro do camião. Gostas mais?
Gosto bastante do cheiro novo.
Não que às vezes parece que tem um enjoo. E diz-me uma coisa: é mais fácil ou é mais difícil conduzir quando o camião está cheio?
É mais difícil quando está cheio.
Mais difícil, não é? Porque há mais desequilíbrio, não é?
Exatamente.
Neste momento está vazio.
Está vazio, é mais tranquilo. E quando anda com o reboque tem que fazer conta com o reboque, porque isto com o reboque fica com 15 metros de comprimento. Então, por exemplo, um reboque aqui não conseguia dar aqui a volta. Era impossível, não tinha aqui antes suficiente.
Já lhe aconteceu esquecer-se que estava com o reboque?
Não, porque eu não sou motorista.
Ah, ok.
Eu sou apenas vendedor de caminhões.
Podes perguntar à pessoa.
Ele estava a conduzir. Isto é a mesma coisa que fazer o ponto em Braías enquanto estás com o carro cheio ou não. Pelo menos eu sinto essa dificuldade.
Mas tu não vais acreditar. Quantas mudanças é que tu achas que tem um camião, Filipa?
Eu quero acreditar que são pelo menos cinco.
Cinco?
Sei lá, seis? Tem a sexta mudança?
12!
Não pode. 12 mudanças?
E alguns têm 16 até.
Mas por que tanta mudança?
Não sei, para chegar até aos 90, só.
Dá no máximo 120, não é?
Não, o camião no máximo pode andar por lei a 90 km/h.
Então por que são 12?
É por uma questão de poupança de combustível. Quanto mais desmultiplicada for a caixa de velocidades, menos atrito causa, menos combustível vai ir à coluna.
Mas isto são estes novos, não é?
Sim, mas sempre foi. Mesmo aqueles camiões antigos que já tinham 12 velocidades, havia alguns que até tinham 16.
Meu Deus! 12 é muita mudança, mas olha, não fazia ideia.
Nem eu. Chegam a ter 16. E só para chegar aos 90? Mas continuei a conversar com o condutor, que é vendedor de caminhões, e as más experiências que ele tem, também, às vezes.
Faz parte.
Diz que há pessoas que têm caminhões há mais de 10 anos e parecem novos, e depois há outros.
E já vi caminhões que passado um ano ele parece uma psilva.
É o que o meu pai diz do meu, por acaso. Do meu caminhão, não do meu carro.
Não, não queria que seja uma psilva.
Não, não é uma psilva, porque não cabem lá porcos.
A mim já me aconteceu de ir um cliente, porque ele me ligou a dizer que tinha um problema qualquer no camião, e eu fui ver se poderia ser uma coisa bastante simples. "Então venha cá ver, veja se o consegue ajudar." E eu fui lá, assim que eu abri a porta do camião, fechei logo.
Então, mau cheiro.
Esquece. Uma coisa parecia assim...
Mas o que é que ela tinha?
Não faço a mínima ideia. Nem quis saber. Mas era lixo, eram caixas de iogurtes no chão, um cheiro a podre.
Ai, meu Deus! Se calhar atropelou algum cão.
Mas eu aqui dentro tenho de ficar no...
Enfim, é assim.
Imagina, o meu carro, eu sou como o seu pai, o meu é muito desarrumado, eu tenho muitos papéis, as coisas das portagens e tudo mais. Mas poupa, não chega a ser uma psilva.
Exato. O lixo que tem algumas são garrafas.
É isso, as garrafas da água, o clássico. Olha, Rita, tenho aqui uma pergunta para te fazer e acho que faz sentido. Tu gostavas de ser camionista?
Tanto.
É o teu sonho?
Não é o meu sonho, mas gostava muito. Prefiro andar devagar do que depressa.
Também sou assim.
E há outra vantagem: podemo esticar-nos, que é uma coisa, também aprendi isto. Só mesmo porque está quentinho aqui e é um camião espetacular. Como é que uma pessoa consegue estar...? Eu consigo estar em pé. Eu consigo estar em pé dentro de um camião. Até consigo dançar, mas não preciso. Isto é espetacular. É uma das partes boas, é ficar em pé em cima de um camião, não em cima, é lá dentro.
E poder dançar, atenção.
Mas ser camionista terá de ficar para um outro programa. Falei com o mecânico Hélder, não um Hélder que espalha a palavra de Jesus Cristo dos últimos dos santos dias. Espera aí. Palavra de Jesus Cristo dos santos dos últimos dias. São dias que nunca mais acabam. Já está há tanto tempo e nunca mais acabam os dias.
Também não é esse Hélder.
Não é esse Hélder. Chama-se Hélder e é mecânico e falou do seu trajeto até ser mecânico e como uma lesão o afastou do basquetebol.
Minha área era desporto. Desporto do quê? Eu joguei basquetebol federado até aos 18 anos. E depois tive uma lesão, abandonei.
Onde, no isco?
Virilha.
Não era preciso perguntar.
É na virilha.
Não, mas foi virilha, que é por causa do salto e essas coisas, e como eu tenho uma diferença de uma perna pra outra, havia mais uma que sofria do que a outra e na altura ficou tratado.
Eu não acredito Olha, ossos do ofício.
Exatamente, acontece por acaso uma distensãozinha.
A cantiga tendinite de estar assim sempre com o rato do computador. A pata do basket faz lesões nas virilhas.
Outra coisa que aprendi: não perguntar sobre lesões, porque a nossa saúde é confidencial, a doença mais. Mas por acaso o Hélder estava lá, mas estava de baixa.
Coitado do Hélder.
Continua, mas não é por causa de outra lesão. Mas não lhe perguntei sobre essa. Perguntei-lhe também se alguém oferece um camião a uma pessoa querida, por exemplo, no Natal. Já houve alguém que ofereceu um camião a alguém? "Estou aqui a comprar um camião pro meu filho."
Não.
Uma surpresa de Natal, tipo um presente de Natal.
Dar um camião a um filho é arranjar-lhe trabalho para toda a vida.
É estragar-lhe a vida. Também que se quer dar de presente, mas se é para ser para trabalhar.
Eu andei num camião bem bonito, vermelho, me importava que me oferecessem, depois tinha de andar com aquele.
Mas não podias andar ali com o seu carrinho, tinhas de ir estacionar aqui à porta da rádio.
Sim, podia fazer um estúdio móvel. Tipo o "Domingão".
Exato.
Fazia o "Sabadão". Fazíamos as minhas tertúlias no "Sabadão".
A passear por Lisboa. Olha, eu apoio essa ideia, mas se oferece, quem oferece camiões é para oferecer, é para trabalhar.
É assim, podia funcionar assim com todas as profissões: davam um trator a um filho e ele tornava-se agricultor, um estetoscópio vira médico, um telemóvel com acesso a TikTok, influencer.
Pronto, sucesso fácil. Olha, Rita, mais uma coisa, chegaste a mudar o óleo ao camião?
Olha, Filipa, não, porque isso eu já sei. Atenção, eu já sei. Não sei mudar, sei ver o nível.
Já é bom.
A limpeza e organização da oficina é uma máxima nesta empresa, na Waffer. Também falei com o dono Nuno Ferreira, muito simpático, diz que a parte que sofre mais no corpo são os joanhes, que já tentou implementar aulas de ginástica antes do trabalho, mas ninguém aderiu, preferiu fumar.
Pronto, entre um café e um cigarro e uma aulinha de pilates, pronto.
Eles saltaram a aula de pilates. No entanto, a saber o básico, medir regularmente o nível do óleo do carro.
Certo.
Se faltar óleo, é meter, mas esta parte já sei. Dizem que é mudar, mas é meter por cima.
Não sei, eu gostava de poder ajudar, mas eu não percebo nada.
Ver o ar dos pneus. O Hélder disse uma coisa que é muito boa, que é sempre 2.3.
2.3?
De pressão nos pneus. Eu apertei, mas isso é para todos os carros. Todos os carros é 2.3. Eu perguntei para saber. Na Renault é 2.3. E outra, meter água no radiador, mas aquela água não é uma água qualquer do refrigerante, não sei o quê. Essa parte também não sei muito bem fazer.
Não, não.
E ver o ar e saber mudar um pneu.
Eu não estou qualificada para estas coisas.
Vai ao WikiHow. Foi o que eu disse às crianças: "Vocês não souberem, vão ao wikiHow."
Se acontecer, vou ter de me desenrascar.
Outra coisa, nós podemos ser mecânicas se quisermos, é só aprender, lógico. Como quase tudo na vida. Queria agradecer à Sandrine e a todos pela simpatia e fechar este bonito episódio com uma piada, porque como é Natal, é provável que ouçamos muitas secas durante a ceia. E trabalhas como mecânico há muito tempo?
Há um ano.
É muito recente. E aprendeste...?
O meu pai é bate- chapas e mecânico. E desde pequeno que faço sempre isso. Por isso é que é sempre mais uma ajuda.
Sabes aquela piada do Batman? Onde é que o Batman vai arranjar o carro Batmóvel?
Não.
Ao bate- chapas.
Ah, tá bem.
Conhecias esta, não é? Esta é muito antiga.
Conhecia, mas acho que desapareceu do meu cérebro e pronto, e agora obrigada, Rita, por este momento.
Desapareceu por uma razão, porque é má, mas é Natal, faz parte.
Vale tudo.
Ouvir piadas secas e funciona sempre. Eu também sei uma dos psicólogos.
Podes dizer aqui?
Sim, posso. Quantos psicólogos são precisos para mudar uma lâmpada?
Não sei.
Nenhuma. A lâmpada é que tem de querer mudar. Estás a ver?
Faz sentido. Faz sentido. Olha, Rita, pronto. Gostei muito deste episódio, muito obrigada.
Ser mecânico de camiões parece uma boa profissão. Eu gostava, principalmente naquela oficina que é toda limpinha.
Sim, vamos até Leiria para fazer um workshop de mecânica.
Acho que podemos organizar isso. Feliz Natal, feliz Ano Novo!
Um feliz Natal para ti, para quem nos ouve. Um beijinho.
Um beijinho grande.
Encontros na próxima semana.
Feliz Natal.