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Olá.
O melhor emprego do mundo, Rita. Como estás?
Muito bom dia.
Bom dia.
Bons dias.
Então, tudo bem com vocês?
Tudo bem, e contigo?
Está tudo, e contigo também.
Queres partilhar uma história conosco, não queres?
Então, ontem parti o meu telemóvel na casa de banho do Observador. Estou sem WhatsApp, para avisar o mundo.
Caiu dentro da sanita?
Não, na sanita não, caiu no chão. Aí partiu a cabeça. Foi mesmo na cabeça do telefone. Partiu todo e não consigo ver o visor, não consigo permitir as minhas mensagens do WhatsApp para outro telefone. Então não sei como é que vou fazer.
Então estás incontatável.
Se houver alguma crise diplomática.
Não, tenho e-mail. Portanto, queriam já avisar os chefes que tenho e-mail, portanto qualquer coisa enviem-me para lá.
Assinaste tudo.
Há sempre uma alternativa.
Exatamente. E sabem onde é que eu estou? Estou aqui na Rádio Observador, também deu umas saídas. E agora também. Olhem, hoje é o último "Melhor Emprego do Mundo."
Pois é.
Mas o último de sempre?
É sim, mas não fui cancelada, atenção. Não sei como, mas não fui.
Por milagre da fé.
Sim, eu estou mais da noite.
Tempo de mudanças.
Exato, depois quer dizer que um dia não volto.
Claro.
Mas por agora, finito.
E fica em podcast.
Exatamente. Para sempre em podcast, até porque é intemporal. Estes empregos são intemporais, portanto continuam em sítio.
E que assim seja.
E eu fiz aqui uma espécie de: vou entregar prêmios. Por exemplo, vamos aos prêmios que me enterneceram mais. E escolhi alguns. E atenção, eu juntei vários sons, mas sobre um emprego.
É assim uma compilação.
Acho que isto pode ser um bocadinho maiorzinho, sim. Houve um que eu gostei muito, já agora, vamos começar com o ser Pai Natal, que eu fui ao Colombo, fui Mãe Natal no Colombo.
Conheceste o Severino?
Conheci o Severino Moreira.
Já conhecia o Severino há tantos anos.
Que é muito simpático, muito querido.
É uma joia.
Se há coisa que eu era incapaz de fazer, é ser mascote. Para mim, é das piores coisas.
Mas ele não é mascote, ele é mesmo o Pai Natal, atenção.
Eu sei. E isso é melhor, por isso é que eu gostei.
Se calhar é que ele usar mesmo aqueles fatos.
Exato, se ele usa essas máscaras, não. Mas vamos ouvir então.
Vamos ouvir.
Não adivinha. É Johnson para bebê. É, ainda pus há bocado.
Nesta alegria, o senhor José, 76 anos, andar sempre à volta. Esperem lá.
E o senhor José estava no comboio.
O senhor José estava no comboio sempre a gritar, a dizer: "Pai Natal, está a gostar?"
Que maravilha! Isto é que é boa vida. Bem rico, Pai Natal. É, Pai Natal!
O senhor José estava em êxtase. Este é um senhor que estava lá no Colombo a andar de comboio sempre à roda e a dizer: "Adoro o Natal!"
Eu riso muito desse senhor.
Exatamente.
Eu também faria isso.
Gostei muito então de ser Mãe Natal, gostei muito de conhecer o Severino, enternisseu-me e emocionei-me até um pouco, porque ele falou de várias histórias bonitas. Mas também gostei do oceanário. Foi outro emprego, foi logo no início, que eu experimentei, foi ali.
Mas qual é que era o emprego?
Era tratador de pinguins.
Ok.
De animais, no entanto, eu não consegui tocar nos animais, mas estava à espera disso. E começa mesmo assim o áudio. Vamos ouvir. A oportunidade de... Eu pensava que ia mesmo alimentar os pinguins com o biólogo Pedro Pais, mas foi mentira. Mentira.
Com o passar do tempo, vamos ter primos a potencializar acasalarem com tios ou outros primos ou irmãos, tudo mais. E não sendo a consanguinidade um problema gritante nestes animais, claramente que não será um caminho bom para percorrer.
Não sei porque eu estou a rir. Primeiro, eu gosto muito que o Pedro Pais trata os pinguins por indivíduos. Foi uma coisa que eu aprendi lá, está. Indivíduos, é como se chamam, é o indivíduo um, o indivíduo dois, mas gostei muito de aprender mais sobre os pinguins. E havia vários poligâmicos, mas era mais uma pinguim que tinha vários parceiros.
E aparentemente, incesto não é problema.
Não, não é problema. Que horrível, mas enfim, é que se evitar.
Listas de Maias.
É que se evitar. Então o que eu queria, a Rainha de Inglaterra também era casada com um primo.
Mas ele é que estava a dizer que os indivíduos, não havia que há problema com a consanguinidade.
Exatamente. Mas gostei muito do oceanário. Bom, eles começam sempre o trabalho por limpar os cocós e aquilo fica tudo polar. Vale pela não vir esse episódio. Sim, é mesmo. E agora vamos a outro emprego que eu também gostei muito, que foi conhecer o Mestre Jaime, já foi com vocês?
Este já foi conosco, é verdade.
Pois foi. Foi estaleiro da Moita.
Se calhar foi comigo e não foi contigo.
Não foi comigo?
Ah, pois não, foi com o André.
É isso, foi só contigo.
Mas eu estava aqui a ir aos arquivos da minha cabeça, e não.
Também calha a ti.
Obrigada.
Vamos ouvir.
Temos aqui uma canoa com fibra, temos aqui uma canoa que era toda podre, meteram fibra e lá anda, que é a Lily Canéias, era a antiga Lily Canéias.
Espera lá. Tem uma Lily Canéias que é um barco com fibra?
Agora é que tem outro nome, não sei se ainda está lá, mas era o Lily Canéias.
Chamava Lily Canéias.
Porque fizeram restauração toda, a toda podre, tiraram os madeiros, meteram fibra. Eu achei piada. E ela também chegou a ver, quando nós fomos a uma festa, acho que era o nome da Lily Canéias. Mas era o facto dela estar toda podre, meteram tudo com fibra.
De facto, ela estava toda podre e pusemos tudo com fibra. E é a Lily Canéias.
E o nome, Lily Canéias.
E ela viu, não é? Um replay.
Mestre Jaime, espero que o estaleiro ainda esteja impecável e que haja mais trabalhadores, porque isso foi um dos problemas, uma das dificuldades que havia no estaleiro era precisamente arranjar pessoas, e este é dos únicos que repara embarcações tradicionais portuguesas. E agora vamos aos empregos mais estranhos.
Vamos à outra categoria, empregos mais estranhos.
Outra categoria, sim. Estes foram os que me enterneceram mais. Houve mais. Também gostei muito da Sofia Morais, do Paladar Psicológico. Bom, enfim, houve muitos. Mas agora vamos aos empregos mais estranhos.
Vamos.
Vamos a um que foi a única vez que eu me senti um bocadinho desconfortável. Desconfortável foi com o detetive. Vamos lá ver o que é que vai sair daqui.
Um bocadinho mais para cima que a gente vai ali a um sítio. Não, mas espere, quando eu chegar aí, vamos para cima. Eu levo-a para cima, não faz mal. Eu apanho-a aí. Apanho-a aí mesmo e levo-a para cima. Levo-a, não, vou raptá-la.
Vamos aonde? Porque eu não encontro estacionamento.
Ainda não sei, eu só decido na hora e na hora é no momento.
Mas não foste raptada, pois não?
Não, mas quando alguém que não conhecemos diz isso ao telefone, deixa-nos mais descansadinhos, não é? E foi, efetivamente. Fomos para o foyer de um hotel.
Ok. Por acaso eu imagino que isso é um espaço habitual de detetives, não é?
Claro que sim. Imagino que sim.
Pensando bem nisso, se calhar.
Mas finanças também podia ser. Esse é um sítio muito público. E ainda bem.
Mas este tipo não era um agente secreto, não é?
Não. Era só um detetive, embora eu gostasse de ser detetive privada, atenção.
Sim, eu também.
Mas por acaso não foi assim aquele que eu mais gostei. Mas houve também um emprego estranho, aquele de que emprego é este? Que foi aquele do Time Left, em que eu e o Diogo fomos jantar com desconhecidos.
Isso é um emprego?
São dois organizadores que devem ser super ricos. Como é que se chama o quê?
Como é que se chama essa profissão?
Cupido.
Cupido. É cupido. Pois. Sim, faz sentido. Exato. É alguém que promove dates.
É verdade, não mentiu.
Ele é o São Valentim. Vamos ouvir então os dates mal-sucedidos do Time Left, mais propriamente o Júlio.
Eu estive a pensar bem. Uma perspectiva minha, que é, isto pelo menos quando eu vejo nas dating apps, que é as pessoas a dizerem que fazem surf, para mim é o equivalente a quando as mulheres reclamam dos homens que têm o peixe na mão. Não sei se sabes do que estou a falar.
Não, Júlio, está a ser muito estranha esta coisa. Isto está a ser estranhíssimo. Está a ser muito específico.
Muito mau. Eu estou lá há tipo um ano e tal e não tive um único date. Muito raramente matches.
Zero. O Júlio anda com o robalo na mão. Era o Júlio que se estava a queixar que não tinha date.
Coitado do Júlio. Júlio, um abraço para ti.
Eu desconfio que o Júlio já tenha conseguido um date entretanto.
Com certeza, já deve ter. Provavelmente nesta altura tem precisamente uma foto de perfil com um robalo na mão.
Certamente.
Isto diz respeito a uma coisa que ele disse no início, que nunca ninguém percebeu muito bem. E agora vamos aos empregos que podia fazer disto vida.
Vamos.
Vamos ao ser noiva. Este é um hall maiorzinho, mas vamos a isso. Ainda não chegaram a portar. "Ó Rita, então não vai vir ninguém para tomar conta das crianças?" "Sim, os pais que lhes fizeram."
Muito bem.
Aqui o conselho mais vale deixá-los em casa, a não ser que levem as alianças ou sabes aquelas com o tabaco.
Mas as crianças acabam por dar alguma vida à festa?
Não, Diogo, tens falado com pais? É que andam a fazer um péssimo trabalho a promover a paternidade, é só diarreias a maior parte do tempo. Isto é giro também. É um estilo de princesa que fugiu do casamento, que vai a fugir do casamento. Arranjaram-lhe uma cerimónia, ela pega no vestido e baza. Não te faz lembrar? Aqueles vestidos de princesa que abandonam o casamento a meio. Ninguém concordou comigo.
Pensei logo no filme da Julia Roberts.
Mas sabem qual é? Imagina, são as mangas largas, um vestido com uma racha para poder abrir bem a perna.
Para poder correr.
Sim, poder correr, não é abrir perna. Abrir perna é na horizontal.
Esticar.
Esticar. Tiara está muito na moda, réplicas das rainhas.
Travessas.
Travessas? Para meter o peixe?
Não, travessas.
Cabelo. Ia dizer, a noiva entrar com uma travessa de peixe.
Também, bom applause se quiser.
Ou de leitão, uma travessa de leitão logo. Já o copo de água, é aqui o leitão.
E uma laranja na boca.
Sabem que eu um dia dei 80, mas precisei de dinheiro para comprar umas coisas, foi para presentes de casamento. Tirei lá a notinha.
Ia tirando do envelope.
Deixei lá o troco. Só precisava de €5. Pronto, isto foi Neias para noivos. Vale a pena ouvir esse episódio.
A processar toda a informação.
Atenção, se forem casar, vale a pena ver esse episódio de ser noiva, foi Neias para noivos, que falamos um bocadinho do orçamento, de tudo e mais alguma coisa.
Demos dicas.
Sim, o mais caro é vídeo. Pronto.
A sério? Mas e os vestidos e quintas?
Não, é o vídeo e vestido.
Meu Deus!
Vamos ao emprego que mais medo me deu. Ser piloto de autódromo.
Não foi camiões?
Não, não foi camiões.
Foi o outro.
Foi o katram.
Skipper, é isso? Não, ser piloto.
Não, vamos saltar o skipper, vamos fazer skip. Vamos fazer skip ao skipper. Já agora, ser skipper é o emprego mais bem pago do mundo.
É?
Sim, pelo que eu vi. Do mundo, não sei. Vamos ao ser piloto.
Ser piloto.
Cuidado com o escape. Olha, Beatriz, eu ainda não consigo dizer já. Isto é como quando acabam os jogos e entrevistam logo os jogadores. Eles ainda estão cheios de adrenalina. Eu estou cheia de adrenalina, não quero falar. Eu já gritei, já rezei, até de Capitães de Abril falei. Ai, fiquei aziada.
Eu a pensar que já me tinha visto livre disto, mas não, ainda vou ter mais uma volta.
A primeira foi para te divertires, agora é para falares. Vamos devagar. O que é que está a andar agora?
Nós andámos três voltas. Eu bem parecia que já tinha passado por aquela curva, que são todas iguais e bem desinteressante o percurso para o Serra de Sintra. Não vi nada. Eu só rezei.
E como é que correu a segunda corrida?
Vamos ouvir. Foi horrível. Fiquei mesmo mal disposta, porque estivemos a gravar durante várias voltas. E cheguei ao final e tive que fazer outra vez porque tinha rebentado o som. Foi penoso.
E a tua alma também.
Exatamente, a minha alma.
Meu Deus.
E agora que não temos muito tempo, mas ainda temos só mais dois trabalhos e são os melhores. O melhor trabalho para mim, de todos, foi ser polícia marítima.
E por quê, Rita?
Adorei. Andar de barco todos os dias.
E não enjoaste?
Não enjoei. Multar os maus. Sei lá, é a justiça no mar.
É Emel do mar.
É espetacular.
Emel do mar, é isso mesmo.
E por acaso aqueles que eles usam, tanto na pesca como na Polícia Marítima, são muito mais práticos, é quase uma echarpe, que depois insufla. Até é lindo, só precisa insuflar.
Como aqueles dos aviões.
Sim, exatamente, é puxar um coisinho. Não é aqueles que normalmente estamos acostumados, que parece que nos puseram o alarme das compras e amassam as mamas. Sabem? Aquilo é um sofrimento.
Não, não sei.
O Diogo não deve saber.
Nós temos quantos pés aqui, mais ou menos?
Está à volta de 15 metros.
15 metros? Olha, ainda bem que me disseram em metros e não em pés, porque se dissessem em pés eu não fazia ideia de quantos pés eram. Vocês não cantam músicas como nos ponteiros? Não havia músicas da Polícia Marítima? Não. Estás a ficar mal.
Sinalização da atividade marítima turística. Só reparei nelas agora aqui mais perto e, portanto, não vamos perturbar. Podemos fiscalizá-los ao início ou ao final.
Portanto, quer dizer que eles é que são os turistas, os que estão à frente.
Sim.
Sim, parece. Eles estão relaxados. Que cheira-me a infidelidade, não sei. Isso já não dá para fiscalizar, porque parece-me a amante. Eu também era boa porque-
Estava-te a gritar
...estou um bocadinho também a saber aquele que manda bocas. Eu era ótima polícia.
Já estavas a entrar no papel.
Olha, para terminar. Exatamente, temos mesmo de terminar. Eu antes de mais gostava de agradecer a todos os profissionais que me deixaram gravar. Adorei visitar a fábrica da Vista Alegre, conhecer a Sofia Morais do Paladar Psicológico, a família de Póvoa de Lanhoso que faz filigrana, a orientação com o melhor atleta da modalidade, os faroleiros, várias coisas, todos os trabalhos relacionados com animais, a Picole do Hipnotrip, as salinas na Moita, enfim, foi uma maravilha. Podem sempre visitar para sempre. E agora vamos fechar com um que eu gostei muito, que é a Emília e as caralhotas.
Ora bem, de Almeirim.
Eu é que tenho inventado e faço coisas com muito gosto. Temos a caralhota com azeitona, orégãos, azeite e alho. Temos a caralhota de frangueira, caralhota de cebola e queijo, que já aqui está pronta. É só colocar e pôr as fatias de queijo. E temos a caralhota de bacalhau, que também é muito boa. Temos de torresmos. E depois temos a doce, que é a caralhota com maçã, com canela e nozes. Já veio aqui aquele médico do Porto que, coitadinho, teve um grande acidente, ficou sem uma orelha, que era dentista, e é a mesma. O processo foi todo aqui, foi lindo. Já veio aqui a Júlia Pinheiro. Veio e chegou à esquina. Ai, está tão engraçado o verso dela. Quando chegou à esquina já lhe cheirava a caralhotas. E então ela veio, e quando chegou aqui, é mesmo aqui, foi aqui que entrou e trabalhou com um barrete na cabeça, com um avental. Isso foi uma reportagem a ver-se diretamente. Direta.
E ela tem boa mão para a caralhota?
Ai, ela é jeitosa. Ela é jeitosa para meter a mão na massa.
Grande Emília, adorei.
Este foi o episódio em que eu tive o único ataque de riso de sempre aqui na Rádio Observador.
O André estava quase debaixo da mesa.
Muito boa. E gostava de agradecer a quem me deu esta oportunidade.
Claro que sim. Olha, Rita, antes de te ires embora, queremos oferecer-te uma coisa. Espera aí que eu tenho de me afastar um bocado.
É verdade. Merecias.
Eu sei que não vais embora, mas "O Melhor Emprego do Mundo".
A Rita Camarêlo vai continuar aqui, mas acho que merecia aqui uma homenagem.
Espera lá, mas o que é isso? Quem é que pensou?
É um bolo!
É isso, para os nossos ouvintes que nos estão a ver.
Mas agora a questão é: o bolo tem uma vela, mas nós não sabemos o que é que devemos fazer com ela, porque não vamos cantar os parabéns.
Claro, mas pronto, não importa. Tem uma vela, que é o número um, porque foi a primeira edição do "Melhor Emprego do Mundo". E o melhor emprego é number one, número um.
Exatamente.
Rita, um bolo para ti, que foste a melhor anfitriã.
Passa para mim que eu passo para a Rita.
Passa.
Muito obrigada.
Eu até tirava a foto, mas não tenho telefone.
Pois é.
Pois, exato.
Fica uma fotografia mental.
Obrigada. Eu gosto de ter vocês, meu Deus. Adoro trabalhar aqui, gosto muito.
Nós é que gostamos de ti.
Melhor emprego do mundo.
Dão-me muita liberdade.
Até sempre!
Beijinhos.
Adeus.