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Isto está no ar, mais um... Que áudio! Entrou a matar. Mais um Melhor Emprego do Mundo na Rádio Observador. Muito bom dia com a nossa Rita Camarneiro. Olá, Filipa! Hoje com Filipa Coaro. Tudo bem contigo? Já falámos um bocadinho, mas pronto, tudo aqui no ar. Estamos aqui no ar, é diferente. É diferente. Outra magia. Incrível! Olha, Rita. Como é que vocês estão? Estamos ótimas. Estamos bem. O que é preciso. Também, impecável. Adoro esta animação de manhã. É verdade. Mas dormi mal, minha querida. Isto também não vem. Eu também dormi mal. Eu dormi muito bem, por acaso, já agora. Perdi muitas vezes, calor e frio. Não sei, ninguém queria perguntar. Eu também não dormi muito bem, se serve de algum consolo. Mas pronto, enfim. Rita, conta-nos aqui onde é que foste esta semana? Foste ao Algarve, ao Minho, Figueira da Foz? Não, olha, por acaso calha bem. Esteve na lista um bocadinho. Grande abraço para Figueira da Foz. Pode ser, grande abraço, gosto muito. Fui ao maior labirinto de Lisboa. Mas que bem! Olha, não sabia que havia. Onde é que é? Chama-se Campo de Ourique, não sei se conhecem. Perdi-me várias vezes, mais precisamente quatro ou cinco. Estacionei a um quarteirão do sítio onde tinha de estar e consegui perder-me. E eu acho que aquele está montado para que quem quer que entre em Campo de Ourique não saia. E deixem-me dizer-vos que uma das primeiras vezes que eu vim a Lisboa foi ter a um bairro e andava lá às voltas, às voltas. Pensei: "Isto vão-me assaltar." E eu acho que em Campo de Ourique acontece o mesmo. É para me assaltarem. Não me assaltaram. Mas acho que isso é qualquer bairro também de Lisboa, é um bocado labiríntico. Já estava a ver que era. Enfim, quer dizer que não é uma verdade. Não, Campo de Ourique é muito complicado. Rita, tanta coisa, mas também ainda não percebi qual é que foi o emprego. Pastéis de nata. Fui conhecer o dono das pastelarias que mais prémios ganhou do melhor pastel de nata. O deste ano foi na Amadora, mas o João Castanheira todos os dias percorre os seus 12 estabelecimentos e àquela hora calhou-me Campo de Ourique. Fui à conhecida Pastelaria A Loma. Quando cheguei, atrasada, claro, porque me perdi, reparei que toda a gente cumprimentava o João. E é também um bocadinho uma celebridade aqui em Campo de Ourique, imagino, não é?
Não é celebridade, mas eu sempre vivi aqui. A minha vida sempre foi aqui.
E não achas Campo de Ourique dos sítios mais confusos em Lisboa?
Um bocadinho.
Parece um labirinto.
É, isto é tudo ruas paralelas e perpendiculares. Mas quem está aqui como eu, isto para mim, até sei o nome das ruas todas. Quer dizer, isto é familiar. Nasci aqui, sempre vivi aqui.
Está feito só para as pessoas que lá viveram é que sabem. Olha, por acaso não sou daquela zona, mas conheço esta pastelaria. E sabem porque é que se chama A Loma? Porque houve alguém que se apaixonou.
E na altura, em 42, 43, os filmes não é como agora, que dão de um a dois meses. Estava a passar aqui no Cinema Europa, "Aloma of the South Seas", que era um filme com a Dorothy Lamour. E a Dorothy Lamour era uma atriz lindíssima, que andava de biquíni na década de 40. Pronto, e quem abriu isto ficou ...
Era inglês?
Americana. Ficou com a pancada da Loma e pôs A Loma. Tudo tem uma lógica.
Não sei quando juntam os nomes e depois fica uma coisa muito estranha. Germor. Acabei de dizer o nome de uma construtora, só para saber. Mas sabes que tipo Firiteane. Seria uma empresa nossa. Coisa estranha.
O nome não fica muito no ouvido. Mas olha, o que fica não é no ouvido, mas no paladar. São pastéis de nata, que ainda não falámos de pastéis de nata. E não são todos iguais, atenção.
Pois não, não são todos iguais. E sabem em quanto tempo devem ser comidos?
Eu demoro 30 segundos.
Como assim? Há tempo para se comer um pastel de nata.
Demoro menos de 30 segundos.
Vamos ouvir. Quanto tempo é que um pastel de nata, em quanto tempo deve ser comido?
Um dia. Um dia está bom. O nosso estado, de um dia para o outro. E é assim, estamos a falar de propriedades não é organolépticas, que ficou estragado, é de propriedades da prova. A massa deixa de estar saladiça, o creme pode quebrar em cima.
Estão a ver? É sempre a aprender. Sim. E agora, o que vocês acham? É pastel de Belém ou pastel de nata? Pastel de nata. É pastel de nata. É exatamente a mesma coisa, só para saber. Então vá, malta. Isso vai gerar polémica. Quero saber, vamos ver o que o João Castanheira diz sobre a origem do pastel de nata. Vamos lá ver. Desde 2009, então, pegaste no negócio os pastéis. Pastéis de nata ou pastéis de Belém?
Pastéis de nata.
Não há diferença.
Não há diferença nenhuma. Isso é publicidade, é mito, é o que é, não vale a pena, não há diferença nenhuma, nem há provas que o pastel de nata que nasceu em Belém, até se fala que nasceu em Évora. Isto pela voz de grandes gastrónomos e estudiosos do assunto. Claro que não é isso que passa depois a publicidade para fora, porque não é isso que vende.
Isto vai ser uma grande análise ao pastel de nata. Ao mesmo tempo é o avião a passar, são pessoas a tirarem o carro do estacionamento. É sempre a abrir. Aquilo é sempre a abrir. Mas a Wikipedia diz que nasceu no Mosteiro dos Jerónimos. Agora, se foi em Évora, em Belém ou no Cacém, o que interessa é saber reconhecer um bom pastel de nata. E como é que isso se faz? Vamos lá saber. Vamos ver. E como é que se... pois, isto é super saladiço, não é?
Vês por baixo, vês a espiral do pastel de nata, que é um pastel aberto à mão, portanto isso é uma espiral sempre. É pequenos truques, nós também vamos aprendendo e sabendo como é que se deteta a boa qualidade no pastel de nata.
E depois o creme, não é?
Ele vai falar sempre contigo, quando tu trincas, ele vai fazer aquele crunch. O creme tem que ter uma cremosidade. Isso depois depende da preferência do cliente, mas tem que estar com algumas manchas mais castanho do forno, claro. Tem que estar com esse aspeto de tigre. Força.
Vou comer, vou só apontar, porque toda a gente gosta de ouvir o som, não é? Por acaso não. Isto parece aqueles vídeos de ASMR.
Sim, mas eu não gosto de ouvir o som. É quando tenho fome às 10:20 da manhã.
Eu não gosto é de ver ninguém, ouvir ninguém a comer. Por acaso não gosto. Dá-me sempre um bocado de nervos, confesso. E alguém diz sempre assim: "Estou cheio de fome. Já ia." Parem com essa conversa. Eu não sabia que era preciso haver obrigatoriamente uma espiral no fundo. Já agora também vou perguntar, não tenho muito jeito para cozinhar, mas dá para fazer em casa? Eu também perguntei isso, vamos ouvir. Não sei, vamos tentar.
Sei a receita de cor, sei essas coisas todas. Agora, fazer não sei.
É difícil fazer em casa?
É impossível.
Ok. Está explorada. É impossível. Até porque os fornos normalmente chegam até aos 300 graus e os nossos normais é até aos 250. Portanto, não dá para fazer. Toda a distribuição do calor, é tudo diferente. Está nos segredos deles. E a Pastelaria da Amadora foi quem ganhou o prémio deste ano, tem outros ingredientes que o João não conta por nada, até porque ele também não os cozinha. O negócio dele são os negócios e partilha connosco uma máxima na sua vida e profissão.
Não sei, de vez em quando mistura-se o coração com os negócios e tudo. Eu nunca ando com a carteira do lado do coração, é um hábito que eu tenho. O coração está do lado esquerdo, eu ando com a carteira sempre do lado direito ou ando no bolso das calças.
Por quê?
Porque o dinheiro não se pode misturar com emoções. Os negócios não se podem misturar com emoções. Neste momento temos um grupo de 120 pessoas. Não é grande, é um grupo pequeno ainda, mas já não é de uma loja ou duas. A nossa responsabilidade perante todas as pessoas que trabalham connosco é de cumprir. Portanto, eu não posso tomar decisões baseadas na emoção, quando eu tenho uma série de pessoas que dependem das minhas decisões para a sua subsistência.
E é um bom conselho.
É um bom conselho, eu concordo, mas eu gostei do porquê. Ele: "Porque sim."
Exato. Como arrumar um argumento. Exceto em casamento. Ele diz que no casamento a mulher é que normalmente trata de tudo e ela comanda. Tem mais rédeas. Muito bem. Mas como vos disse, estávamos em Campo de Ourique e sabem o que é que também é muito próprio da zona? Fomos lá tentar adivinhar. Não sei, as lojas de alta costura? Vou mandar para o ar.
As tias.
Não. Ora oiçam. E qual é o truque para ser um bom negócio? Estávamos aqui a falar do profissionalismo, ou seja, negócio é negócio.
Negócio é negócio, são todos para fazer dinheiro. É verdade, negócio é negócio, não vale a pena estarmos aqui com coisas. Espero que a EMEL que esteja ali não esteja para me multar, senão vão eles multar. Não, o meu carro está ali na esquina.
Não queres ir lá?
Já vou, quando eles saírem. Por acaso acho que eles vão sair. Deixa-me ir lá.
É melhor. Sim, eu aproveito e bebo o resto do café. EMEL, claro.
E EMEL também é um negócio e também está lá para fazer dinheiro.
Mas eu acho, não diria. São tão simpáticos. Eu acho que deviam dar um desconto nesta zona, porque é bem provável que alguém não consiga pagar o parquímetro, porque entretanto perdeu o carro, como foi o meu caso. Bom, mas voltando ao pastel. Uma das coisas mais importantes neste tipo de negócios tem a ver com tratar bem o cliente. E é uma das máximas do João, até porque ganhar um cliente para a vida é mesmo de valor, mais precisamente €720 ao ano. Vamos ouvir.
Já viste, um cliente vem aqui e gasta. Eu sou uma pessoa que faço muitas contas de cabeça. Estou sempre a fazer contas de cabeça. Tens um cliente que vem aqui, todos os dias come um pastel, um café. Fazes uma média de €2 por dia, ao fim de um mês são €60, ao fim de um ano são €720. Quando a porta está a fechar e chega aquele esquecido: "Desculpa, ainda tenho uma caixa de pastéis para mim." Claro que sim, não há problema.
O senhor é uma calculadora. Mas é uma forma de raciocinar. Ele pensa muito com este raciocínio, o que é muito interessante. Uma pessoa começa a fazer contas e Jesus. É verdade. Sabemos que não podemos fazer os pastéis em casa. Exato. Mas não há nenhuma dica, algum segredo? Nada? Ó Filipa. Ficamos só ao abandono. Sim, há um segredo. É fazer com amor. Mas eu aprendi na vida que isso só não chega. Um dia fiz arroz doce com amor e esqueci-me do açúcar. Só tinha mesmo amor e foi muito mau. Uma desgraça. E a minha família depois disse: " never te esqueças."
Enquanto tu fazes os pastéis, eu digo: "Os pastéis são feitos com amor." E é mesmo verdade, porque nós quando os estamos a fazer, embora cada pessoa está a fazer à mão, nós nunca sabemos quem é que vem comprar e quem é que o vai provar e qual é a dimensão dessa pessoa, porque nós não estamos a fazer para essa pessoa, estamos a fazer para várias pessoas, a acreditar que estamos a fazer o melhor que sabemos. Portanto, tanto pode chegar aqui uma pessoa muito importante da sociedade, como pode chegar uma pessoa banalíssima, mas eu vou servir e vou oferecer o produto com a mesma qualidade, porque eu não sei quando ele está a ser feito, o pastel é cego.
Gostas da máxima. Com amor e o pastel é cego, lá está.
É isso mesmo. E o João Castanheira também exporta?
Oh, se exporta! Já a importar. Ele contou que um dia, um grande dono de pastelarias francesas, das chamadas pastelarias Ladurée, não sei se conhecem. Propôs uma troca ao João.
Entretanto, estamos a falar eu com o marido e diz o marido assim: "João, ele estava-me a testar. Consegues me pôr para a semana um contentor de pastéis de nata lá em Paris, no escritório, nos armazéns deles, que eu mando para aqui dois contentores de macarons?" E digo: "Eu consigo te lá pôr os pastéis de nata, não vale a pena mandares-me os macarons, porque eu aqui não os consigo vender, mas tu vais conseguir vender isto lá."
Muito bem. Ninguém aqui queria macarons. E também, atenção, ele também chegou a dizer que houve pastéis diferentes. Já tentou inovar com doce, com morango, etc., mas não funcionou. Ninguém em Portugal quer. Lá fora funciona muito bem. Ele fala que as medalhas são importantes, mas manter é que é difícil. Às vezes, o mais interessante até é estarmos a batalhar por conquistar algo. Quase a terminar. O João conta que apesar dos pais não terem estado envolvidos no negócio da pastelaria, ele recorda-se do avô ter trabalhado na área e guarda memórias dos tempos em que visitava as fábricas com o avô, as farinhas, e como ele era muito guloso e não lenhador.
Existe, era giríssimo, eu lembro-me perfeitamente. O meu avô dizia: "João, o que é que queres?" Eu dizia: "Avô, traz-me aí um tronco de Natal, se faz favor." O meu avô vinha, em vez de me trazer uma fatia, trazia-me um tronco. Eu miúdo, em casa.
Um tronco mesmo?
Um tronco de Natal, aqueles troncos de chocolate, torta com chocolate.
Ele trazia lenha. Um tronco mesmo. Exato, um tronco mesmo. "Pai, traz-me aí um tronco de Natal" e o pai levar mesmo um bocado de pinheiro, pinheiro manso. "Era isto que querias, amor?" Não. Que sonho, surpresa. Mas olha, Rita, não achas que está aqui a faltar qualquer coisa?
Eu também acho que está a faltar.
De uma conclusão eu sei. Sabem que eu acho isso muito difícil para mim terminar as coisas.
Não era bem isso que estava a faltar.
Exato, estava a falar era do belo pastel. Tanta coisa e não traz um pastel. Por acaso falámos disso, ouçam.
Então só se passares aqui no sábado.
É isso. Se calhar passo no sábado. Achas melhor? Ou sexta-feira.
Não, tem que ser no dia.
Tem que ser no dia. É que eu vou fazer o programa às 10:00.
Amanhã?
Sim, mas eu passo cá por volta das 09:00. Pode ser?
Pode, perfeito.
Eles vão adorar. Bem dito, bem feito! São tão bons. Isto é um espalho para toda, atenção. Também para a Marta. Estou quase a emocionar-me. Não estava à espera de receber um belo pastel de nata. Ai, Rita! Não vamos comer agora em direto, que é chato para os ouvintes.
Eu até alinhava.
Aguentem mais um bocadinho. Aguentem aí um bocadinho. São muito bons, são incríveis. São mesmo incríveis. Por fim, gostava de agradecer ao João Castanheira pela simpatia e pelos pastéis. Ele foi impecável. E foi uma manhã muito bem passada, mas adivinhem só o que é que me aconteceu? Alguma coisa a ver com o carro, de certeza. Ao voltar para o carro, perdi-me outra vez. Como é que as ruas estão partidas a meio? Há uma rua que se chama João, por exemplo. Depois que é cortada por outra que se chama Pedro, mas para a esquerda e para a direita continua a ser João. Isto é de doidos! E desse lado é já o letreiro de mentira. Depois outra coisa. Depois nem consegui decorar referências. O mercado é igual de lado e de frente. 10 minutos depois, lá encontrei o carro e o que é que me apercebi? Não tinha as chaves nem a mochila, estavam na pastelaria. Estava lá atrás outra vez. Mas voltei a perder-me para a pastelaria. Vocês não têm noção.
Diz-me que isto não acaba contigo a chegares ao carro e estar o carro no parqueado.
Não, cheguei à pastelaria, estava lá a mochila, o que foi ótimo, elas são muito queridas. Depois respirei fundo e sabia: "Não, agora não me vou perder." Super decidida. Perdi-me. Mas menos tempo, até porque já era a quarta ou quinta vez que fazia aquele trajeto, portanto, está bom. Mas chegaste ao carro sem multa, não estava bloqueado? Não, eu tinha metido o parqueamento. E por acaso ainda te digo mais uma coisa, já agora. Fui lá buscar os pastéis hoje de manhã e sem querer estava a ir numa rua em contramão. Estão a ver que Dorique é de loucos! Eu e o Dorique é de loucos. Eu sou da Ajuda, por amor de Deus, não é a mesma coisa. Eu venho daqueles lados da Parede e também a partir do momento em que passo Linda-a-Velha, para mim já estou. Eu sou uma avó, na verdade. Eu vou ao melhor emprego do mundo, espero que gostem dos meus pastéis de nata. Muito obrigada pelos pastéis. Incrível. Para a semana há mais. Só falta o melhor emprego do mundo, com a Rita Camarneiro na Rádio Observador, aos sábados, depois do jornal das 10:00 e a qualquer hora, em podcast. Siga para bingo! Vamos embora! Rádio Observador, Vila Nova de Gaia, 88.1.