Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Bom dia.
Ah, bom dia! Tudo bem com vocês?
Viva.
Porque foi ainda por cima do genérico. Fiquei muda. Está tudo bem com vocês?
Está, e contigo?
Dormiram bem? Também, um pouquinho. Já acordaram há algum tempo, não é?
Pois, claro.
A Catarina então acorda de madrugada.
Não, a Catarina eu tenho a impressão que ela dorme cá.
Sim, parece.
Eu posto tudo vissidinho. E depois também é assim, acordo cedo, por quê? Porque demoro algum tempo a arranjar.
Pois, são muitos filhos. Eu percebo.
Não, ao domingo os miúdos ficam a dormir, não acordam.
Não, tenho que fazer tudo em silêncio, é horrível.
Pois, claro.
Tenho que deixar tudo preparado.
Muito bem.
Bem, por falar em miúdos, e imagino que isto tenha a ver com o melhor emprego do mundo. Por quê? Por onde é que andaste, Rita?
Catarina, fui ao Colombo conhecer não só o Pai Natal, mas também fazer de Mãe Natal.
Estiveste vestida de Mãe Natal no Colombo.
Sim, consegui juntar duas coisas que me deixam ansiosa: centros comerciais e pessoas adultas mascaradas.
Não gostas do Carnaval?
Odeio. Mas amo o Natal e antes de ir estava convencida que o Pai Natal não existia, mas fui até conhecer Severino Moreira, que é Pai Natal no Colombo há 22 anos e desde logo notei um cheirinho.
A Natal?
Não. Logo depois de comer, ainda.
É, e nunca vou depois para o espaço sem me polvilhar a barba. Veja lá se percebe que perfume é este. Não adivinha. É Johnson para bebê.
Johnson?
É. Ainda pus há bocado.
Cheira esta barba do Pai Natal.
Sim, cheirei, e é verdade, ele mete Johnson's Baby na barba para cheirar melhor às mães e aos bebés. Deixem-me dizer-vos quem é Severino Moreira. Ele tem 73 anos, foi bancário durante 30 anos e o ideal aqui era ter juntado as duas ocupações: o Pai Natal, que em vez de oferecer bonecas, oferecia créditos de habitação. A paixão do Severino em ser Pai Natal é muito genuína e olhem que durante esta conversa rimos e chorámos muito. Quer dizer, muito não foi assim também muito, foi um bocadinho.
Eu costumo dizer, e digo isto com algum sentimento, com alguma convicção, se houve alguma coisa que os deuses me deram para a etapa final da vida, foi fazer o Pai Natal.
Não estamos aqui ainda, atenção.
Vocês não imaginam as experiências lindas que eu vivo. Nas equipas de filmagens onde eu por vezes estou, dizem-me assim: "Eu não sei onde é que tu vais buscar tanta paciência. Deus me livre!" E eu digo-lhes sempre: "Vocês esquecem-se é aquilo que eu recebo."
Tão bonito. Pago a união bem? Não, é o carinho deles. Diogo, tu realmente...
Mas por acaso andavam à procura de Pais Natais.
Havia falta.
Havia?
Sim, recebi no meu e-mail um daqueles estudos.
Pensei que ias dizer: "Recebi no meu e-mail uma oferta."
A dizer que faltavam Pais Natais em Portugal.
Pois é, verdade.
E pagavam cento e tal euros.
Porque também Pai Natal, calma, não pode haver assim tantos. Há um, e ponto final.
Pois.
Ser Pai Natal é ouvir as crianças e até adultos. Severino conta que apanha várias gerações da mesma família, até pessoas que vêm de fora para falar com ele, de Aveiro e tudo. E eu senti que Severino está entre o psicólogo, o padre, o Menino Jesus, e conta-nos que também fica estafado.
Há pessoas que me dizem assim: "Tu queixas-te, estás cansado, mas bolas, é um mês." É um mês, mas é um mês que exige muito de mim, quer física, quer emocionalmente. Eu em janeiro normalmente estou a recuperar outra vez. Mas, em contrapartida, eu recebo tantas atenções das pessoas. Eu não sei o que se passa com as pessoas, eu recebo tanta atenção da parte delas, que eu sou obrigado a dar mais, mais e mais.
É muito deep. E eu e a Catarina?
Estás emocionada.
Sim, um bocadinho. Emocionei-me, por acaso. Emocionei mesmo.
Ficas diferente.
Não.
Até porque a conversa foi longa.
É bonito.
Vocês lembram-se de pedir alguma coisa ao Pai Natal, de lhe escrever, por exemplo?
Eu lembro-me do que eu pedia em miúda. Bonecas, Barbies.
Por acaso, as meninas ainda hoje pedem bonecas. O Pai Natal disse. Os rapazes mais coisas eletrónicas, meninas continuam a ser bonecas, Barbies, nenúvens. E tu? O nenúvens.
Não, por acaso, não. Acho que nunca tenho ideia de ter grande relação com o Pai Natal. Estou a falar sério. Por exemplo, escrevia uma carta, mas era uma carta para os CTT, porque metia nos CTT e depois recebíamos um brinquedo qualquer, era uma coisa engraçada que os CTT faziam. Não sei se ainda fazem.
E este ano não queres pedir nada, por exemplo, Diogo?
Não, paz e amor.
Paz e amor. Catarina também, não é? Paz e amor.
Claro, saudinha.
O Pai Natal este ano teve um pedido assim diferente.
"Pai Natal, eu quero tirar uma fotografia consigo." "Claro, então vamos a isso." E diz ela assim: "Sabe, olhe, você pode gozar comigo, pode achar-me ridícula, o que quiser. Mas olhe, eu tenho o meu marido preso. Apanhou cinco anos, mas ele não tem culpa nenhuma", diz ela. "Não tem culpa nenhuma. Ele foi apanhado numa rede." Pronto, eu não sei se tem culpa, se não tem culpa.
Era rede o quê? Não se lembra.
Não. E então: "Olhe, eu estou desesperada, eu quero que o meu marido saia. Olhe, já escrevi ao Papa, já escrevi ao Marcelo Rebelo de Sousa, já escrevi ao António Costa." E estava ali em cima, a ver, e disse assim: "Eu vou pedir aquele Pai Natal."
Mas logo o teu lado de vista aqui. Claro, quem terá sido? Eu gosto disto, ligado ao crime.
Mas quem é que terá sido?
Eu acho que foi a apresentadora Ana Lúcia Maia. Pelas pistas, porque está na rede. Não sei se já tem condenação. Eu acho que não, por acaso, ainda está na parte instrutória.
Sim, é aquelas coisas judiciais.
Mas eu acho que foi ela. Mas não sei! Sabem uma coisa? Eu sou do tempo em que se pediam prendas ao Meninos de Jesus. O que é estranho, porque a única coisa que o Meninos Jesus tem, quanto muito, é mirra ou incenso.
É verdade.
E ouro.
Sim, e mais?
Para além da vaca e do burro.
Exatamente. Querido Meninos Jesus, importa-se de me dar a sua vaca? Vocês acreditam no Pai Natal?
Eu em miúda acreditava.
Porque eu acho que o Pai Natal existe, percebem? Mas está a ouvir o que eu estou a dizer? O Pai Natal existe. O sentido, a mensagem. Nestes termos, compreende?
Estão a ver?
Pronto, realmente é muito o que eu senti. O Sr. Severino stud, do Pai Natal, disse: "Existe, está a ouvir?"
Sim, quase gritou comigo. O Sr. Severino não é só o Pai Natal. Adivinhem quem ele era no passado, para além de bancário.
A Bárbara Guimarães.
É Capitão Iglo em Portugal. Aqueles primeiros anúncios do barco, que a voz era do Canto e Castro, o ator Canto e Castro. Era eu.
Espetacular.
Não era a Bárbara Guimarães, Diogo, era, sim, Capitão Iglo.
Mas é também uma figura que nós não conseguimos...
O Pai Natal foi então o Capitão Iglo, que é uma chatice, porque há pessoas que vão ter com o Pai Natal e pedem-lhe uma pescada congelada.
Capitão Iglo.
Ou douradinhos.
Temos sempre lá em casa.
Sempre, é bom. E agora perguntas-me, Catarina?
Pergunto, sim. Rita, afinal, em que altura te vestes de Mãe Natal?
É agora, os camarins do Pai Natal são no parque de estacionamento. Foi lá que troquei de roupa. O Pai Natal às vezes atrasa-se, não é porque vem da Lapónia, mas porque estacionou no Colombo.
Pois.
Vesti-me então de Mãe Natal, no Colombo, e ainda pedi barba para tapar a cara, mas não tive tempo para deixar crescer e não vou mentir, estava, como é que eu hei de dizer?
Deliciada, comovida.
Enquanto estou nesta viatura.
Eu estou envergonhada, Pai Natal. Eu não sei como é que aguento.
Não estejas.
Sim, não é preciso estar.
Claro que não.
Isto era bem um fato.
A maior informalidade, não é?
Claro. Eu tentei procurar um fato de Pai Natal, mas não havia. Ainda bem, porque seria estranho estarem duas pessoas vestidas de Pai Natal no Colombo e só encontrei de Mãe Natal.
Ótimo, vai mais giro até.
Era um vestidinho daquele material que eu chamo material cavaca, que dá para cavacas, dá para lenha, que arde num instante.
Olha, mas eu vi fotografias disso. Não tens para nos mostrares?
Tenho. Eu perdoo-lhe sim, almoçado bem, também, ao Pai Natal. Só para fazer assim um bocado de conversa, estava muito nervosa. Estávamos no meio da praça central do Colombo, não é?
Já lá estava muita gente, não?
Com 500 mil pessoas à volta.
Não, já mais ou menos. Eram 15h30.
Mas também convém não comeres muito, porque eu chego aqui e mexo-me muito. Quando começarem a aparecer os miúdos com força, eu tenho que estar ágil.
Claro, imagino que se sinta mal.
Porque eles são de uma agilidade.
Pois são. Eles saltam muito. Pior que cabras anãs.
Muito bem. Você é muito simpática.
Obrigada. Também, Pai Natal.
Tu só puseste isto só para mostrar que o Pai Natal achou simpática.
Foi, também. Mas porque gostava de receber uma cabra anã pelo Natal.
Olha, mas sabes quem é que também gosta de cabras anãs?
Miguel Vítor Dias. Aposto.
O da Prosis, que tinha cabras no escritório.
O da Prosis, pois é.
Já me estragaram as cabras anãs, agora já não quero. Bom, mas foi no centro comercial que encontrei também o Sr. Severino, para além do Sr. Severino, aliás, a segunda pessoa que mais ama o Natal, o Sr. José, que também foi Pai Natal, mas em Braga, e queria por tudo andar, não sei se sabem aquele comboio que anda à volta da árvore de Natal no Colombo.
Mas é o primeiro ano que isso acontece ou tem todos os anos?
É capaz de ser o primeiro ano, não é? Está a fazer muito senso. É um comboio para crianças até aos 12 anos, mas o Sr. José, de 76, andava a falar com toda a gente e a insistir para andar de comboio. E atenção, estava sozinho.
É esta senhora que está aqui.
Ah, esta.
Ela tem de me deixar ir andar.
Mas porque é que quer andar de comboio? Mas isto está sempre a dar a mesma volta.
Não importa, mas eu quero andar. Eu tenho carro.
Mas é por causa de ter sido Pai Natal, não é?
É.
Tem esse bichinho?
Tenho este bicho, sou doido pelo Pai Natal. Vivo isto, parece que as pessoas nesta altura têm mais vida, mesmo tesas, têm mais vida.
E andaram ou não de comboio?
Sim, e conheci crianças.
Eu sou a Mariana.
Águeda, não sei como é que se chama.
A Mariana já pediste a andar.
Então vá.
Está bem, então vá.
Upa, lá, lá. Upa! Como é que te chamas, desculpa?
Já está a andar, Sr. José.
Como é que te chamas?
Águeda.
Chamas-te Águeda?
Ágata.
Ágata. Águeda.
Águeda até é um bom nome de pessoa.
Sim, olha, o teu próximo filho, Catarina, vai chamar-se Santarém. Era mais fácil ter partido para nomes.
Não, já fechámos, está encerrado. Nada.
E vocês querem ouvir pessoas felizes?
Sempre.
Desculpa, não estou a focar. Como é que te chamas, rapaz? Artur. Eu estou a dar nomes diferentes às crianças, não interessa. São só nomes, não é, Ágata?
Sim.
É ou não é?
Pai Natal! Pai Natal!
O Pai Natal dá-me prendas.
Sim, dá-me uma prendinha.
Parem nesta alegria, o Sr. José, de 76 anos, andar sempre à volta. Esperem lá.
O Sr. José estava no comboio.
O Sr. José estava no comboio, sempre a gritar, a dizer: "Pai Natal!" Está a gostar?
Que maravilha! Isto é que é boa vida. Bem rico, Pai Natal.
Estamos no Colombo O senhor José estava em êxtase.
Pai Natal!
Porque ele ama.
Até estou emocionada.
Não, é incrível.
Sentes mesmo.
Deus me dê, alegria.
Sim, e há mais felicidade.
Pareço uma criança.
Não, você é uma criança.
Sou uma criança verdadeira.
Mas está feliz por quê?
Porque gosto disto, aprecio isto, o Natal. Pai Natal!
Tu amas o Pai Natal?
Eu amo.
Ele gosta muito e tu também.
Não havia muita gente no shopping. Toda a gente estava a olhar para o senhor José, não sei porquê.
Sóbrio, completamente sóbrio, mesmo. Isto é só amor. E continua.
Eu sou um belíssimo Pai Natal. Menina Magna! Já parou? Já. Mais uma. Quer? É, pois. Quer ir lá outra vez? Vá lá, carrega na pilha.
Carrega na pilha, que é uma expressão que eu vou passar a usar a partir de hoje. Carrega na pilha.
Vitu, estavas a gostar?
Eu dei seis voltas no comboio. É, digam adeus. Outra volta.
Mas o senhor José também deu as seis voltas?
Sim. Não, ele queria andar sempre mais, porque deixaram-no. Excepcionalmente, deixaram uma pessoa maior de 12 anos andar no comboio e para esta excitação toda.
E tu aqui estavas vestida de Mãe Natal.
Claro. Mas ninguém sabe muito bem o que faz a Mãe Natal. Catarina, eu acho que tu davas uma boa Mãe Natal. Tens mais cara disso. Tens. Um de cada vez. Já angariei mais crianças. Se bem que não soa bem dizer assim, mas fui buscar crianças ali, mas com o consentimento dos pais. Eu não sabia muito bem qual era o papel da Mãe Natal.
Então decidiste raptar crianças.
Sim.
Que horror, Diogo.
Gostava de acabar "O Melhor Emprego do Mundo" desta semana a desejar um bom Natal a todos. Vivo muito esta quadra, não sei se vocês também. Gosto de passar com a minha família, às vezes somos mais, outros menos, mas há sempre amor e borrego.
Borrego, que horror.
Essa parte eu passo.
Com o cabrito da minha mãe-adrasta. Ficavas rendida ao cabrito.
Porque não tem bedelho.
Não tem bedelho. Porque a cabrita é diferente.
Não, Rita, não.
Eu quero saber como é que vocês passam o Natal.
Não falem nisso.
Catarina, como é que vocês passam o Natal? Catarina e Diogo.
Família, somos muitos lá em casa.
Claro.
Não, é que para além de nós, do nosso núcleo, ainda os meus pais, os meus irmãos, o meu sobrinho, as minhas sobrinhas, portanto, somos mesmo muitos. Silêncio é coisa que não existe naquela casa.
E tu, Diogo?
O meu parece um rali de tascas. Começo a almoçar num sítio, vou jantar a outro, depois almoço noutro sítio no dia a seguir, janto noutro sítio.
Em Vilar Formoso?
Em Vilar Formoso, na Guarda, Viseu, tudo. A região Centro toda ali dominada por nós.
Portanto, durante uma semana nem te mexes.
Nem me mexo.
Escorregas só.
Venho a rebolar.
Eu juro que passei mesmo a acreditar no Pai Natal e reparem na emoção e palavras do senhor Severino, e foi aqui que chorámos todos um bocadinho. Espera lá.
O Pai Natal não é nem científico, nem religioso, mas é, de facto, o último toque de magia que temos. É bonito.
É muito bonito.
Às vezes sinto-me mais importante um bocadinho.
Sim.
Mas no bom sentido.
Esse é o nosso Diogo. Oh, meu Deus, que emoção! O Pai Natal emocionou-se. Como não?
E não deste um abracinho?
Claro que dei, fartei-me de abraçar o Pai Natal. Não fiz outra coisa, praticamente.
O Pai Natal, apesar de tudo, deixa nas pessoas uma qualquer marca que é indelével ao longo do tempo.
Não é lindo?
É muito bonito.
A sério, estou rendida. Acho que vou mesmo ao Colombo de propósito só para conhecer o senhor Severino Moreira. E olha que eu não acho que isto qualquer pessoa consiga ser Pai Natal.
Eu também acho que não.
Com este melhor emprego do mundo, fiquei mesmo com essa ideia. Tu tens mesmo que sentir.
Eu gostava mesmo, e ele fá-lo com muita paixão, agradecer o carinho e amor de Severino Moreira. Parabéns pelo seu trabalho, que alegra a vida de muitas pessoas todos os anos. Ao senhor José, espera lá que eu tenho só de meter este. Está a gostar?
Que maravilha! Isto é que é boa vida. Bem rico, Pai Natal. Pai Natal! Pai Natal!
Ao senhor José, que ama o Pai Natal, ama o Natal, ama os comboios.
A Catarina está lá a esta hora.
Sim. E vive esta quadra intensamente com a sua esposa, aos pequeninos que raptei, à Ágata, Isaque, ao Arthur, e feliz Natal a todos.
Olha, feliz Natal.
Feliz Natal.
Gostei muito, a sério. Que emprego tão bom.
Pois é, eu estava a desconfiar. Ir à desconfia, não é? Como se diz, porque são bastantes pessoas mascaradas, mas comecei a gostar muito. Passei a gostar e a acreditar no Pai Natal.
Como não acreditar?
É mesmo.