Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
"Operação Stop" na Rádio Observador. Todas as semanas, as principais novidades do mundo automóvel, como sempre, com o Alfredo Lavrador. Alfredo, muito bem-vindo. Como é que estás? Como é que foi essa semana?
Foi ótima. E para ti?
Por aqui também, Alfredo. Obrigado por perguntares. Alfredo, vamos falar de condução e de pessoas com mais de 75 anos. A ligação é simples: está a decorrer uma petição pública que pretende proibir as pessoas com mais de 75 anos de conduzir. Alega-se que com a idade aparecem limitações cognitivas que aumentam o risco de acidentes. Alfredo, há quem pense desta forma. Faz sentido no teu entender?
Não faz sentido algum. Vamos lá ver. Todos nós reconhecemos que com o passar dos anos, a aptidão para conduzir ou para fazer o que quer que seja, para saltar, para correr, para atirar dardos, jogar ténis, o que seja, diminui grandemente. O problema é que há indivíduos com 25 ou 30 anos, ou seja, na flor da idade, que têm zero jeito para conduzir e são novos. A questão não é a idade. Há pessoas que sabem guiar, gostam de guiar, têm prazer nisso, conseguem estar atentos, têm tempos de reações aceitáveis, etc. Enquanto há outros que mantêm destrezas para lá dos 85 anos. Deixa-me dar-te um exemplo. Não passa pela cabeça ninguém impedir um senhor que tu conheces bem e muitos dos nossos ouvintes também, sobretudo os mais velhos, chamado Jackie Stewart, que alcançou três títulos de campeão do mundo de Fórmula 1 e que hoje tem 86 anos, que não pode conduzir. Ainda no ano passado, eu vi guiar na rampa de Goodwood com o seu antigo Tyrrell de Fórmula 1 e a mim pareceu-me em excelentes condições e eu duvido que 99 dos portugueses fizessem melhor. E podia dizer o mesmo em relação a Mario Andretti, que tem a mesma idade, 86, ou Emerson Fittipaldi, 79. A idade efetivamente degrada a cognitividade e a rapidez de reação. Mas ninguém consegue afirmar que isso acontece aos 60, aos 70, aos 80 ou aos 90. É para isso que em Portugal é necessário renovar a carta aos 65 e depois aos 70 e daí para frente de dois em dois anos, sempre acompanhado de um atestado médico. E é aqui que reside o problema, é o atestado médico. É aí que está o garante, por parte do médico responsável e competente, que o indivíduo tem ou não condições para conduzir. Eu posso dizer que renovei a carta há pouco tempo e tive que apresentar um atestado médico, analisaram tudo, da vista. E isso permitiu-me concluir que estava em boas condições. E isso acontecer, o problema não é a idade.
Ora bem, a mim ainda me faltam uns aninhos para ter de renovar a carta, portanto, a princípio comigo não haverá grandes problemas. Alfredo.
Usa o furo meu, caro.
Após tantos anos com Portugal a registar um elevado número de mortes em acidentes rodoviários, por que esta petição surge apenas agora?
Olha, não faço ideia. A petição que existe, que está na net, quem quiser consultar, não é específica e também não é evidente o número de assinaturas com que conta, mas provavelmente pode ter a ver com o número de acidentes sucessivos, que verdadeiramente disparou agora neste período da Páscoa e que pode ter levado algumas pessoas a sentir algum alarme e a reagir por causa dela. Mas na prática, Portugal tem, como tu disseste e muito bem, tem um número de acidentes e de mortes gerados por acidentes rodoviários extremamente elevado. Tem vindo a reduzir, a diminuir, mas a verdade é que os carros também têm vindo a melhorar e a ter mais sistemas de ajudas à condução que acabam por impedir ou atenuar alguns acidentes. Mas atribuir isso especificamente aos idosos não faz muito sentido, ainda que todos nós saibamos que volta e meia aparece nos telejornais a abrir que um determinado idoso ou idosa entrou em sentido contrário na autoestrada, provocando algum pânico e, por vezes, acidentes. Mas isso são casos pontuais e tem que se ver o que é que aconteceu.
E até que ponto é que se consegue provar, Alfredo, que à medida que a idade avança, que os idosos podem e passam a constituir um perigo para os restantes utentes na rodovia?
Todos nós temos avós, tios e pais, etc, de maneira que percebemos que com a idade as coisas se degradam. Mas a verdade é que conduzir não é uma prova de esforço, vai sentado. Não é tão exigente do ponto de vista físico. Agora, há situações que tu tens que cumprir. A visão tem que ser boa, a rapidez de reação tem que ser decente. Não vais ser contratado para conduzir um Fórmula 1, apenas tens que ter um tempo de reação recente. De maneira que não faz muito sentido dedicarmos tanta atenção aos acidentes gerados pelos idosos, que aparentemente não são representativos, uma vez que segundo a prevenção rodoviária portuguesa, nunca são mencionados como uma fonte problemática, de modo que não faz sentido algum.
Gostaria, Alfredo, de voltar a tocar num dos temas que falaste há pouco, a questão dos atestados. Passa a ser obrigatório que um médico prove que o condutor ou candidato a condutor tem habilitações para conduzir, mas surgem, por vezes, também suspeitas sobre a forma como esses atestados são passados a quem quer conduzir.
Toda a gente tem médicos amigos, de maneira que eu não queria levantar falsas suspeitas, mas acredito também que na província seja mais complicado o médico cortar direito quando o seu paciente falha aqui ou ali em termos de aptidões para conduzir, porque são pessoas que precisam dos carros. Na província não há formas de transporte alternativos. Ou tem o carro ou não pode ir a lado nenhum. É apenas a minha opinião. Acredito que aqui e ali possam existir abusos. Só que a verdade é que o grosso dos acidentes rodoviários são causados por outro tipo de abusos, do álcool, telemóvel, de excesso de velocidade, e isso não tem nada a ver com a idade. Aliás, normalmente não são pessoas idosas, a caída tripeça, como se costuma dizer, que causam esses acidentes. São, pelo contrário, pessoas bem mais novas.
Alfredo, então, segundo a Proteção Rodoviária Portuguesa, quais é que são os condutores com mais tendência para causar acidentes, se é que é possível prevê-los?
De acordo com a PRP, os jovens de 18 a 24 anos, aqueles que têm cartões, são os que tristemente estão mais representados nos acidentes fatais. Muitas vezes associados à inexperiência, excesso de velocidade e condução noturna, que é algo para que eles também não estão preparados. Não há aulas, pelo menos que eu saiba. Podem conduzir durante a noite na cidade, porque há aulas ao fim do dia, de inverno já de noite. Mas ninguém vai à estrada, ou não faz quilómetros suficientes na estrada para aprender, para ser ensinado a como proceder quando vê um carro de frente, etc. Aliás, até duvido que se façam testes suficientes para determinar que as luzes de frente, há pessoas que têm olhos mais sensíveis, que facilmente se encandeiam quando um carro vem de frente com as luzes, sobretudo se não estão muito bem afinadas, estão demasiado altas, duvido que essa situação seja analisada. Logo, não me parece. Agora, para além destes jovens de 18 a 24 anos, a maior parte das vítimas mortais são curiosamente condutores de meia idade, 25 a 49 anos, segundo a PRP. E depois, os homens são responsáveis por mais de três quartos dos acidentes e das mortes na estrada. E com certeza que as pessoas que estão a solicitar esta petição não vão solicitar a seguir que os homens sejam impedidos de conduzir. É claro que, acredito eu também, há mais homens a conduzir do que mulheres, mas a verdade é que são os homens que provocam mais de três quartos dos acidentes. Espero que um dia não se lembrem de os proibir, como disse, senão eu e tu vamos ficar com um problema para resolver.
Chegamos ao final do nosso tempo, Alfredo, muito obrigado. Fica por aqui a "Operação Stop" com a promessa de que estás de regresso para a semana com mais um podcast em que trazemos todas as novidades do mundo do automobilismo. Alfredo, um grande abraço, até à próxima.
Abraço, Rafael.