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"Operação Stop" na Rádio Observador. Todas as semanas, as principais novidades do mundo do automóvel, como sempre, com o Alfredo Lavrador. Alfredo, sê muito bem-vindo. Como é que estás? Como é que foi essa semana?

Lindamente, Rafael. Muito obrigado.

Alfredo, esta semana o tema é simples de perceber. Vamos falar do novo Roadster apresentado pela Tesla, que exibiu um carro capaz de fazer acrobacias, é capaz de voar. A minha primeira pergunta, Alfredo, é se ficaste impressionado com a demonstração que foi realizada pelo novo Tesla, e foi assim tão diferente do que se esperava?

Para responder à tua pergunta, fiquei impressionado. Vamos voltar um pouquinho atrás. Eu, pessoalmente, e creio que a generalidade dos nossos ouvintes, esperávamos ver um Roadster, que essencialmente era uma evolução ligeira do modelo apresentado em novembro de 2017, e que devia ter chegado ao mercado já agora em 2020, eventualmente com mais uns truques na manga que enchessem o olho e satisfizessem os fãs da marca, e que atraíssem, de preferência, mais alguns clientes para aquelas 10 mil unidades que eles prometeram fabricar. Porém, o resultado não podia ser mais surpreendente, uma vez que logo para abrir, e isso os nossos ouvintes podem ver através dos vídeos que estão por aí e que nós já publicámos no Observador, o carro provou ser capaz de subir uma parede. Havia uma pista, recordas-te de quando éramos miúdos e tínhamos aquelas pistas da Matchbox com aqueles carrinhos? Eles tinham uma pista dessas.

Eu era mais do tapete, mas sim.

Lembras-te disso? O que permitiu ao Roadster novo, que é completamente diferente daquele que foi apresentado em 2017, subir uma parede na vertical, parar, voltar atrás, voltar a subir, uma coisa que fisicamente é impossível. Ou seja, só é possível porque o carro tem uma série de extratores de ar que colam o veículo à parede. Neste caso, ideal, foram concebidos para colar ao chão e para permitir curvar mais depressa. Naquele caso, o poder de sucção é tão grande que o cola literalmente à parede e permite que o carro esteja ali. Depois, não contentes com esta exibição, subiram mais um pouco e ficaram de cabeça para baixo, naquilo que poderá ser, para as pessoas perceberem melhor a imagem, o teto, digamos assim, e continuou a parar ali e sem problema algum, mais uma vez, suportado apenas pela sucção desses ventiladores potentes. A seguir, acelerou um pouco mais, voou alegremente, fez uma cambalhota e aterrou suavemente no asfalto. Depois disto tudo, é um bocado difícil não ficar surpreendido.

Alfredo, o carro, pelo que conseguimos perceber, trepa paredes, voa. Como é que isto é possível? É apenas só essa sucção que falavas?

Curiosamente, esta função que mencionei, a dos ventiladores, dos sopradores, que extraem o ar sobre o carro, provocando ali um vácuo, uma sucção, que faz o carro aderir ao asfalto, lá está, que é a ideia inicial, mas também à parede e ao teto, nunca tinha sido avançada. O que na altura, o Elon Musk avançou, prometeu, digamos assim, é que estavam a desenvolver uma versão com propulsores a ar frio, que permitissem ajudar o carro a curvar, a acelerar, claro, que era o primeiro objetivo, e a travar, uma vez que o carro vai ter uma série desses jatos de ar frio à volta do veículo, uns atrás, outros de lado e outros à frente, para as travagens, que vão ajudar o carro a mudar de sentido, a travar ou acelerar. Mas nada disto aconteceu. Efetivamente, o carro tem esses ventiladores, mas mantém os propulsores de ar frio, que é aquilo que o faz ser extremamente rápido. Uma das versões faz menos de um segundo de 0 a 96, que é o 0 a 60 milhas norte-americanas, 0 a 96 km/h, para quem utilize o sistema métrico, como nós. Mas convenhamos que quem faz 0,81 segundos de 0 a 96 km/h, não fará mais que 0,85 de 0 a 100, o que é um resultado nunca visto. Um Fórmula 1 faz um segundo e meio, 1,3 segundos, com os pneus superaderentes e já quentes, etc. Este faz 0,81 só porque tem os propulsores e o gás que sai a uma velocidade brutal, empurra o carro pra frente e permite-lhe ser extremamente rápido. E já agora, a Tesla apresentou três versões do Roadster, a Performance, a Thruster e a Rocket, sendo aquela que se vê nos vídeos a Rocket, que é aquela que efetivamente faz aqueles malabarismos todos.

E onde é que a Tesla foi buscar esta tecnologia necessária pra fazer o Roadster voar e circular colado ao teto? Isto é a SpaceX?

Claro, assustaste-me à musa. A SpaceX utiliza estes mesmos propulsores de ar frio para aquelas cenas que nós já vimos quando a nave espacial quer acoplar num módulo qualquer ou até na estação espacial orbital. E isso permite-lhe comandar, deslocar aquele monstro, está no vácuo, mas permite deslocar aquele monstro com uma precisão milimétrica. A base são esses propulsores a jato de ar frio, que agora surgem montados no carro. São cerca de 10, espalhados um pouco por todo lado, sendo que o próprio carro carrega de ar comprimido os depósitos que alimentam esses propulsores, para que a brincadeira dure mais tempo e não apenas um minuto ou dois.

Alfredo, para fecharmos o programa de hoje, acreditas que a partir de agora os restantes fabricantes de desportivos vão tentar igualar e fazer igual a este carro voador, ou isto é, para já, uma moda única da Tesla?

Vai ser muito difícil fazerem isso, porque os russos fazem isso, também têm naves espaciais e também usam os propulsores de ar frio. Os americanos usam, claro está, para além da SpaceX, a NASA tinha isso também, logo, a tecnologia existe, mas as marcas de automóveis, nenhuma delas tem um parente, uma empresa no grupo que lhe ceda essa tecnologia. E depois, para além da tecnologia, não sais com um propulsor debaixo do braço e pões aquilo a funcionar. Todo o sistema de programação para que aquilo ajude o carro, em vez de provocar acidentes, é complexo, é difícil de conseguir. E foi fácil com os conhecimentos da Tesla e da SpaceX a trabalhar em conjunto. De outra forma, vai ser muito complicado. Há clientes para isto. Há clientes que vão adorar chegar ao pé do café e fazer uma pirueta, o carro fazer um tonneau e aterrar com as rodas no chão e continuar a andar livremente. Mas haverá muitos clientes que acham isto uma parvoíce. Mas há uma coisa que ninguém vai colocar em causa: é que tecnologicamente isto é das coisas mais avançadas que se viu nos últimos tempos. Não necessariamente para os carros, mas é extremamente avançado. E a imagem tecnológica é uma coisa que ajuda a vender, sobretudo desportivos e sobretudo carros elétricos, que são considerados também mais sofisticados que os carros a combustão. Logo, vai ser uma vantagem para o construtor, que os outros vão tentar igualar, não sei bem como.

Ora bem, isso parece-me um tema para um outro programa no futuro. Até lá, Alfredo Labrador, um grande abraço, foi um gosto. É sempre.

Abraço para ti também.