Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

O que move os portugueses para irem às urnas? E sobre os principais conflitos em curso, tendem a escolher lados ou mantêm-se neutros? Da educação ao consumo, da habitação à participação cívica, procuramos respostas em "Os números que somos", uma parceria do Observador com a empresa de estudos de mercado Netsonda. Neste podcast, procuramos fazer um retrato da população portuguesa em números e em cinco minutos. Neste episódio falamos de sociedade. Vou conversar com Francisco Cabral, partner da Netsonda e coordenador do estudo. O meu nome é Martim Andrade, jornalista da seção de sociedade do Observador e este é "Os números que somos". Olá, Francisco.

Olá, Martim.

Mais de metade da população que respondeu ao estudo está casada ou em regime de união de facto. Onde é que os inquiridos conheceram os seus companheiros ou companheiras?

Aqui mais de um terço das pessoas casadas ou em união de facto conheceu o seu parceiro através de familiares ou amigos. Mas também o espaço educativo tem um peso importante, que é apontado por cerca de 21% da população que respondeu ao estudo. E o local de trabalho surge em terceiro lugar com 15%. Também há aqui diferenças interessantes entre gerações. A geração X, que vai dos 45 aos 60 anos, destaca muito mais o ambiente profissional, ao contrário dos millennials, que é a geração anterior a esta, onde esse peso cai para metade. E até a geografia conta para este ponto. No litoral centro e no interior norte são mais referidos os espaços lúdicos, como os restaurantes, os bares ou as discotecas, enquanto na grande Lisboa praticamente não aparecem estes locais onde encontrou o parceiro.

E a outra metade que não está casada tem intenção de o vir a fazer no futuro?

Focando nessa metade que ainda não está casada, a maior parte, sim, gostaria de vir a fazê-lo. 15% chega a afirmar que quer casar nos próximos dois anos e cerca de um terço planeia fazê-lo mais tarde. Principalmente a geração Z, que vai até aos 28 anos, que pondera vir a fazê-lo no futuro, mas não num futuro tão próximo como daqui a dois anos. No entanto, ainda temos aqui 36% que dizem claramente que tencionam não dar este passo para o casamento. É uma recusa que pesa, sobretudo, entre as mulheres e os que têm mais de 44 anos. Ainda assim, temos cerca de 15% que permanecem indecisos, ou seja, há sempre espaço para uma surpresa.

Sabemos que Portugal maioritariamente é um país cristão, mas como é que os portugueses vivem necessariamente a religião?

Em relação à religião, temos cerca de sete em cada 10 portugueses que dizem ter alguma crença religiosa, sendo o catolicismo, claro, o mais prevalente. Mas apesar desta crença, a prática é bastante menos regular e observamos isso neste estudo. A maioria é ocasional ou pouco assídua na sua prática. Apenas 16% se declaram praticantes mais frequentes. E há uma tendência geracional muito clara que apanhamos nestes dados. Os jovens são os que mais se assumem sem religião. Estamos a falar aqui cerca de um terço.

Os holofotes mediáticos estão todos colocados na imigração. Mas e os portugueses, olham para a entrada de população estrangeira como algo positivo, algo negativo?

Na verdade, a maioria adota aqui uma posição neutra ou mais pragmática. Cerca de 58% dizem que tudo depende do contexto. Depois há um quarto da população que vê a imigração como um contributo positivo para o país, mas também temos de realçar que 16% percecionam este tema da imigração como uma fonte de problemas. Também há aqui uma questão de regiões. No sul e no litoral centro mostram-se mais críticos em relação à imigração e entre os homens e mulheres há nuances. As mulheres tendem a olhar com mais naturalidade para este tema, enquanto os homens expressam mais frequentemente uma visão negativa.

Outro dos tópicos aborda as questões do racismo e da discriminação. É considerado um problema na sociedade portuguesa ou é visto como algo que acontece com pouca frequência?

Aqui temos mais de metade da população que respondeu ao estudo assume que o racismo é um problema sério em Portugal. As mulheres acabam por senti-lo ainda de forma mais acentuada, enquanto os homens e as gerações mais velhas tendem a desvalorizá-lo, considerando mais pontual. No entanto, é de realçar que cerca de um terço da população considera que, apesar de ser um problema sério, está a melhorar. Também temos de destacar que cerca de um em cada cinco portugueses considera que este é apenas um problema pontual e pouco relevante. Quando olhamos para a opinião sobre os grupos mais discriminados em Portugal, temos de destacar os imigrantes como sendo da opinião dos portugueses que são os mais discriminados e as pessoas de outras etnias também aparecem aqui no topo, seguido de pessoas negras, da comunidade LGBT, das pessoas com deficiência e um pouco mais abaixo aparecem os idosos e as mulheres.

Foram recolhidas 800 entrevistas online junto à comunidade Netsonda. Esta dimensão amostral está associada a uma margem de erro de 3,46%, com um nível de confiança de 95%. Obrigado, Francisco.

Obrigado, Martim.