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Os portugueses ainda fazem muito teletrabalho? Se recebessem €5000, o que fariam com esse dinheiro? Da habitação ao consumo, da educação à participação cívica, procuramos respostas em: Os Números que Somos, uma parceria do Observador com a empresa de estudos de mercado Netsonda. Neste podcast, procuramos fazer um retrato da população portuguesa em números e em cinco minutos. Neste episódio falamos de trabalho. Vou conversar com Francisco Cabral, partner da Netsonda e coordenador do estudo. O meu nome é Leonor Rizzo e sou editora adjunta do Observador. E este é Os Números que Somos. Olá, Francisco.

Olá, Leonor, boa tarde.

Portugal é um país de contratos a termo ou sem termo?

Leonor, entre os profissionalmente ativos, estamos a falar cerca de 77% dos inquiridos, cerca de dois terços têm um contrato sem termo. Por outro lado, 21% têm um contrato a termo certo. Os restantes ou são trabalhadores independentes ou empresários por conta própria. Contratos sem termo são mais comuns entre os millennials, dos 29 aos 44 anos, e entre a geração X, que vai dos 45 aos 60 anos, o que contrasta com a geração Z, que tem uma tendência maior para ter contratos a termo, que é a geração mais nova, que vai dos 18 aos 28 anos.

A pandemia de Covid-19 obrigou muitas pessoas a ter que trabalhar em casa. Dois anos depois de ter deixado de ser uma emergência sanitária, ainda há muitas pessoas dentro deste regime laboral?

De facto, a pandemia trouxe uma mudança de paradigma em relação à forma como trabalhamos e nomeadamente em relação ao local de trabalho. Agora que passado alguns anos, estamos numa fase mais estável, observamos que 22% dos inquiridos estão em regime de teletrabalho parcial e 8% em regime total de teletrabalho. Os restantes trabalhadores ativos têm o regime de trabalho presencial e aqui já estamos a falar de dois terços dos inquiridos no total do estudo. Notamos também que é na Grande Lisboa e no Grande Porto que se regista uma maior incidência de teletrabalho. Cerca de 41% em cada uma destas regiões. Entre as pessoas que estão dentro do regime híbrido, a maior parte vai três ou mais dias ao escritório, cerca de três quartos da população que está em regime híbrido. Ou seja, a maior parte destes vai mais dias ao escritório do que fica em casa, privilegiando-se assim o trabalho presencial.

Parece que já está a haver uma certa mudança, não é?

É verdade.

Em Portugal, como é avaliado o equilíbrio entre a vida profissional e a vida pessoal? As pessoas estão contentes com a forma como conseguem conciliar estes dois aspetos?

Leonor, regra geral, diria que sim. Com este estudo, observamos que 50% dos trabalhadores considera que o fazem de maneira positiva, sendo que os outros 13% vão mais longe e dizem mesmo que é muito positiva. Apenas 11% avalia negativamente este equilíbrio entre a vida profissional e pessoal. Naturalmente, também quem aufere mais do que 3.000 € por mês tende a considerar o equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho mais positivo, em comparação com os que ganham menos. Por exemplo, 74% dos que recebem mais de 3.000 € por mês dizem que o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal é positivo ou muito positivo, ao passo que apenas 54% dos que recebem entre 1.500 e 3.000 € por mês também assim o consideram.

Muito bem. E de acordo com este inquérito da Netsonda, os portugueses querem mais feriados ou estão contentes assim?

Esta questão é bastante interessante. Cerca de dois em cada três inquiridos considerou adequado o número atual de feriados. No entanto, ainda há 22% que defende que deveria haver mais feriados. E isto observa-se principalmente nas gerações mais novas. 27% da geração Z e 25% dos millennials, e estamos a falar aqui de idades entre os 18 e os 49 anos, preferia ter mais feriados, ao passo que apenas 6% da população mais velha, com mais de 60 anos, defende o mesmo. Ou seja, há aqui uma grande diferença entre as gerações mais novas e a geração mais velha. É engraçado também observar que 59% dos inquiridos considera que seria benéfico concentrar os feriados ao fim de semana, evitando assim, de alguma forma, interrupções durante a semana e privilegiando um fim de semana prolongado.

Se calhar é um tema que, esse sim, une gerações, concentrar os feriados junto aos fins de semana. Foram recolhidas 800 entrevistas online junto à comunidade Netsonda. Esta dimensão amostral está associada a uma margem de erro de 3,46%, com um nível de confiança de 95%. Obrigada, Francisco.

Obrigada, Leonor.