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Portugal é um país de contratos sem termo ou a termo? E a educação sexual deve ser dada em casa ou na escola? Da habitação ao consumo, do trabalho à participação cívica, procuramos respostas em: Os Números que Somos. Uma parceria do Observador com a empresa de estudos de mercado Netsonda. Neste podcast procuramos fazer um retrato da população portuguesa em números e em cinco minutos. Neste episódio falamos de educação. Vou conversar com Francisco Cabral, partner da Netsonda e coordenador do estudo. O meu nome é Leonor Rizzo e sou editora adjunta do Observador. E este é: Os Números que Somos. Olá, Francisco.

Olá, Leonor.

No inquérito, as pessoas foram questionadas sobre se tinham escolhido o curso superior por vocação ou por interesse pessoal, ou se, por outro lado, as possibilidades de arranjar emprego eram o que mais tinha pesado. O que revelaram estas respostas?

As respostas revelaram que mais de metade dos casos, e aqui estamos a falar de cerca de dois em cada três inquiridos, escolhem o curso por vocação ou interesse pessoal. No entanto, e acho que é importante referir, que 28% baseou a escolha do curso pensando nas saídas profissionais e nível de empregabilidade. Este dado é importante, principalmente, porque se nota nas gerações mais novas. A geração Z do estudo, que vai dos 18 aos 28, tem mais esta tendência. Posso dar um exemplo: 91% dos baby boomers, que são a geração mais velha do estudo, dos 60 ou mais anos, seguia a sua vocação na escolha do curso e agora apenas 62% da geração Z, dos 18 aos 27 anos, afirma tomar a mesma atitude. É uma grande diferença.

Sim, há aqui uma maior atenção para outros fatores que pesam além da vocação. E é precisamente isso, ao escolher um curso, pensa-se nas saídas profissionais, no que é que se quer fazer no futuro. Hoje em dia, as pessoas são mais atraídas por um emprego que dure a vida toda ou preferem mudar de emprego, mesmo que seja dentro da mesma área?

Esta questão é daquelas que divide bastante os portugueses. Pelos dados do estudo, verificamos que cerca de metade concorda que é bom ter um emprego para a vida, com uma ligeira tendência para as gerações mais novas pensarem o contrário, que é bom mudar e ter outras experiências. Entre os que preferem mudar, também há uma grande divisão. Aqui estamos a falar de 50/50, entre os que preferem mudar de empresa, mas dentro da mesma área, seguindo aquilo que já fazem, e aqueles que preferem mesmo mudar de área e daquilo que fazem experimentando coisas novas. Aqui, sim, nota-se perfeitamente que há uma mudança geracional, com os mais novos a serem muito mais atraídos por novos desafios.

Muito bem. E há uma semana, ainda é muito recente, saíram algo que é muito esperado por todos os estudantes portugueses nesta fase, que são os resultados da colocação no ensino superior. Isto também determina se os jovens, para prosseguir a sua licenciatura, para prosseguir a sua formação superior, terão ou não de mudar de casa. E entre os nossos inquiridos, houve muita gente a ter de mudar de casa para conseguir estudar?

Dos dados que recolhemos, diria que cerca de 10 em cada 10 estudantes precisou de mudar de habitação para estar mais perto do local onde estuda, da sua faculdade ou universidade. Além disso, também percebemos que 14% dos alunos teve que interromper os estudos por motivos económicos, sendo que 6% acabou mesmo por não retomar o curso. Estamos a falar do passado, não dos dados que vêm para o futuro, mas já há aqui uma tendência. Também é interessante perceber que 30% dos estudantes tiveram ainda que conciliar os estudos com a sua atividade profissional, ou seja, trabalhadores estudantes. Quanto a gerações, aquela em que mais pessoas interromperam o curso foram as dos millennials e a dos baby boomers. Aqui estamos a falar de uma geração que vai dos 29 aos 44 anos e depois outra dos 61 aos 64 anos, neste caso, do estudo.

Exato.

Por estes dados, podemos afirmar que os estudantes portugueses se esforçam para alcançar aquilo a que se propõem. A grande maioria dos inquiridos, cerca de 95%, afirma que é importante a formação ao longo da sua vida, ou seja, esforçam-se para conseguir aquilo que querem, independentemente de já estarem a trabalhar ou não. Pois daqueles que já trabalham, 70% afirma que já teve vários momentos de formação ao longo do seu percurso profissional e até consideram que esses momentos foram importantes para o seu desenvolvimento profissional. Ou seja, há aqui uma grande tendência para continuarmos a estudar.

A aumentar os conhecimentos.

Exatamente.

Muito bem. E outro tema que também foi abordado neste inquérito e que recentemente esteve muito no foco das notícias, foi o da educação sexual. E o que nos disseram as pessoas sobre esse tema neste inquérito?

A esmagadora maioria afirmou, e aqui estamos a falar de cerca de 90%, que é um tema transversal, ou seja, que tanto deve ser abordado em casa como nas escolas. Há uma pequena tendência para as mulheres pensarem mais assim do que os homens, mas, de facto, é um tema que abrange todas as gerações e todos acham que é importante que seja um tema abordado tanto em casa com os pais, avós, etc, como na escola pelos professores e os diretores da escola.

Sim, 90% é muito expressivo. Foram recolhidas 800 entrevistas online junto da comunidade Netsonda. Esta dimensão amostral está associada a uma margem de erro de 3,46%, com um nível de confiança de 95%. Obrigada, Francisco.

Obrigada, Leonor.