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Como é que os portugueses votam? E as pessoas preferem um emprego sempre na mesma área e para a vida ou preferem mudar de ramo de vez em quando? Da educação ao consumo, da habitação à participação cívica, procuramos respostas em "Os Números que Somos", uma parceria do Observador com a empresa de estudos de mercado Netsonda. Neste podcast, procuramos fazer um retrato da população portuguesa em números e em cinco minutos. Neste episódio, falamos de guerra e segurança. Vou conversar com Francisco Cabral, partner da Netsonda e coordenador do estudo. O meu nome é Leonor Riso e sou editora adjunta do Observador. E este é "Os Números que Somos". Olá, Francisco.
Olá, Leonor.
Com pelo menos dois grandes conflitos em curso e um deles, a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, às portas da Europa, é a tensão militar o que mais preocupa os portugueses?
Na verdade, acaba por não ser, porque o que mais preocupa os portugueses para os próximos cinco anos são as crises económicas. 86% dos inquiridos referem esse ponto. Só depois aparecem estes conflitos militares ou as guerras. Ainda assim, com uma percentagem bastante alta, 76% dos portugueses estão preocupados. E também os cyber ataques, que preocupam 74% dos portugueses. O terrorismo e as pandemias também são apontados como motivos de preocupação, mas aqui há uma diferença entre homens e mulheres, sendo que as mulheres sentem-se muito mais preocupadas do que os homens em relação a estes últimos dois pontos.
E as pessoas, além destes temas, também foram inquiridas acerca de como avaliavam o estado do mundo. E quais é que foram as conclusões?
A maioria é clara. 68% acredita que o estado do mundo é mau ou muito mau. Quando olhamos para os homens e mulheres, as mulheres são mais pessimistas. E se analisarmos por gerações, mais de metade dos inquiridos de todas as gerações estão alinhados e estão mesmo preocupados com o estado atual do mundo. Mas essa preocupação acaba por ser mais evidente entre os millennials e a geração X, que são as gerações do meio, entre os mais novos e os mais velhos.
E tendo em conta as tensões militares, o que pensam os portugueses? O país deveria investir mais dinheiro em defesa?
Metade dos inquiridos acaba por indicar que sim, que Portugal deveria investir mais em defesa. Mas quando se fala no regresso ao serviço militar obrigatório, aí já notamos que não há tanta abertura. Apenas 35% é a favor, contra 51% que afirmam estar mesmo contra. Mas aqui notam-se também diferenças entre gerações. Os homens são mais favoráveis do que as mulheres ao serviço militar e as gerações mais velhas, talvez porque já não têm de cumprir esse serviço e já cumpriram muitos no passado, também concordam mais do que os jovens, a geração mais nova. Ainda em relação a este tema, penso que será interessante destacar, pela positiva, que os portugueses, regra geral, sentem-se seguros a viver no nosso país. E aqui estamos a falar de 80% que indica que se sente seguro ou mesmo muito seguro a viver em Portugal.
Exato, é um número muito significativo. E anteriormente já destacámos que há dois grandes conflitos em curso, a guerra na Ucrânia e o conflito no Médio Oriente entre Israel e a Palestina. Ao serem questionados sobre estes temas, o que nos dizem os portugueses?
A grande maioria mostra preocupação com ambos os conflitos e os portugueses estão mesmo preocupados. 73% até se dizem bastante preocupados com o que se está a passar em Gaza e 80% com o que se passa na Ucrânia. Também é interessante notar que apesar da Ucrânia estar aqui às portas da Europa e mais perto do nosso país, a preocupação é bastante elevada, acaba por ser com ambos os conflitos, até pelo mediatismo que alcançam.
E ao analisar as respostas entre gerações e entre géneros, o que foi possível concluir?
Aqui concluímos, mais uma vez, que as gerações mais velhas e as mulheres revelam um nível de preocupação bastante superior aos homens e às gerações mais novas. E quando são confrontados sobre as partes em conflito, os portugueses mostram-se claramente do lado da Ucrânia. Já em relação ao conflito em Gaza, temos aqui um dado que até acaba por mostrar alguma divisão, pois cerca de dois terços não toma posição ou considera-se neutro. No entanto, temos de destacar que quando tomam partido de algum destes países, acaba por ser mais do lado da Palestina do que de Israel.
Foram recolhidas 800 entrevistas online junto da comunidade Netsonda. Esta dimensão amostral está associada a uma margem de erro de 3,46%, com um nível de confiança de 95%. Obrigada, Francisco.
Obrigada, Leonor.