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Como é que são os hábitos de reciclagem da população? E qual é o impacto que a imigração tem na sociedade? Da educação ao consumo, da habitação à participação cívica. Procuramos respostas em "Os números que somos", uma parceria do Observador com a empresa de estudos de mercado Netsonda. Neste podcast, procuramos fazer um retrato da população portuguesa em números e em cinco minutos. Neste episódio falamos de saúde. Vou conversar com Francisco Cabral, partner da Netsonda e coordenador do estudo. O meu nome é Martim Andrade, jornalista da secção de sociedade do Observador e este é "Os números que somos". Olá, Francisco.

Olá, Martim.

Quando ficam doentes e precisam de ir para o hospital para serem tratados, os inquiridos tendem a escolher o Sistema Nacional de Saúde ou recorrem mais ao setor privado?

A maioria dos portugueses, segundo os dados que saíram nos estudos, continua a escolher o Sistema Nacional de Saúde. Estamos a falar de 52%. Mas também temos de destacar que um quarto vai mais pelo setor privado e outros 25% dividem-se entre os dois. O privado acaba por pesar mais, de forma natural, nas grandes cidades, pois é aqui que se encontram a maioria dos grandes centros hospitalares. Estamos a falar de Lisboa e do Porto. E também entre aqueles que têm rendimentos mais elevados. Ainda assim, destacamos que independentemente de onde vão, a maioria dos portugueses defende que o Estado deve reforçar o investimento no SNS e só uma minoria, cerca de 13%, quer mais colaboração com os privados.

Na sua maioria, a população não sofre com doenças crónicas. Contudo, dos 26% que confirmam ter um diagnóstico de doença crónica, quais são as condições mais comuns que afetam as famílias portuguesas?

As doenças crónicas, como é normal, aumentam bastante com a idade e observamos isso nas respostas do estudo. 43% dos baby boomers, que é a geração mais velha a responder ao estudo, contra 20% da geração Z, que é a geração mais nova. Só para dar aqui um exemplo, estamos a falar que metade da geração mais nova tem doenças crónicas, comparando com a mais velha. Entre quem tem um diagnóstico, os problemas respiratórios e as doenças metabólicas, como a diabetes, são os mais frequentes. Depois surgem as doenças mentais, reumáticas e cardiovasculares, estas últimas muito mais comuns nos homens do que nas mulheres. Já no historial familiar, as mais citadas são as cardiovasculares, seguidas das metabólicas e das reumáticas.

Tem-se dado cada vez mais importância e atenção à saúde mental. Como é que esta realidade se traduz na população deste estudo?

É verdade, Martim. Mais de um terço dos inquiridos afirma que ou faz atualmente ou já fez acompanhamento psicológico ou psiquiátrico. E há ainda 22% que considera vir a fazê-lo no futuro, ou seja, já estamos aqui a falar de números muito acentuados na população. No entanto, e por outro lado, 42% continua sem recorrer e sem a intenção de o fazer no futuro. Sobretudo os homens. As mulheres têm mais esta inclinação para recorrer a algum tipo de ajuda quando têm algum problema. Em relação à medicação, estamos a falar de cerca de 35% que já tomou ou toma atualmente fármacos para a saúde mental. E também aqui as mulheres se mostram muito mais recetivas do que os homens.

Os médicos aconselham sempre a adotar uma dieta equilibrada e a prática de desporto de uma forma regular. Os portugueses seguem estas recomendações dos especialistas?

Aqui vamos distinguir os campos. No campo da alimentação, mais de metade dos portugueses, cerca de 55%, afirma que tem uma alimentação normal. A adesão a dietas restritivas é bastante baixa, apenas pequenas percentagens se assumem vegetarianas, veganas ou flexitarianas. Na prática do exercício, o cenário é muito positivo. Mais de metade dos inquiridos indica que faz desporto com muita regularidade ou com alguma regularidade, seja todos os dias ou algumas vezes por semana. Ainda assim, há um quarto da população que quase não pratica ou é totalmente sedentária. A população mais nova, naturalmente, tem uma tendência para fazer mais exercício que a população mais velha.

Foram recolhidas 800 entrevistas online junto da comunidade Netsonda. Esta dimensão amostral está associada a uma margem de erro de 3,46%, com nível de confiança de 95%. Obrigado, Francisco.

Obrigado, Martim.