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Em Portugal, há muitas pessoas que têm de mudar de casa para ir para a faculdade? E as pessoas preferem produtos novos ou já aderiram às compras em segunda mão? Da habitação ao consumo, da educação à participação cívica, procuramos respostas em "Os números que somos", uma parceria do Observador com a empresa de estudos de mercado Netsonda. Neste podcast, procuramos fazer um retrato da população portuguesa em números e em cinco minutos. Neste episódio, falamos de informação e comunicação. Vou conversar com Francisco Cabral, partner da Netsonda e coordenador do estudo. O meu nome é Leonor Riso e sou editora adjunta do Observador. E este é "Os números que somos". Olá, Francisco.

Olá, Leonor.

O uso que as pessoas fazem das redes sociais é equilibrado? O que nos disseram os nossos inquiridos?

Apesar de cerca de dois terços dos inquiridos indicar que faz uma utilização equilibrada das redes sociais, ainda temos um terço a dizer que preferia reduzir o tempo passado nestas plataformas. E aqui estamos a falar principalmente da geração Z, dos 18 aos 28 anos, onde a utilização é muito mais intensa do que nas outras gerações.

Ou seja, os mais novos querem passar menos tempo nas redes sociais. Mas por quê? Quanto tempo é que lá passam hoje em dia?

Verdade. Se olharmos para a geração Z, que é esta que estávamos a falar, notamos que 60% destes passa mais de uma hora por dia. Por exemplo, dando aqui o exemplo de uma rede, que é a que utilizam mais, o Instagram. E cerca de um em cada cinco desta geração acaba mesmo por passar mais de duas horas por dia. É um número bastante mais elevado do que verificado, por exemplo, nas outras gerações.

E quais são as redes sociais mais usadas em Portugal?

Pelos dados do estudo, notamos que o WhatsApp é claramente a mais utilizada. Estamos a falar de cerca de 91% dos inquiridos, o que é transversal também em todas as gerações. Segue-se o Facebook, o Instagram, o LinkedIn, o TikTok e o X, que é o anterior Twitter. No entanto, há uma grande diferença geracional nestes dados. Notamos que, por exemplo, o Facebook é a rede mais utilizada pelas gerações mais velhas em estudo. Se pensarmos na geração mais nova, dos 18 aos 28 anos, a rede mais utilizada é claramente o Instagram, que é utilizada por quase toda a geração. Estamos a falar de 96% dos inquiridos desta geração. As plataformas mais usadas no dia a dia, daqueles que as têm, são claramente o Instagram, o TikTok e o WhatsApp. Mais de um terço dos inquiridos afirma que passa lá mais de uma hora em cada uma delas por dia.

Exato, é muito tempo diário. E em termos de amor, agora virando aqui o assunto, como é que os portugueses olham para as aplicações destinadas a encontros amorosos, as chamadas dating apps?

Então, aqui as apps como o Bumble ou o Tinder, que são especializadas nestes temas, já foram utilizadas por cerca de 27% dos inquiridos, não chega a um terço dos inquiridos. Porém, a maioria das pessoas deixou de as usar, ou seja, usou num momento da sua vida e depois largou. Apenas 6% diz que ainda usa, ao passo que os tais 22% já não utilizam. Também é engraçado perceber, são os dados do estudo, que são mais os homens que utilizam estas apps, quando comparamos com as mulheres. Aqui para dar os números, 34% dos homens já utilizaram ou utilizam, versus 21% das mulheres.

Sim, é uma diferença bastante assinalável. E saltando aqui pro outro tema, que é o da inteligência artificial. Afinal, a população portuguesa já normalizou o recurso a ferramentas de inteligência artificial?

É verdade, é um tema que está muito na moda e notamos que já começa a fazer parte do dia a dia dos portugueses. A uma velocidade, diria, muito grande. Mesmo sem por vezes sabermos, já estamos a recorrer à inteligência artificial. Cerca de sete em cada 10 inquiridos, só pra termos uma noção, afirma que recorre a estas ferramentas, que utilizam a inteligência artificial, sendo que um em cada quatro já recorre muito regularmente, ou seja, já estamos aqui a falar de 25% da população. Então, se nos focarmos nos mais novos, na geração dos 18 aos 28 anos e também até aos 35, 36, já faz mesmo parte do dia a dia, pois a grande maioria recorre a estas ferramentas e muitos destes com uma frequência bastante elevada.

E em termos de finalidade, as pessoas procuram a inteligência artificial para facilitar, por exemplo, o trabalho ou noutras áreas da vida?

Já começa a ser um pouco transversal, porque 57% recorre à inteligência artificial tanto para fins profissionais como para lazer. Já recorrem para vários terços.

Transversal.

Sim. Também é interessante perceber que praticamente metade dos inquiridos acredita que a inteligência artificial servirá, ou até já serve, para melhorar o mundo em que vivemos. Principalmente os mais novos têm esta visão mais positiva da inteligência artificial. No entanto, e temos que realçar este dado, ainda há cerca de 25% dos portugueses que considera que poderá ter algum tipo de efeito negativo no futuro.

Exato. Será uma resposta que só mais à frente no futuro saberemos. Para este inquérito, foram recolhidas 800 entrevistas online junto da comunidade Netsonda. Esta dimensão amostral está associada a uma margem de erro de 3,46%, com um nível de confiança de 95%. Obrigada, Francisco.

Obrigado, Leonor.