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Em Portugal, as pessoas sentem que existe um bom equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal e o que fazem com os objetos, roupa e outros artigos de que já não precisem. Da habitação ao consumo, da educação à participação cívica, procuramos respostas em: "Os números que somos", uma parceria do Observador com a empresa de estudos de mercado Netsonda. Neste podcast, procuramos fazer um retrato da população portuguesa em números e em cinco minutos. Neste episódio, falamos de consumo. Vou conversar com Francisco Cabral, partner da Netsonda e coordenador do estudo. O meu nome é Leonor Riso e sou editora adjunta do Observador. Este é "Os números que somos". Olá, Francisco.

Olá, Leonor, boa tarde.

No inquérito, foi perguntado às pessoas o que fariam se hoje recebessem € 5.000. O que responderam e o que foi mais surpreendente?

Leonor, de facto, esta questão levantou vários temas entre os inquiridos, mas observamos que grande parte, estamos a falar de 40% dos inquiridos, disse que poupava ou investia esse dinheiro. Os mais jovens poupariam mais do que as restantes gerações. 54% da geração Z, que vai dos 18 aos 28 anos, e 44% dos millennials optaria por essa escolha. Apenas 31% da geração X e 29% dos baby boomers, aqui estamos a falar da geração X, de 45 a 60 anos, e dos baby boomers, 61 a 64 anos, no caso do estudo, que acaba nos 64 anos, teria o mesmo comportamento. O que é mais surpreendente é o que surge em segundo lugar, que é o facto de pegarem nesses € 5.000 para pagar dívidas ou empréstimos. E, por outro lado, também algumas pessoas guardariam o dinheiro para pagar despesas inesperadas que fossem aparecendo no dia a dia.

Exato. Ao receber os € 5.000, há uma tendência quase inexistente do gastar de impulso, não é? Ou em algum desejo que pudessem finalmente cumprir.

É verdade. Todas estas coisas que os inquiridos disseram aparecem, por exemplo, à frente do que ir de férias com a família.

São bastante previdentes. Exato. E ainda sobre consumo, os portugueses preferem produtos novos ou já aderiram à segunda mão?

Regra geral, apesar de já existirem várias aplicações, sites, lojas de produtos de compra e venda em segunda mão, os portugueses ainda preferem comprar em primeira mão. Só para dar aqui uma nota, mais de 90% dos inquiridos afirma adquirir, por exemplo, eletrodomésticos, televisões, roupa, máquinas e smartphones, todos em primeira mão. No entanto, o carro ainda é maioritariamente adquirido em segunda mão, 61%.

É muito.

É muito. Por outro lado, quando falamos de equipamentos desportivos, livros e serviços de streaming, apesar da maior parte preferir tê-los, mais de um quarto dos inquiridos já considera pedir emprestado, alugar ou pagar por utilização.

Neste tema do consumo, outra questão que foi colocada é acerca do consumo de álcool feito pelos portugueses.

É verdade, Leonor. Em Portugal, 43% dos participantes consome álcool pelo menos uma vez por semana. Estamos a falar de quase metade dos participantes. Esse consumo regular nota-se mais entre as gerações mais velhas. Mais de metade dos baby boomers, dos 61 anos ou mais, e da geração X, que vai dos 45 aos 60 anos, bebe pelo menos uma vez por semana. Entre os millennials, está ali entre os 29 e os 44 anos, e a geração Z, que é a geração mais nova inquirida neste estudo, que vai dos 18 aos 28 anos, o valor desce, respetivamente, para 38% e 29%. De referir ainda que há uma tendência para os homens beberem mais álcool do que as mulheres. 57% dos homens bebe álcool pelo menos uma vez por semana, sendo que o mesmo acontece apenas com 31% das mulheres.

Há uma grande diferença entre géneros também.

É, existe mesmo.

E de que forma é que os portugueses sentiram algo que tem sido falado muito nos últimos tempos, que é a inflação, ou seja, a subida dos preços?

Leonor, de facto, sentiram muito e têm essa noção, e talvez seja um dos dados mais surpreendentes deste inquérito. 88% dos inquiridos sente ter perdido poder de compra com a subida dos preços. 39% refere mesmo ter passado por um impacto significativo, sendo que esse efeito foi mais expressivo nos agregados familiares até € 2.000. Dois em cada três inquiridos, só pra termos uma noção, deixou de realizar certas atividades por razões económicas.

Ou seja, é um reflexo do impacto da inflação na vida do dia a dia dos portugueses. E indo para temas sustentáveis, parece também que os mais jovens não estão a reciclar assim tanto.

É verdade. É a geração que menos separa o lixo para reciclagem. 15% dos inquiridos da geração Z, dos 18 aos 28 anos, referem que separam o lixo raramente ou nunca. Contudo, e eu acho que é importante referir, que os portugueses tomam cada vez mais consciência da importância da reciclagem, sendo que oito em cada 10 inquiridos afirma que está a fazer reciclagem com uma frequência muito elevada.

Foram recolhidas 800 entrevistas on-line junto da comunidade Netsonda. Esta dimensão amostral está associada a uma margem de erro de 3,46%, com um nível de confiança de 95%. Obrigada, Francisco.

Obrigado, Leonor.