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Em Portugal, o uso que se faz das redes sociais é equilibrado? E na hora de escolher um curso superior, o que fala mais alto: as saídas profissionais ou a vocação? Da educação ao consumo, da habitação à segurança, procuramos respostas em "Os Números que Somos", uma parceria do Observador com a empresa de estudos de mercado Netsonda. Neste podcast, procuramos fazer um retrato da população portuguesa em números e em cinco minutos. Neste episódio, falamos de participação cívica. Vou conversar com Francisco Cabral, partner da Netsonda e coordenador do estudo. O meu nome é Leonor Rizzo e sou editora adjunta do Observador. E este é "Os Números que Somos". Olá, Francisco.
Olá, Leonor.
Em menos de dois anos tivemos duas vezes eleições legislativas, ainda teremos eleições autárquicas e depois as presidenciais. São quatro atos eleitorais em pouco tempo. O tema está dado. E o que nos diz o questionário da Netsonda acerca da forma como os portugueses votam?
O inquérito mostra, desde logo, um dado bastante forte e interessante, que dois em cada três portugueses são a favor do voto obrigatório e cerca de 29% já votaram em branco, sendo que entre os millennials, entre os 29 e os 44 anos, é a geração com maior tendência para este tipo de voto, onde esta percentagem sobe para os 35%. Outro aspeto a destacar é que mais de três quartos da amostra afirma discutir política com a família, amigos, etc., sendo que a maior parte deles fala apenas de forma ocasional e não todos os dias. Ainda em relação a este tema, destaque para o facto dos agregados com rendimentos mais baixos, abaixo dos 1500 €, serem aqueles agregados onde se fala menos política entre familiares e amigos.
E no momento em que as pessoas vão às urnas para votar, o que influencia mais a população portuguesa? Será o programa eleitoral, será o líder partidário ou outros elementos?
Aqui, no momento de escolha de voto, os fatores mais importantes e que destacamos, segundo os dados do estudo, são os programas políticos, seguidos do líder ou candidato, e só depois é que vêm as promessas de benefícios concretos que possam haver. Ainda assim, cerca de dois terços da amostra afirma votar sempre ou quase sempre no mesmo partido. De realçar ainda com os dados do estudo que metade dos inquiridos diz identificar-se com um partido político, enquanto a outra metade não se revê em nenhum partido, apesar de poder ter alguma simpatia por um ou outro. Quanto à leitura dos programas eleitorais, metade admite que os lê, às vezes, cerca de 25% diz que lê de vez em quando e outros 25% raramente ou nunca leem.
E entre gerações, como é que difere a forma de se formarem as opiniões políticas?
Aqui temos de dar destaque à geração Z, que é a mais nova de todas analisadas no estudo. E é aquela que se mais deixa influenciar pela promessa de benefícios concretos, a que seguem a comunicação social e redes sociais e a opinião de familiares ou amigos. Mas há algo que une todas as gerações e que vimos nos dados do estudo. A inteligência e o domínio dos temas são características mais apreciadas num líder partidário. Isto une todas as gerações.
É isso que atrai as pessoas para um líder partidário.
Exatamente. Destaque também para os agregados com rendimentos superiores a 1500 €, que são mais influenciados ou tendem a ser mais influenciados pelo líder do partido. Também é interessante observar como o líder do partido influencia mais o voto dos homens, e aqui estamos a falar de cerca de 63% dos homens, do que o das mulheres, onde têm o poder de influenciar cerca de 48%.
Ainda é uma diferença assinalável. E além do voto, a participação política pode ser feita de outras maneiras, como o voluntariado, como o envolvimento em associações cívicas ou até em protestos. E o que nos dizem os nossos inquiridos acerca destas alternativas para participar civicamente?
Os portugueses acreditam, sobretudo, nos indivíduos e nos movimentos sociais como agentes de mudança. E isto foi um dado que saiu no estudo. 42% apontam-os como principais responsáveis. Só depois é que surgem os partidos políticos, com cerca de 31%. E olhando para a prática, metade dos inquiridos assinou pelo menos uma petição no último ano e 32% doou dinheiro ou bens a causas sociais. Um sinal claro que os portugueses estão, de certa forma, envolvidos com a sociedade.
Exato. E qual é a melhor maneira de ajudar o país, de acordo com o que nos indicam as nossas respostas?
De acordo com os dados do estudo, cerca de 44% dos inquiridos, apoiar a economia nacional, comprar português e valorizar o comércio local, o que é nosso, é a forma mais eficaz de ajudar Portugal. Seguem-se o pagamento de impostos e o cumprimento dos deveres cívicos, com cerca de 22%. E só depois o voto e a participação política é que aparece, com cerca de 17%. A geração mais nova, a geração Z, destaca-se por estar mais presente em voluntariado e em projetos sociais. Já os mais velhos acabam por dar mais importância ao pagamento de impostos e ao cumprimento dos deveres cívicos, até provavelmente pela idade e pelas diferentes oportunidades de intervenção, penso. E para terminar, há aqui um dado também bastante animador: cerca de 58% dos portugueses afirma já ter feito voluntariado ou gostaria de vir a fazer.
É um dado bastante animador, sem dúvida. Foram recolhidas 800 entrevistas online junto da comunidade Netsonda. Esta dimensão amostral está associada a uma margem de erro de 3,46%, com um nível de confiança de 95%. Obrigada, Francisco.
Obrigada, Leonor.