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Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio também em 98.7, na Grande Lisboa, e 98.4, no Grande Porto. 10h22. Bom dia e boa semana. Muito obrigada pela companhia nas manhãs 360. Junta-se agora a nós, ou seja, a mim, à Carla, ao Paulo e ao Miguel, a jornalista da seção do desporto do Observador, a Mariana Fernandes. Bom dia, Mariana.
Olá, bom dia.
Começamos no ténis, onde um tenista tem estado sob fogo por motivos que não estão relacionados com o desporto.
Sim, falamos do Roger Federer, um dos melhores de sempre, um dos melhores do século XXI. Está na Austrália a preparar-se para o Open da Austrália, que é o primeiro grande slam da temporada, um dos torneios mais importantes do ano, mas tem estado no olho do furacão da opinião pública e muito graças às críticas de Greta Thunberg. Há duas semanas, a ativista publicou um tweet onde criticava a parceria de Federer com o Credit Suisse, o banco de investimento suíço, criou mesmo o hashtag #RogerWakeUpNow, algo como "Roger acorda agora", que depressa se tornou uma trend no Twitter.
Não estou a perceber qual é que é o problema dele ter esta parceria com um banco de investimento.
Esta nem sequer é uma parceria que é nova, já dura alguns anos. O Federer é suíço e o banco Credit Suisse apresenta-se sempre quase como se o próprio banco e o tenista Federer fossem as duas caras do país, os dois embaixadores. O problema aqui é que o Credit Suisse tem vários negócios ligados à indústria dos combustíveis fósseis. Desde 2016 contribuiu com algo como 57 mil milhões de euros para a procura de novos depósitos de combustíveis fósseis. Esta está longe de ser a primeira vez que o Federer é criticado por isto, até porque no passado fim de semana foram a julgamento dezenas de jovens que em novembro de 2018 foram detidos depois de jogarem ténis dentro das instalações do Credit Suisse em formato de protesto.
E o Federer já veio dizer alguma coisa, já respondeu a tudo isto?
Sim, emitiu um comunicado até bastante longo. Diz que leva as alterações climáticas muito a sério, principalmente numa altura em que está na Austrália a assistir ao terror deixado pelos incêndios. Diz que tem muito respeito pelo ativismo climático, principalmente o dos jovens, e que está decidido a manter conversas com os patrocinadores sobre assuntos que considera importantes e que as alterações climáticas são um deles, obviamente.
Mariana, passamos agora para o Japão, onde um jogador de futebol continua a superar o próprio recorde.
É verdade e para explicar este recorde é preciso dizer que o jogador em causa, que é o avançado japonês Kazuyoshi Miura, normalmente tratado apenas por Kazu, estreou-se enquanto jogador profissional nos brasileiros do Santos em 1986, portanto há 34 anos. Ele continua a jogar, tem 52 anos agora. Renovou contrato com o Yokohama do Japão, o que significa que vai jogar pelo menos até aos 53 anos e que é, claro, o jogador de futebol mais velho de sempre.
E a carreira dele, onde é que ele jogou? Sempre no Brasil?
Não, ele é de uma família rica do Japão. Mudou-se para o Brasil ainda novo para ir à procura do sonho. Começou então a jogar no Santos, passou por seis clubes brasileiros até regressar ao Japão em 1990, mas ainda esteve em Itália com o Génova e na Croácia com o Dinamo Zagreb. Está agora no Yokohama desde 2005, portanto há 15 anos, e ao todo são 13 clubes diferentes ao longo de 34 anos de carreira.
Que grande carreira!
É verdade.
E terminamos em Itália, onde um jogador português arranjou uma espécie de irmão mais velho.
Sim, estamos a falar do Rafael Leão, que acabou por dar pouco nas vistas em Portugal e no Sporting. Ele rescindiu unilateralmente com o Sporting logo depois das agressões em Alcochete. Tinha jogado pouco, tinha tido poucas oportunidades na altura. Foi para o Lille, em França, agora está no Milan, em Itália. E quem também foi para o Milan este ano foi o Ibrahimović. Ora, este fim de semana, contra o Cagliari, eles foram titulares um ao lado do outro. O Rafael Leão tem 20 anos, o Ibrahimović tem 38, portanto, quando um nasceu, o outro já jogava na primeira equipa do Malmo, na Suécia. Marcaram os dois, valeram a vitória e o Rafael Leão disse então que encontrou agora um irmão mais velho, com 18 anos de diferença, mas um irmão mais velho. Um irmão e uma referência.
Exatamente.
Mas acho que aqui o irmão mais velho é mais rebelde.
Eu acho que são os dois. Eu acho que por acaso eles são bastante parecidos.
Mariana Fernandes com as outras histórias do desporto. Amanhã, à mesma hora, partilhamos consigo mais histórias. Já se irá capitão Fausto para ouvir no Observador.