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10 da manhã. Já daqui a pouco vamos falar de desporto na Rádio Observador. Estão a chegar as outras histórias do desporto.

Existe mesmo o risco de uma crise grave, mas que nós vamos ser capazes de recuperar, como já recuperamos de outros períodos difíceis.

As coisas, tudo indica, ainda vão piorar e a Direção-Geral de Saúde tem que arranjar uma forma mais eficaz de passar esta informação.

Aconteça o que acontecer.

São diferentes formas de viver o dia a dia e de sobreviver a este crescimento do surto da Covid-19.

E dá que pensar quando atos simples e banais se tornam numa normalidade e num desafio.

Não há ou continuam a não existir riscos de rutura de estoques, na generalidade, de gêneros alimentícios.

Rádio Observador. Aconteça o que acontecer.

E já temos conosco a Mariana Fernandes, jornalista de desporto do Observador, aqui com as outras histórias do desporto. Mariana, muito bom dia, bem-vinda.

Olá, bom dia.

Mariana, vamos começar por uma paixão que ambos temos, a Fórmula 1, onde um final de carreira pode estar cada vez mais em cima da mesa. Quem é?

Sim, é verdade. E falamos precisamente de Lewis Hamilton, o grande nome da Fórmula 1 na última década, seis vezes campeão do mundo, muito perto de o ser pela sétima vez, igualando assim o recorde de Michael Schumacher. Hamilton voltou a ganhar ontem no Grande Prêmio da Emília-Romanha, em Itália, e o mais provável é que seja campeão na próxima corrida, daqui a duas semanas, na Turquia. E isto começa a levantar questões sobre a continuidade da carreira do piloto, que parece sempre um miúdo, parece sempre que nos lembramos dele como alguém muito novo, mas a verdade é que já tem 35 anos e uma carreira extensa na Fórmula 1, e mesmo sobre a continuidade dele na Mercedes, que ontem se tornou, desde já, também campeã do mundo de construtores.

Mas, Mariana, o que o próprio diz sobre isso? Ele já falou sobre o assunto?

Sim, ele falou ontem e atirou uma bomba que até fez lembrar um pouquinho as frases de Cristiano Ronaldo no último jogo pelo Real Madrid, quando disse que tinha sido muito bonito representar o clube e que deixou logo ali claro que iria sair. Hamilton fez algo parecido. Ele foi questionado pela renovação de contrato com a Mercedes, que ainda não aconteceu, e disse que não está preocupado com isso, porque se calhar para o ano nem sequer está ali, e ali era até na Fórmula 1. Ele explicou que tem falado muito com Toto Wolff, o diretor da equipe, o diretor da Mercedes, e que falam sobre a necessidade de dar tempo à família e, no caso de Hamilton, até de construir essa própria família. Ele terminou com a ideia de que ainda tem muito pra fazer pra lá da Fórmula 1. Nos últimos anos, como se sabe, dedicou-se muito ao ativismo em relação ao racismo, também em relação ao ambiente, e parece ser aí que quer passar o futuro e começa a ficar então cada vez mais em cima da mesa e cada vez mais real esse fim de carreira de Hamilton, que se a acabar este ano, acaba em bem, acaba de forma brilhante com esse sétimo título mundial que vai bater o recorde Michael Schumacher.

Mariana, vamos ver se ele não faz como outros pilotos que deixam a Fórmula 1, mas depois regressam e sem grandes resultados. Schumacher fez, o Räikkönen está a fazê-lo também nesta altura. Vamos ver o que reserva o futuro de Lewis Hamilton. Vamos continuar na Fórmula 1, mas agora para falar de um antigo piloto.

Sim, a verdade é que esta é uma versão muito motorizada das outras histórias do desporto. E falamos agora não de Hamilton, o homem que vai bater o recorde de Schumacher, mas sim do próprio dono do recorde de Schumacher em si. Como sabemos, há muitos anos que não surgem fotografias do antigo piloto alemão, há muitos anos que não se sabe bem e realmente como está Schumacher. É tudo envolto num grande secretismo, motivado, sobretudo, pela mulher do alemão, Corinna, que quer manter ao máximo, e de forma compreensível, a privacidade da família neste período muito complicado que se arrasta já há vários anos. As únicas novidades que se conhecem de Schumacher são sempre através da mesma pessoa, o Jean Todt, o presidente da Federação Internacional de Automobilismo, que sempre que visita o antigo piloto, dá depois uma entrevista, duas, três, a contar como está Schumacher.

E há novidades desta vez? Houve mais uma visita?

Sim, a verdade é que as novidades são mais ou menos as mesmas, tirando um pequeno pormenor. Jean Todt voltou a dizer que a luta do piloto continua, que está rodeado pela família, que o visita com regularidade e que vêem televisão juntos, incluindo os grandes prêmios de Fórmula 1 ao fim de semana. A novidade agora é que se torna cada vez mais premente a possibilidade de Mick Schumacher, o filho do antigo piloto, chegar à Fórmula 1 em breve, talvez não no próximo ano, mas no seguinte, até porque Mick esta época já fez testes para a Alfa Romeo e o jornal holandês De Telegraaf, a quem Jean Todt deu esta entrevista, perguntou-lhe precisamente se Schumacher tem noção da evolução do filho, da carreira que já leva na Fórmula 3 e na Fórmula 2 e do potencial que tem. Ora, Jean Todt recusou-se a responder, disse que esse assunto faz parte da esfera pessoal da família e muitos meios de comunicação social, principalmente os alemães, apressaram-se desde logo a interpretar que Schumacher não terá, de fato, noção da carreira do filho nesta altura e que o estado do antigo piloto é ainda mais grave do que aquilo que se pensava, naquilo que são, obviamente, notícias tristes para todos aqueles que ainda estamos um pouquinho otimistas em relação a uma eventual recuperação de Schumacher.

Mas não nos ficamos por aqui no que toca a notícias tristes nestas outras histórias do desporto.

Sim, temos mais uma história triste que passou um pouquinho ao lado de toda gente, até por ser domingo, por ter sido um dia com muitos jogos em praticamente todas as ligas europeias. Mas a verdade é que soube ontem que Bobby Charlton, lenda do Manchester United, do futebol inglês, campeão do mundo em 1966, foi diagnosticado com demência. A notícia já motivou, obviamente, muitas reações, como é o caso de Marcus Rashford, jovem jogador do Manchester United, que enviou força ao antigo jogador, que garantiu que Bobby Charlton sempre foi aquilo que ele próprio queria e quer ainda ser no futuro, mas também de Gary Lineker, que disse que Charlton é um herói e que na verdade alertou para o fato de Bobby Charlton ser mais um de vários elementos da equipa que conquistou o Mundial de 1966 por Inglaterra, que foram diagnosticados com demência.

Mas por que esse apontamento, Mariana?

Pra já, pela proximidade dos fatos. A verdade é que o irmão de Bobby, Jack Charlton, morreu em julho e também foi diagnosticado com demência, assim como Nobby Stiles, outro elemento dessa equipa de 1966, que morreu na passada sexta-feira e que até motivou minutos de silêncio em todos os jogos da Premier League este fim de semana. A questão da demência e das doenças neurológicas no geral tem se tornado cada vez mais premente, porque são muitos os jogadores daquela época, não só ingleses, obviamente, que desenvolvem esse tipo de problemas no resto da vida, algo que está a ser associado aos milhares de cabeceamentos em bolas que na altura eram feitas de pele, de couro, que pesavam muitos quilos e que quando chovia ficavam autênticas pedras, totalmente inchadas com a água. Em Portugal, por exemplo, tivemos o caso de José Torres, que fez parte da seleção que esteve no Mundial de 1966 e que também desenvolveu um problema do gênero. E só pra termos uma ideia de como isto é mesmo um assunto em cima da mesa em Inglaterra, nas camadas jovens do futebol inglês é já proibido cabecear a bola até aos 13 anos, ou seja, as crianças que começam a jogar com seis, sete anos não jogam com a cabeça e só o podem fazer quando entram na adolescência. Portanto, é mesmo um assunto, é mesmo tema a Inglaterra e Bobby Charlton só vem agravar isso mesmo.

Muito bem. Mariana Fernandes com as outras histórias do desporto nesta manhã de segunda-feira. Mariana, boa semana. Beijinhos.

Até amanhã.

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