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Se em Hollywood és filho de alguém famoso, ensinam-te a como lidar com o insucesso. Dizem: "Olha, tenta outra vez." Mas ninguém te ensina a como lidar com o sucesso imediato.

Sejam muito bem-vindos a mais um "PopUp", a melhor coisa que vos aconteceu no mundo da cultura popular, talvez até na vida em geral e, sobretudo, por causa destes três: Maria Ramos Silva, Bruno Vieira Amaral e Pedro Boucher Mendes, que esta semana estão aqui juntinhos para falarem da vida de um sacana sem lei que há muito estava desaparecido, ou pelo menos a mim, parecia-me que estava desaparecido, mas que agora voltou só para nos lembrar que ainda anda por cá. Aqui está ele, Charlie Sheen. Foi uma grande estrela de Hollywood. Eu não sei se podemos dizer que ainda é uma grande estrela de Hollywood. Estou um bocadinho na dúvida. Mas também é muito conhecido por ser filho de Martin Sheen, irmão de Emilio Estevez, e não só. Acumulou fama, sobretudo entre a década de 80 e até meados de 90, mais ou menos. Depois conquistou enorme sucesso na TV. E pelo meio disto tudo, várias vezes desgraçou-se entre um valente caos familiar, drogas, álcool, VIH, acusações de violação. Agora, há uma nova biografia publicada em inglês, não sei se haverá publicação em português, e há também um documentário em duas partes. Esse, sim, já podemos ver na Netflix. E é por aqui que vamos para falarmos do ator, mas também de tudo o que rodeia este tema. E vamos começar pela Maria Ramos Silva, que tem uma confissão. Vamos já começar a tirar isto do caminho. Maria Ramos Silva, usaste uma palavra antes do programa, que é desilusão.

Parece uma coisa perfumista.

A minha pergunta é se a desilusão é relativa ao documentário em si. É um documentário, atenção, dividido em duas partes, mais ou menos de hora e meia cada uma, ou sobre a vida de Charlie Sheen. Eu fiquei com a ideia que tu esperavas algo mais.

Eu esperava algo mais da vida do Charlie Sheen e do documentário.

Ah, e das duas coisas.

As duas coisas, sim. Tempo a mais para aquilo que vemos. Acho que começa de forma relativamente promissora.

Já não tens tempo.

Eu já não tenho tempo para estas perdas de tempo, não. Até porque, a certa altura, eu acho que quanto mais vais caminhando naquela história, sobretudo na última parte, nas últimas partes, ficas com a ideia de que era um pouco aquilo que tu dizias: ele ainda quer que nós nos lembremos dele. É uma espécie de sinalização.

Sentes que ele está a chamar a atenção.

Talvez, por vários motivos. Também porque ele há de ter tido algum retorno interessante, porque é uma coisa que fica para a posteridade.

Dinheiro.

Mas às tantas, eu estava a ver aquilo e a pensar: não é assim tão diferente a vida do Charlie Sheen, tirando o fato de ser uma superestrela de Hollywood.

Da tua, por exemplo.

Não estava a pensar na minha, estava a pensar de um jovem comum que há de ter bebido demais, feito coisas que não devia ter feito. Enfim, uma série delas não vamos elencar, porque também não vamos spoilar muita coisa. Com a diferença, obviamente, que há muitas situações em que ele se safa de uma forma relativamente simpática, porque é o Charlie Sheen e obviamente isso é controlável.

Sim, é isso. Ele é uma estrela.

E tem amigos que não são propriamente anônimos, mas já lá vamos. É filho de um senhor que também não era um desconhecido, irmão de pessoas que também trilharam um caminho no cinema. Agora, não achei que fosse um conteúdo extraordinário. Se calhar, porque também já tinha lido alguma coisa, estava com expectativa de que ele fizesse grandes revelações. Acho que mesmo aquela parte em que ele supostamente revela uma coisa mais inédita, não acho que seja propriamente um choque, um motivo, uma coisa de parar o trânsito. Não sei, estava à espera, francamente, de mais.

Agora lembrei-me da cena.

O que é que estou que ver?

Quando falaste de uma cena de parar o trânsito, lembrei-me da cena do Nicolas Cage no avião.

Não, essa é ótima. Essa cena é ótima. Mas é, de facto, o ponto máximo, porque a partir daí o resto é muito-

Pois, podemos, à confiança, recomendar aos nossos ouvintes que é um conteúdo de muito interesse. Tal como é muito interessante o Pedro Boucher de Mendes. Pedro, uma questão que tu levantaste, e eu tenho muita curiosidade para saber se tens uma resposta para isto, é: basicamente, isto é um documentário em que, mais do que a história do Charlie Sheen, é a história dos excessos dele e da relação com tudo isso e dos efeitos que isso teve em pessoas e em momentos da vida dele e na carreira dele. E tu perguntavas, e muito bem: por que temos paciência para ver estas histórias sobre o Charlie Sheen?

Em primeiro lugar, eu acho que vai ser preciso arranjar uma nova palavra, porque não é um filme.

Verdade.

Não é um documentário.

Sim.

Certo?

São dois pedaços de hora e meia, portanto, também não-

É uma espécie de grande reportagem.

É uma minissérie?

Não, é uma reportagem um pouco como há nos programas da ITV em Portugal, em que nós já sabemos que o convidado vai ser bem tratado. É uma espécie de convenção. Tu és convidado a ir ao programa da Cristina Ferreira ou na SIC e vais ser bem tratado. E aqui, o Charlie Sheen, apesar de todos os pecados que cometeu ao longo da vida, é bem tratado no fim.

Sim.

Ele é cúmplice do realizador, ri-se, admite algumas tropelias. É assim a palavra é bonita. Eu gostei da primeira parte, onde há muitos vídeos, muitos filmes em Super 8.

Muita imagem de arquivo, muito interessante, é verdade.

Gostei. Revi-me em algumas coisas. Eu também andava sempre à bulha com o meu irmão. E aquelas coisas, ele a fingir que morre.

Sim.

Eu também fazia aquilo, não sei se vocês faziam. Nós brincávamos aos índios e aos cowboys e às guerras, e depois então agarra-se à barriga e finge que fosse atingido.

Sim.

Revi-me naquilo, há um lado nostálgico. Ele tem aquele ar que muitos de nós tínhamos e depois havia sempre um amigo que era muito loiro, que era o irmão dele.

É verdade.

Nunca éramos nós o muito loiro.

Aquele que tinha mais ar de surfista.

Isso. Essa parte gostei bastante. Tecnicamente, comecei a admirar, isto eu estou a relatar o meu visionamento, comecei a admirar que o realizador conseguiu obter um orçamento extraordinário, porque aqueles pequenos excertos de filmes, que ele tem direitos.

Que lhe paga-se.

Paga-se muito e que tem direitos worldwide, porque o documentário está disponível em todo o mundo.

Ainda se paga mais.

Vamos imaginar. Sim, paga-se, é isso.

Ok.

E o realizador optou por, ou conseguiu convencer. Então cada vez que o Charlie Sheen diz que discutia com o pai, nós vemos imagens de um filme onde está o pai a discutir com alguém. Pensei: "É pá, está". Mas depois às tantas cansa, porque isso acontece tantas vezes. O efeito passa. E banalizamos. E depois, não deixei de pensar, a dada altura, que de facto há pessoas com uma resistência inacreditável aos narcóticos e ao álcool.

São pessoas que têm sangue de tigre.

Sim, para mim é um dos aspectos interessantes, porque até trocávamos uma mensagem no WhatsApp. O River Phoenix morreu com 20 e poucos anos, do mesmo tipo de vida. Morreu com 21, acho eu, uma coisa assim. Não sei se as pessoas que nos estão a ouvir sabem quem é o River Phoenix. Acho que morreu em 91, por aí.

Foi em tempos o moço mais bonito do mundo.

Sim, era até mais bonito que o Brad Pitt. E morreu numa dessas má vidas. E houve o John Belushi que também morreu.

Tinha 23 anos.

John Belushi também morreu e o Charlie Sheen ainda não morreu.

E só isso causa admiração. É isso?

Eu não sei se o corpo dele não devia ser doado à ciência, estou a dizer sem ironia.

Ele próprio ganhou algum dinheiro com essa teoria.

E a irmã dela também fala disso, que também acha que eles são...

E o próprio Sean Penn é uma das caladas.

Sim. E fui pensando isso. E depois, aquilo foi-me aborrecendo bastante. E então enquanto via o documentário.

Foste comer?

Não, fui arrumar umas coisas que tinha lá em casa, umas gavetas. Quando começas a arrumar gavetas.

Mas não pausaste?

Não, com um olho via e depois com o outro via que era um recibo de restaurante de 2017. Então acho que já posso estar fora. Fiz isso. Valeu a pena atravessar a montanha, porque a parte final é a mais interessante, porque entramos num registo mais polémico, mais sensacionalista. E depois há a parte final do documentário, acho que podemos revelar.

Sim, está divulgado. Nós não vamos revelar nada porque já foi escrito.

Que era uma das grandes questões que inquietava a humanidade, que era se Charlie Sheen já tinha dormido com homens, dormido aqui no sentido é itálico, porque é ter relações sexuais.

Era uma dúvida que a nós nos estragava os dias.

E o realizador...

Ele próprio devia ter essa dúvida, ele já devia saber muito bem.

A questão é essa, é que ele nem se lembrava.

Ouvimos a voz do realizador cá ao fundo: "Mas já dormiste com homens?"

E o Charlie Sheen.

E ele entra num eufemismo, usando uma analogia com uma carta de restaurante.

Até é ridículo.

Até chegarmos.

Isso é ridículo. É verdade, cada um tem direito. Depois, o Charlie Sheen tem aquele ar, ele está sentado num diner, num restaurante, aqueles típicos diners americanos, e já está naquela fase da vida em que os homens se parecem com mulheres.

É verdade.

Não é uma fase da vida, porque o irmão, Ramon, aparece no documentário, é um ano mais velho que ele.

Tem barba.

Mas está melhor.

Mas tem um melhor ar, parece que tem menos 15 anos.

Mas isso não é incrível.

Está bem, dado o comparativo.

Mas o Charlie Sheen tem o cabelo pintado preto asa de corvo, é assim que se diz?

Azul-vídeo.

É, sim. Tem um aspeto absolutamente ridículo.

Eu queria ver se fosses tu.

Não, mas eu não teria sobrevivido à primeira linha.

Porque tu não tens sangue de tigre.

Era o documentário mais curtinho.

Acabava aos 15 dias. Nem dava para dizer o teu nome, que é comprido.

Eu gostei muito daquela descrição e até visual, depois como é resolvido pelo realizador, da primeira vez em que ele experimentou crack.

Sim, também foi uma coisa assim.

E acho que é um dos grandes momentos do documentário.

Mas eu acho isso é tão interessante enquanto triste e caricato ao mesmo tempo, que é os altos e baixos são desenhados consoante o consumo de substâncias por parte do Charlie Sheen.

Não, mas o documentário, como estamos a chamar à falta de melhor palavra, é divertido e isso é um pouco inquietante. Imagina as tuas filhas a verem e acharem aquilo muito fun.

Daí a questão do por que eu estou a ver uma história sobre este homem a autodesgraçar-se?

Eu acho que o documentário segue, não é segue, o documentário

É a versão em documentário do Charlie Sheen. Isto é, tem um início muito auspicioso, tal como o Charlie Sheen. Um daqueles inícios que tu nem consegues explicar e por não conseguires explicar, não consegues lidar com isso. Ele, numa entrevista que aparece no documentário, quando era muito mais novo, diz: "Sim, em Hollywood, se és filho de alguém famoso, ensinam-te a como lidar com o insucesso, dizem: 'Olha, tenta outra vez', mas ninguém te ensina a como lidar com o sucesso imediato".

Exacto.

Quando as coisas correm logo bem. Então e agora?

O que é que eu faço?

Não pode vir aquela conversa da resiliência e: "Não, tens que aguentar e tentas mais". Não, se as coisas correm bem logo à primeira. E com ele as coisas correram bem praticamente logo à primeira ou muito cedo. Um dos exemplos disso, eu acho que a primeira parte do documentário é muito melhor, por causa das histórias de bastidores, desse jogo que vai fazendo com as imagens dos filmes e a própria narrativa. E uma das cenas, eu acho que essa é uma das melhores partes deste documentário, é como centra a atenção naquela cena do "O Rei dos Gasteteiros".

"O Rei dos Gasteteiros."

Que toda a gente se lembra. Provavelmente, esse não foi o primeiro filme que eu vi do Charlie Sheen. O primeiro filme que eu vi, que eu me lembro de ver dele, é uma coisa que ele até fez antes do Platoon, que se chama "Fim de Semana Violento", "The Boys Next Door" e que até há pouco tempo revi. Mas eu acho que ele, de facto, entra na consciência quase colectiva com aquela cena, uma cena ou uns minutos.

É quase um cameo, não é?

Sim, uma aparição especial no filme e que, de facto, se torna quase o centro do "O Rei dos Gasteteiros", apesar de "O Rei dos Gasteteiros" ter sido um sucesso e ter tornado o Matthew Broderick numa estrela. Mas o Charlie Sheen comeu o filme com aquela cena.

E são uns minutinhos, não é?

E são só uns minutos. E então ele pergunta-se, e eu acho que todos nós nos perguntamos: se um tipo consegue fazer isto com tão pouco tempo, é porque tem qualquer coisa. E ele próprio começou a acreditar nisso. E a carreira dele, como ele explica, rege-se um pouco por essa lógica, que é: quando ele fazia alguma porcaria na vida real, aparecia de repente, caía-lhe no colo uma oportunidade extraordinária, ou a reação do público àquilo que ele fazia parecia um pouco desproporcional em relação aos seus próprios méritos.

E ele diz que se habituou a isso.

Ele foi convidado, desculpa, para ser o Karate Kid. Eu não fazia a menor ideia.

Nem eu. Por acaso, isso foi uma coisa que-

É uma boa revelação

Não estava à espera. Espero que seja verdade. Pegando ainda na história do cinema, e eu diria que talvez dos melhores ou mais conhecidos papéis do Charlie Sheen serão os que ele desempenhou no Platoon e no Wall Street, os dois filmes do Oliver Stone. Mas, Maria, para ti, e citando-te, entre aspas: "Ele foi sempre um Michael Douglas da Sheen."

Repara.

Já reparaste? Olha, Charlie Sheen.

É, exactamente.

Sheen. Sheen, o queixo, porque ele também tem o queixo.

Sim.

Mas atenção, eu acho-

Uma loja online chinesa. Temo-o

O maxilar, é importante teres tocado nisso, porque o maxilar eu acho que tem um papel importantíssimo também no sucesso das pessoas.

Como diz o Sean Penn, o Sean Penn refere isso mesmo.

Precisamente, sim.

Chiseled jaw.

Exatamente. E eu acho que, neste caso, sabes por quê? Porque estava a pensar nisso, do papel, e lembrando-me ainda por cima nessa revelação do Karate Kid, porque uma das coisas que eu acho que marca muito também a carreira do Sheen é esses encontros e desencontros com uma série de papéis. E tu imaginares, obviamente aconteceu com todos os atores, mas são papéis muito marcantes. Eras, o Karate Kid depois tornou-se uma coisa muito emblemática. E tu imaginares o que é que poderia ter sido, para mais ou para menos, a vida dele se tivesse desempenhado esse papel. Aliás, eu penso depois há outro também que acaba por ficar para o Tom Cruise, que ele também esteve na calha. Não é o Nascido a 4 de Julho, é assim uma coisa. Há uma coisa qualquer também que o Tom Cruise, depois acaba por ser o Tom Cruise a fazer. E tirando, de facto, alguns títulos como o Platoon, que é provavelmente os mais marcantes, depois noutro registo, o Ases Pulosares, mas mesmo no Wall Street, que é um papel importante para ele, ele acaba por estar sempre a reboque de uma figura que depois a vai secar, que é outro, o Paul Baby, também à sua maneira, o Michael Douglas, mas depois há ali um degrauzinho acima no star quality, se quiseres. Sim, eu não consigo explicar exatamente o que é.

O Michael Douglas também tinha experiência até explodir como ator, tinha experiência de produção, ou seja, tinha ali uma outra bagagem. Mas deixe-me só dizer isto muito rapidamente, é que esses dois filmes, acho que é inquestionável que são os dois grandes filmes da carreira do Charlie Sheen, o Platoon e o Wall Street, têm uma ligação quase propriamente umbilical ao pai. Quer dizer, o pai tinha feito o Apocalipse Now.

Até temporal, porque ele quando está aquilo, na altura está a rodar uma coisa, está nomeado para outro.

Sim. É inevitável estabelecer a comparação entre o papel do pai no Apocalipse Now e o papel do Charlie Sheen no Platoon, e depois no Wall Street, que contracenam. E a própria fábula, que é a fábula moral, que é o Wall Street, é quase, vista a esta distância, como uma história, eu diria, da ligação entre um pai e um filho, em que É quase a história dos dois na vida real. Ou seja, alguém que tem tudo, tem o mundo à sua mercê, ou a quem o diabo oferece tudo de mão beijada, e um pai que está constantemente a trazê-lo de volta à Terra. E essa é um pouco a história da vida do Charlie Sheen. Que é ele, com tudo que lhe é oferecido de mão beijada, e o pai constantemente a tentar chamá-lo à razão.

E no documentário vê-se-

E a lutar por ele.

Exatamente, vê-se muitas vezes como ele lutou pela sobrevivência do próprio filho. Muito bem, rapaziada, vamos fazer aqui uma pausa. Chegamos ao final da primeira parte do "PopUp", voltamos depois de um curto intervalo. Até já. Estamos de regresso ao "PopUp" com Maria Ramos Silva, Bruno Vieira Amaral e Pedro Boucherie Mendes. Esta semana é como se tivéssemos aqui no meio de nós o célebre Charlie Sheen. É sobre ele que falamos, a propósito do documentário que se chama "Também conhecido como Charlie Sheen". Acho que ainda não tínhamos dito aqui o nome. Está disponível na Netflix. Pedro Boucherie Mendes, lembravas, e bem, que o documentário também capta um certo tempo de Hollywood entre os 80 e os 90. E a minha pergunta é: será realmente um tempo especial e marcante e que deixou um legado ou se é a nossa memória emocional a funcionar?

Este documentário também sai numa altura em que Charlie Sheen lança a sua autobiografia.

Exatamente.

Não sei se será editada em Portugal. Os portugueses gostam imenso de biografias de figuras.

Personalidades.

Personalidades da cultura pop. Os anos 80 e depois os anos 90 são anos em que as coisas melhoram e se tornam mais extravagantes e mais cheias. No fundo, a árvore de Natal todos os anos tem mais efeitos, tem bolas maiores e bolas que piscam. Estou aqui a tentar uma metáfora, espero que esteja a correr bem.

Está ótimo, eu estou a gostar.

E esta viagem que nós vamos vendo, o Charlie Sheen e os filmes, por exemplo, o "Wall Street" é o primeiro filme, se calhar não sabes, em que se vê um telemóvel na tela. É 87, creio eu. E é o primeiro filme em que se vê um-

Se não estou em erro, tu já nos tinhas dado essa informação.

Essa é uma informação que eu gosto.

É de 87.

Depois há uma novela portuguesa, que é o "Cinzas", que é de 91, que também se vê um tipo a falar ao telemóvel.

Que é com o Securas. Não era o Securas? Era o que? O Nicolau Breyner?

Era o da tasca?

Era, era o Securas.

E também há drogas novas. Há drogas novas que aparecem, os extasys, não sei bem os nomes, e o crack.

"Não sei bem os nomes", diz o Pedro.

Não, não sou especialista, sou especialista em muita coisa, mas não. Se quiseres falar de vinhos italianos.

Claro, um gajo consome e não pergunta o que é isto.

Se queres falar de vinhos italianos, podemos falar.

Vamos falar a seguir ao programa.

Não, mas a sério, o crack e o ecstasy são drogas que vão aparecendo. E muitas das coisas que ele diz que fez, muitas das drogas que ele diz que consumiu e aquelas coisas que o Bruno falava há pouco, que está bem documentado ali.

Eram coisas que iam aparecendo exatamente ao mesmo tempo.

Novidades. Eram chamadas novidades. E nesse sentido, o documentário acompanha essa, eu não posso usar a palavra evolução, mas esse trajeto. Exato, esse trajeto da chamada boa vida.

Ou que é da vertiginosa.

Há coisas que são hoje ridículas, como por exemplo, ele se ter sentado aos comandos de um avião. Lembras-te dessa cena?

E o piloto desligou momentaneamente o piloto automático.

Hoje seria, creio eu, espero eu que fosse impossível.

Que fosse impossível.

Eu estou sempre a apanhar no Instagram, que eu sigo imensas dessas contas do "Did you know?" e do facts. Sempre a apanhar de um russo-

Porque é que tu sabes tantas coisas?

De um russo que fez uma aposta que conseguia aterrar de olhos fechados e que despenhou o avião e matou não sei quantas pessoas.

A sério?

Pronto. Mas é difícil manter a ligação emocional com Charlie Sheen e aquele tempo, porque são capítulos sucessivos. É como se alguém estivesse obrigado a comer mais um pastel de nata. Os primeiros dois ou três são bons, mas depois ao 12º pastel de nata já estás ali.

É como a droga.

Pois, não sei.

Não, eu também não.

Vinhos italianos.

Agora ninguém sabe.

Não, é o que ele conta, ele próprio diz.

Sim, é um pouco isso.

Chega uma altura que aquilo já não bate.

Certo.

Ele diz: "Olhou pro teto e já não havia high, já não havia mais para onde seguir."

Coisas que faltam no documentário: a mãe dele nunca é citada, creio eu.

Aparece uma fotografia e tal.

Sim, ele diz uma vez: "Estás armado e não sei o quê." Mas ele não diz: "A minha mãe isto, a minha mãe disso, a minha mãe estava preocupada, a minha mãe telefonou-me, não sei o quê."

É o pai. Só fala do pai.

E falta uma menção, eu nem acredito que vou dizer isto, mas falta uma menção à religião, porque Martin Sheen é muito católico. E, portanto, talvez essa espiritualidade e essa fé do pai dele, que é o Martin Sheen, que é o tipo, por exemplo, do "West Wing", o presidente.

Não é o tipo, é o presidente.

Ele é o presidente dos Estados Unidos, por favor.

E que tem um braço 8 cm maior que o outro.

E que é filho de um galego.

Tens ouvido? Um dos braços é 8 cm mais curto que o outro.

Oito?

Sim.

Opa, oito é muito.

Ele também viu isso no Instagram.

Sim. E que talvez isso, e também não é suficientemente-

O que, o braço?

Não, a fé dele. E também não é suficientemente bem explicado por que o Emilio Estevez, que é o irmão dele mais velho, e o pai não aparecem no documentário, não é suficientemente bem explicado.

Isso é péssimo.

Tem que ser bem explicado.

A única explicação que aparece é: não quiseram participar.

Tá bem, mas também há uma irmã dele, que também não participa.

Também não aparece.

Só temos, no fundo-

Só o Ramon.

Só o Ramon

Os dois filhos dele que falam.

Uma filha.

Uma filha e um filho. E duas das ex-mulheres.

Porque ainda vivem à conta dele, provavelmente.

Sim. Continuam a pagar. Ainda que a Denise Richards diga, isto não está no documentário, que ele tem dívidas bastante consideráveis. Alimony, a pensão.

Maria Ramos Silva, sobre isto precisamente, há um detalhe que tu consideras muito importante. Há várias personagens que aparecem, companhias. Por exemplo, uma das mais cativantes e curiosas é a Madame.

Grande Heidi Fleiss.

É um bom momento de televisão.

Madame que foi presa. Eu não sei como é que se diz, ela geria uma rede de acompanhantes de luxo.

Acompanhantes de luxo. Providenciava.

O Charlie Sheen, podemos dizer que se chibou?

Ele foi apanhado.

Ele foi apanhado.

Foi apanhado.

Chegou a um acordo com as autoridades.

Ofereceram-lhe. Testaram-no, apertaram com ele.

E Madame foi presa. Mas o ponto é, como tu bem dizes: diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és. E é uma das conclusões também deste documentário. Toda esta rede de relações e contactos também explica muito.

Aquilo é interessante. Já só voltando aqui um pouco atrás, esta ideia, de facto, das ausências que para mim eu acho que tem um peso determinante naquilo que acaba por ser a nossa apreciação final do documentário. Eu confesso que também fui ver isto muito na expectativa de: "Olha que bom, vou ver o Martin Sheen" e afinal não vi, porque o pai não aparece. Sinceramente.

Chama-se "Cavalos nos Braços" do Martin Sheen.

O irmão também não aparece. Há ali uma parte que acaba por estar muito amputada. E é difícil tu contares a história dele, ainda que seja neste registo muito pessoal e confessional. Mas estas pessoas não estarem, é uma coisa, não sei, acho isto muito estranho.

Ainda por cima para um documentário que tem três horas.

Exatamente.

Isso faz com que se sinta mais.

Nota-se mais essa ausência. A questão da mãe também, que é fundamental. Esse lado que o Pedro também falava, não só da religião, mas também da veia republicana dele. Aliás, eu acho que o único destaque que tu tens ali é o momento em que ele diz a brincar: "Estava a andar com passinhos de Joe Biden." Não sei se reparaste.

Sim.

Dar uma bicada ao Joe Biden. Mas de resto, lá está, para três horas, às tantas podias ter reduzido um pouco na quantidade de drogas e teres introduzido alguma coisa de novo na corrente sanguínea.

Foi o que ele pensou.

Pronto, literalmente. Depois tens aqui outros detalhes engraçados. Tens, de facto, a questão do nome que falávamos, não só pela filiação, mas pela própria escolha do nome e a forma como será que nós hoje estaríamos a falar de alguém que fosse objeto de um documentário da Netflix de três horas, se fosse simplesmente o Carlos Esteves. Porque olhas para esta gente toda, esta elenco toda, eles parecem uma megaequipa de beisebol. Não os imaginas como estrelas de Hollywood de primeira linha. E acho, de facto, ali o apelido é fundamental também nessa afirmação e na longevidade do Sheen. E depois o leque de amigos, como tu falavas. Porque de repente tu começas uma história e sim, qualquer um de nós a certa altura pode imaginar: "Olha, eu também podia contar aqui, juntar uns amigos e contar a história de quando tinha 20 anos." Mas pronto, os teus amigos são o Sean Penn.

O George Clooney.

O George Clooney e o Nicolas Cage, que para mim foi das maiores revelações ali no meio e, na verdade, uma das partes mais interessantes, que é completamente avariado das ideias.

Eu senti falta.

E que também tem um ótimo episódio num avião.

Que é uma história absolutamente curiosa.

Mas eu estava a falar ainda há pouco desse episódio.

Que é uma pessoa que tem-

Porque há dois episódios.

Porque há dois episódios de aviões.

De aviões, um com o Charlie Sheen, outro com o Charlie Sheen, mas em que é protagonista.

É especial porque o próprio Charlie Sheen acha a vida do Nicolas Cage insólita. Portanto, imaginem. Quando às tantas diz, ele tem a sua casa ali no cimo de uma montanha, um castelo, porque ele vive num castelo. Para ver melhor o crime, que é uma coisa que eu não percebi muito bem o que ele queria dizer com aquilo.

E também é ao lado das mulheres. E como dizia o Pedro, e muito bem relembrar, que é a grande dúvida e angústia essencial do Pedro, que é porque é que as mulheres se sentem atraídas por estes bad boys que se autodestroem.

Eu não sou eu que vou responder a isso, vocês agora orientem-se.

Enquanto o Pedro pensa na resposta, aliás, ele já pensou, deixa-me dizer, desenvolver aqui.

Estive três horas a arrumar gavetas.

Exato, a arrumar as ideias.

E a arrumar ideias, a Marie Kondo das ideias.

Vocês não têm gavetas com faturas antigas?

Sim.

Não, eu não guardo faturas.

E penso sempre: posso rasgar ou não? Já posso, depois de 10 anos. A pessoa tem sempre medo de que aquele momento em que rasgas, vai aparecer uma brigada da Autoridade Tributária.

Não são faturas, são recibos, porque tu pagaste. Fatura, recibo, no máximo.

Ok. Eu ainda há bocado estava a desenvolver uma ideia que é muito pertinente, que é que o documentário, no fundo, é uma cópia da vida do Charlie Sheen, que começa muito bem.

E foi uma ótima analogia.

E depois mete drogas e depois fica muito dependente das drogas e no final acaba com sensacionalismo. E eu acho que o documentário segue o caminho da vida do Charlie Sheen e, por isso, a certa altura torna-se maçador, torna-se desinteressante, à medida também que as coisas se vão tornando um bocadinho mais sérias. Porque aquela parte da party, da loucura, até acaba por ser a mais divertida, porque depois as coisas tornam-se bastante sérias. Uma coisa é tu andares com o Nicolas Cage pela cidade a fazer porcaria. Outra coisa é quando estás a perseguir a tua mulher, a ameaçá-la.

Sim.

Bruno, eu acho que há momentos sérios que foram desaproveitados. Por exemplo, e isto na altura aconteceu mesmo, quando ele revela que tem o vírus da sida, na altura houve uma busca monumental, as pessoas foram fazer testes. Isto teve mesmo impacto.

Teve um nome, houve uma coisa que deram o Charlie Sheen Effect.

Exatamente. Eu acho que isto nem sequer é explorado.

Houve muita gente a fazer o teste. Só o episódio do Charlie Sheen levou.

Imagino que muita gente tenha começado a fazer.

É verdade. Mas sobre isso.

E se nem sequer é abordado, onde é que ele terá apanhado? Se foi, por exemplo, com drogas ou com relações sexuais.

Exato. Pedro, há uma questão que tu levantas e que é muito interessante e que tem a ver com isto que o Bruno estava a dizer, que é a sorte. E o Charlie Sheen é um tipo cheio de sorte.

Voltando a essa questão do bad boy, da sorte. Eu ontem estava num evento e depois estávamos a falar.

A vida do costume.

Estávamos a falar e depois estamos a falar de alguém que é o tipo de pessoa que tu queres que esteja nos sítios onde tu vais estar. E eu até disse: "Epá, eu não me importava nada de ir para a Austrália de avião em económica, desde que tivesse este tipo ao meu lado." E eu não me importava de ir para a Austrália em económica se tivesse o Charlie Sheen ao meu lado. Ou seja, ele também é o epítome do tipo porreiro. Do tipo que tem sempre uma história para contar, que faz uma extravagância, que consegue pedir mais uma garrafinha de gin à hospedeira e consegue convencê-la a trazer mais uma. "Não, já não há, eles só deram só duas." E o tipo já vai na 18ª e consegue. Esse personagem que os americanos e ingleses têm a expressão larger than life. É parte da atração que se sente pelo Charlie Sheen, que é também indiscutivelmente um tipo com sorte. Eu acho que ele próprio o admite, não sei se o diz assim, mas se safou de não sei quantas overdoses e depois há um amigo que vai reduzindo a dose da droga. Sim. Um amigo que consumia droga com ele, que era o traficante, era o dealer dele.

Mas vai reduzindo.

Vai reduzindo durante o ano, até ele.

É uma história divertida, completamente inverosímil, mas pronto, espero que seja verdade. E só para dizer que o Charlie Sheen está limpo há oito anos ou sete. Portanto, ele está limpinho, não toca em nada, apesar de ele fumar uns cigarros de não sei o quê durante o documentário.

Mas é meia às escondidas.

Mas é meia às escondidas. Exato, como se estivesse numa aula lá atrás.

Como se o vício do tabaco não contasse, e se calhar não conta, não sei. De facto é pior ser viciado em droga do que em tabaco, diria eu. E depois também é curioso que é ele que diz que o álcool é o pior de todos.

É a pior de todas as drogas.

Sim, eu pousei logo o meu copo de vinho.

Estavas a arrumar a gaveta e vi o vinho.

Não, isso é a parte final.

Eu ainda acabei a minha garrafa de uísque, mas depois fiquei a pensar nisso.

Senti-me logo culpado. Eu que nunca vi crack, essas coisas na vida.

Não, mas há um lado divertido. Há um lado divertido numa personalidade como a de Charlie Sheen.

Que é divertido.

Aliás, quando ele já completamente desgraçado.

Mas tu sabes que ele fez mal a pessoas e isso também é um-

É isso que eu estou a dizer, mas há um lado divertido nele, que foi o que fez com que ele andasse numa digressão tipo stand-up, a falar da vida dele, e as pessoas fossem ver, porque ele tornou-se uma celebridade também nas redes sociais, tinha muitos seguidores e depois toda a gente queria ver o Charlie Sheen ser um ganda maluco. Eu acho que é a tradução.

Mas se calhar à espera que ele descarrilasse, não é?

Claro, mas é esse o fascínio.

Que dissesse umas verdades.

Mas o Clint Eastwood tentou fazer isso e ele ignorou. Há uma altura em que ele diz que o Clint, não é o Clint Eastwood que lhe liga a dizer: "Estou a ter aqui um juiz."

É quando ele faz o rookie, o profissional.

Essa cena é ótima. Porque aquela ideia de Deus, Clint Eastwood, Deus liga e diz: "Miúdo." Parece Moisés. Vem lá de cima do monte com os 10 mandamentos. Aliás, a cena das mais divertidas, por isso é que eu digo que a primeira parte é muito mais divertida, é a cena da chamada intervenção. Ou seja, quando a família reúne o professor de História do sétimo ano e ele conta em retrospectiva essa cena com humor, porque naquele momento.

A mãe pergunta: "Vais armado?" Aquilo desde o início.

Aquilo tem graça, até ele contar isto, tem graça, mas depois tu percebes.

Ele suborna a guarda da clínica.

Da clínica para entrar no dia a seguir.

Vai a uma festa com miúdas de biquíni.

Essa festa é uma qualquer coisa.

Pois, deve ter sido. A mim nunca ninguém convidou para uma festa dessa.

E tudo isto é muito divertido, tem esse fascínio, mas tu depois pensas: há de facto um momento em que aquilo é muito perigoso, em que já não tem graça nenhuma. E tu vês as duas ex-mulheres a falarem dele, que têm uma boa relação com ele agora, mas sobretudo a Denise Richards, que parece que foi sempre muito mais terra a terra, muito mais organizada, que sofreu muito com tudo o que aconteceu.

Exato. Não foi uma anedota.

Não é uma brincadeira. Há coisas que de facto têm graça. E eu acho que faz falta um bocadinho mais dessas histórias. Dos bastidores, pronto, ok, correu tudo bem, ninguém se magoou.

Mas há vidas que se desfazem. Há ali coisas altamente dramáticas.

E traumáticas. Para os filhos dele, é a própria filha dele que fala no documentário, diz isso, que agora tem uma boa relação com o pai, mas houve ali Problemas que não é: "Olha o que fiz."

Já não sei se é filha ou filho a dizer: "Eu já fico contente se a minha mãe estiver sóbria." Isto é uma coisa estranhada.

É o filho.

Mas isso também será certamente, digo eu, uma das razões pelas quais, por exemplo, Martin Sheen não quis participar. Não tem a ver com essa questão de trauma que estás a dizer. Até porque durante o filme a ideia que fica é que Charlie Sheen é claramente o filho favorito dele.

É. Isto é quase bíblico. É a história do filho pródigo.

E é interessante porque foi o único que mudou o nome também como o pai.

Exatamente. Mas esta história, por isso é que falávamos disso antes do programa, ele encarna uma série de mitos, alguns especificamente americanos, como esse do comeback kid. O gajo está sempre a dar a volta por cima, está sempre a regressar e acontecem-lhe as piores coisas, mas ele arranja forças e aí está, porque tem ali uma força quase superior, que o traz novamente para cima. Tem o mito do bad boy. Que é o bad boy e ao mesmo tempo o good guy, o boy next door, que é o título daquele filme do "Fim de Semana Violento". E depois tem este lado do profundo amor que o pai nutre por ele, porque ele, aparentemente, não sabemos exactamente a história de todos os outros filhos, mas aquele que lhe deu mais problemas e mais dores de cabeça foi precisamente o Charlie Sheen.

Eu espero que tenha sido, porque senão é tão homem. Caramba.

E tu vês isso. É sempre aquele, é sempre a ovelha negra, a ovelha tresmalhada, que é mais amada, porque as outras estão no redil.

Não geram preocupações.

Tu tens é de ir buscar o outro que se afastou. E talvez seja por isso, este é o meu palpite, que o Martin Sheen não quis participar no documentário. É que isto é a vida dele.

Exato.

E ele já sofreu tanto ao longo de todos estes anos, que não quer contribuir para a espetacularização, mais uma vez, da vida do filho.

Despejo, rapidamente.

Rapidamente. Há uma atitude que para a minha natureza é bastante irritante, que é o Charlie Sheen admite tudo. E diz: "Pois é." Com uma certa candura.

Certa? Muita.

"Errei. Pois, eu não devia ter feito aquilo."

Se fosse o Filipe dava-lhe um estalazado.

Só para dizer que não há legislação, não há reguladores, que obriguem, uma coisa que eu acho que deveria acontecer, que é nós sabermos se os Charlie Sheens da vida foram pagos por estes documentários ou não. Ou, por exemplo, se a madame Heidi Fleiss foi paga ou não para dar um testemunho. Portanto, não há. É uma coisa um bocado estranha estar a dizer, mas eu acho que o espectador merece saber se aquelas pessoas estão a falar livres, voluntária e vontade ou se estão a ser condicionadas por um cachê que recebiam. E muito provavelmente receberam cachês.

Exato. Muito bem, meus amigos, final do "PopUp". Voltamos na segunda-feira em podcast com as sugestões da semana. Sigam-nos nas vossas plataformas favoritas para não perderem nenhum episódio. Até lá.