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Hoje com a ajuda do doutor João Marques Santos, vamos desmistificar uma doença de que muitos já ouviram falar, mas sobre a qual ainda há muitas dúvidas: a zona. Vamos diretos à pergunta que todos fazem: afinal, como é que se apanha zona? É contagioso? Olá, doutor João, bom dia.

Olá, bom dia. De uma forma muito direta, a zona ou herpes zoster, não se apanha de outras pessoas. Não é contagioso. Isto é uma reativação de um vírus que já tínhamos no nosso corpo, que é o vírus da varicela. E quem já teve varicela, que quase todos nós em crianças já tivemos, tem o vírus "adormecido" nos nossos gânglios nervosos. Anos mais tarde, pelo enfraquecimento do sistema imunitário, por estresse, por uma imunodeficiência ou por outra causa, este vírus vai despertar.

Acorda.

E vai viajar ao longo do nervo onde está alojado e vai originar as famosas erupções da pele, aquelas manchas.

Sim. E por que aparece quase sempre só de um lado?

Isto porque afeta um trajeto de um único nervo, a que chamamos dermátomo, e por isso as lesões e a dor acompanham quase sempre esta faixa apenas num dos lados do corpo, seja no tórax, nas costas, no rosto. E daí também a palavra zoster, que vem do grego, significa cinturão. Portanto, é uma doença que de fato afeta uma zona do nosso corpo.

Já ouvi muitas vezes aquele mito popular de que se a zona der a volta ao corpo e os dois lados se encontrarem, há perigo de vida. Existe alguma verdade nisso?

Já ouvi várias vezes esta questão. Não é exatamente assim. Há algum fundo de verdade no que toca à gravidade. Mas de facto a zona pode aparecer em vários locais diferentes. Isto significa que se espalhou um pouquinho mais do que é habitual. Chamamos a isto uma doença disseminada, mas não significa que seja fatal, felizmente. É um sinal de alarme, sobretudo em pessoas com o sistema imunitário comprometido, e vai exigir uma avaliação médica um pouquinho mais imediata e cuidada.

E além dessa, que outras complicações podem surgir que nos devem deixar mais atentos?

Há duas complicações importantes. A primeira, e a mais comum, é a nevralgia pós-herpética. Portanto, é uma erupção de pele que acaba por desaparecer, mas mantém a dor intensa ao longo do trajeto do nervo. E esta pode demorar meses e até anos. Vai acontecer em alguns casos, mas sobretudo em pessoas com mais idade, é mais frequente. E a segunda é a presença de lesões no olho. Portanto, se as lesões surgirem perto do olho ou no nariz, pode afetar a visão, e isto é uma emergência médica.

E relativamente ao contágio, se eu estiver ao lado de alguém com zona, posso apanhar?

Se já teve varicela, não vai apanhar nada. Há aqui um detalhe: o líquido que está dentro das lesões da zona tem o vírus ativo. Portanto, quem nunca teve varicela e entrar em contato direto com esse líquido, não vai apanhar zona, vai apanhar varicela. Portanto, quem tem zona deve manter as lesões cobertas ao pé de alguém que não teve varicela, ou não sabendo.

Por sim, por não.

Exatamente.

E sendo assim, doutor João, como é que podemos tratar e, melhor ainda, prevenir?

O tratamento, para ser eficaz, deve ser iniciado rapidamente. Há aqui um medicamento antiviral que pode ser iniciado, sobretudo se for iniciado nas primeiras 72 horas. Isto vai reduzir um pouquinho o aparecimento de lesões, vai reduzir a probabilidade de termos dor e algumas complicações. Iniciamos normalmente também algum tipo de analgésico para as pessoas que têm dores. E em termos de prevenção, existe de facto uma vacina que tem uma eficácia muito boa e que vai prevenir esta zona. Está recomendada sobretudo nos adultos acima dos 50 anos e para pessoas que têm imunossupressão a partir dos 19 anos.

Portanto, resumindo, não se apanha de ninguém, surge do nosso próprio histórico de varicela, o tratamento deve ser rápido e a vacina ajuda na prevenção. Apanhei tudo bem? Disse tudo bem?

Exatamente. Excelente esclarecimento, obrigado. Não esquecer, no primeiro sinal de dor intensa, sobretudo se for só num lado do corpo, com lesões na pele, vá logo ao médico de família para excluir que possa haver alguma coisa que possa complicar.

Fica o conselho quem sabe. Obrigada, doutor João. Até amanhã.

De nada. Até amanhã.