Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Sejam muito bem-vindos a mais um "PopUp", o vosso melhor amigo na hora de fazer as escolhas realmente difíceis, que são todas aquelas que têm a ver com a cultura popular. Esta semana, Maria Ramos Silva, Bruno Vieira Amaral e mais uma vez Susana Romana, no lugar do Pedro Mexia Mendes, que teve de ausentar-se. Estará certamente a fazer as contas dele, que são sempre muito importantes. Esta semana estamos aqui juntos para falarmos sobre a melhor televisão do século XXI. A culpa, temos que atribuir culpa, tem que ser, é do New York Times, que voltou a fazer uma coisa de que gostamos muito, que é uma lista, e elencou, através de uma votação, com gente, como se diz no meio, gente da indústria, elencou os 100 melhores programas de televisão do século XXI. A grande maioria são séries de ficção. O número um é Breaking Bad. A lista tem gerado concordância, tem gerado indignação e aqui vai gerar conversa, que é para isso que nos pagam balúrdios. Susana Romana, por falar em balúrdios, obrigado por estares de volta.
Ora essa. Não saí do estágio, aqui estou.
Exato. Vamos começar por ti. Uma das tuas extraordinárias observações é que o top 10, que tu vais fazer o favor de recordar.
De elencar, espera lá.
Tem cinco comédias.
Sim.
E fazes também menção ao facto de que "Succession é uma farsa satírica", estou a citar-te, portanto conta quase como uma sexta comédia, meio a meio.
Costuma estar nomeado, costumava quando estava nomeado em categorias de drama, mas eu acho que o "Succession" está muito perto de ser uma comédia.
Ao contrário do "The Bear", que estava sempre nomeado a comédia e não conseguia ganhar essa porra.
É um trabalhão.
Esta tua primeira avaliação sobre as comédias, isto deixa-te contente?
Deixa-me contente, sobretudo porque no que diz respeito a prestígio, normalmente a comédia é o parente pobre. Vale o que vale, mas nos Oscars é raro ganharem comédias ou quando ganham são coisas como comédias musicais, são um mix de gêneros. Comédias puras, sei lá, ganhou o apartamento do Billy Wilder, não ganhou muita coisa que seja oficialmente uma comédia.
Faz-me esse favor.
Qual é o top 10?
O top five, primeiro.
O top five, em número um, Breaking Bad.
Isso.
Em número dois, The Wire, em número três, Mad Men. Depois, em quarto, Succession, lá está. Oficialmente é um drama, se bem que eu acho que tem alguns guionistas que vêm do humor e eu acho que se nota em muitos aspetos do Succession. Em quinto, Fleabag, que eu adoro e o Bruno odeia, já lá vamos. Em sexto, Game of Thrones, em sétimo, Veep, em oitavo, 30 Rock, em nono, o Curb Your Enthusiasm e em décimo, Atlanta.
De facto, tem sim. O Atlanta também é outra que às vezes-
O Atlanta começou mais como comédia e depois, como é uma coisa um bocadinho mais autoral, derivou para...
E em determinados episódios vai a lados realmente inesperados. Consegue ser psicadélico aquilo.
Sim, a lados um bocadinho negros e estranhos. Mas tem a ver com o facto de que normalmente a comédia é um bocadinho o parente pobre no que diz respeito a prestígio. Um ator prestigiado é um ator que faz dramas do Shakespeare ou que faz grandes séries dramáticas. Não é um ator de comédia, tipo o Rowan Atkinson, por mais sucesso que tenha com o Mr. Bean, vai ser sempre o tipo do Mr. Bean e fazer Mr. Bean. É fácil, caramba. Há sempre um bocadinho esta ideia de que há mais prestígio no drama. Portanto, apesar do top três ser um top três de drama, e acho que é um top três óbvio, e digo isto como elogio, acho que é um top três óbvio.
Não és contra.
Não, e acho que não é um top três polémico. Por exemplo, eu não tenho grande relação com o The Wire, mas eu percebo perfeitamente porque é que o The Wire está em segundo lugar. Portanto, acho que é um top três pouco sujeito a grande contestação. E achei interessante isso porque às vezes, no que diz respeito a prestígio, e é uma lista do New York Times, não é uma lista da People ou uma lista de um meio de comunicação social tido como mais ligeiro ou mais fluffy. E achei interessante isso porque não é o que geralmente acontece. Por exemplo, o Veep tem humor político, o que às vezes dá algum estatuto, mas o 30 Rock, que eu adoro, é sobretudo, essencialmente pateta, muito pateta. O Curb Your Enthusiasm é sobre pequenas coisinhas da vida. E eu gostei de ver séries que vão mais para este lado a terem algum reconhecimento aqui no meio.
Bruno Vieira Amaral, tu queres falar aqui de uma questão que está na mente da humanidade, que liga estas coisas, que é o facto de Os Sopranos não estar nessa lista, sendo que é uma lista do século XXI. Sopranos é uma série que estreou em 1999. Porém, e este tem sido o argumento, que é mais de metade da série é do século XXI.
Quer dizer, não é mais de metade, é muito mais de metade.
São quatro temporadas? Cinco? Já não me lembro.
Mais, não. Aquilo vai até 2007. Portanto, eu acho que só o episódio, aqui pelas datas, porque o New York Times-
E o século XXI começa em 2000 ou 2001?
Porque para o New York Times o século XXI começa em 2000.
Pois.
Então, quer dizer.
Então é meio ano.
Acho que é o episódio piloto, por aí. Bem, e para todos os efeitos-
Ele está mesmo exaltado.
Para todos os efeitos, Os Sopranos, nestas coisas, esta lista é para quê?
Para mim ocupa os três primeiros lugares, atenção.
Só Os Sopranos. Ok, pronto, vamos lá então para o século XXI.
Isto é exagero.
Não, mas é verdade. Quer dizer, se tu olhares para todas as séries que estão aqui, Os Sopranos têm de estar aqui.
Olha, Bruno, só para te confirmar. Só a primeira temporada d'Os Sopranos é que é de 99. A partir da segunda já é 2000.
Claro.
Eu estava a dar o desconto de começarem o século XXI no ano 2001.
Tudo bem.
Mas nem eles dão.
Também é uma maneira de: "Ok, Os Sopranos está noutro patamar, vamos só arranjar aqui uma maneira de não o incluir aqui nesta votação." Eu acho que a todos os níveis da televisão que se fez neste século, é impossível pensar isto sem Os Sopranos. Podes arranjar ali: "É de 99." Porque senão outras séries teriam que entrar também, se esta pudesse, eventualmente. Não sei.
Podem entrar os Simpsons. Os Simpsons estão no ar desde 89 praí, mas ainda bem.
Sim, e ainda dá. E se formos por esse critério, da questão-
Até a premiação das séries chega isso. Não é necessariamente o quanto premeias os atores. Por exemplo, os Globos. Tu vais premiar séries que não estrearam necessariamente naquele ano. Podem continuar a ser boas. Portanto, seguindo essa lógica, tu poderias-
Mas tem que ter uma temporada que tenha-
Até as melhores temporadas, talvez as mais influentes, as mais marcantes, d'"Os Sopranos" foram feitas já neste século. A questão é: não se pode dizer que seja uma série dos anos 90, como por exemplo é o "We Are". Não, o "Sopranos" já é uma série que tem tudo a ver com a maior parte das séries que estão aqui nesta lista. Por isso é que eu percebo que, de acordo com os critérios muito rígidos do New York Times, cronológicos, eles arranjaram uma maneira de pôr os "Sopranos" fora disto. Mas eu acho que ninguém levava a mal se os "Sopranos" constassem desta lista, mesmo com asterisco. A dizer: "Ok, nós sabemos que começou em 1999, mas"-
Bruno, desculpa. Aliás, eu estou no Instagram do New York Times, no sítio em que está a lista, e na legenda diz: "A série é só a partir de 1 de janeiro de 2000. Sim, sabemos que os Sopranos são ótimos, mas estrearam em 99." Por isso eles próprios metem isto na legenda.
Então não é do século XXI.
Já sabem que isto é-
Eles fizeram logo a seguir um artigo-
A justificar. Quando uma pessoa tem que fazer uma coisa a justificar o seu erro, é porque o erro já é grande.
É porque no New York Times sabem que o ano 2000 ainda não é século XXI.
Mas é mais do que isso. Eu acho que é mais do que uma questão cronológica, porque repara, se nós formos falar daquela segunda grande vaga, considerada a época dourada, a chamada Peak TV das séries, os "Sopranos", na verdade, são o tiro de partida para isso. São o pico da qualidade. A partida. E depois foi tudo o resto. Quer dizer, é como tu tirares o pai e a mãe. Não faz sentido. Esta lista só faz sentido se tiver os "Sopranos". É isto que eu penso.
Como há muita gente que defende que os anos 90 começaram em 89 com a queda do Muro.
Por exemplo.
O século XXI começou no 11 de setembro.
Precisamente. Ou seja, eu acho que esta lista devia ter sido um pouco mais-
O século XXI televisivo começa com os "Sopranos". É essa a tua teoria.
Acho que de alguma forma, sim. Este tipo de televisão, este conjunto de séries que nós fomos seguindo a partir dos anos 2000 e troco a paz, porque na verdade foi isso, abre, de alguma forma, em termos de televisão e de seriado, sim, com os "Sopranos". Eu posso dizer os "Sopranos", imagina.
Tem que se pôr aí o-
O "West Wing". Acho que sim, eu colocaria.
Também começa em 91.
Não sendo, não tendo essa massa por trás de apoio, provavelmente não ficaria em primeiro lugar, mas eu colocaria, porque de facto eu acho que isto tem menos a ver com a data biográfica e mais com esse grande arco em termos de produção e de conteúdo. O que isso significou na televisão, desde logo norte-americana, mas depois também no resto do mundo, porque obviamente havia depois essa questão, que é: nós não vimos os "Sopranos" em Portugal no ano em que eles estrearam nos Estados Unidos, provavelmente. Portanto, até nisso há aqui um pequeno delay que faz diferença na forma como vivemos isso. E é o que o Bruno diz. Antes de mais, não é uma série que tu penses: "Isto é uma série dos anos 90." Não é isso que nós temos na cabeça. E eu acho que isso é de facto mais relevante do que a data que tu tens lá oficialmente. Quer dizer, no limite, seria um disparate absoluto se os "Sopranos" tivessem nascido a 31 de dezembro de 1999. Percebes? Acho que a ideia foi boa, porém, podia ter sido um pouco melhor concretizada. Em suma, é isto.
E se incluíssem os "Sopranos", o primeiro lugar era dos "Sopranos".
E o segundo. Desculpem. Estou um pouco ansioso talvez.
Mas lá está, podiam ter defendido a coisa dessa maneira. O primeiro lugar já está entregue. Depois vamos fazer uma lista do segundo até o 101.
Exato. Susana Romana, tu queres falar, eu não sei se em bom ou em mau, do facto de "A Guerra dos Tronos" estar em sexto lugar.
Eu acho que "A Guerra dos Tronos" estar em sexto lugar é um bocadinho, supostamente-
Apesar da última temporada.
Isto é uma lista feita com base em 500 entrevistas a pessoas do meio. A guionistas, a realizadores, a atores.
500 entrevistas é muita entrevista.
É muita entrevista. Para chegarem a, então, 100 séries. Ou seja, isto foi um trabalho supostamente de campo grande e é um bocadinho de: é incontornável ter a "Guerra dos Tronos", porque a "Guerra dos Tronos" há também um, não tanto como nos "Sopranos", não batam, mas há também um antes e depois na televisão com a "Guerra dos Tronos". Mudou a maneira de fazer muita coisa, mudou a noção de que é preciso tempo e orçamento para fazer uma boa série. Sendo que eu acho que isso depois, se calhar, também foi esticado a um nível em que se tornou normal esperar três anos entre temporadas. Mas é uma série muito marcante. Portanto, por um lado, é óbvio que a "Guerra dos Tronos" tem que estar num lugar bastante alto desta lista. Por outro lado, é isso. O que é uma boa série? É uma série que é boa do início ao fim? É que sendo assim, as que têm duas temporadas, como tem, por exemplo, o "Fleabag", estão em vantagem perante séries que têm 10. O que é uma boa série? É aquela que foi uma boa série no seu pico, ou aquela que foi uma boa série consistentemente?
Ou aquela série que marcou, que deixou legado, que fez a diferença.
E há séries de antologia em que uma temporada é muito boa.
Sim.
E depois há outras que não são. E há umas que são aqui e outras que não estão. O "True Detective" está aqui.
Por causa da primeira temporada.
Por causa da primeira, aliás.
Que é extraordinária.
Isso é dito, mas, por exemplo, o "Fargo"-
Que é ótimo
...e não está aqui.
E que também é desigual.
E também é desigual.
O "Black Mirror" também é desigual e está na lista. E é isto, ver aqui o "Game of Thrones" em sexto levantou-me a dúvida de quando estamos a fazer uma lista destas, o que nós devemos ter em conta? Aquilo que a série foi no seu pico máximo de excelência, e é isso que conta, ou aquilo que é olhar para trás depois da série estar fechada. E isto é uma das coisas que nesta lista, às vezes, a torna um bocadinho desigual, que é: há aqui muitas séries que já acabaram, aliás, o top 10 já acabou todo. Quase todas, mas há umas, como por exemplo, o "Ted Lasso", que ainda está a dar. Eu acho que o "Ted Lasso" tem um lugar Que não é alto, mas é 74, que é um lugar que é da circunstância de ser uma série que ainda está na berra. Eu acho que daqui a 10 anos o "Ted Lasso" não está nesta lista.
E digo eu, porque as pessoas votaram antes de verem esta última temporada.
Também, que é péssima. Que eu estou a ver à mesma, por cumesquismo. Ou seja, há aqui séries que já acabaram, há poucas séries, mas há aqui alguns programas que ainda estão a dar e é nisso que eu acho que às vezes a lista também é um bocadinho confusa. E é esse critério que eu gostava de mais ou menos perceber, porque é isso, não me choca nenhum que o "Game of Thrones" esteja e que esteja num lugar alto, porque o "Game of Thrones" quando foi bom, foi extraordinário. Só que depois o tempo-
Mas não foi sempre.
Mas não foi sempre, foi uma série que se perdeu.
Bruno Vieira Amaral, ainda temos tempo, vamos a isto.
Vamos lá.
Tu queres falar de adolescência.
Da adolescência e de muitas outras.
Sabe o lugar? Adolescência.
Está para aí 50 e tal.
Esse trabalho de casa.
Não, eu vi. Só que não pus aqui.
Por quê?
40.
Tu achas que está num lugar que não é muito elevado.
Não é.
E que prova que o brilhantismo técnico nem sempre compensa.
A consistência. Ou seja, o adolescência, tu só tens aquela temporada, que é brilhante, de facto, do ponto de vista técnico.
Seis episódios, não é?
São seis?
Ou quatro?
Eu só acho que são quatro.
Quatro? Já não me lembro.
São quatro.
Vou ver.
Então não fizeste o trabalho de casa. Acho que são quatro. Seis, não. Seis não são. Acho que são quatro. São quatro episódios tecnicamente muito bons.
Quatro.
Com grandes desempenhos.
São quatro, já não me lembro.
Só que falta aquela respiração que as séries que estão no topo têm. E eu acho que isso acaba por fazer a diferença. Por muito bom que seja uma temporada, porque a série tem mais temporadas, mas há uma que é muito boa, ou quando não há mais temporadas, aquela temporada é mesmo muito boa, depois falta a respiração que te permite dizer: "Isto arrebatou-me ao fim destas temporadas todas." E estamos aqui a comparar coisas muito diferentes. E isso também eu acho que é o giro desta lista, porque de facto estás a misturar coisas diferentes, estás a comparar coisas que dificilmente serão comparáveis, mas são televisão. Mas são televisão também feita em alturas muito distintas. Tu apanhas aqui séries que ainda são daquela fase de um episódio por semana e depois tens séries, a partir do "House of Cards", em que está tudo disponível.
Uma temporada por hora.
Pronto. E isso também faz com que a experiência do espectador tenha sido diferente. A experiência que nós temos destas séries é diferente, porque houve quem tivesse visto isto tudo de seguida e quem ainda tivesse visto aqui algumas coisas naquele ritmo, um episódio por semana, na altura o "Lost", que também permitia uma grande discussão semanal à volta daquelas séries. E aí está séries também que eu acho que foram verdadeiros fenômenos socioculturais.
É um dos exemplos que eu acho que é marcante e que tem legado e que mudou muita coisa. Podes gostar mais da série, do "Lost", podes gostar menos. Eu odiei o último episódio e estava muito ansioso para ver aquilo, mas acho que é inevitável reconhecer que-
Que teve um peso.
Há um antes e um depois.
Um antes e um depois, e que foram fenômenos que transcenderam a questão. Se tivesse aqui o Pedro, foram mais do que séries de jornalista.
Um grande abraço, Pedro.
Temos que contar o número de séries de jornalistas.
Haverá algumas.
Eu às vezes não sei o critério, eu sou apanhada de surpresa pelo critério.
Mas há aqui muitas coisas em que de facto tu percebes que estás a comparar maçãs e laranjas.
Mas se não fosse assim, estas listas que vão dar em todas.
Até a experiência de consumo, é isso que o Bruno fala. A forma como tu vias as séries ou como consumias televisão em 2000 não terá nada a ver com o que tu fazes hoje.
Não tem nada a ver.
Agora estás um bocadinho a voltar, com o "Spitz" e com isso, estás um bocadinho a voltar a esse sistema, porque se percebeu que o sistema da maratona comeu-se ele próprio, provavelmente.
E esgota. E até provoca distorções. Naquele momento, parece que é a melhor coisa de sempre. E já está no topo e depois, se calhar, duas semanas depois, se calhar isto não é tão espetacular. Acho que o adolescência também teve um bocadinho disso, apesar de eu achar que é fantástico, mas também teve naquele momento, e também só são quatro episódios. Na altura em que saiu, parece a melhor coisa de sempre. E outra temporada, falta aqui qualquer coisa. Eu acho que acontece isso com outras séries. Estranho um pouco que em homenagem a essa outra forma de ver e de produzir televisão, não esteja aqui, por exemplo, uma série como o "CSI." Porque teve muito sucesso, foi muito popular.
Não saiu no século XXI?
Eu acho que sim. Se calhar é de 99.
É de 99. É Natal de 99.
Vamos ver nos entretantos. Chegamos ao final da primeira parte do "PopUp". Voltamos. 2000?
2000, outubro 2000.
Voltamos para mais indignação, depois de um curto intervalo. Até já. Estamos de regresso ao "PopUp" com a Maria Ramos Silva, Bruno Vieira Amaral e esta semana também com a Susana Romana. Curiosamente, estamos a falar de séries, muitas delas, certamente séries de jornalistas, como diria o Pedro. Grande abraço, amigo Pedro. Isto tudo por causa da lista que o New York Times publicou com a melhor televisão do século XXI, os 100 melhores programas. Ainda aqui, vamos voltar à Maria Ramos Silva, porque Maria, é das poucas vezes Citando-te, para não dizer a única ou a primeira, em que concordas em absoluto com o vencedor.
Não, não é com o vencedor, é mais do que isso, com o pódio.
Mais?
Sim, eu acho que o pódio está bem resolvido. Acho que eles fizeram algumas coisas mal, como já percebemos.
"Mad Men" está em que lugar?
Terceiro. Acho que é muito justo.
É difícil, é tramado.
Eu vi pouquíssimos episódios do "Mad Men".
Não, é isso. Entre essas três, qual é que fica em primeiro?
Não, em primeiro não tenho dúvida absolutamente nenhuma.
Vocês são muito esclarecidas.
Eu há muito pouco tempo, como se tivesse pouca coisa para ver, resolvi voltar a rever o episódio piloto de "Breaking Bad" e tive a certeza, mais uma vez absoluta, que é a melhor série de todos os tempos. Continua a ser a melhor série de todos os tempos.
Eu acho que não bate o "Sopranos".
Não, mas eu já não estou a contar, eu só estou neste top.
Em termos de capacidade de viciar, de agarrar o espectador de um episódio para outro, eu acho que o pináculo é mesmo o "Breaking Bad". Acho que não há melhor. O "The Wire" eu gosto muito.
Eu tivesse a relação mais com o "Mad Men", por acaso. Tem outro estilo.
Aquilo que me fascina no "Breaking Bad" é mais do que isso. É trama, obviamente, mas é a construção da personagem.
Sim.
Em termos de evolução, de construção do Bryan Cranston e depois dos outros todos, também são extraordinários, mas sobretudo ele, acho que é um exercício absolutamente fascinante. Portanto, mais do que, se calhar, ser a melhor série, é talvez um dos meus personagens preferidos de sempre ou destes 20 anos, porque eu acho que ele é absolutamente fascinante.
De todas as ambiguidades. Eu acho que é a tua coisa preferida da história da humanidade.
Não, imagina. Eu acho que nós não conseguimos vencer nunca de todos os pontos de vista.
Por exemplo, preferias:
Não é o Tony Soprano.
Se te dissessem assim: tens que escolher entre ver a série "Breaking Bad" pelo menos uma vez na vida ou a ver cozido ao domingo. E se tu escolhesse o "Breaking Bad", deixava de haver cozido à portuguesa ao domingo.
Espera lá, parece-me uma analogia óbvia a teu respeito. Mas espera lá, pode haver cozido noutros dias. Não está excluído, certo?
Não, a ideia não está bem.
Ver "Breaking Bad" e comer cozido à portuguesa num dia. À quinta-feira também há cozido.
Mas essa é uma das coisas extraordinárias do "The Wire". Enquanto os "Sopranos", o "Mad Men" acredito também, e o "Breaking Bad" funcionam muito à volta da personagem principal, do protagonista, o "The Wire" quase que te puxa o tapete, faz um pouco aquilo que o Hitchcock fez no "Psycho", que é a meio do filme, tira a personagem com que tu te identificas, mata-a. Eu vi o "The Wire" muito depois, ou seja, há poucos anos. A expectativa que tu crias na primeira temporada, que há aqui o herói, que é o McNulty, e depois, de repente, o gajo torna-se uma personagem praticamente secundária. E tu dizes: "Então, espera aí, mas onde é que anda o gajo?" E aquilo vai funcionando e chega a uma certa altura, já aceitaste que o gajo é uma personagem secundária. E eu acho que mais nenhuma série, que não seja daquelas em que cada temporada corresponde a uma história diferente, faz isso. E faz isso de uma maneira tão eficaz como o "The Wire".
O "Game of Thrones" depois acabou por fazer. No "Game of Thrones" mudavam um bocado os protagonistas.
É verdade. A morte do Sean Bean na primeira também te deixa assim um bocadinho: "Então?"
No final nem o gajo está salvo.
Mas atenção, vamos falar aqui de coisas realmente importantes, porque a Susana Romana quer falar do 85º lugar para "The Great British Baking Show".
Que se chama, na verdade, "The Great British British Bake Off". É o nome em Inglaterra.
Que é uma série que nós ainda não tivemos a oportunidade de ver neste país.
Não, nós nunca fizemos uma versão do "Great British Bake Off".
E nunca vimos este, de facto.
Nunca vimos. Que é um fenómeno gigantesco no Reino Unido.
É um concurso de bolos.
É um concurso de tudo o que é panificação.
Espetáculo.
Um bolo, uma tarte, uma bolacha, um pãozinho.
Sinto que estou a perder.
Isso não é bem uma série, isso é uma coisa diferente.
Mas o "Survivor" está aqui.
O "Survivor" está.
Mas é um programa que eu vi.
Indo por partes. O "The Great British Baking Show", como eles o chamam.
O "RuPaul's Drag Race" também é.
Vocês não me deixam falar!
Fala, Susana. A Susana vem cá tão poucas vezes, que quando vem não a deixas falar, Thiago. Deixa falar a Susana, Thiago.
"The Great British Baking Show" chama-se assim, já agora, nos Estados Unidos o nome é diferente de Bake Off, porque Bake Off nos Estados Unidos é uma marca registada de produtos para fazer bolos em casa, daqueles preparados. Portanto, eles tiveram que mudar o nome. E de facto, há outras coisas que não são séries, que são de vida real. O Anthony Bourdain está no número 69 e no número 64. O Parts Unknown, e o No Reservations. O "RuPaul's Drag Race" está em 61 e o "Survivor" está em 31. O que eu acho graça de isto estar no lugar 85, e até concordo com a Maria, estamos um bocadinho a misturar alhos com bugalhos e de repente está aqui aquilo que é, no fundo, reality TV.
Sim.
Que só por si valia uma lista. Isso é que eu adorava ver, terem ousadia de fazerem uma bela lista daquela coisa que às vezes é só tratada como guilty pleasure, mas na verdade são coisas ótimas.
E o "Great British Bake Off" é um fenómeno gigantesco, já vai em 15 temporadas, é um fenómeno gigantesco no Reino Unido. Eles agora esta temporada mudaram dois dos apresentadores jurados e entrou a Nigella Lawson e ela dá-se mal com o Paul Hollywood, isto está tudo maluco com aquilo. É mesmo um programa que no Reino Unido tem um impacto muito grande e que viajou muito bem para os Estados Unidos. Por quê? Porque aquilo é só feel good TV. E eu acho que é por isso que ao ano de 2026, quando perguntam às pessoas o que é que gostam de ver na televisão, isto aparece no lugar 85, porque isto não é sobre nada muito importante. Isto é sobre se tu conseguiste fazer um lemon curd que talhou ou não.
Pois é.
E eu acho que sobretudo nesta altura Tão angustiante em tanta coisa. Se o "Homeland" é uma série ótima? É, mas se calhar depois de estar a ver o telejornal no ano da graça de 2026, às vezes não me apetece ver o "Homeland" a seguir. Apetece-me ver alguém a fazer mini tartes. E eu acho que é por isso que nesta fase concreta da história da humanidade, este programa aparece em lugar 85. Isto é só feel good TV, é só ver se falha ou não fazer um pudim flan. E às vezes, parte de nós precisa disso, e o "Great British Bake Off" é isso bem feito. E eu acho que isso também tem o seu mérito, apesar de, mais uma vez, se calhar é um pouco bizarro isto estar na mesma lista em que está o "Mad Men". Mas eu acho que é um programa que dentro do propósito que tem, fá-lo muito bem.
Muito bem. Agora fiquei a imaginar, voltando ao assunto do costume, que é de um concurso de cozinha portuguesa na televisão. Também era interessante.
Eu também veria isso.
Não é? Claro. Bruno Vieira Amaral, como diria o nosso amigo Pedro, tens algumas irritações.
Tenho.
E tens nomeadamente uma, que tem nome e cara.
Sim.
Que se chama Fleabag. Está a inclinar Fleabag em quinto.
Fantástico.
Mas irrita-te assim tanto?
Irrita-me.
Viste até onde, só por curiosidade?
Não compreendo. Vi os três primeiros episódios. Em primeiro lugar, destes 100, há muita coisa que eu não vi. Atenção. Eu olho para aqui e há coisas que eu vi poucos episódios, ou vi a maior parte dos episódios, nalguns casos, mas não vi a série toda. O "Homeland" vi cinco temporadas, mesmo "Game of Thrones" acho que cheguei à quinta. Acho que só há mais duas, não é?
Não, são 10, acho eu.
Do "Game of Thrones" é 10? Então pronto. Se calhar só vi metade. Mas gostei muito e acho que se tivesse até um, não, está em sexto. Pronto, então está ótimo.
São oito.
São oito. Pronto, não vi mais de metade. Ótimo. Mas há muita coisa que não vi, que não conheço, e, portanto, também não me indigna que estejam em que lugar estiverem, porque não faço ideia.
Mas o Fleabag, aos três episódios, chegou para tu não concordares com este quinto lugar?
Não, porque as coisas ou batem ou não batem.
Óbvio.
É assim, há coisas que não batem. E há coisas que tu vês. O "Vip", eu vi pouquíssimos episódios do "Vip", mas como gosto muito da Julia Louis-Dreyfus.
Davas-lhe o segundo lugar.
Até admitia que estivesse mais acima, porque achei piada ao que vi.
É ótimo.
Não é? Achei muita piada ao que vi e estou rendido logo à partida. No Fleabag teve um efeito contrário, que é aquela coisa: "Qual é a piada disto?" E não entrares e depois também não dás uma segunda oportunidade. E parece-me que aquilo tem duas temporadas?
Tem duas temporadas, seis episódios cada uma.
Então se calhar vou dar uma segunda oportunidade.
Eu sinto que estou perante o quadro da última ceia do Da Vinci, a olhar para ele, e ao meu lado está uma pessoa a dizer: "Aquilo está um bocado mal pintado." É a sensação que eu tenho.
A Monalisa está torta.
Mas é isso, é este alcandorar. O Fleabag, há uma cena que nunca antes foi feita, que depois cria aversão e reforça o teu sentido.
Eu percebo.
A tua aversão à coisa. É tão elogiado e tu não entras. Olha, outro exemplo, o "The Bear". Esse vi mais do que um episódio. Aliás, até comecei a ver a segunda temporada. Não percebo. Não é para mim.
O The Bear é muito desequilibrado.
Em vários sentidos a palavra desequilibrada.
Em vários sentidos. Maria Ramos Silva.
Eu também tenho alguns aborrecimentos.
Eu sei, explica-me, antes de passares à Maria. O que é que é a última ceia?
Por que a última ceia? Para começar, é uma série extremamente pessoal do ponto de vista de uma mulher. Eu não quero ser aborrecida com este discurso, mas como deves calcular, é uma coisa menos comum séries em que o ponto de vista é o ponto de vista masculino. Portanto, é uma série sobre uma mulher altamente imperfeita, porque mais uma vez também não é a bonequinha que está lá em cima do pedestal, sobre uma pessoa altamente imperfeita, com aquela cabeça toda escavacada, que só toma más decisões. A série foi originalmente uma peça de teatro, um monólogo que estreou no Fringe, no Festival de Edimburgo, e eu gosto muito de ficção que parte de peças de teatro. Gosto muito de filmes que em tempos foram peças de teatro, de séries que foram peças de teatro. Há um lado mais intimista que vem do teatro que eu gosto de ver noutros meios. E acho que aquilo é muito bem escrito, tem ótimos personagens, é muito bem escrito. Tem muita graça de uma maneira muito inesperada.
Eu gostei muito. Acho que devias dar uma oportunidade.
Mas já vi que tem uma coisa em comum com outra série que toda a gente gostou e eu não gostei, que é o "Baby Reindeer".
Sim, gosto muito.
Eu não gostei especialmente do "Baby Reindeer". Não desgostei, mas...
Pronto, então já estou a ver qual é que é a minha orientação.
Muito bem. Maria, tu tens aí umas indignações também? Queres falar sobre isso?
Sim, quer dizer, não são nada. Na verdade, acho que estas coisas servem mais para nós fazermos programas, e ainda bem, para termos coisas que conversar. Porque de facto acho que é um bocado em que ficamos-
Dizes também que o que interessa é o pódio e o resto é paisagem.
Na verdade, é isso. Depois temos curiosidade de ver quem é que fica em último.
Depois acabo praticamente-
Depois é um bocado como nós olhamos para a tabela no futebol. Quem ficou décimo, em primeiro.
Mas são minharias isso.
Os do meio da tabela.
É, umas subtilezas e tal. Mas ainda de ausências. Eu acho que, por exemplo, o "Boardwalk Empire" podia estar aqui, não ficava mal. Mas eu também sou suspeita, porque gosto muito do Steve Buscemi e acho que mesmo que houvesse uma lista de melhores talhos norte-americanos, ele podia estar.
Exato.
E depois há algumas coisas que também não entendo, que é nomeadamente O "White Lotus" aqui muito colado a "The Crown". Acho que o "White Lotus" também ainda vivemos este-
O "White Lotus" para mim é a primeira temporada. E o resto é desilusão atrás de desilusão.
"The Crown" é francamente melhor, apesar de tudo, e também não entendo, fica assim tão à frente.
Outra coisa que eu nunca compreendi: "White Lotus". Aí está.
Também não compreendo.
E é uma série que obviamente ainda não acabou.
Exato.
Eu gosto muito da primeira, mas é uma série de antologia.
Mas mesmo ficar tudo isto muito à frente de "Downton Abbey" também não entendo. Acho que apesar de ser uma coisa de época, é uma série muito bem feita. As pessoas podem ter mais ou menos afinidade, mas é uma série bem feita. E depois há aqui uma questão que eu acho que vai vir sempre à baila, particularmente numa lista que apanha este período temporal, que é: onde enfiar "House of Cards"? Por razões que não têm a ver com .
Lá estás tu com as tuas conveniências.
O Louis está bem na lista, o Louis C.K.
Pois está, está em 38.
O "House of Cards" está em 48º, ou seja, está ainda entre os 50 primeiros.
Onde enfiar "House of Cards" foi a escolha de palavras da Maria.
Pronto, vamos passar.
Como é que vamos guardar este baralho?
E na verdade, por mais que baralhes este baralho, é sempre complicado, porque fica de facto na dianteira, nos primeiros, num lugar mais honroso, mas eu pessoalmente acho que continua a haver aqui esta dificuldade em dar-lhe uma posição mais cimeira que eu acho que merecia, porque é uma série absolutamente extraordinária, pelo menos as primeiras temporadas. Acho que são seis, as cinco que são feitas com o Spacey.
Não vi todo.
Que é uma pessoa que de facto cai largamente em desgraça, por razões que todas nós conhecemos, mas até do ponto de vista estético, estilístico, a assinatura do Fincher ali é uma coisa na altura muito inovadora, é uma coisa que muda a forma como vemos televisão. E portanto, das duas uma: eu acho que ou as pessoas que decidem isto deviam assumir: "Não queremos nada com este senhor e vamos enfiar isto num arquivo escuro, uma bobine e nunca mais se fala no assunto." Ou então sejam crescidinhos e deem a posição que quanto a mim merece.
Crescidinhos? Numa semana em que tem acontecido este tipo de coisas, de pessoas tão crescidas? Bom, última ronda, temos que ser rápidos. Susana Romana, "Catastrophe", que eu muito aprecio.
Eu gosto tanto do "Catastrophe".
Como praticamente tudo o que a Sharon Horgan faz. Em 91º lugar.
É uma série que eu gosto muito, mas que é um bocado desconhecida. Aliás, eu fui agora verificar, não está disponível para ver em Portugal. Houve uma altura que estava na Amazon. Eu via quando deu na RTP1, há uns oito, nove anos.
Já foi isso há tanto tempo?
Já, minha filha era bebé. E vi na altura, e esteve na Amazon, agora infelizmente não está disponível. São quatro temporadas e é uma comédia ótima, é das minhas sitcoms preferidas de sempre. É uma criação da Sharon Horgan, que agora está com uma série nova na HBO, que eu ainda não vi, mas tem muito bom aspeto, chamada "Youth".
Mas depois falamos sobre isso.
E fez o "Bad Sisters" para a Apple, em que a primeira temporada é muito boa, a segunda menos. E é também do Rob Delaney e eles são os protagonistas. Ele é americano.
Rob Delaney é uma pessoa muito divertida.
Eles são os protagonistas, são um casal, ela é americana, ele é irlandesa, ele é um homem de negócios que vai a Londres e ela engravida e eles mudam a vida toda por causa disso. Ou seja, não é uma série que tenha uma sinopse particularmente apelativa ou particularmente original, não é: "Ai, que conceito tão giro!" Mas depois a série é ótima, está muito bem escrita e se esta lista não servir para mais nada, que sirva para alguém ter a curiosidade do que é esta coisa que está no lugar 91.
Exato. Bruno Vieira Amaral, mais uma referência a uma ausência que te entristece, que é a de "Fargo", especificamente.
"Fargo", eu já tinha aqui falado. Entristece-me porque eu acho que as duas, três primeiras temporadas muito boas. A primeira é extraordinária. Eu quando falei aqui da série, que vi já depois de alguns anos, fiquei surpreendido com a forma como evoca o universo do filme, sem o repetir, sem estar a mastigar. Consegue criar uma coisa nova partindo de um universo idêntico. Aquilo não é o filme em série, transposto para série. Mas vai buscar ali uma série de referências que estão no filme. Eu acho que aproveita muito bem e acho que funcionam muito bem, quer a primeira, quer a segunda, que eu acho que é aquela com a Kirsten Dunst.
Já não me lembro.
E o Billy Bob Thornton?
Não, essa é a primeira.
Essa é a primeira, exatamente.
Essa é a primeira. Eu acho que são duas ótimas temporadas e tenho pena que não esteja aqui. Por outro lado, gosto muito que esteja aqui uma série que-
É sim, senhor. Kirsten Dunst, Patrick Wilson, Jesse Plemons.
Jesse Plemons.
Ted Danson.
É muito boa também essa temporada. Há uma série que eu gosto muito, uma pequena série, tem todas as características de uma série esquecível, que é o "Mare of Easttown".
É ótima a série. Está, mas já está lá está. Está no outro lado. Já está a descambar para...
Sim, mas é ótimo.
65, "Mare of Easttown". Também devia estar cá muito mais para cima.
É daquelas coisas que tu vês e quando vês dizes: "Isto amanhã se calhar já ninguém se lembra disto." Mas é um grower, que vai crescendo na memória. Cada vez que me lembro da série, cada vez gosto mais da série, sobretudo devido à grande Kate Winslet.
Meu amigo, não me faças falar.
É melhor não.
Maria Ramichilda, vamos terminar com uma frase tua citando-te: "Praticamente tudo americano."
Sim, mas é um viés que eu compreendo, quer dizer, não levo especialmente a peito. É o que é. Como diria Pedro Boucher Mendes, o New York Times também é um jornal de jornalistas, portanto, compreende-se.
Eu acho que ele até diria mais coisas sobre o New York Times.
Mas fiquemos por aqui. Agora, a questão é: tudo muito americano, muito bem, mas depois não tem o "The Office" americano.
Tem tem. Tem o americano, não tem o inglês.
Não, tem os dois.
"The Office UK" em 16 e "The Office US" em 11.
Susana, dá aqui. Pois é.
Estou a precisar de óculos.
Por acaso era uma das coisas que eu queria falar, mas falhámos os dois.
Não vi, só vi o UK.
Isso significa que nós trabalhamos demasiado e não estamos atentos a tudo.
Vocês não veem as coisas com um certo recuo, com uma certa distância.
Temos de assistir para isso.
Já tenho que recuar o telefone para conseguir ver as coisas.
É essa coisa curiosa de a mesma série-
Qual é que está à frente?
Está à frente o US, que está em 11º e o outro está em 13º.
Isso é discutível? Claro que é.
Claro que é.
Depende de cada um.
Eu vi de facto muito mal esta lista. Mas tem muito pouca coisa que não seja americana e o pouco que tem é britânico.
Tem uma série francesa, o "Bourreau".
Não tinha reparado.
E tem o "Squid Game".
Tem o "Borgen"?
Sim.
Tem o "Borgen"?
Estou a perguntar.
Acho que não.
Estou-me a lembrar só.
Pronto, também é uma ausência.
Houve quem reclamasse da ausência também da "Casa de Papel", também foi um fenómeno.
O "Squid Game" está por causa da primeira temporada.
Da primeira, claro, porque tu sabes, série que não é de jornalistas é o "Borgen".
É a carta toda no açougue.
Muito bem, meus amigos. Final de mais um "PopUp". Já sabem, podem escrever-nos para popup@observador.pt. Sigam-nos nas plataformas de podcast. Nós voltamos na segunda-feira com as sugestões da semana. Até lá.