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Dia de sugestões é dia feliz, já sabem. Avançemos então sem medos. O Bruno Vieira Amaral até está aqui a limpar a gargantola. Só por causa disso vais começar.

Boa!

Vais começar com um título que, de facto, enfim, "Killer Story".

"Killer Story".

O que é isto?

É um documentário, está na HBO, e o true crime já chegou à fase meta há algum tempo.

O que isso quer dizer?

A fase meta é que já não falas só de casos de crimes ou homicídios, serial killers, falas das pessoas que são fascinadas pelo true crime.

Mas isso também quer dizer que a fonte está a secar?

Não. Está a diversificar-se.

O Bruno vai estar num documentário em breve.

Brevemente será feito um documentário.

Vai ser o protagonista.

Não, porque este documentário, que está na HBO, como disse, parece que tem três episódios, nesta altura já estão disponíveis dois, e é a história. Começa assim: um jornalista do New York Times que recebe uma dica de uma leitora que lhe envia um e-mail a dizer: "Houve aqui um crime na minha aldeia, na minha viloria, mas isto não foi bem assim." É que ele é um duplo homicídio em que foi assassinado um casal, uma mulher e um homem, e ele era divorciado. Acho que os dois eram divorciados. E as suspeitas recaíram sobre a ex-mulher dele, que foi julgada e foi condenada. E esta senhora, que vivia nessa aldeia, sempre foi uma grande fã do true crime, ficou, claro, deliciada por ter havido um crime daquela dimensão naquela aldeiazita. E começa a investigar, ela e o marido. O marido também outro fascinado pelo true crime, começam a investigar e têm muitas dúvidas que tenha sido a ex-mulher da vítima a matar os dois. E eles têm lá as razões deles, e depois vão explicando neste primeiro episódio. O jornalista do New York Times não ligou nada. E diz que durante dois anos a senhora enviou-lhe e-mails, mais de mil e-mails, até que ele, ao fim desses dois anos, abriu o e-mail 1417. E havia uma notícia relevante: depois de ter sido condenada, o Supremo Tribunal tinha anulado a condenação. Ou seja, não tinha revertido o julgamento, mas a condenação, a sentença, dizendo que tinha havido ali uma série de falhas por parte do Ministério Público, que a tinha acusado. E ele: "Espera aí, agora pode haver aqui uma história." E então foi lá ter com este casal de senhores já dos seus 60 e tal anos, investigadores amadores. E este primeiro episódio então conta essa parte da história, das investigações que eles fizeram para tentar inocentar esta senhora que tinha sido condenada. O homem deste casal tornou-se advogado da acusada, que tinha sido condenada, e agora deixa em aberto, para o segundo episódio, uma questão que é: eles não só acreditavam, defendiam e provavam a inocência desta senhora, mas também tinham uma ideia muito concreta de quem seria o culpado. E a história é interessante, não é tanto o crime em si, que claro, é um duplo homicídio, é um crime grave, é o envolvimento destas pessoas, destes amadores e fascinados pelo true crime, que torna este documentário, que está muito bem feito, pelo menos este primeiro episódio que vi, mais interessante do que a média. Há outros casos de outros documentários que envolvem estes investigadores, estes detetives amadores. Este tem uma vantagem: é que são pessoas que, neste caso em particular, fizeram, aparentemente, uma investigação séria, mas eu acho que há outras reviravoltas aqui no meio disto tudo. A minha segunda sugestão também está na HBO e é um bocadinho cringe de ver. Aquilo sofre-se um bocado a ver este "O.J." , do O.J. Simpson, "Unseen". O.J Simpson, depois de ter sido ilibado pelo duplo homicídio da mulher e de outro senhor, Ron Goldman, tentou dar um novo rumo à sua vida. E meteu-se em várias coisas, uma das quais foi fazer um programa que seria para DVDs, que era um programa de apanhados, em que ele surpreendia as pessoas, aparecia, por exemplo, a vender carros, a entregar pizzas, e depois: "Ah, é o O.J. Simpson." Aquilo não tinha grande piada.

Uau!

Ele não tinha grande sentido de humor, apesar de haver testemunhos em sentido contrário. E o que é particularmente doloroso neste documentário, que tem quatro episódios. Claro que eles tentam rentabilizar aqui ao máximo as imagens que eram inéditas, da gravação desse programa e da entrevista que ele deu À produção do programa na altura. O que é interessante e doloroso é ver o declínio do O.J. Simpson, que isso diz-se a dada altura no documentário, era das três pessoas mais reconhecíveis da América, dos três rostos que qualquer americano sabia identificar. Se mostrassem aquele rosto: "É o O.J. Simpson." E ele não lidou bem com isso. E depois há outra questão que ainda provoca mais vergonha alheia, é que a dada altura, durante a produção desse programa de apanhados, começa a haver uma ligação entre as partidas que eram pregadas e o caso do homicídio. Por exemplo, ele a certa altura está a vender um Ford Bronco, que foi a carrinha, a picape em que ele fugiu, o amigo ia a conduzir, e aquela imagem célebre que aparece da perseguição policial. E há vários momentos em que são feitas piadas sobre o homicídio. Não nos podemos esquecer que esse caso nunca foi resolvido. Se ele foi ilibado, então quem é que foi o assassino? Nunca foi investigado. Ou seja, nunca se chegou à conclusão de quem é que tinha sido o assassino, nunca foi condenado ninguém por causa desse caso. E quem morreu foi a mãe dos filhos dele.

É estranho, no mínimo.

No mínimo é estranho. Eles tentam aproveitar ao máximo. O documentário em si, quanto a mim, não tem grandes qualidades de produção. No entanto, a figura do O.J. Simpson é tão magnética que mesmo que aquilo seja um acidente humano, tu não consegues desviar o olhar desse acidente.

Pedro Boucher e Mendes, vamos começar por um documentário que está na Filmin ou queres dar a volta aqui ao guião?

Eu acho que vou ganhar aqui ao Bruno, de documentários cringe e estranhos. Há um documentário na Prime chamado "Sex in the Soviet Union". Mesmo assim. Não tem um daqueles títulos cabeçudos e depois um descritivo.

Filosófico.

É uma coisa muito estranha e ao mesmo tempo que faz imenso sentido, que é uma abordagem, uma investigação sobre como era a conjugalidade, digamos assim, e a vida sexual das pessoas que viviam sob o jugo soviético.

Há quem diga que as mulheres nos regimes comunistas tinham muito mais prazer.

Bom.

É verdade!

Aquilo são entrevistas e muitos dos personagens falam, creio que em russo ou em ucraniano. Não são necessariamente homens e mulheres bonitos que divagam sobre Freud. São pessoas normais, que falam sobre a sua vida normal. Por exemplo, uma das coisas interessantes é que algumas mulheres tinham uma determinada dinâmica com o marido e depois tinham imensos amantes, onde tinham outro tipo de dinâmicas mais coloridas.

Bem, mas é o comunismo.

O regime mais tântrico.

Mas olha que eu acho que isso no capitalismo também existe.

O regime mais tântrico obrigava as pessoas a viver em casas. Eram muitos numa casa.

É a coletivização da enxada.

Ficas a ver o documentário. Não é muito fácil de ver, porque não é muito agradável.

Já me conquistaste, Pedro. Parece-me bastante interessante.

As pessoas não são como aquela personagem que falávamos na semana passada, a Sydney Sweeney. As personagens não são assim.

O que o torna mais interessante.

Torna interessante, mas um bocado difícil de ver. Mas "Sex in the Soviet Union", encontrei isto perdido na Prime, num dos meus momentos de tédio.

Ora, como tu chegaste a isso e como é que isso te despertou?

Mas tu não gostas desses momentos em que estás tão...

Esta conversa está extraordinária.

Eu agradeço.

Um documentário na Filmin, francamente, como direi, bom, mas ao mesmo tempo insuficiente, é o "I Am Martin Parr". O Martin Parr era um fotógrafo inglês que morreu há muito pouco tempo, que fotografava pessoas normais, vamos dizer assim, povo, mas não num sentido na aldeia, com enxada na mão e um cabrito lá ao fundo a roer uma bola de futebol, mas sim pessoas na praia, no algar de lá do sítio, nas paradas com a realeza. Sobretudo a parte da cor é uma parte muito eloquente. Eu gosto muito desse tipo de fotografia. Como se diz muito aqui em Portugal, é um gosto pessoal.

Que tu tens. É um gosto pessoal que tu tens.

Exatamente. É o meu gosto pessoal. Há quem goste e há quem não goste.

Não fica ali no limite as fotografias dele da normalidade, não parece grotesca.

Mas isso também é uma arte, conseguir esse equilíbrio fino.

Fica ali. As cores são tão...

É para verdade.

Aquilo tem convidados.

Parece estar distorcido. Parece aquele clipe dos Soundgarden, desculpa, Pedro.

Tem convidados que são pessoas do mundo das artes e admiradores do Martin Parr, que depois foi para a Agência Magnum, eu não fazia ideia. Ele foi para a Agência Magnum e metade da Agência Magnum disse: "Se ele vier para cá, nós vamos embora." E a outra metade disse: "Se ele não vier para cá, nós vamos embora, porque ele é o futuro", uma coisa assim. E então as fotografias dele criaram uma estética tão forte que a realidade se tornou como as fotografias dele. Eu gosto muito, "I Am Martin Parr". Parr tem dois Rs, P-A-R-R, como aquele uísque Old Parr.

Old Parr.

Estas referências que ele nunca soube.

Lembras-te? Finalmente, dois livros que saem esta semana de pessoas de quem eu gosto e conheço. Sou amigo de algumas, mas em Portugal somos todos amigos. Do Carlos Guimarães Pinto e do José Maria Pimentel, "Caos e Progresso: Como as Revoluções da Informação Nos Polarizam Antes de Criarem Sociedades Melhores", da Ideias de Ler. É um livro que não é muito extenso e tem essa vantagem logo à partida, mas é um fresco sobre o que estamos a viver, mas também já vivemos outras coisas. Isto tem a ver com os media, obviamente, e a questão da política e até acho que começa aí, como é que Gutenberg, a invenção da imprensa, da máquina de impressão.

Também tem a ver com o angertainment, que falavas no programa anterior?

Ainda não, mas tem a ver com as redes sociais no fim, e a rádio, o papel da rádio, etc. E a televisão, obviamente, e depois tem internet. Para quem se quer situar: "Afinal, isto aqui sempre foi assim, não foi?" Quem está em momento de tédio e se interroga. Quem está ali no Starbucks à espera de ser atendido, que é uma coisa que vai mudar no Starbucks, percebeste ou não?

Não.

O novo CEO promete diminuir o tempo de espera, que eles demoram imenso tempo.

Mas vão continuar a dizer o nome das pessoas?

Vão, vão escrever. E depois podes fazer piada.

Sim.

Batman.

Eu não, mas já assisti e não posso contar ao microfone.

Pronto.

Meu Deus.

Finalmente, mais afirmativo. "Portugal na Paz dos Bloqueios", de Pedro Gomes e Sanches, é um cronista do Expresso e comentador na Sic Notícias, lá no sítio onde eu trabalho.

Isto é uma camaradagem.

"Portugal na Paz dos Bloqueios: Como Nos Habituámos a Viver Abaixo das Nossas Capacidades", da editora Guerra e Paz. Qual é aqui a vantagem, pelo menos para pessoas como eu? É que este autor, este comentador e articulista opinion maker, tem acho que menos 10 anos do que eu, menos 10 ou talvez 12 do que eu, é de uma geração que não viveu em grande os anos 90, que no fundo foi quando eu comecei a trabalhar, ainda não havia montes de massa, não estávamos no euro. E é esta geração que cresceu e se tornou gente, se calhar como vocês, num país já em crise, sistemáticas crises. Vocês é que são do tempo dos mileuristas, eu ainda não sou desse tempo. Não sei se vocês usaram essa expressão uma vez, mas em que as pessoas ganham mal e o que é que falhou no país. "Portugal na Paz dos Bloqueios", da Guerra e Paz, do Pedro Gomes Sanches, e "A Causa e Progresso", do Carlos Guimarães Pinto e José Maria Pimentel. Dois livros para refletir sobre o presente, perceber o passado e antecipar o futuro.

E este Portugal que vivemos, este país que vivemos. Muito bem, eu queria dar aqui três notas de três ouvintes que nos escreveram. O primeiro é o Tiago Pintão, que tem 31 anos, ele partilhou esta informação conosco, é de Vila Nova de Gaia.

Ele provavelmente na escola era o Pintão.

É, provavelmente. É grande fã do nosso programa, portanto eu acho que fez uma boa escolha. É grande fã de banda desenhada e reconhece aqui as nossas referências ao gênero. Ele aliás, depois sugere que um dia falemos de manga ou mangá, como quiserem, esse gênero muito particular da banda desenhada.

Logo eu que ouvi de manga curta.

E envia aqui uma série de títulos. Eu não vou conseguir dizer tudo, até porque há alguns que têm nomes muito difíceis. Há uns um bocadinho mais fáceis, um que se chama "Vinland Saga" e que tem a ver com Vikings, por exemplo, e um que se chama "Berserk", diz ele, o Tiago Pintão, que é uma obra-prima de dark fantasy, e depois coisas mais exóticas com nome como "Jujutsu Kaisen" ou "Kagurabachi". Eu gosto muito destes nomes.

Podes ficar aí a retê-lo.

Eu achei que valia a pena. Depois, referência à sugestão da Patrícia Oliveira, que já fez várias sugestões para nós e que recomenda um filme que está na Filmin. É um filme búlgaro de 2017, realizado por Stefan Komandarev e que se chama "Táxi Sófia", e que tem a ver com a vida de um taxista.

Que é em Sófia.

Em Sófia, que leva uma grande reviravolta no meio dele.

Sabes que há uma avenida Verão Azul em Sófia? É só para eu saber.

É? E é Verão Azul, Verão Azul?

Por causa da série, sim.

Extraordinário. Não fazia ideia. E depois, uma mensagem que é um pedido de esclarecimento dirigido ao Bruno Vieira Amaral, da Maria Brito do Rio. Eu vou só ler um pouco a ver se tu consegues responder esta pergunta que é: "Já ouvi três vezes o episódio de sugestões do dia 7 de setembro". Isto é a nossa falha também, que fomos muito pouco profissionais. "E não consigo entender qual o nome da série dinamarquesa com cinco episódios, com casas com grandes janelões, eles altos e espadaúdos, olhos lindos, etc, de que fala o Bruno." Isto por quê? E eu fui ouvir, porque nós não dizemos o nome da série.

Ai, não.

Falhámos miseravelmente. Ficaram presos nas janelas.

É "O Sacrifício de Sangue", é essa?

Talvez.

É, "O Sacrifício", "Blodoffer".

"Sacrifício de Sangue".

"Sacrifício de Sangue".

Eu já não me lembro.

Era sobre-

É ficção?

É ficção. Aparecem os polícias decapitados. As casas têm uma grande pinta.

Pois são.

Tudo tem uma grande pinta nórdica. Aquelas palavras que eles têm.

Para dar nomes às coisas. Pronto, eu queria só corrigir a nossa falha, porque nós não dissemos o nome da série.

"Sacrifício de Sangue".

Está na Netflix. Obrigada à Maria Brito do Rio pela chamada de atenção, porque tal como ela sentiu necessidade de esclarecer isto, imagino que milhares e milhares de pessoas tenham sentido exatamente a mesma necessidade. E assim sendo, vamos fechar com as sugestões da Maria Ramos Silva. Ah, tu não trouxeste sugestões hoje? As sugestões são sugestões dos nossos ouvintes, que são muito mais importantes. Muito bem. As tuas sugestões, que eu desconheço, mas acredito que sejam extraordinárias.

Estes três e-mails.

Então já disse. Tiago Pintão, Patrícia Oliveira e a Maria Brito do Rio.

Estávamos atentos.

Um abraço aos nossos ouvintes.

Exato.

Traigo clássicos, primeiro no papel e no palco. Primeiro o Macbeth, o grande regresso.

Chiqueza, no papel e no palco.

É isso mesmo, o regresso ao Nacional. Está há não muito tempo. Li o Macbeth, mas numa versão que me arrependi um pouco.

Também estavas aborrecida?

Não, não estava. Li umas horas à tarde, foi uma bela leitura.

Foi uma mangá comprida.

Foi. Isso mesmo.

Desculpa. É imensa desculpa.

Foi uma mangá de avião.

Não, agora já estamos a levar isso.

Já não funciona.

Já foi.

Bom.

Sim.

Este amigo que volta aqui ao palco, a famosa peça escocesa, maldita, em 1964 não correu muito bem, como sabem.

Acabou tudo a arder.

Acabou tudo a arder. Curiosamente, acho que quando houve aqui um ensaio, também houve um incêndio na baixa.

Foi o Nicola que revelou a situação.

Pois é, convém ter muito cuidado a manusear os clássicos.

Eu gostaria.

Mas bom, isto por dizer, eu tinha lido uma edição de há 10 anos, eu acho que até foi lançada pelo próprio Nacional.

Mas a obra não mudou.

Mas a tradução faz muita diferença, Tiago Pereira. Esta tradução, a mais recente, a de 2023, é do Daniel Jonas, e parece-me que é bastante melhorada. Portanto, se quiserem atacar alguma, eu recomendo essa.

Vão por esta.

Vão por esta. E depois, em podendo também passar pelo Nacional, que está renovada, a sala Garreta. Eu já passei por lá, tive a sorte de passar por um ensaio corrido uns dias antes da estreia.

Sortuda.

Não vi tudo, mas vi o suficiente. Exato, e depois entrei. Naquelas portas, foi difícil sair.

Vou ver, Maria.

Mas tu vais ver?

Vou, sim.

Pronto. Se calhar a esta altura até já terás visto, não?

Não, ainda não.

E por que não há nenhuma plataforma de apostas chamada Macbeth?

É, isso era especial.

Quem é que diz? Se calhar há.

Se calhar há.

Não, é que é uma parceria entre McDonald's e Macbeth.

Uma mistura de casa de apostas com McDonald's.

Desculpa, Maria, acho que é uma das razões por nos Estados Unidos chamarem de prediction houses, acho que não podem dizer que é uma aposta. Acho que é uma questão legal.

Pronto, então é isso.

Apostar ou não apostar.

Exato. Maria, continua.

Mas bom, só para enquadrar, só para fecharmos aqui isto. Esta peça tem encenação do Pedro Peni. E eu estava a pensar num clássico, nós já falámos aqui de clássicos em outras ocasiões. Resumidamente, é uma história de medos, de culpa, de ambição, com uma personagem ali lateral que acaba por ser tão ou mais importante que o próprio Macbeth, que é a famosa Lady Macbeth, que é aquela que na verdade industria ali o seu homem a comportar-se como homem, como ela acha que deve ser. É que não é assim provavelmente muito virtuoso, mas enfim. Mas isto foi levado à cena, estamos a falar de um clássico, uma tragédia do Shakespeare, e que foi levado à cena pela primeira vez em 1660.

Estavas lá?

Não, eu gostava, gostava de ter estado lá.

Acho que a Sidney Sweeney daria uma boa Lady Macbeth.

Talvez.

Olha.

Talvez.

Mas eu dei por mim a seguir o texto, e não sei se outros espetadores darão por si a pensar nisto. E de alguma forma, neste mundo, lá está. Mas que tem a ver um pouco com o Sioni, se quiseres, num mundo tão literal em que vivemos, em que quase temos o discurso e o entendimento resumido a hieróglifos, que na verdade são os emojis. A ironia não passa, o sarcasmo não passa. São textos escritos há vários séculos, com um discurso que está totalmente deslocado daquilo que é o nosso discurso hoje. E eu dei por mim a pensar quantas pessoas, na verdade, vão apanhar isto, sobretudo aquelas que não tiverem sequer contactado com o texto. Eu acho que há ali toda uma dimensão no teatro e no palco que está obviamente para lá disto. Mas se quiseres ir ao osso do texto, eu fico com grande perplexidade, de facto, a imaginar para quem é que isto é feito hoje. E como é que um miúdo que vive na geração do TikTok vai ler, seguir e viver um texto destes. Vem a este propósito uma outra sugestão, que também tem aqui uma data redonda e que é outro clássico: As Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift, uma edição da Quetzal, com a tradução da Rita Cipriano, também é uma pessoa que eu muito estimo e que conheço. E aliás, estivemos a falar um pouco sobre isto, eu perguntei-lhe como é que foi este desafio de traduzir mais esta empreitada de um clássico, ela que é uma grande fã, como sabes, dos clássicos, e para quem no fundo é que são estas obras.

Dos antigos.

Dos antigos, aquelas coisas com pó, precisamente. Falamos de uma coisa que faz 300 anos. E ela notava uma coisa extraordinária, que de facto faz muito sentido, que é: na verdade, a virtude de uma obra em particular destas aventuras do Jonathan Swift, é o lado da fantasia. Aquilo que nós guardamos não é a crítica social que na altura foi feita pelo autor irlandês, que há muito e que está ali completamente enquadrada. Nós muitas vezes nem damos por isso, aquilo que sobrevive até hoje e que de alguma forma continua a ser o sucesso desta história é aquela imagem de um homem grande que chega a uma terra de homens pequeninos, preso pelos homens pequeninos, pelos liliputs. E de facto, há essa virtude nos clássicos que acaba por estar para lá das capacidades discursivas daquilo que nos chega depois pela pôrra do tempo, que também é interessante. Recomendo a edição, que está lindinha lá dentro, como fica claro aqui pela tradução da Rita, mas também por fora, por ter uma bela capa e estas coisas ajudam sempre.

Importa muito.

Por fim, uma sugestão muito rápida de passeio, de experiência para quem está em Lisboa, para quem passar por Lisboa. Inaugurou na sala subterrânea da estação do metrô do Terreiro do Paço, uma daquelas experiências imersivas e interativas em 3D, realidade virtual, chama-se Smithsonian: Viagem pelo Cosmos. E para quem não chegou o eclipse e adora este tipo de universos, eu acho que é um belíssimo passeio, com miúdos que podem ir a partir dos 10 anos. Andam ali pelos observatórios da Terra, telescópios espaciais. É uma coisa que acho que pode ser um belo passeio para quem sequer quer distrair da praia e procurar aqui uma coisa na cidade.

Até porque o verão nunca mais acaba, meus amigos.

Não, e lá está, eu estou à espera que seja um sítio mais fresquinho. Tu, por exemplo, que gostas de fugir do calor.

Eu gosto do fresquinho. Enfim, sugestões entregues. Estão sempre disponíveis em podcast. Sigam-nos. Não percam nenhuma destas doses. Nós voltamos na quinta-feira. Até lá.