Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
António Mexia e João Manso Neto ficam assim suspensos de funções na liderança da EDP e da EDP Renováveis. Junta-se agora a nós o comentador do Observador, Paulo Ferreira, para nos ajudar a perceber os impactos económicos desta decisão. Boa tarde, Paulo Ferreira. Perguntava antes de mais, qual é o impacto que uma decisão judicial destas pode ter numa das empresas mais importantes da Bolsa portuguesa?
É verdade, num grupo com duas empresas, antes de mais, o impacto reputacional é gravíssimo. Aliás, o Luís Rosa acabou de dizer que as empresas EDP e EDP Renováveis não estão, enquanto instituições, envolvidas neste caso, mas obviamente que o nome delas está a ser arrastado por aquilo que é imputado aos seus gestores. Esse impacto reputacional é o primeiro a surgir à cabeça e, como duas empresas cotadas que são, estão também a sofrer impacto e os investidores da EDP estão a sofrer esse impacto. Eu estava agora a espreitar a última cotação das duas empresas. A EDP está a cair neste momento 2,4%, as ações em Bolsa, e a EDP Renováveis 2,18%, numa inversão de preço assim que se soube desta decisão. Obviamente que os acionistas não gostam de ver o nome das empresas que dominam arrastado para processos destes. E esse é o maior impacto, porque em termos de gestão executiva, estas empresas estão preparadas, têm comissões mais alargadas e, sem pôr em causa o know-how dos gestores agora implicados e que vão ser afastados de funções, obviamente que têm estruturas para manterem a sua estratégia e para continuarem a ser geridas. Há aqui decisões importantes a tomar pelos acionistas, nomeadamente, a mais imediata é, além da substituição imediata destes dois gestores, se a médio ou longo prazo, independentemente da evolução destes processos, se eles vão continuar ou não ligados à empresa.
Eu perguntava-te exatamente isso. Tendo em conta que a EDP é cotada em Bolsa e todo o impacto reputacional desta decisão de que falavas, é importante a empresa tomar uma decisão rápida sobre essa sucessão de António Mexia e de Manso Neto?
Absolutamente.
Que riscos é que pode correr ao adiar uma tomada de decisão?
O risco é o risco da incerteza e os investidores não gostam de incerteza e não gostam, sobretudo num caso que não se sabe onde é que vai parar. Estamos no início, ainda não há sequer julgamento marcado. Estamos na fase das medidas de coação e não se sabe onde é que este caso, como vai acabar e onde vai acabar. Há aqui um fator risco ainda para a frente, além de tudo aquilo que já se está a passar, e obviamente que os acionistas vão querer o mais possível acabar com isto depressa e tirar o nome das empresas e o aumento dos danos reputacionais deste caso. A rapidez da decisão vai ser importante, não só para uma substituição rápida e imediata destes dois gestores, como eventualmente, olhando mais para o futuro, clarificando já se eles terão condições, independentemente da evolução deste caso judicial, se eles terão ou não condições no futuro de voltar às empresas. Eu diria que o mais normal nestes casos é que rapidamente se feche esse ciclo e as empresas possam seguir em frente com uma nova gestão, claramente.