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Boa tarde, Rui Pedro. Como é que caiu esta notícia na Universidade de Verão do PSD de que André Ventura está a ameaçar com uma moção de censura?
Acho que com relativa tranquilidade, ou seja, havia a circunstância de estarem dois vice-presidentes na sala quando André Ventura fez este ultimato, mas também já não seria surpresa para ninguém que André Ventura pudesse avançar mesmo com uma moção de censura, coisa que ele próprio ainda não confirmou, e portanto, não é nada que tenha surpreendido os dois vice-presidentes que aqui estão, que era Carlos Moedas e Sebastião Bugalho, que acabou por dar essas bem fugidias declarações e reações. Agora, o que me parece também que dá parte dessa tranquilidade é o PSD saber que a disponibilidade do Partido Socialista para aprovar uma moção de censura do Chega é praticamente nula, para não dizer completamente nula. Portanto, naturalmente, que a moção de censura será apenas um palco que André Ventura utilizará para desgastar o governo e toda a instabilidade que uma moção de censura pudesse, de facto, ser aprovada podia trazer, não existe. O que não significa que o governo não esteja preocupado com o desgaste permanente, em particular do ministro que André Ventura pede para que saia do governo. Mas também aí, mesmo que o governo estivesse a pensar, e não está, e não identifica esse como um dos principais problemas da governação. O que identifica como os principais problemas são precisamente o aumento do custo de vida e outras questões da governação que dizem mais às pessoas, nomeadamente a educação e a crise dos exames. Portanto, o caso Luís Neves nem sequer é uma prioridade a resolver do governo, não está no horizonte. Mas mesmo que estivesse, um ultimato de André Ventura teria o efeito contrário. Mesmo que tivesse a pensar sair, nunca seria em reação. André Ventura já sabe a resposta ao ultimato, é: Luís Neves não vai sair, como é óbvio. Provavelmente André Ventura vai avançar pra uma moção de censura. Constitucionalmente, se ele apresentar na terça-feira, na próxima sexta lá estaremos no Parlamento a discutir uma moção de censura, que é um bocadinho como o Titanic, quando vamos ver, já sabemos como é que acaba. E portanto, não há grande surpresa vir daí, que é uma moção de censura que será chumbada e o Chega aproveitará, dentro daquilo que é uma legitimidade constitucional, esse instrumento para fazer oposição ao governo e para dizer tudo o que tem a dizer ao governo, que vai mal, naturalmente, é isso que se espera desse debate da moção de censura.
Mas falemos desta Universidade de Verão do PSD. Está a decorrer durante toda esta semana, ainda vai decorrer até domingo e os últimos dias têm colocado várias figuras do governo e do PSD a discursar. Ainda ontem Luís Montenegro falou, também já durante esta semana, saiu em defesa do próprio ministro e a elogiar muito o trabalho. Queria perceber ao certo que linha tem seguido o governo nestes últimos dias e se achas também que este posicionamento de André Ventura hoje anunciado por parte do Chega, se pode mudar a reta final da Universidade de Verão do PSD e os discursos que ainda vamos ter.
Sim, na verdade, acabam por ir um bocadinho, não é em crescendo, mas o momento principal da Universidade de Verão é sempre a intervenção do primeiro-ministro, em que será natural que apresente algumas medidas até em áreas setoriais que eventualmente possa identificar que são necessárias, nomeadamente, por exemplo, a educação. Não sei se falará ou não da revisão constitucional, mas a grande expectativa é que, de alguma forma, Luís Montenegro dê um passo em frente, ou seja, uma fuga em frente, no sentido de falar de matérias de governação para acabar com este ruído e esta instabilidade. Sendo que a linha dos ministros e principais figuras do partido que têm passado por aqui, tem sido: "Olhem bem para os três líderes, só um deles é que é prime ministriável, ou seja, só um deles é que tem condições para ser primeiro-ministro. Nem José Luís Carneiro, nem André Ventura têm essa capacidade." Isso tem sido a linha mais comum das pessoas que vêm aqui falar, seja o vice-presidente Paulo Rangel, o próprio porta-voz Sebastião Bugalho e também o Hugo Soares, que é secretário-geral e simultaneamente líder parlamentar, tiveram todos essa linha. Ou seja, o Luís Montenegro é o único dos três capaz agora. Mais do que ultimatos que possam assustar o PSD, o que pode verdadeiramente assustar o PSD é um mapa cor-de-rosa, que é alguma sondagem que o PS apareça à frente e também que o PSD não esteja bem classificado. Até já vimos aí no passado algumas sondagens durante o verão em que o PSD aparecia em terceiro. Portanto, o grande problema do PSD que está identificado, os próprios sabem isso, não é a sustentabilidade da Segurança Social, não é sequer o caso Luís Neves. O grande problema que está identificado é o custo de vida e as pessoas estarem a sentir que não estão a viver melhor. Isso é que pode ser o grande problema para o governo, não a curto prazo, mas a médio prazo, quando vierem eleições e não sabemos se a legislatura chega ao fim e com todo este ruído e esta instabilidade, até é provável que não chegue.