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Junta-se a nós neste jornal em direto Jorge Fernandes, politólogo, comentador residente do Café Espanha aqui da Rádio Observador. Bom dia, Jorge. Também te juntas à maioria que encontra um vencedor claro neste frente a frente?
Sim. Bom dia, Carla.
Bom dia.
O vencedor foi claríssimo. Eu acho que Sánchez ainda deve estar a tentar perceber o que lhe aconteceu, porque acho que a vitória de Feijóo, em primeiro lugar, foi inesperada, mas mais do que a vitória, foi a dimensão da vitória, foi arrasador. E eu próprio não estava à espera, porque Sánchez é muito forte em debate, ou costumava ser muito forte em debate, historicamente, não só em televisão e nos meios mediáticos, mas também quando se apresenta enquanto primeiro-ministro nos debates nas Cortes, costuma ser muito forte e, portanto, foi completamente inexplicável aquilo que se passou ontem à noite, porque vimos, de facto, um Sánchez completamente, muitíssimo nervoso. O único ângulo de ataque praticamente era a questão do Vox e era a questão de tentar ligar o PP ao Vox e tentar apresentar de alguma maneira o PP e o Vox como sendo um mesmo partido. Portanto, se Sánchez estava à espera que o debate pudesse ser o momento de viragem na campanha eleitoral, que poderia de alguma maneira ainda tentar projetar o PSOE para uma potencial vitória, isso falhou em toda a linha.
E, portanto, parece cada vez mais claro que o PP será o vencedor das eleições do dia 23. Riscamos a pensar que Feijóo poderá pedir uma maioria absoluta?
Ontem, durante o debate, eu pensei isso. Acho que a performance de Feijóo foi, de facto, muito superior àquilo que provavelmente todas as pessoas no PP estavam à espera. Embora acho que Feijóo teve claramente dois pontos fortes e teve um ponto, na minha opinião, um bocadinho mais fraco. O ponto forte foi que claramente conseguiu, apesar de tudo, desmontar a narrativa acerca do Vox, tirou da cartola aquilo que vocês já passaram aí na peça, aquela ideia de um pacto, que já tinha dito, não foi uma novidade ontem no debate.
Mas houve aquele número de assinar o contrato.
Mas isso não foi uma novidade do debate. Ele já várias vezes tinha dito que queria fazer um pacto entre o PSOE e o PP, no fundo, em que ambos os partidos garantiam um cordão sanitário para que nem a extrema-direita nem a extrema-esquerda conseguissem influenciar o governo. Obviamente que Sánchez não está em condições de fazer esse tipo de oferta, porque aquilo que temos assistido dentro do PSOE, que são variadíssimos, vários problemas internos, com muitos barões a atacar o próprio líder do partido no dia em que perdeu as eleições, o Pedro Sánchez está absolutamente condenado e sairá do partido a prazo. Onde eu acho que Feijóo esteve menos bem e esteve mal mesmo, e acho que isto nem foi um problema só de Feijóo, foi um problema do debate em geral, é que, de facto, o debate sob o ponto de vista substantivo e das propostas, foi um debate fraco. Eu moro em Espanha, eu moro em Madrid, e se tentares trair algum tipo de substância e de tentar de alguma maneira utilizar aquele debate enquanto momento clarificador sobre aquilo que cada candidato propõe para o futuro do país, sobra muito pouco e isso aí foi, de facto, o debate não foi muito esclarecedor.
Mais a forma do que a substância. Jorge Fernandes, muito obrigada pela tua análise. Politólogo, comentador residente aqui na Rádio Observador, não só do Fora do Baralho às sextas-feiras, mas também no Café Espanha, que está a acompanhar estas eleições legislativas espanholas antecipadas