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Está aqui connosco o Edgar Caetano, é jornalista da editoria de economia do Observador e sobre este impacto, Lagarde fez, Edgar, uma referência ao caso português.

Fez. Incluiu Portugal num conjunto de países, Finlândia também, Espanha, alguns países bálticos, que estão a sofrer mais com este aumento repentino das prestações. E por quê? Porque são países onde há uma maior percentagem de famílias que têm créditos indexados às Euribor, às taxas variáveis, porque há muitos países, como a Alemanha, por exemplo, onde a percentagem é maior de pessoas que têm taxa fixa. E portanto, nestes países, como Portugal, sente-se mais este impacto.

O Nuno Rico, que esteve aqui há uma hora e economista da DECO Proteste, falava em 93% dos empréstimos em Portugal que estão indexados a taxas variáveis à Euribor.

Já será um cadinho abaixo disso, porque tem havido mais recurso a crédito de taxa fixa e taxa mista, mas sim, é na ordem desses valores que referiu o Nuno Rico.

Christine Lagarde antecipou se vamos ou não ter novos aumentos no futuro ou se estes aumentos, foi o sétimo consecutivo, escreves tu no Observador, vão ficar por aqui?

É quase certo que não vão ficar por aqui, porque ela disse, em contraste com aquilo que disse ontem Jay Powell nos Estados Unidos da América, da Reserva Federal, Christine Lagarde disse claramente que não estamos a tomar uma pausa. A pausa que está a ser feita, embora não seja reconhecido formalmente que assim é, mas a pausa que está a ser feita nos Estados Unidos, neste trajeto de subida dos juros, a presidente do BCE quis sublinhar de forma muito enfática que isso não está em cima da mesa na zona euro. As taxas de juros vão continuar a subir, a menos que aconteça alguma coisa muito inesperada.

Sendo que o ritmo de subida da inflação até está a baixar, não é?

Sim, o ritmo de subida de preços está a baixar. A inflação está a baixar um cadinho, mas ainda assim está muito elevada pra aquilo que o BCE quer, tem como objetivo, que é 2%. E não só está neste momento, como não se perspectiva que baixe ou que desacelere ainda mais a um ritmo que seja aceitável. E houve governadores dentro do BCE, presume-se que seja, por exemplo, o governador alemão, que até pediu um aumento maior, de 50 pontos.

À semelhança do anterior.

Dos anteriores, três anteriores. E, portanto, percebemos que há aqui ainda um grande ímpeto dentro do BCE para que os juros subam. E isso vai continuar a ser o caso.

Edgar, pra quando então esse novo aumento já perspetivado por Christine Lagarde?

É de seis em seis semanas, portanto, será em junho. Em meados de junho teremos certamente um novo aumento que deverá ser de mais de 25 pontos.